sexta-feira, agosto 07, 2015

Madonna ucraniana

O estúdio de Lviv, TretiPivni (TerceirosGalos), apresenta a Madonna ucraniana. As vestes – Polissya Ocidental; lenços – manufactura de Prokhorov, eram muito comuns na região; todos os adereços são originais, fabricados no fim do século XIX – início do século XX.
Mas para que a Madonna pudesse em paz cuidar do seu filho (e de todos nos), é preciso que alguém defenda e proteja a própria Madonna. Dai o quadro chamado “Breath and Life” da autoria da pintora lituano-ucraniana Beata Kurkul...
Beata Kurkul: "Breath and Life"

A formação da nova guarda fronteira da Ucrânia

O Serviço Estatal de Guarda Fronteira da Ucrânia começou o projeto – piloto de recrutamento de novos funcionários ao serviço nos dois aeroportos internacionais de Kyiv – Boryspil e Kyiv (ex-Zhulyany). No primeiro dia do concurso foram recebidas 136 aplicações para 160 vagas.
Na sua primeira fase, que irá decorrer até o dia 20 de agosto, o concurso é aberto apenas aos funcionários da guarda fronteira ucraniana no ativo. Na segunda fase, o concurso estará aberto à todos os candidatos, que desejam prosseguir com a carreira na defesa da soberania e segurança da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, os novos funcionários da guarda fronteira terão o novo fardamento. Com as pequenas alterações, adaptações e melhorias, as fardas serão semelhantes às das fotografias, informa o Serviço, na sua página da Facebook.

O recrutamento na região de Donetsk

O Serviço Estatal de Guarda Fronteira da Ucrânia anunciou o início de recrutamento dos cidadãos ucranianos, moradores na região de Donetsk, de 19 à 35 anos, da ambos os géneros, para o serviço militar contratual no posto de controlo “Novotroitske”, com a colocação permanente na cidade de Volnovakha. Os voluntários farão parte de uma unidade recém-criada de guarda fronteira que será responsável pela criação de condições condignas de travessia dos cidadãos, entre Ucrânia continental e os territórios temporariamente ocupados pelas forças russo-terroristas (FONTE).

Morreram pela Ucrânia

No dia 31.07.2014, às 03h12, o posto de controlo ucraniano “Ulyanivske” foi alvejado, de surpresa, pelas armas ligeiras, à partir do território da federação russa. Um grupo terrorista de sabotagem, abriu fogo contra as instalações da fronteira estatal ucraniana, usando morteiros, RPG e armas ligeiras. Em resultado deste ataque traiçoeiro morreram cinco e foram feridos onze militares da GF da Ucrânia.

Recordaremos para sempre os nomes dos militares caídos no decorrer do seu dever patriótico: furriel Yuri V. Filipovsky, soldado sénior Oleksandr O. Basak, 2º sargento Rostyslav O. Chernomorchenko, 2º sargento Oleh V. Parshutin e 2º sargento Serhiy M. Hulyuk (fonte e fotos).
Eles caíram em combate contra o terrorismo russo, mas não cederam no seu juramento solene de defender a soberania e independência da Ucrânia.

Glória aos Heróis!

quinta-feira, agosto 06, 2015

Obreiros da Revolução: Setor da Direita

A revista semanal ucraniana “Ukrayinskiy Tyzhden (Semana Ucraniana), dedica a sua próxima edição ao “Setor da Direita”, tentando olhar para estes obreiros da Revolução de Dignidade sem os óculos cor-de-rosa.

A jornalista Lera Burlakova tentou desvendar todos os segredos mal falados do PS, sim, estes realmente existem, mas não são tão maus como parecem aos oponentes dos voluntários ucranianos. Romko Malko conseguiu uma entrevista muito franca com o comandante do Corpo Voluntário Ucraniano (DUK PS). Denys Kazansky quase que escreveu o trabalho de doutoramento: “A imagem do Setor da Direita na imprensa russa, como a propaganda dá o efeito oposto”.

A ocupação soviética da Letónia
A 1ª página da voz do regime soviético, jornal "Pravda", do dia 6 de agosto de 1940, à exortar a decisão "livre" da Letónia
No dia 5 de agosto de 1940 (após a ocupação de facto, em 17 de junho de 1940), a União Soviética, incorporou o país ocupado no seu ordenamento jurídico. A ocupação da Letónia e de outros dois Países Bálticos nunca foi reconhecida de jure pela maioria dos países ocidentais. Pelo contrário, a Alemanha nazi, não apenas reconheceu a anexação, mas no decorrer da sua própria ocupação do país, em 1941 – 1945, considerava Letónia como o território soviético ocupado, de acordo com pacto secreto Molotov-Ribbentrop, assinado em Moscovo em 1939.
Bundesachiv-Bild: Estaline e von Ribbentrop no Kremlin, 1939

quarta-feira, agosto 05, 2015

RIP Robert Conquest, coveiro do comunismo soviético

Morreu Robert Conquest (15.07.1917 – 3.08.2015), o historiador que desempenhou um papel de liderança no endurecimento da posição ocidental em relação à União Soviética no decorrer da Guerra Fria, narrando os horrores do comunismo soviético.

Robert Conquest, o escritor que morreu aos 98 anos, era um polemista e um poeta sério; mas acima de tudo, ele era um historiador, um dos estudiosos proeminentes de seu tempo, cujos livros fizeram muito para alterar a nossa visão da experiência comunista.

Conquest personificava a verdade de que não há um anticomunista dedicado, senão um ex-comunista. A sua carreira ilustrou também o que o escritor italiano, Ignazio Silone, outro ex-comunista, quis afirmar quando disse ao líder comunista Palmiro Togliatti que “a batalha final” do século XX teria que ser travada entre os dois lados que eles representavam.

Um bolchevique ardente quando jovem, Conquest tornou-se um inimigo decidido de socialismo soviético. Ele visitou a URSS pela primeira vez em 1937 como um jovem devoto. Voltando só meio século depois, em 1989, passado a sua vida, narrando os horrores que o país tinha sofrido, e na opinião do historiador de Oxford, Mark Almond, sendo “um dos poucos heróis ocidentais do colapso do comunismo soviético”. Ou como disse o historiador Timoty Garton Ash: “Ele era Solzhenitsyn antes de Solzhenitsyn”.

De suas muitas obras sobre o assunto, talvez a mais importante foi o “Grande Terror”, publicada em 1968, detalhando a enormidade completa do que Estaline tinha feito aos povos da URSS em 1930 e 1940. O escritor mexicano Octavio Paz pagou o tributo mais sucinto ao livro, quando disse em 1972 que o “Grande Terror” tinha encerrado o debate sobre o estalinismo.
Na década de 1970 Conquest foi convidado a conhecer o líder da oposição, Margaret Thatcher para discutir a ameaça soviética. [...] A sua reunião começou às 09h30 e eles ainda estavam falando ao meio-dia. Em junho de 1978, a senhora Thatcher estudou fortemente um manuscrito de um dos livros de Conquest, “Present Danger” (1979), para um grande discurso sobre a política externa que ela fez em Bruxelas. O tema do livro (e do discurso) foi, nas palavras de Conquest: “não há nada que os russos podem fazer desde que mantenhamos de forma certa o nível de nossos armamentos”, dedicando o trabalho à senhora Thatcher. [...]

George Robert Conquest Acworth nasceu em 15 de Julho de 1917 [...] Foi educado em Winchester [...] Entre a escola e a Oxford ele tinha vagueado pela Suíça e França, onde fez amizade com Walter Bernstein, um americano de sua idade, ele próprio mais tarde um roteirista (e comunista). Este lembra-se de Conquest em 1936 como “um comunista muito militante”, à caminho de Espanha para uma antifascista “Olimpíada dos Trabalhadores”.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Conquest se voluntariou ao serviço militar e foi colocado na infantaria ligeira de Oxford e Buckinghamshire. Transferido para o Corpo de Inteligência (Intelligence Corps) no fim da guerra, à partir de 1944, ele serviu na Bulgária como oficial de ligação às forças búlgaras lutando sob comando soviético, e mais tarde, como o adido de imprensa da missão militar britânica na Comissão de Controlo Aliado, em Sófia. Em 1945 o seu poema “Pela morte de um poeta” ganhou o prémio PEN do Brasil para o melhor poema longo da Segunda Guerra Mundial.

Após a desmobilização, Conquest se juntou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas continuou a desempenhar as mesmas tarefas na missão britânica em Sofia. Em 1948, porém, ele foi chamado de volta à Londres, após ajudar à dois búlgaros à sair do país, agora sob o domínio de linha-dura de estalinismo.

Conquest continuou a trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros até 1956, tornando-se cada vez mais envolvido na contra-ofensiva intelectual contra o comunismo. Durante vários desses anos, ele trabalhou para o “departamento-sombra” dos Negócios Estrangeiros – Departamento de Pesquisa e Informação (IRD). [...] No IRD ele escreveu várias peças que usou para os seus trabalhos posteriores. Uma delas era sobre os meios soviéticos da obtenção de confissões e devia ser elaborada em “Grande Terror”. Outras obras eram a “Coexistência pacífica em Propaganda e Teoria Soviéticas” (“Peaceful Co-existence in Soviet Propaganda and Theory”) e a “Frentes Unidas – uma tática comunista” (“United Fronts – a Communist Tactic”), descrevendo o destino dos partidos democráticos nos países da Europa de Leste, após a sua tomada (pelas ditaduras comunistas).

O IRD foi chamado às vezes de uma operação propagandista, mas é possível certificar o grau de seriedade e de qualidade do seu trabalho pelo facto de que muito do que foi produzido, foi posteriormente publicado na Série dos Estudos soviéticos. Quando um esquerdista americano acusou Conquest de “falsificação” e de “propaganda negra”, Conquest desafiou-o a encontrar uma única falsidade nesta série. Não houve resposta.
Depois de deixar o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Conquest ocupou uma série de cargos académicos e jornalísticos. Era professor na London School of Economics (1956-58); editor literário do “The Spectator” (1962); professor na Universidade de Columbia (1964-65). Na década de 1970 e no início de 1980 ele era um colaborador regular de coluna “Visão Pessoal” do jornal “The Daily Telegraph”. Ele teve outras nomeações nos centros de investigação americanos, em Washington e na Instituição Hoover, na Califórnia, e foi neste último que ele finalmente se estabeleceu em 1981.

Os seus primeiros livros sobre a URSS, como “O senso comum sobre a Rússia” (1960), “Poder e Política na URSS” (1961) e a “Rússia Após Khrushchev” (1965) foram trabalhos sólidos, ao invés de emocionantes. Mas foi o “Grande Terror” que realmente estabeleceu a sua reputação como um historiador. Até o momento em que a obra foi publicada a Guerra Fria estava em sua terceira década e houve, aparentemente, poucas ilusões sobre a URSS. Ao mesmo tempo, Conquest abriu muitos olhos à escala completa de horror e tudo o que ele escreveu foi validado, quando os arquivos soviéticos foram finalmente abertos. De fato, os números de vítimas de Estaline que Conquest tinha avançado, e pelo os quais ele havia sido ridicularizado, têm sido constantemente revistos, em alta, pelos jovens historiadores russos, situando-se em pelo menos 25 milhões de vítimas. A maioria destas mortes não foram ordenadas pelo ditador em pessoa, mas muitas foram. Conquest descreveu como um dia, em 1937, Estaline e Molotov pessoalmente aprovaram 3.167 sentenças de morte, e depois foram assistir um filme.

Esse livro foi seguido por outras grandes obras sobre a URSS. Estes incluíram a “Nação Assassina” (The Nation Killers) de 1970, sobre a guerra, quase genocida, do Estaline contra as  nacionalidades menores, o tema reexaminado em “Stalin: Breaker of Nations” (1991). Depois vieram “Lenine” (1972), “Kolyma” (1978), “Inside Stalin’s Secret Police” (1985) e “The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivisation and the Terror-Famine” (1986), (a obra dedicada ao Holodomor ucraniano de 1932-1933).
Em “Estaline e o assassinato do Kirov” (1989), Conquest examinou o assassinato por “oportunistas”, em 1934, do 1º secretário do PCUS de Leninegrado, um evento usado pelo Estaline como um pretexto para desencadear a primeira onda de terror. Como Conquest demonstrou, a morte de Kirov era de facto um pretexto, e que tinha sido encomendado pelo próprio Estaline.

Apesar de seus pontos de vista sobre o comunismo, Conquest continuou a se considerar como um homem de esquerda moderada, votou nos trabalhistas até a chegada de Margaret Thatcher, e sublinhou que os seus aliados políticos americanos mais calorosos eram os democratas.

Ele foi um dos primeiros a compreender a fraqueza da URSS pós-stalinista e inépcia de sua liderança que, como disse ele à um comité do Senado em Washington em 1970, era “intelectualmente de terceira categoria e propensa à cometer os erros”. Ele também foi um dos primeiros à prever a desintegração da União Soviética.
Em suas duas últimas obras, “Reflections on a Ravaged Century” (1999) e “The Dragons of Expectation: Reality and Delusion in the Course of History” (2004), Conquest baseou-se em décadas de estudo histórico para rastrear como as ideias sedutores vieram para corromper as mentes modernas, muitas vezes, com efeitos desastrosos e discutir por que e como as pessoas poderiam ser tão cegos para o que estava acontecendo. [...]

Entre outros interesses, Conquest era um membro vitalício da Sociedade Interplanetária Britânica, para a qual ele foi recrutado por um funcionário público jovem, chamado Arthur C. Clarke. Ele também publicou um romance de ficção científica, “Um mundo da diferença” (A World of Difference). A sua última coleção de poesia, “Penultima”, foi publicada em 2009.

Robert Conquest é cavalheiro da Ordem do Império Britânico (1955) e da Ordem de São Miguel e São Jorge (1996). Em 2005 foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade (EUA).

Ele foi casado quatro vezes. Com Joan Watkins (1942-1948) teve dois filhos. Se casou, então com Tatiana Mihailova (1948-1962) e Caroleen McFarlane (1962-1978). À partir de 1979, ele estava em um casamento excepcionalmente feliz com Elizabeth “Liddie” (Neece, em solteira), que o sobrevive com os seus filhos.

Ler o obituário original em inglês:
http://www.telegraph.co.uk/news/obituaries/11782719/Robert-Conquest-historian-obituary.html

terça-feira, agosto 04, 2015

A nova fraude das autoridades russas

O Comité de Investigação da Rússia, o mesmo que já mais de um ano está à falsificar o caso criminal contra a piloto ucraniana Nadia Savchenko, publicou o “Livro branco dos crimes...”, alegadamente ucranianos, cometidos na região de Donbas, usando como a capa da obra uma foto falsificada, imagem de Donetsk, manipulada pelo programa Photoshop.

O primeiro à noticiar o caso foi o repórter especial do jornal russo “Komersant”, Ilya Barabanov, no seu Facebook.

Isso é muito risível.
O Comité de Investigação publicou o “Livro branco dos crimes – tragédia do sudeste da Ucrânia”. No comunicado de imprensa na página do CI é mencionado que o livro saiu sob a redação do próprio Alaksandr Bistrikin (o chefe máximo do Comité).
Limpezas punitivas das localidades, assassinatos das mulheres e crianças, raptos e assassinatos dos jornalistas, torturas dos cidadãos pacíficos e os prisioneiros chocam qualquer pessoa normal ao fundo de alma”, – é uma citação do próprio Bistrikin.

E a risibilidade está nisso, nunca houve em Donetsk nem aquelas explosões, nem os incêndios. A foto (na capa) é falsificada, sobre o que foi escrito muitas vezes. Mas mesmo neste caso o CI não conseguiu evitar a fraude (FONTE).

A foto, usada no capa do livro russo, que retrata o alegado bombardeamento de Donetsk pela aviação, é absolutamente falsa e foi denunciada como tal, ainda em maio de 2014, pela conhecida página ucraniana Stopfake.org
Foto real de Donetsk, manipulada pelos falsificadores russos
Os jornalistas ucranianos provaram claramente que a foto original foi retirada da página do estúdio fotográfico Fotoluxstudio.com, sediado em Donetsk, e depois a foto foi manipulada, de uma maneira semi-amadora, com auxílio do programa Photoshop, escreve Pravda.com.ua.
A mesma foto falsificada foi usada em 26 de maio de 2014 pela página russa Politnavigator, para ilustrar os alegados “crimes de guerra” à ocorrer em Donetsk.

Ler mais: “20 maiores mentiras russas sobre Ucrânia” (em inglês):
http://www.russialies.com/russias-top-20-lies-about-ukraine

segunda-feira, agosto 03, 2015

Boris Grebenshikov: do pai do rock russo ao nacional-traidor

Recentemente, o pai e guru do rock russo, Boris Grebenshchikov, após os seus concertos em Kyiv e Tbilissi, visitou a cidade ucraniana de Odessa, onde se reuniu com o líder regional, Mikheil Saakashvili, contando que estava maravilhado com o público ucraniano, falando da Ucrânia, de um modo muito caloroso (FONTE).

Tal como no recente caso da cantora russa Zemfira, este facto suscitou a ira e as reações mais despropositadas da elite reinante russa que se ofendeu, quer pela geografia dos concertos do Grebenshikov, quer pelas personalidades dos seus encontros.

Assim, o deputado da Duma estatal russa, membro do Comité da Defesa Aleksey Zhuravliov disse que Boris Grebenshikov, após o encontro com Mikheil Saakashvili, está “riscado da história da Rússia”. O deputado russo acrescentou: “Eu tenho medo que quer rock-n-roll morreu, e Boris morre para os nossos espectadores”.

Ex-funcionário sénior da Komsomol soviético (juventude comunista), Aleksey Zhuravliov é conhecido pelas suas propostas legislativas homofóbicas e anti-emigração, que costuma apresentar na câmara baixa do parlamento russo.

Estas e outras ações semelhantes dos políticos e legisladores russos lembram vivamente a velha piada soviética sobre a enciclopédia do futuro, onde Leonid Brejnev será descrito como “um político de reduzida importância da época da Alla Pugacheva”...

No dia 27 de setembro, Boris Grebenshikov, atuará em Paris, no clube “New Morning”.
Boris Grebenshikov: Voulez Vous Coucher Avec Moi 

domingo, agosto 02, 2015

Arte visual patriótica – rebranding ucraniano

O famoso pintor e designer ucraniano, Andriy Ermolenko, apresenta uma série de imagens da sua autoria que são as variações modernas dos famosos cartazes patrióticos da época da II G.M., de diversos autores e provenientes dos diversos países (FONTE).

Nadia Savchenko: “Forte nome Nadia”

A editora ucranianaJustinian”, prepara-se para publicar o livro biográfico da piloto-aviadora ucraniana, Nadia Savchenko, capturada pelos terroristas no leste da Ucrânia e mantida, desde julho de 2014, como prisioneira da guerra nas cadeias russas.

O livro chamado “Forte nome Nadia”, escrito pela Nadia Savchenko na cadeia russa, terá cerca de 300 páginas e será publicado em breve, em língua ucraniana, com a primeira tiragem de 10.000 exemplares. O livro tem 13 capítulos, entre eles “Guerra”, “Captividade”, “Rapto”, “Cadeia”, “Maydan”, “Crimeia”, “Início da OAT”, entre outros. As ilustrações, em forma de falcões, são da autoria da sua irmã, Vira Savchenko.


Em julho de 2015, Nadia escreveu a carta para uma amiga, onde explicou as razões de escrever o seu livro:  

Nunca na vida quis escrever um livro! Embora me disseram muitas vezes: se deve escrever um livro sobre a sua vida! Mas eu acho que existem muitas vidas mais interessantes do que a minha. Mas na prisão enlouqueces sem nada para fazer! E advogado Ilya (Novikov) aconselhou-me a escrever.

Eu escrevi-o quando estava em greve de fome e comecei escrever toda a verdade sobre a fome, para que não inventem, fora da cadeia, todo tipo de coisas bobas sobre mim. Escrevi tudo muito rapidamente, em 4 dias o livro estava pronto e, em seguida, novamente não tinha nada à fazer. Ilya obrigou à escrever mais. Então, eu decidi escrever a verdade sobre todos os mitos que sobre mim foram formando-se durante a minha vida, e muitas vezes são exagerados ou falsos, e sobre o tipo de pessoa que eu sou.

Eu escrevi sobre todas as coisas através da minha própria visão e olhando para mim mesma através dos meus olhos. Portanto, esta é apenas a minha opinião e minha verdade. Toda pessoa tem o direito à sua opinião sobre mim, ao nível pessoal também. O livro completo foi escrito em cerca de três semanas. Tinha que recordar toda a minha vida e de que não me lembrei, significa que não é importante. O livro responde à todas as perguntas e mesmo as estúpidas, para que pudessem ler de uma só vez e não perguntassem mais!

O jornal ucraniano de Lviv, “Ratusha”, publicou o capítulo “Iraque”, que foi cedido graciosamente pela editora “Justinian”, com a permissão de Vira Savchenko e com as ilustrações dela. A estilística da autora foi preservada. Atenção: uso de léxico para maiores de 18 anos!

O prefácio do livro foi escrito pelo seu advogado russo, Ilya S. Novikov, que conta como convenceu Nadia à escreve-lo. A editora prometeu publicar a primeira edição antes do fim de julgamento.

Ler o texto do capítulo em ucraniano:

Blogueiro
O advogado principal da Nadia, Mark Feygin, em 30.07.15 no início do julgamento
O processo criminal contra Nadia Savchenko começou na terça-feira última na cidade russa de Donetsk (não confundir com a Donetsk ucraniana, ocupada pelos terroristas russos). No decorrer do julgamento, Nadia se encontrará detida na cadeia de isolamento investigativo (SIZO-3) na cidade de Novocherkassk, todos os dias ela é transportada para o local de julgamento que são 2 horas de ida e mais 2 hora à volta. Quem quiser apoiar Nadia, pode escrever para ela, em qualquer língua do mundo, ao seguinte endereço:

Rússia, Novocherkassk, rua Ukrayinskaya, № 1, SIZO
Россия, СИЗО: Новочеркасск, ул. Украинская д. 1.

Infelizmente, existe a informação credível do que Nadia será condenada à uma pena máxima que pode ir até 25 anos da cadeia efetiva. O que não invalida a possibilidade que mais tarde ou mais cedo ela será libertada de forma extrajudicial, por exemplo, na troca por algum ou alguns terroristas russos, apanhados na Ucrânia.

Realmente, a Nadia (Esperança) é um nome forte e nós nunca esqueceremos e nunca abandonaremos Nadia Savchenko.
Nadia Savchenko no Iraque (2004), inserida no contingente militar ucraniano (arquivo da família Savchenko)
Ler em inglês o artigo do “Washington Post”, dedicado ao julgamento da Nadia  “Female Ukrainian war hero facing 25 years in Russian jail”:

sábado, agosto 01, 2015

História do discurso “Frango de Kiev” do George H. W. Bush

George H.W. Bush e Leonid Kravcheuk em Kyiv
O discurso “Frango de Kiev” (Chicken Kiev speech) é o nome não oficial do discurso do presidente americano George H. W. Bush (1924-2018), dado no parlamento da Ucrânia, ainda soviética, em 1 de agosto de 1991, apenas 23 dias antes de proclamação da independência do país e meses antes do referendo, onde 92,26% dos ucranianos confirmaram a escolha política de viver num país independente.

O discurso, escrito pela Condoleezza Rice, em que George H. W. Bush se manifestava contra o “nacionalismo suicida”, ofendeu os patriotas da Ucrânia e foi muito mal recebido nos EUA. O colunista da “New York Times”, William Safire chamou o discurso de “um erro de julgamento colossal”.

Pano de fundo histórico

George H. W. Bush veio ao Moscovo em 30 de julho de 1991 para a cimeira com o autoproclamado presidente soviético, Mikhail Gorbachev. Na conversa informal Bush disse ao Gorbachev que o fim da URSS não será do interesse dos EUA. Ele prometeu ao Gorbachev que falará contra a independência da Ucrânia quando visitar o país em 1 de agosto de 1991.

Na Ucrânia, o chefe do parlamento, futuro 1º presidente do país, Leonid Kravchuk, balanceava entre diversas tendências políticas, defendendo, para já, a maior soberania ucraniana. Nas vésperas da visita do Bush, Kravchuk disse: “Estou convencido de que a Ucrânia deve ser um Estado soberano, de pleno direito e funcional”. Presidente Bush se recusou à reunir com as lideranças que defendiam a independência ucraniana e foi recebido nas ruas de Kyiv com os cartazes que diziam: “Sr. Bush: biliões para URSS é a escravidão para Ucrânia” ou “A Casa Branca lida com os comunistas e ignora o (movimento independentista) Rukh”, o principal e maior movimento pró-Independência da Ucrânia na altura.

O discurso

No discurso, preferido no parlamento da Ucrânia (Verkhovna Rada – Conselho Supremo), Bush defendeu a União Soviética “mais descentralizada”, em que as repúblicas irão “combinar uma maior autonomia com a maior interação voluntária política, social, cultural, económica, em vez de perseguir o curso de isolamento sem esperança”. Bush também defendeu que em vez dos líderes pró-Independência, os ucranianos deveriam conter-se com a figura do Gorbachev que “atingiu coisas espantosas, e as suas políticas de glasnost, perestroika e democratização são os pontos em direção aos objetivos de liberdade, democracia e liberdade económica”.

Bush foi muito claro em apontar quem os EUA pretendiam apoiar na URSS reformada: “Vamos apoiar aqueles, no centro e nas repúblicas, que buscam liberdade, democracia e liberdade económica”. Nesta lista claramente não se encontravam os patriotas que defendiam a independência da Ucrânia.

As reações

O líder do movimento Rukh, escritor, ex-comunista e politico muitíssimo moderado, Ivan Drach, classificou o discurso do Bush de seguinte maneira: Bush veio aqui como um mensageiro do Gorbachev. De muitas maneiras, ele parecia menos radical do que os nossos próprios políticos comunistas na questão da soberania estatal da Ucrânia. Afinal, eles têm que dirigir coisas aqui, na Ucrânia e ele não.

O governo independente da Geórgia emitiu uma declaração, onde apontava os padrões desiguais dos EUA na questão ucraniana e perguntava ironicamente: “Por que ele não pede ao Kuwait para assinar o Tratado da União com o Iraque?”

Na sua edição de 8 de fevereiro de 1992, a revista “The Economist” chamou o discurso do Bush de “exemplo mais flagrante de falha de outras nações em não reconhecer a inevitabilidade da Ucrânia à tornar-se um Estado independente”. Em 2011 a publicação Americana “Washington Examiner” classificou este discurso de “provavelmente o pior discurso de sempre de um chefe executivo americano”.
Sully, um labrador de dois anos que era o companheiro inseparável do George H. W. Bush

O processo russo contra POW ucranianos perde a testemunha-chave

Gennadiy Afanasyev antes de anschluss russo da Crimeia
A testemunha principal do processo-crime inspirado pelo FSB contra os cidadãos ucranianos aprisionados ilegalmente na Rússia perdeu a testemunha-chave que se recusou à testemunhar, explicando que anteriormente foi forçado à prestar os depoimentos falsos sob a coerção dos investigadores.
Gennadiy após um ano da cadeia russa
Neste momento, na cidade Rostov-no-Don, no território da federação russa, decorre o processo contra os cidadãos ucranianos, Oleg Sentsov, Oleksandr Kolchenko, Gennadiy Afanasyev e Oleksiy Chyrniy. Detido pelo FSB em maio de 2014, o cineasta ucraniano Oleg Sentsov é acusado de ser o líder do grupo, alegadamente responsável por incendiar as sedes do partido russo “Rússia Unida” e da organização pró-russa “Russkaia Obshina” (Comunidade russa), ambas em Simferopol. Além disso, Oleg Sentsov é acusado de posse ilegal de armas e de participação nos preparativos para explodir o monumento do Lenine em Simferopol (ver mais).
A acusação exige 20 anos de prisão efetiva para Oleg Sentsov e 10 anos para Oleksandr Kolchenko, ambos negam as acusações contra si. Afanasyev e Chiriy admitiram a sua alegada culpa, recebendo em troca a pena prisional de 7 anos, cada um. Oleksandr Kolchenko, até e momento estava preso na cadeia moscovita de isolamento preventivo (SIZO) de “Lefortovo”, controlada, não oficialmente, pelo FSB.  

Quando o juiz perguntou Gennadiy Afanasyev se ele conhece as pessoas na sala de audiências, colocadas atrás das grades (Sentsov e Kolchenko), Gennadiy disse:
Toda Ucrânia conhece Sentsov, ele é um cineasta famoso. Outra (pessoa) não conheço”.

Depois disso, Afanasyev explicou que todos os depoimentos que prestou anteriormente contra os acusados, fê-lo sob a coerção. Na sequência da sua revelação ele informou o tribunal que se recusa à fornecer qualquer outro testemunho.

A postura do Gennadiy Afanasyev foi absolutamente inesperada para todos, originando as palmas do Oleg Sentsov e Oleksandr Kolchenko. Oleg Sentsov gritou “Glória à Ucrânia!” e “Liberdade para Afanasyev”. Gennadiy respondeu com um “Glória aos Heróis!”
Momento em que Oleg Sentsov e Oleksandr Kolchenko batem as palmas
O representante do Ministério público russo apenas leu os seus depoimentos anteriores, assim como no dia 30 de julho no tribunal foram lidas os depoimentos do Oleksiy Chyrniy.

O processo político, onde estado russo tenta processar os cidadãos ucranianos pelos alegados atos cometidos no território da Ucrânia, temporariamente e ilegalmente ocupado pela federação russa é seguido pelos diplomatas da Áustria, Grã-Bretanha e outros países, informa a Rádio Liberdade através do seu twitter.

O advogado russo do Gennadiy Ayanasyev, Vladimir Samokhin, disse na entrevista à agência ucraniana “Ukrinform” que o seu constituinte precisa de atenção e da proteção dos defensores dos direitos humanos. O advogado foi muito claro, falando sobre a coerção usada contra o seu cliente:
Este caso é claramente criado. Pelo segundo dia, a segunda testemunha se recusa à depor. No entanto, Afanasyev não se recusou simplesmente, mas disse que o depoimento anterior foi dado sob a coerção. A palavra pode significar tanto a pressão psicológica, quando a força física”.

A advogada russa do Oleksandr Kolchenko, Svetlana Sidorkina, também foi muito clara:
A declaração do Afanasyev de hoje foi uma sensação. Ninguém esperava disso. Mas depois deste acto corajoso, Gennady necessita de proteção especial. Nós já tomamos algumas medidas nesse sentido. No entanto, eu, por enquanto, não posso divulga-las publicamente”.

Fonte:

Quem é Oleg Sentsov?
O cineasta ucraniano e natural da Crimeia, Oleg Sentsov, (1976) foi ativista de “AutoMaydan” que durante a invasão russa de março de 2014 ajudou à distribuir os alimentos e suprimentos aos militares ucranianos, bloqueados nas suas bases na Crimeia. Foi preso em 11 de maio de 2014 e acusado pelo FSB de “conspirar no cometimento dos actos terroristas”. Desde 19 de maio está detido na prisão moscovita de “Lefortovo”.

Ucrânia não é Rússia! Mesmo no airsoft.

Os jogadores japoneses de airsoft começaram usar nas suas “batalhas” as réplicas de fardamento, munições e armamento, em uso nas unidades da Guarda Nacional da Ucrânia, as FAU e dos batalhões voluntários. Ucrânia, mais uma vez, se torna um brand global! (FONTE).