quarta-feira, junho 24, 2015

Maydan elétrico da Arménia

Desde o dia 19 de junho, os arménios, principalmente os moradores na capital Yerevan, protestam contra o aumento das tarifas de electricidade. Após a primeira carga policial com auxílio dos canhões de água e detenção de quase 240 ativistas, os manifestantes cortaram a avenida Bagramyan e passaram aos slogans contra a corrupção e contra a ocupação russa.
A avenida Bagramyan, o palco dos protestos é fortemente cercada pela polícia arménia, mas de momento, os polícias não atacam os manifestantes, que por sua vez, desde manha do dia 24, começaram usam em massa os caixotes de lixo para erguer as suas barricadas.
Tudo começou quando a Comissão Estatal de regulamento dos serviços sociais da Arménia anunciou, no dia 17 de junho, o aumento de 15% da tarifa de eletricidade à partir de 1 de agosto de 2015. A sua decisão foi justificada pela oscilação do câmbio da moeda nacional.
Desde o dia 19 de junho em Yerevan começaram as ações contra a subida das tarifas energéticas, organizadas pelo movimento cívico “Não ao roubo”, composto pela juventude apartidária, como assegurou um dos seus membros, Aram Manukyan.  
Na manha do dia 23 de junho a polícia arménia optou pelo uso da força para dispersar os manifestantes, 237 pessoas foram detidos (e logo libertados). A polícia reportou 11 agentes feridos e Ministério da Saúde informou que atendeu 25 civis feridos.
No entanto, após o uso da força, os manifestantes voltaram à avenida Bagramyan, a cortando e erguendo as barricadas. A proposta do encontro com o presidente arménio, Serj Sargsyan, foi, para já, descartada, pois os ativistas não chegaram ao consenso sobre a personalidade que os deverá representar.
Apesar de toda a contestação social, a Comissão Estatal de regulamento dos serviços sociais da Arménia já anunciou que não pretende mudar a sua decisão, informou a sua porta-voz, Mariam Stepanyan, informa News.mail.ru.

Ver os protestos de Yerevan ao vivo no canal especial do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ap8g-wnzJ8g
As origens do problema

Nos últimos 10 anos, a empresa “Redes de eletricidade da Arménia” (ENA), pertencente ao gigante russo RAO EES aumentou os preços de eletricidade em 200%. Recentemente, a ENA solicitou a permissão da Comissão estatal para aumentar os preços em 40%, mas conseguiu a autorização de aumento em “apenas” 15%. Tendo em conta que o preço de electicidade na Arménia é mais alto de todo o espaço pós-soviético e tendo em conta que o país produz a energia em excesso, usando para isso uma estação nuclear e algumas estações hidroelétricas potentes. No entanto, à título de exemplo, o preço de eletricidade da vizinha Geórgia é dois vezes menor.

Ao mesmo tempo, a ENA apresenta as dividas bastante altas, que contrastam com o estilo de vida “burguês” dos seus dirigentes: salário mensal de cerca de 60.000 dólares do Diretor-geral, aluguer das vivendas e viaturas de luxo aos dirigentes menores.

Tudo isso faz com que os manifestantes exigem a investigação independente da contabilidade da ENA, mudanças na gestão da empresa e abertura da sua falência técnica. Em resposta, ENA ameaça com o não fornecimento da energia aos consumidores aos preços atuais ou então com aumentos dos preços anualmente, até chegar aos 40% por si pretendidos de início, escreve a blogueira arménia Sofia Agapyan.

Blogueiro

É de notar que os protestos na Arménia receberam o apoio massificado da sociedade e da blogosfera da Ucrânia e o repúdio, também massificado, dos russos.

A tónica do apoio ucraniano pode ser resumida na frase de página Nosso Kyiv: “Aguentem, irmãos. Apenas a primeira noite assusta”. Há também quem brinca som a situação, aconselhando às autoridades da Arménia: “em vez de passar pela sucessão: a violência policial – montagem das tendas – assassinatos da pessoas; aconselhamos-vos logo fugir para a cidade de Rostov”, burgo do ex-presidente ucraniano, Yanukovych. Os ucranianos também pedem à não esquecer que o primeiro herói da Centena Celestial, vítima mortal dos atiradores as forças governamentais em Kyiv, na Maydan ucraniano, foi o arménio étnico, Serhiy Nihoyan.

Já a tónica russa é a habitual salada russa entre Obama, traição, a mão dos americanos e do Departamento do Estado, nada original ou novo.

A história repete-se

Em 27 de outubro de 1999 o parlamento da Arménia foi invadido por um grupo de militantes armados com espingardas automáticas AK. Eles abriram fogo contra os membros do governo do país, matando o primeiro-ministro, chefe do parlamento, dois dos vice-chefes, um ministro e três deputados. No total, morreram 8 pessoas.

Os atacantes foram liderados pelo ax-jornalista e ativista social Nairi Hunanyan, que justificou a sua ação pelo desejo de “salvar Arménia do desaparecimento”. Ele e mais 4 atacantes foram condenados às 8 penas de prisão perpétua, mais uma pessoa recebeu a pena de 14 anos. Ninguém sabe os reais motivos ou os mandantes do crime, os rumores apontavam como o real mandante o 2º presidente arménio, na altura em funções, Robert Kocharyan, que, dessa maneira, alegadamente, se livrou dos seus adversários políticos...
https://www.youtube.com/watch?v=oT_yG4P4a88

terça-feira, junho 23, 2015

Ucraniano que desencadeou a Guerra Fria

Igor Gouzenko na TV canadense em 1966
Ucraniano de origem, Igor Gouzenko (1919 – 1982), era um criptógrafo na embaixada soviética no Canadá, quando desertou no fim de 1945, pedindo asilo político e levando consigo mais de 100 documentos que provavam a existência de uma vasta rede de espionagem soviética para roubar os segredos atómicos nos Estados Unidos da América.

A deserção de Gouzenko revelou um dos maiores casos de espionagem da história mundial e os factos consequentes à sua deserção marcaram o início da Guerra Fria.
Igor Gouzenko em 1946
Igor Gouzenko expôs os esforços soviéticos para roubar os segredos nucleares e as técnicas de implantação dos “agentes adormecidos”. Muitos historiadores acreditam que o “caso Gouzenko” desencadeou o início da Guerra Fria. Assim considera o historiador Jack Granatstein que afirma que “caso Gouzenko foi o início da Guerra Fria na opinião pública” ou o jornalista Robert Fulford que escreveu: “estou absolutamente certo de que a Guerra Fria começou em Ottawa”. O jornal The New York Times descreveu as ações de Igor Gouzenko como tendo “despertando o povo da América do Norte para a magnitude e o perigo de espionagem soviética”.
Igor Gouzenko, 1949
No verão de 1943 a embaixada da URSS no Canadá recebe o novo adido militar, Nikolay Zabotin. Com ele, chega o jovem criptógrafo Igor Gouzenko, na companhia da sua esposa grávida, Anna (Svetlana). Zabotin tem a tarefa ultra-secreta de roubar os segredos americanos, nomeadamente na área da tecnologia nuclear. Gouzenko está codificar e enviar para Moscovo as informações conseguidas pelos agentes soviéticos e pelos seus agentes, recrutados entre a mais diversa esquerda ocidental.
A queda do Titã, romance publicado em 1954
Recebendo a informação do que em breve será chamado de volta para a União Soviética, Igor Gouzenko toma a decisão dramática de não voltar ao “paraíso socialista”, tornando-se um dos primeiros “não retornados” soviéticos após o fim da II G.M. No dia 5 de setembro de 1945, ele leva toda a informação que tem, são pelo menos 109 (ou 105) documentos pormenorizados e deserta para Ocidente, na companhia da sua esposa.
Edição argentina do livro, 1948

Na polícia, para onde ele se dirigiu, se recusam à acreditar nas suas palavras e o colocam na rua. O mesmo acontece num dos jornais da Ottawa, onde jovem ucraniano apresentou uma pasta inteira dos documentos secretos. Ao mesmo tempo, o desaparecimento do criptógrafo foi notado pelo MGB que enviou quatro operativos à sua residência para raptarem ou neutralizarem o casal Gouzenko.
O apartamento dos Gouzenko, 2ª piso direito, à olhar para a estrada, foto de 2007
Mas os vizinhos alertaram a polícia sobre a chegada dos suspeitos estranhos na casa dos Gouzenko. A imunidade diplomática não permitiu a sua detenção, mas obrigou os à abandonar a residência. E o Ministério da Justiça do Canadá finalmente recebe Igor e leva à sério os documentos apresentados por ele.

Os documentos chocaram a elite política canadense e depois a americana. Igor Gouzenko denunciou a inteira rede de espionagem soviética, implementada no continente americano, que continha os nomes dos 38 agentes, 22 dos quais foram condenados às diversas penas da prisão, além, do possivelmente, levar posteriormente, o casal Rosenberg, à pena capital. O relatório da Comissão de Inquérito, baseado nos documentos apresentados pelo Igor Gouzenko continha 733 páginas. Acredita-se que a sua ação paralisou o funcionamento da rede de espionagem soviética no Canadá por cerca de 15 anos.
"Aquela foi a minha escolha", publicado em 1948
Muitos historiadores consideram que a Guerra Fria começou não com o famoso discurso do Winston Chuchill em 5 de março de 1946 no Westminster College na cidade de Fulton, mas com a simples escolha do criptógrafo Igor Gouzenko, escolha essa que mais tarde lhe serviu do título do livro biográfico “This Was My Choice” (Aquela foi a minha escolha).

O bebé que permitiu a fuga

A fuga do Igor Gouzenko foi possibilitada pela coincidência fatal (para os soviéticos) de dois fatores independentes. Uma das características habituais dos criptógrafos soviéticos colocados no estrangeiro era o seu desconhecimento quase obrigatório das línguas estrangeiras. Igor falava inglês. Depois, eles nunca saíam (e continuam à não sair) das paredes da sua embaixada. Mas o seu filho recém-nascido, Andrey, chorava muito e a esposa do adido militar, o tal Zabotin, deu ultimato ao marido: ou eu, ou os Gouzenko. Assim a família recebeu a permissão de viver fora da embaixada soviética.
Evelyn Wilson, a filha do Igor e Svetlana Gouzenko
Após o sucedido, Igor Gouzenko viveu durante 37 anos no Canadá, até a sua morte de ataque cardíaco em 1982. Ele, eventualmente morou, com a família em Toronto sob o nome assumido de George Brown, os seus 8 filhos e 16 netos durante muito tempo acreditavam que os seus pais eram emigrantes checos. Nos anos que se seguiram, Igor Gouzenko por diversas vezes apareceu em público, por exemplo, para promover os seus livros, embora sempre no anonimato, usando o capuz para esconder o rosto que lhe rendeu a alcunha de “Homem-capuz” (escreve Oleksandr Kharchenko).
O livro das memórias da Svetlana Gouzenko, 1960
A sua esposa, Anna (Svetlana), morreu em 2001 e só em 2002, a família, hoje espalhada entre Canadá e pelos EUA, colocou uma pedra lapidar, para marcar a sepultura do casal. Nos últimos anos da sua vida Igor Gouzenko se dedicava à pintura, a sua esposa trabalhou no ramo imobiliário.

O seu segundo livro, desta vez de ficção, “The Fall of a Titan” (A queda do Titã), lhe rendeu o Prémio do Governador-geral (1954) e a nomeação para o Nobel de Literatura em 1955. Em 2 de março de 1956 o Colégio Supremo do Tribunal Militar da URSS condenou Igor Gouzenko à morte, através do fuzilamento, mesmo na ausência do acusado.
Placa em memória do Igor Gouzenko
Em junho de 2003, a cidade de Ottawa e em abril de 2004, o governo federal canadense colocaram as placas memoriais no Parque Dundonald para honrar a memória do Igor Gouzenko. Foi à partir deste parque que os agentes da Polícia Real do Canadá vigiavam o apartamento dos Gouzenko do outro lado da rua, o alvo permanente do pessoal da embaixada soviética.

“Caso Gouzenko” no cinema
A história do “caso Gouzenko” rendeu em 1948 um excelente filme de espionagem, chamado “The Iron Curtain” (A Cortina de Ferro). A película foi estrelada por Dana Andrews e Gene Tierney (nos papeis de Igor e Anna Gouzenko), e foi filmada nas localidades reais canadenses, além de ter sido baseada nos documentos originais, que Igor conseguiu retirar da embaixada soviética.
https://www.youtube.com/watch?v=CTqDE9_tZhA
Ler mais sobre o caso (em inglês):
http://www.nemacolin.net/igorg.html

Sim, também somos ucranianos

A dupla dos cineastas ucraniano-brasileiros, Guto Pasko e Andreia Kaláboa, com ajuda do estúdio GP7 Cinema apresentam o seu novo trabalho, o filme documental Sim, também somos ucranianos, dedicado aos 120 anos da emigração ucraniana ao Brasil.

A imigração ucraniana ao Brasil que teve início no ano de 1891, com a chegada ao Estado do Paraná de oito famílias de imigrantes provenientes da cidade de Zolochiv, região de Lviv, oeste da Ucrânia. Na sequência, surgiram mais três grandes levas de imigração ao país.

120 anos após a chegada dos primeiros imigrantes, um grupo de 186 brasileiros, a maioria descendentes destes pioneiros, retorna ao país de origem de seus antepassados para comemorarem esta data simbólica, que coincidiu com as comemorações dos 20 anos de Independência da Ucrânia. No encontro com a Ucrânia de hoje, muita alegria, emoção e surpresas. Uma verdadeira imersão histórico-cultural no quotidiano desse país e do seu povo, que apesar de sempre ter sido subjugado, jamais abandonou suas crenças e tradições. E esta identidade ucraniana é arduamente mantida até hoje pelos descendentes que vivem no Brasil, que têm muito orgulho em dizer: “Sim, também somos ucranianos!”

O filme é um documentário sem grandes recursos financeiros, portanto, uma produção modesta, mas suficiente para fazer o registo dos 120 anos de história da imigração ucraniana ao Brasil.

Documentário da longa-metragem | Cor | 72’ | 2013
https://www.youtube.com/watch?v=BTuo4uuYn-A
Bónus
O Ministério da Cultura do Brasil informa os interessados que estão abertas as inscrições para o 45º Molodist – o Festival Internacional de Cinema de Kyiv. O evento é especializado na exibição de obras de novos realizadores, então se você fez o seu primeiro filme recentemente, boa hora para você se inscrever

O camuflado invisível dos pára-quedistas ucranianos

O conselheiro do presidente da Ucrânia, Yuri Biriukov, informou sobre o início do projeto do equipamento da 79ª Brigada aerotransportada com o novo camuflado ucraniano VARAN VSU (Varano FAU). O custo é de apenas 962 UAH (44,23 dólares) por fardamento, o design e o material foram criados e fabricados na Ucrânia.
Os primeiros fardamentos serão testados na frente de combate por dois batalhões dos pará-quedistas e um pelotão especial, todos pertencentes à 79ª Brigada das FAU. Caso os resultados serão satisfatórios, o fardamento será usado pelo exército ucraniano em série.
Os fardamentos para os testes poderão chegar às tropas já no início de julho de 2015, cerca de 1000 militares terão o fardamento completo: fardamento, boné, chapéu-panamá e capa para o capacete. O pano é 100% algodão; design é de farda do campo de verão das FAU; cores: Varan VSU.

Ajudar ao projeto:

Cartão do PrivatBank 4149 4950 0700 7806 (Yuriy Biryukov), serve apenas para as transferências dentro da rede PrivatBank
Cartão do PrivatBank 5168 7423 3052 6868 (Yuriy Biryukov), serve para ATM do qualquer outro banco
Transferência via SWIFT (USD)
Beneficiário: BIRIUKOV IURII
Conta: 5167987204531228
Banco do beneficiário: PRIVATBANK
Código SWIFT: PBANUA2X
Banco intermediário: JP MORGAN CHASE BANK
Código SWIFT: CHASUS33
Conta correspondente: 0011000080
Transferência via SWIFT (Euro)
Beneficiário: BIRIUKOV IURII
Conta: 5168757262225826
Banco beneficiário: PRIVATBANK
Código SWIFT: PBANUA2X
Banco intermediário: Commerzbank AG Frankfurt am Main Germany
Código SWIFT: COBADEFF
Conta correspondente: 400 8867004 01
IBAN: UA823052990005168757262225826

Relatóriosrelatórios fotográficos; página da Fundação Phoenix em inglês.

sexta-feira, junho 19, 2015

Estudantes estrangeiros encurralados no leste da Ucrânia

Africano nas ruas de Donetsk e patrulha terrorista...
Desde os anos 1950 Ucrânia providencia as bolsas de estudo para os estudantes estrangeiros. Desde a sua independência em 1991, o número de bolsas diminui bastante, mas surgiram novas oportunidades, os cursos ministrados em inglês, diversos cursos de pós-graduação e a possibilidade de estudar às suas próprias dispensas. No entanto, a ocupação das cidades de Donetsk e Luhansk pelas forças russos-terroristas mudou este cenário no leste do país.

A jornalista Tamila Varshalomidze preparou uma reportagem para Aljazeera English sobre a situação dos estudantes estrangeiros que continuam à estudar nos territórios temporariamente ocupadas pelas forças russo-terroristas (texto resumido em português).
Em 2014, na Universidade Médica Estatal de Donetsk (DSMU, a Universidade se mudou para a cidade de Kramatorsk), uma das mais prestigiantes universidades ucranianas estudavam 2.500 estudantes estrangeiros. A Universidade, fundada em 1930 atraía os alunos da Ásia do Sul, Médio Oriente, África e dos países da ex-URSS. Após a cidade cair no controlo dos terroristas, apenas 85 estudantes estrangeiros ficaram em Donetsk, temendo, com toda a razão, do que os seus diplomas não serão mais reconhecidos internacionalmente.
Hoje, os terroristas que controlam a cidade de Donetsk, permitiram aos jornalistas visitarem o antigo campus universitário apenas por uma hora e fazendo unicamente as “perguntas politicamente corretas para evitar uma situação embaraçosa”. Outra regra dos terroristas é a proibição da língua ucraniana no ensino, permitindo apenas aulas em inglês e russo. Além disso, foram cortados todos os laços com o Ministério de Educação da Ucrânia.
Kadhem Ali, veio à Ucrânia em 2007
O iraquiano Kadhem Ali de 27 anos diz estar habituado: “à guerra e aos bombardeios”. O seu verdadeiro receio é obter uma diploma emitido pela “república popular de Donetsk”, o que significará que não poderá ser médico no Iraque ou em nenhum outro país do mundo, dado que o mundo não reconhece as ditas “repúblicas populares”.
Safuar Najaf, palestiniano de Hebron
“Nos, os restantes estudantes estrangeiros da Universidade, decidimos que se até o final do Verão não haverá confirmação sobre o tipo de diplomas que iremos ter, da Ucrânia ou russos, todos juntos deixaremos Donetsk”, – disse Safuat Najar (26), palestiniano do Hebron, Cisjordânia. Safuat está no 4º ano de medicina, ele pretende ser cirurgião cardiologista e quer sair da cidade. Mas é casado com uma médica local que trabalha em Donetsk, juntos, o casal tem uma filha de 5 anos de idade.

O indiano Shaney Rub (20), veio da Nova Deli dois anos atrás, encorajado pelo tio, que foi graduado pela mesma Universidade em 2010. A razão principal é o custo dos estudos, em Donetsk um ano de medicina custa 3.800 dólares, mais algum dinheiro para acomodação e alimentação. “Eu nunca seria capaz de conseguir estudar medicina na Índia”, – explica Rub.
O colapso do sistema bancário nos territórios ocupados significa que para conseguir o dinheiro enviado pelos parentes, ele (e outros) têm que viajar para fora destes mesmos territórios. A situação irá piorar quando irão caducar os vistos ucranianos de estudantes, impossíveis de renovar em Donetsk e sem as quais os estudantes estrangeiros não poderão visitar o restante território ucraniano.
Ganês John Arthur, de camisa branca
Já o ganês John Arthur (26), considera Donetsk como a sua segunda casa e não pretende sair da cidade. Artur confia que federação russa irá providenciar os vistos (Sic!) e diplomas russos.

Anzor Georgievich Jorjua, o “vice-reitor” da Universidade sob controlo dos terroristas, alimenta estas mesmas esperanças, prometendo que Rússia irá intervir no assunto, só que não sabe ao certo, quando isso ocorrerá de facto, prometendo a resolução “em definitivo para um futuro próximo”. No entanto, já em julho de 2015, chega a hora de graduação dos nove estudantes estrangeiros.
A posição da Ucrânia

O Governo da Ucrânia já pediu aos todos os estudantes estrangeiros que abandonem os territórios sob o controlo dos terroristas e se mudem para as áreas sob controlo da Ucrânia, não podendo fazer nada por aqueles que, porventura, decidirem ficar nas zonas da guerra.
Esse é o risco que eles escolheram. Nós ajudamos aqueles que se deslocaram para fora (dos territórios ocupados)”, diz Aleksandre Kvitashvili, ministro da Saúde da Ucrânia. “As universidades [dos territórios controladas pelos terroristas] não podem emitir nada mais do que papéis carimbados pela dnr”, explica o ministro.
Texto Tamila Varshalomidze twitter@tamila87v ; fotos Rabii Kalboussi Instagram@rabiikalboussi

Fonte:
http://www.aljazeera.com/indepth/features/2015/06/foreign-students-face-uncertain-future-east-ukraine-150612105536978.html

Blogueiro

Devido à situação sociologia-política nas regiões de Donetsk e Luhansk, o Ministério da Educação e Ciência da Ucrânia informa que os alunos estrangeiros devem se transferir para outras regiões da Ucrânia.

As informações do Centro Estatal Ucraniano de Educação Internacional:

O Centro Estadual Ucraniano de Educação Internacional está autorizado a providenciar a comunicação entre os estudantes estrangeiros das universidades de regiões de Donetsk e Luhansk e as universidade de outras regiões da Ucrânia, onde esses alunos possam continuar a sua educação. O Centro oferece esses serviços sem quaisquer custos adicionais para os alunos. Como resultado deste trabalho deve haver confirmação dos estudantes estrangeiros, aceitando a continuidade de sua educação naquelas universidades.

O Centro Estatal Ucraniano de Educação Internacional (Ministério da Educação e Ciência da Ucrânia): http://intered.com.ua/en/higher-educational-institutions

Contactos:
03057, Kyiv, rua Olexander Dovzhenko, № 3
Tel. + 380 44 359 05 39
interedarrobaintered.com.ua

Bónus
Dado que Ministério da Saúde da Ucrânia deixou de abastecer a região controlada pelos terroristas de preservativos, seringas e metadona, os toxicodependentes e doentes de HIV-SIDA ficaram entregues à si próprios e à merce dos terroristas...

quinta-feira, junho 18, 2015

Ucrânia na Food & Beverage Industry Trade Expo

http://www.exhibitionsafrica.com/ems/africa-s-big-seven.html
Nos dias 21-23 de junho, Ucrânia será presente na Exposição de Comércio e da Indústria de Alimentos e Bebidas, à decorrer na África do Sul (Africa´s big seven).   

Datas: 21 à 23 de junho de 2015
Horários: das 10h00 às 17h00
Local: Centro de Convenções Gallagher, Midrand, África do Sul
Entrada: livre

O pavilhão da Ucrânia que estará no Hall 2, stand: A19 apresentará na Exposição a sua produção de: queijos, lacticínios, carne e derivados, bebidas alcoólicas, cereais, pastelaria, conservas e condimentos.  

Questões e informação adicional:
Nataliia Zakriachenko 
+27 79 0231984
zakriachenko@gmail.com

quarta-feira, junho 17, 2015

Os terroristas aterrorizam o jornalista russo

O repórter russo Pavel Kanygin foi novamente raptado pelos terroristas de Donetsk. Após um interrogatório de 5 horas, algum espancamento ligeiro e, desta vez, sem pedir o resgate, ele foi levado até a fronteira ucraniano-russa, nas parte temporariamente controlada pelas forças russos-terroristas. 

Pavel Kanygin foi detido pelo “ministério da segurança estatal” dos terroristas por não possuir a acreditação dos mesmos. Embora os funcionários do “ministério da informação da dnr” prometiam que essa acreditação será pronta em breve. 

Durante interrogação de 5 horas o repórter foi acusado de ser “espião-especialista em explosivos”, “agente do SBU”, “pago pelos americanos em droga”, etc. No fim, os terroristas remataram que “não precisam do jornalismo objetivo”. 

O olho negro repórter recebeu após um murro na face. O terrorista em camuflado o perguntou:

– Tu, cabrau, és por nos ou pelos ucranianos?
– Não sou por ninguém. Sou pela paz.
– Pela paz, cabrau?! – Pela paz, então?!

E, então, bateu com toda a força. 

No dia 15 de junho, Pavel Kanygin reportou no seu jornal, Novaya Gazeta, um dos primeiros comícios de Donetsk em que os moradores da cidade exigiam publicamente o fim da guerra. Cerca de 500 pessoas presentes queriam a retirada dos equipamentos militares, principalmente do bairro residencial Kyivsky, próximo da zonas de combates, o fim dos disparos contra as forças ucranianas, que apenas provocavam as respostas esporádicas das FAU. As pessoas também exigiam os novos apartamentos no bairro central mais calmo, ajuda com  dinheiro, gasolina, pensões, eletricidade, comida, reparações, etc. 
Uma mulher idosa gritava ao líder terrorista Zakharchenko (aos canadianas, cercado pelos guarda-costas armados com pistolas automáticas):
 
– Vocês prometiam nós a paz durante as eleições! E onde está a paz?
– Como é o seu apelido? – perguntava o líder separatista.
– Não é preciso! Para que me fuzilam?! (vídeo).

terça-feira, junho 16, 2015

5 razões por que Che Guevara não é cool


Não é incomum ver as camisetas com a imagem do Che Guevara exibidas orgulhosamente em todo o mundo. O seu retrato é um dos mais emblemáticos da história e a imagem mais reproduzida na história da fotografia. A revista Time nomeou-o como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX. Ele é reverenciado quase como um deus em Cuba. Crianças em idade escolar começam o dia recitando: “seremos como Che”. 

Infelizmente, muitos desconhecem a verdadeira natureza da revolução cubana, muito menos parte do Che na mesma. Apesar de suas metas reivindicados da liberdade e da justiça social, a revolução cubana foi marcada pela violência e pelo conflito. Mas na forma típica comunista, o regime de Havana tem misturado propaganda e violência para retratar uma imagem romântica deste criminoso revolucionário. 


1) Ele ordenou as centenas de execuções sem julgamento
 
Durante a revolução cubana, Che condenou à morte muitos que nunca tinham sido devidamente acusados ou tinham um advogado. The New York Times estimou que, nos dois primeiros meses da revolução cubana, havia aproximadamente 528 execuções efetuadas por esquadrões de fuzilamento. O Livro Negro do comunismo cita um total de 14.000 execuções até o final da década de 1960. Che foi citado em 1962 pelo editor da “Revolucíon”, Carlos Franqui, dizendo: “Nós executamos muitas pessoas por um pelotão de fuzilamento, sem saber se eles fossem totalmente culpados. Às vezes, a Revolução não pode parar de realizar grandes investigações.”[i] 

Os dissidentes do novo regime, incluindo civis desarmados, não eram tolerados. Che explicou sua abordagem à justiça assim: “Nós não precisamos de prova para executar um homem. Nós só precisamos de uma prova de que é necessário executá-lo”. Ele não fez segredo de seu desdém pelas normas legais convencionais, chamando provas e ónus da prova “detalhes burgueses arcaicos”. [ii]
 
No seu discurso perante às Nações Unidas em Dezembro de 1964, Che confirmou reputação implacável de seu governo, declarando: “Sim, nós executamos, estamos executando e vamos continuar à executar”. [iii] 

2) Che pretendia aniquilar os Estados Unidos. 

Não só Che desprezava os “imperialistas” dos Estados Unidos, mas ele também afirmou abertamente que queria lançar uma guerra nuclear contra a América. 

Em 1962, após a resolução da crise dos mísseis cubanos e a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba, Che disse a Daily Worker de Londres: “Se os mísseis haviam permanecido que teria utilizando-os contra o próprio coração dos Estados Unidos, incluindo Nova York. Nunca devemos estabelecer uma coexistência pacífica”. 

Che acreditava que a única maneira de lidar com a “hiena” americana será através de extermínio, e que a construção de um mundo melhor necessária uma guerra nuclear. 

3) Ódio e assassinato em massa estavam no coração de sua revolução.

Che era um assassino de sangue frio e gostava. Ele disse que “um ódio implacável” na direção do inimigo transforma os homens em seu exército em uma “máquina de matar eficaz, violenta, seletiva e fria”. Ele mesmo escreveu a seu próprio pai que, “Minhas narinas dilatam, enquanto saboreiam o cheiro acre de pólvora e sangue ... eu gostaria de confessar, Papa, naquele momento eu descobri que eu realmente gosto de matar”. 

Che era absolutamente implacável quando se tratava de ver a revolução através dos assassinatos, e estava disposto a tolerar o assassinato em massa para este fim. “O que afirmamos é que devemos prosseguir no caminho da libertação, mesmo que isso custa milhões de vítimas atômicas”. [iv]

4) Não havia espaço para a liberdade de expressão em sua revolução. 

Em uma sociedade verdadeiramente livre, as pessoas possuem a liberdade de expressão. Com essa liberdade de expressão vem a liberdade de reuniões, de imprensa e de oposição. Che falou abertamente com José Pardo Llada, um jornalista cubano, e disse: “Temos de eliminar todos os jornais; não podemos fazer uma revolução com a imprensa livre”. [v] 

Ter um diálogo aberto sobre diferentes opiniões não era uma opção numa “Cuba Livre”. O fanatismo de Che infetava mesmo os seus relacionamentos pessoais, ele só fez amizade com aqueles que possuíam as mesmas opiniões que ele: “Meus amigos são amigos apenas enquanto eles pensam tal, como eu ago politicamente”. [vi] 

5) Ele criou um sistema prisional muito parecido com o da União Soviética.

Como Estaline com os seus campos do Gulag soviético, Che configurou as prisões políticas onde o trabalho duro foi aplicado. Estes campos de reeducação eram uma maneira de punir acusados de serem ​​contra revolucionários, dissidentes e opositores políticos. “Nós enviamos à Guanahacabibes [campos de concentração cubanos] as pessoas que tenham cometido crimes contra a moral revolucionária ... é trabalho duro ... as condições de trabalho são duras...” [vii] 

Che promulgou um sistema penitenciário que muito parecido com o Gulag soviético.

Estavam incluídos neste sistema penal os “delinquentes” ou aqueles que estiveram envolvidos com a bebida, desrespeitando a autoridade, e ser preguiçosos ou tocando a música alta. Os homossexuais foram escolhidos para tratamento particularmente brutal. [viii]. Também estavam incluídos na definição de “delinquentes” os padres católicos, testemunhas de Jeová e outras pessoas religiosas. Em 1959, Fidel Castro tinha nomeado Che como o comandante de uma fortaleza, transformada na prisão chamada La Cabaña em Havana. Em um ponto, entre 800 à 1.000 presos foram alojados na unidade quando a capacidade total permitia albergar apenas 300. [ix] 

Portanto, antes de saltar no movimento da cultura pop e comprar a sua t-shirt de Che Guevara e outros apetrechos Che, entenda quem ele era e o que ele realmente defendia: ódio, intolerância e assassinatos em massa. 

[ii] http://www.discoverthenetworks.org/individualProfile.asp?indid=2054
[iii] ibid.
[iv] ibid.
[v] http://cubaarchive.org/home/images/stories/che-guevara_interior-pages_en_final.pdf
[vi] http://www.discoverthenetworks.org/individualProfile.asp?indid=2054
[vii] ibid.
[viii] http://www.worldaffairsjournal.org/blog/michael-j-totten/truth-about-che-guevara
[ix] http://www.independent.org/newsroom/article.asp?id=1535

Fonte:
http://blog.victimsofcommunism.org/5-reasons-why-ches-not-cool

sábado, junho 13, 2015

A nova polícia ucraniana em fotos

Muito em breve, Ucrânia terá uma nova força policial, que abandonará o gasto nome soviético de “milícia” e realmente passará se chamar de polícia. Com novos fardamentos, viaturas, armas e o mais importante, as novas pessoas e novas atitudes perante a sociedade.
Nas fotos, juntamente com os cadetes da nova polícia, aparece o ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, a 1ª vice-ministra do Interior, Eka Zguladze, responsável direta desta reforma e Oleksandr Fatsevych, o novo chefe da polícia de patrulha de Kyiv. Na árdua tarefa de recriar o Ministério do Interior, Ucrânia decidiu aproveitar a experiência da Geórgia, que em poucos anos transformou a força corrupta e absolutamente ineficiente em uma instituição que em 2012 era confiada pelos 90% da população georgiana.
Oleksandr Fatsevych
Desde o dia 11 de junho em curso, o novo chefe da nova polícia de patrulha de Kyiv é Olexander Fatsevych (28), casado, pai de uma menina de 5 anos, que combateu no leste do país, inclusive nas batalhas de Ilovaysk e Debaltseve, quando o batalhão que comandava foi cercado pelo inimigo e ele conseguiu romper o cerco, sem perdas, levando os feridos e todo o armamento.
Fotos @ Yuliya Babych