quarta-feira, abril 22, 2015

O míssil moderno fabricado na Ucrânia

Ao pedido dos nossos leitores, publicamos os dados sobre o sistema de míssil moderno antitanque, criado e fabricado na Ucrânia.

«Stugna-P» (também conhecido como «Skif») é um sistema de míssil antitanque criado no Bureau Estatal de Construção de Kyiv «Luch», um dos principais criadores de armamento de aviação e antitanque na Ucrânia.
O sistema de mísseis antitanque portátil foi desenhado para a destruição de alvos blindados estacionários e móveis, equipados com os sistemas modernos de blindagem combinada, transportada ou monolítica, incluindo ERA (blindagem explosiva reativa), bem como alvos minúsculos, como depósitos de armas, blindados colocados nas trincheiras, objetos de blindagem ligeira e helicópteros.
As características especiais do sistema residem na possibilidade de usar o míssil contra os alvos em cenários fechados e à partir dos abrigos, o que reduz o risco do seu operador ser atingido pelo fogo inimigo.
O sistema é completado com os mísseis de 130 e 152 mm, nos contentores de transporte e lançamento, com os conjuntos de explosivos cumulativos (RK-2S, RK-2M-K) e com ogivas de explosivos de alta fragmentação (RK-2 OF, RK-2М-OF).
 
Mais informação na página do fabricante.
No dia 12 de abril de 2011, o sistema, com o nome de código «Stugna-P» foi oficialmente adotado pelo Ministério da Defesa da Ucrânia. Mas só a guerra russo-ucraniana obrigou Ucrânia acelerar a fabricação destes mísseis, que já foram batizados na imprensa de “Javelin ucraniano”.

terça-feira, abril 21, 2015

Xenofobia na África do Sul 2015

O escritor moçambicano, Mia Couto, escreveu a carta aberta ao presidente sul-africano Jacob Zuma, dedicada à problemática de xenofobia naquele país e intitulada “Contra o genocídio de moçambicanos na África do Sul”.

Exmo. Senhor Presidente Jacob Zuma

Lembramo-nos de si em Maputo, nos anos oitenta, nesse tempo que passou como refugiado político em Moçambique. Frequentes vezes nos cruzámos na Avenida Julius Nyerere e saudávamo-nos com casual simpatia de vizinhos. Imaginei muitas vezes os temores que o senhor deveria sentir, na sua condição de perseguido pelo regime do apartheid. Imaginei os pesadelos que atravessaram as suas noites ao pensar nas emboscadas que congeminavam contra si e contra os seus companheiros de luta. Não me recordo, porém, de o ter visto com guarda costas. Na verdade, éramos nós, os moçambicanos, que servíamos de seu guarda costas. Durante anos, demos-lhe mais do que um refúgio. Oferecemos-lhe uma casa e demos-lhe segurança à custa da nossa própria segurança. É impossível que se tenha esquecido desta generosidade.

Nós não a esquecemos. Talvez mais do que qualquer outra nação vizinha, Moçambique pagou caro esse apoio que demos à  libertação da África do Sul. A frágil economia moçambicana foi golpeada. O nosso território foi invadido e bombardeado. Morreram moçambicanos em defesa dos seus irmãos do outro lado da fronteira. É que para nós, senhor Presidente, não havia fronteira, não havia nacionalidade. Éramos, uns e outros, irmãos de uma mesma causa e quando tombou o apartheid a nossa festa foi a mesma, de um e de outro lado da fronteira.

Durante séculos, emigrantes moçambicanos, mineiros e camponeses, trabalharam na vizinha África do Sul em condições que pouco se distinguiam da escravatura. Esses trabalhadores ajudaram a construir a economia sul-africana. Não há riqueza do seu país que não tenha o contributo dos que hoje são martirizados.

Por todas estas razões, não é possível imaginar o que se está a passar no seu país. Não é possível imaginar que esses mesmos irmãos sul-africanos nos tenham escolhido como alvo de ódio e perseguição. Não é possível que moçambicanos sejam perseguidos nas ruas da África do Sul com a mesma crueldade que os polícias do apartheid perseguiram os combatentes pela liberdade, dentro e fora de Moçambique. O pesadelo que vivemos é mais grave do que aquele que o visitava a si quando era perseguido político. Porque o senhor era vítima de uma escolha, de um ideal que abraçou. Mas os que hoje são perseguidos no seu país são culpados apenas de serem de outra nacionalidade. O seu único crime é serem moçambicanos. O seu único delito é não serem sul-africanos.

Senhor Presidente

A xenofobia que se manifesta hoje na África do Sul não é apenas um atentado bárbaro e cobarde contra os “outros”. É uma agressão contra a própria África do Sul. É um atentado contra a “Rainbow Nation” que os sul-africanos orgulhosamente proclamaram há uma dezena de anos. Alguns sul-africanos estão a manchar o nome da sua pátria. Estão a atacar o sentimento de gratidão e solidariedade entre as nações e os povos. É triste que o seu país seja hoje notícia em todo o mundo por tão desumanas razões. 

É certo que medidas estão a ser tomadas. Mas elas mostram-se insuficientes e, sobretudo, pecam por serem tardias. Os governantes sul-africanos podem argumentar tudo menos que estas manifestações os tomou se surpresa. Deixou-se, mais uma vez, que tudo se repetisse. Assistiu-se com impunidade a vozes que disseminavam o ódio. É por isso que nos juntamos à indignação dos nossos compatriotas moçambicanos e lhe pedimos: ponha imediatamente cobro a esta situação que é um fogo que se pode alastrar a toda a região, com sentimentos de vingança a serem criados para além das suas fronteiras. São precisas medidas duras, imediatas e totais que podem incluir a mobilização de forças do exército. Afinal, é a própria África do Sul que está a ser atacada. O Senhor Presidente sabe, melhor do que nós, que ações policiais podem conter este crime mas, no contexto atual, é preciso tomar outras medidas de prevenção. Para que nunca mais se repitam estes criminosos eventos. 

Para isso urge tomar medidas numa outra dimensão, medidas que funcionam a longo prazo. São urgentes medidas de educação cívica, de exaltação de um passado recente em que estivemos tão próximos. É preciso recriar os sentimentos solidários entre os nossos povos e resgatar a memória de um tempo de lutas partilhadas. Como artistas e fazedores de cultura e de valores sociais, estamos disponíveis  para de enfrentar juntos com artistas sul-africanos este novo desafio, unindo-nos às inúmeras manifestações de repúdio que nascem na sociedade sul-africana. Podemos ainda reverter esta dor e esta vergonha em algo que traduza a nobreza e dignidade dos nossos povos e das nossas nações. Como artistas e escritores queremos declarar a nossa disponibilidade para apoiar a construção de uma vizinhança que não nasce da geografia mas de um parentesco que é da alma comum e da história partilhada. 

Maputo, 17 de Abril de 2015
Mia Couto

segunda-feira, abril 20, 2015

Prisioneiros políticos ucranianos nas cadeias da Rússia

Desde o início da guerra de agressão e de ocupação que federação russa moveu contra Ucrânia, diversos cidadãos ucranianos foram raptados, presos e detidos pelas autoridades russas sob acusações mais absurdas. A maioria deles continua nas cadeias russas, sem visitas do Cônsul da Ucrânia, nem dos familiares. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia reuniu os dados sobre estes casos.
Nadiya Savchenko (33) despensa à apresentação, é piloto ucraniana capturada em combate pelos separatistas em 17 de junho de 2014 e levada ilegalmente para Rússia, por volta de 8 de julho. Desde ai é mantida na cadeia moscovita controlada pelo FSB, onde mantêm a greve de fome.
Em novembro 2014 Nadiya Savchenko tornou-se membro do Parlamento da Ucrânia e da delegação ucraniana à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE). Apesar de seu estatuto oficial e imunidade diplomática, apesar dos apelos de organizações de direitos humanos, líderes internacionais e dos governos, as autoridades russas continuam deter ilegalmente Nadiya Savchenko. 

O projeto conjunto do MNE da Ucrânia e do Canal 1 + 1 dedicado à Nadiya Savchenko: https://www.youtube.com/watch?v=en1WLyHhwPE  
 
Ativistas da Criméia Oleg Sentsov, Olexander Kolchenko e Olexei Chirniy (de esquerda para direita)
Cineasta e natural da Crimeia, Oleg Sentsov (1976) foi ativista de “AutoMaydan” que durante a invasão russa de março de 2014 ajudou à distribuir os alimentos e suprimentos aos militares ucranianos bloqueados nas suas bases na Crimeia. Foi preso em 11 de maio de 2014 e acusado pelo FSB de “conspirar no cometimento dos actos terroristas”, na companhia dos outros ativistas ucranianos: Gennady Afanasyev, Olexiy Chirniy e Olexander Kolchenko. Desde 19 de maio Sentsov está detido na prisão Lefortovo em Moscovo.
 

As autoridades ucranianas estão sendo impedidos pelos seus homólogos russos de entrar em contato ou ajudar Sentsov, Kolchenko e outros ativistas, pois estes, contra a sua vontade expressa foram tornados (!) cidadãos russos. A União Europeia e os Estados Unidos condenaram à sua detenção e apelaram à sua libertação.
Yuri Yatsenko (23) é um estudante de pós-graduação da Faculdade de Direito na Universidade Nacional de Lviv e Bohdan Yarichevsky (24) é advogado e possui um diploma de honra da mesma Universidade. 
Yuri Yatsenko, 23 anos
Em maio de 2014 ambos foram detidos na região de Kursk, acusados de desrespeitar as regras de entrada ou a permanência na Federação Russa. Eles admitiram a sua culpa e pagaram a multa de 2.000 rublos. No entanto, a ordem de expulsão não foi emitida e eles permaneceram sob custódia das autoridades russas. Foram alvos de abusos de espancamentos, ameaças e tortura, por presumíveis agentes do FSB. No final, Bohdan Yarichevsky, foi deportado para Ucrânia em agosto de 2014 e Yuri Yatsenko, em 10 de abril de 2015 foi sentenciado à dois anos de prisão, no entanto foi libertado e já no dia 8 de maio estava com a sua família em Lviv. Confirmando mais uma vez todo o tipo de coerção e as ameaças do FSB que exigia em troca da sua libertação as declarações públicas que prejudicariam Ucrânia (ler mais).
 
Mykola Karpyuk (1964) é um ativista cívico ucraniano foi preso em 21 de março de 2014 em circunstâncias pouco claras, possivelmente sequestrado na Ucrânia e ilegalmente levado ao território russo. Mykola Karpyuk possivelmente está sendo detido na prisão de Yessentuki e é acusado, por autoridades russas, de participar nas actividades ilegais na Chechênia. O Cônsul da Ucrânia não foi autorizado a visita-lo.
Mykola Karpyuk
Stanislav Klykh (1974) foi preso na Rússia em 11 de agosto de 2014, durante uma visita à sua namorada na cidade de Orel. Depois disso, foi supostamente transferido para as prisões em Yessentuki e de Pyatigorsk; sendo acusado por autoridades russas da participação no movimento “Setor da Direita”. O Cônsul da Ucrânia não foi autorizado à visita-lo.
Stanislav Klykh
Serhiy Litvinov (1983), foi preso no dia 22 de agosto de 2014, acusado de ser membro do batalhão voluntário “Dnipro”. De acordo com informações oficiais do Ministério do Interior ucraniano, responsável pelo batalhão “Dnipro”, Litvinov nunca foi um membro do batalhão. O Cônsul ucraniano visitou Serhiy por duas vezes, durante os encontros ele queixava-se sobre a violência, tortura física e psicológica empregada contra ele por parte das autoridades russas. Serhiy Litvinov está detido na 5ª prisão preventiva (SIZO) de  Moscovo.
Serhiy Litvinov
Valentyn Vyhovsky (não temos a sua foto) foi preso em Simferopol em 18 de setembro de 2014, transferido para Moscovo e acusado de recolher informações classificadas. O Cônsul da Ucrânia não foi autorizado a visita-lo.
 
Yuriy Soloshenko, o ex-diretor da empresa nacional ucraniana “Znamya” foi preso em Moscovo, em 5 de agosto de 2014, acusado de espionagem. O Cônsul da Ucrânia não foi autorizado a visita-lo.
Fonte:
http://mfa.gov.ua/en/page/open/id/4177

domingo, abril 19, 2015

O 1º aniversário do batalhão “Dnipro-1”

No dia 17 de abril, na cidade de Dnipropetrovsk, celebra-se o 1º aniversário da criação do batalhão / regimento voluntário da polícia ucraniana Dnipro-1, criado e comandado pelo deputado Yuri Bereza.
Na festa, organizada no local do novo aquartelamento da unidade, na rua conhecida como “Liashko-Poppel” (sem relação com Oleh Liashko, chamada assim em homenagem ao médico ucraniano Leshko-Poppel, 1860—1903), estava presente o assessor do Ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko.

Durante o meio ano, às custas, em primeiro lugar, dos voluntários e empresários de Dnipropetrovsk, as ruínas de uma base militar foram transformadas em uma base moderna, que permite o aquartelamento permanente de 400 pessoas. A base possui o local para estacionamento das suas viaturas de combate: as modernizadas MTLB, BRDM, jeeps e camiões.
Na festa estava presente o líder do grupo VV, Oleh Skrypka, que cantou para os militares e as suas famílias, incluindo os familiares dos voluntários caídos nos diversos combates em que participou a unidade.
Os 21 heróis mortos foram homenageados com um minuto de silêncio. Eles perderam a vida em combate pela libertação de Mariupol, batalhas de Ilovaysk, Pisky e Avdiivka. Outros seis militares estão desaparecidos desde o cerco de Ilovaysk, mas a sua morte não foi confirmada e como tal (havendo a esperança), os seus companheiros não colocaram os nomes deles no martirólogo dos heróis caídos.

Todos os que tombaram, foram defender Ucrânia voluntariamente, fora de mobilização oficial, em abril-maio de 2014, quando muitas das estruturas das FAU, Guarda Nacional, polícia e SBU estavam paralisadas e não conseguiam defender plenamente os interesses do país. Muitos deles estavam nos primeiros postos de controlo, criados em redor de Dnipropetrovsk já nos meados de abril de 2014, outros libertaram Mariupol em 6-8 de maio e 13 de junho do ano passado.
Um dos voluntários da unidade, judeu ortodoxo Asher Joseph Cherkassky
Eles deram as suas vidas para parar a ofensiva do Putin contra Ucrânia, para libertar a sua terra. Morreram para que Ucrânia seja um país independente, baseado na primazia da lei e da justiça. A nossa obrigação sagrada é fazer tudo para que o seu sacrifício não seja inútil.

Glória eterna à todos os voluntários caídos do batalhão “Dnipro-1”.
Ninguém é esquecido e nada é esquecido!
Glória aos Heróis!

A saída do DUK PS (Corpo Voluntário Ucraniano “Setor da Direita”) da aldeia de Pisky, após 9 meses da defesa desta localidade, em rotação com a unidade do exército ucraniano.
https://www.youtube.com/watch?v=6Ac3GABnw2Y
Lenine continua goodbay
Na noite desta sexta-feira para sábado, na cidade de Kharkiv, foram derrubadas mais duas estátuas do Lenine, ambas nos recintos universitários. O Instituto da memória nacional da Ucrânia informa que em 2014 no país foram desmontados mais de 500 monumentos do Lenine (FONTE).

sábado, abril 18, 2015

Militares americanos finalmente na Ucrânia

Com um certo atraso, os militares da 173ª Brigada do exército dos EUA, finalmente chegaram à Ucrânia, com a missão de treinar as unidades da Guarda Nacional da Ucrânia  

A notícia foi confirmada no twitter do embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt:
Os paraquedistas da 173ª brigada dos EUA chegaram à Ucrânia para treinar os militares ucranianos.
Os treinos, com o código “Fearless Guardian” (Guarda Destemida), se destinam à formação da Guarda Nacional da Ucrânia, ao abrigo do recentemente aprovado, pelo Congresso norte-americano, Fundo de Contingência da Segurança Global. Ao abrigo do qual, os EUA irão treinar seis batalhões da GNU, durante o período de seis meses.

Os 290 paraquedistas americanos chegaram com espírito de querer passar os seus conhecimentos, mas de também de aprender com a experiência ucraniana de combater o exército regular russo e as suas unidades semi-regulares.
“Nós não só iremos ensinar aos nossos colegas ucranianos o que sabemos, mas também vamos tentar aprender com eles, tanto quanto pudermos”, – disse o capitão Matthew Carpenter, comandante da unidade B, citado pelo Army.mil
Os treinos irão começar no dia 20 de abril no Centro especializado de Yavoriv, na província de Lviv, na Ucrânia Ocidental, informa a televisão Hromadske TV.

Fotos @army.mil
Lenine finalmente goodbay em Kramatorsk (17.04.2015)
No espírito de descomunização do espaço público ucraniano, na cidade de Kramatorsk, na região de Donetsk, os ativistas locais desmontaram o monumento do Lenine, líder bolchevique, responsável direto da guerra de ocupação contra a 1ª República ucraniana (1917-1919).
Os ativistas já tentavam derrubar o monumento por diversas vezes, mas, por razões várias, isso não foi possível até agora. Anteriormente, o monumento foi pintado às cores nacionais da Ucrânia.
Como é possível notar no vídeo, a desmontagem aconteceu rapidamente, na atmosfera festiva e sem nenhum incidente. Tal, como se escreve na Internet ucraniana, o território onde os monumentos do ídolo bolchevique foram derrubados, definitivamente se tornam os territórios mentalmente ucranianos, deixando no passado a mentalidade soviética e pós-soviética.
Foto @Andriy Romanenko 

quinta-feira, abril 16, 2015

A “queima de arquivos” anti-Maydan

No dia 16 de abril, por volta das 13h00, no pátio do seu prédio em Kyiv foi abatido à tiro o famoso anti-ucraniano, o ex-jornalista e ex-escritor escandaloso Oles Buzina. O malogrado foi alvo de pelo menos dois tiros da pistola TT de calibre 7.62 que o atingiram na cabeça e no peito. 

A polícia ucraniana informa que possui 5 testemunhas do sucedido, a viatura da fuga foi apanhada nos objetivos da câmara CCTV do prédio. Sabe-se que os atacantes eram pelo menos duas pessoas mascaradas, que se puseram em fuga imediatamente após a sua ação, escreve Kyiv Press. 

Sabe-se também que o local foi varrido pela equipa de polícia de investigação criminal e que o Presidente ucraniano, Petró Proroshenko, pediu o mais rápido esclarecimento do caso.
http://www.unian.net/politics/1068033-foto-s-mesta-ubiystva-olesya-buzinyi-18.html
No início dos anos 1990, Buzina era um jornalista cultural de um diário de Kyiv que se notabilizou em prosa erótica. Nos meados da mesma década foi falado por causa das suas biografias dos famosos escritores ucranianos dos séculos XIX-XX. Nos textos procurava explorar os elementos picantes ou perversos, reais ou imaginários, das suas vidas. Atacou a Revolução Laranja e Revolução de Dignidade (Maydan) já à partir das posições completamente pró-russas. Tentou concorrer ao parlamento ucraniano em 2012, não chegando ao 1% dos votos. 

Abate do chefe dos titushky

Um dia antes, em 15 de abril, também em Kyiv, foi abatido com quatro tiros à queima-roupa um outro ativista anti-Maydan, o ex-deputado do Partido das Regiões, Oleg Kalashnikov. O ex-deputado foi morto no prédio onde morava, quando se preparava para abrir o seu apartamento.
Entre as versões do sucedido, verificadas pela polícia ucraniana estão as suas atividades políticas, incluindo organização do anti-Maydan e titushky (jovens marginais pagos que atacavam os manifestantes pró-democracia), questões financeiras ou até mesmo um assalto.

Kalashnikov ficou famoso em 2012, quando organizou o ataque dos titushky contra os jornalistas e ativistas no decorrer do processo contra Yulia Tymoshenko. Durante Euromaydan o malogrado organizava os comícios pró-Yanukovych e foi um dos organizadores dos titushky e anti-Maydan no Parque Mariinsky. Em 2015, a Procuradoria-geral da Ucrânia e SBU receberam o pedido oficial de uma deputada do parlamento, para verificar as ações do Kalashnikov na organização dos titushky e das ações em apoio do separatismo, escreve Glavred.info.

Como informa o assessor do Ministro do Interior, Anton Gerashchenko, a polícia ucraniana abriu o processo-crime sob artigo 115º do CP da Ucrânia, “assassinato premeditado”. Polícia investigará cinco versões do sucedido: atividade política (incluindo organização, financiamento e moderação do anti-Maydan e dos titushky); as questões financeiras (suas dívidas, os seus empréstimos); relações pessoais; assassinato em resultado do assalto; entre outros.

Sem dúvida, o malogrado sabia muita coisa sobre quem e como financiava anti-Maydan que custava ao Yanukovych e Cº alguns milhões de UAH por dia. Este segredo ele levará consigo para a cova. Mas Kalashnikov não era único que sabia quem e como financiava anti-Maydan. Como se diz, os manuscritos não ardem!”, escreveu Anton Gerashenko na sua página de Facebook.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1572177283055093&set=a.1469223880017101.1073741826.100007885095373
O ex-número dois do “Setor da Direita”, Borislav Bereza, escreveu no seu FB que pela informação das fontes ligadas aos serviços especiais da Ucrânia, Kalashnikov mostrou a vontade de colaborar com os órgãos ucranianos competentes, denunciando os organizadores dos titushky. [...] Provavelmente, isso assustou os ex-patrões do Kalashnikov. Como se diz “não há corpo, não há caso”, e Kalashnikov foi eliminado fisicamente. Uma parte da informação ele levou consigo para a cova. Uma parte ficou nos meios eletrónicos. 

Anteriormente, no dia 28 de fevereiro se suicidou o ex-deputado regional Mykhaylo Chechetov e no dia 12 de março se suicidou o ex-governador da província de Zaporizhnia, Oleksandr Peklushko.

Quem é responsável?

Os assassinatos e suicídios dos ex-regionais favorecem, em primeiro lugar, os seus ex-camaradas do movimento anti-Maydan. Diversas pessoas que financiavam titushky e “Berkut”, hoje querem voltar ao poder, se livrando dos comparsas e das testemunhas dos seus crimes cometidos em 2013-14.

Na linha direta de perguntas e respostas entre Putin e os cidadãos russos, Putin falou sobre o assassinato do Oles Buzina cerca de 9 (Sic!) minutos após as agências informativas informarem sobre o caso, afirmando que  se tratava de um “o assassinato político” e que “a investigação ucraniana não fazia nada”...

Criança 44: o filme proibido na Rússia

http://en.wikipedia.org/wiki/Child_44_(film)
Como escrevemos na nossa última postagem, o culto da “Vitória na Grande Guerra Patriótica”, se torna na Rússia numa verdadeira fé paralela à ortodoxia, com os seus santos, dogmas e tabus. Último destes tabus é história soviética durante a era estalinista. A última vítima é o filme americano-britânico Child 44 (Criança 44 / A Criança Nº 44). 

Um dia antes da sua estreia na Rússia, o filme foi retirado do cartaz, alegadamente, pela decisão soberana da empresa detentora dos direitos de exibição do filme no país. No entanto, o comunicado divulgado pelo Ministério da Cultura da Rússia, não deixa nenhuma margem para as dúvidas, o filme foi banido por razões estritamente ideológicas, acusado de “distorção dos factos históricos e das interpretações peculiares dos acontecimentos; antes, durante e depois da Grande Guerra Patriótica, bem como imagens e personagens de cidadãos soviéticos daquela época histórica.
A decisão do ministério russo foi mais que clara: “a demonstração de filmes semelhantes nas vésperas do 70º aniversário da Vitória é inadmissível (FONTE). 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Child_44
O filme, estrelado por Tom Hardy, Gary Oldman, Noomi Rapace, Joel Kinnaman, Paddy Considine e Vincent Cassel, se baseia no romance Child 44 do britânico Tom Rob Smith e narra as peripécies do oficial do MGB Lev Demidov (Tom Hardy), ao investigar uma série de horríveis assassinatos de crianças na União Soviética um ano antes da morte de Estaline.

E já que estamos falar sobre a cultura, eis uma peça teatral do autor desconhecido…

Amor fraternal à moscovita

Ucrânia está na cozinha, bebe chá. Toca a campainha, Ucrânia abre a porta, na entrada está um tártaro bêbado.
Tártaro: Olá, pequena Rússia!!!
Ucrânia: O que??
Tártaro: Não venha com essa de “o que”, deves dizer “que”. Entendestes?
Ucrânia: Quem é você e o que quer aqui?
Tártaro: O que significa “quem eu sou” – sou o teu irmão mais velho, Moscovo. Vamos, se prepare.
Ucrânia: Não tenho nenhuns irmãos, pode ir embora.
Tártaro: Que significa “não tenho”?? São os polacos do 42º apartamento te contaram isso?? Estou te dizer, eu sou Moscovo, o teu irmão mais velho, aqui são os documentos.
Tártaro mostra à Ucrânia uns papeis.
Ucrânia (lê): Certificado de... de fraternidade? Onde que foi emitido?
Tártaro: Que significa “onde foi emitido”, o levei no nosso apartamento.
Ucrânia: No nosso apartamento?
Tártaro: Não no “vosso”, mas no nosso. Neste ai, no nosso apartamento, tu é que esquecestes, vivemos aqui desde crianças.
Ucrânia: Nós?
Tártaro: Sim, eu com os meus pais. Tu fostes encontrado na rua, quando eu tive 10 anos, esquecestes disso?
Ucrânia: Você confunde algo. Neste apartamento já vive a 23ª geração da minha família.
Tártaro: Mas que censurado “23ª geração”, que conversa é essa, não entendo patavina censurado. Tu, que car@lho, não reconheces o teu irmão? Veja, sou eu, Moscovo, o teu irmão mais velho!
Ucrânia: Bem, você é parecido com alguém, claro, mas...
Tártaro: Nenhuns “mas”! Reconheceu então. Finalmente. Começa preparar-te.
Ucrânia: Para onde?
Tártaro: Não faz perguntas, pá! Vais viver na minha despensa.
Ucrânia: Será? E aqui quem vai viver? Você?
Tártaro: É, pá, tu me crescestes um espertinho, meu russo pequerrucho. Aqui vou viver eu com a minha família. Apartamento é nosso, pátrio. Isso, é, o nosso, contando contigo.
Ucrânia: Vá, mas é, para car@lho! (fecha as portas)
Tártaro (atrás das portas): É pá, nacionalista, fascista! Odeio os ucranianos!!!
Ucrânia (atrás das portas): Já agora, me chamo Ucrânia.
Tártaro (atrás das portas): Não con@, pequena Rússia fodid@!!! Não faz mal, vamos vós tirar de cá, lacaios da OTAN. Vocês vão pagar por tudo!!
Ucrânia tira uma lata de spray contra baratas e abre as portas.
Tártaro (recuando): É, pá, que ´tas à fazer?! Cabrão, vais atirar nas minhas costas!! Fascista!!!
foge....

Autoria @Internet; Tradução @Ucrânia em África

terça-feira, abril 14, 2015

A chegada do “mundo russo” (2)

Em Moscovo foi aberta uma exposição propagandística “Provas Documentais. Donbass. 365 dias”. Estrategicamente, aconteceu no pavilhão da “Ucrânia” na “Exposição das Realizações da Economia Popular” (VDNH), a joia expositória da economia socialista soviética.
A expo usa fotografias, objetos, manequins, efeitos de maquiagem e instalações artísticas, mostrando inequivocamente o que acontece com um país ou território, quando lá chega e se implemente o dito “mundo russo”: destruição, degradação, saques, refugiados e mortes.
Exposição moscovita usa os meios de segurança absolutamente fora de comum: há presença permanente de um autocarro de polícia, os visitantes são inspecionados detalhadamente na entrada, passam através dos detectores de metais, semelhantes aos usados nos aeroportos.
A “estrela” da exposição é a estela “Debaltsevo”, a propriedade municipal da cidade ucraniana de Debaltseve, roubada e levada ilegalmente (!) para Moscovo. Os organizadores nem sequer compreendem que a exibição pública do material saqueado e roubado os coloca na mira de Haia. E informam com orgulho: Para desmantelar a inscrição e traduze-la ao Moscovo, foram envolvidas dezenas de pessoas e máquinas especiais”.
Outro fruto de roubo é mini autocarro “Gazel”, alegadamente também “achado” nas ruas de Debaltseve e trazido para Moscovo sem o conhecimento e consentimento dos seus proprietários legais. Os organizadores afirmam que pretendem levar a exposição “para a Europa”, escreve o blogueiro russo Zyalt.
Não se sabe que Europa será essa e qual é a razão de se preocupar tanto com a “Europa dominada pelos gays pedófilos”. Mas caso isso acontecer, haverá a possibilidade de processar os organizadores pelo roubo da propriedade, com a possibilidade destes serem condenados no seu local mais (in)desejável, a temível “Gayroupa”.

Gagarin crucificado
Na cidade russa de Perm, o artista local, Aleksandr Zhunev, foi levado à polícia, com a possibilidade de ser acusado formalmente ao nível criminal ou administrativo por causa de uma imagem da sua autoria (material: cartolina e cola), colocado para apreciação do público. 
O próprio artista explica o sucedido:
Em 12 de abril de 2015 coincidem logo dois grandes feriados: o Dia da Cosmonáutica e a Páscoa (ortodoxa). Eu acho que essa confluência de circunstâncias do calendário é muito simbólica, porque a ciência e a religião durante muito tempo estavam nos lados opostos das barricadas, tentando ganhar a sua quota de influência sobre as mentes. O trabalho “Gagarin. Crucificação” é a minha tentativa de falar sobre o tema de confronto secular na linguagem de arte contemporânea” (FONTE).
Outro artista local, Tim Yefimov, propõe usar a mesma imagem para levar as autoridade municipais à fazerem o seu trabalho. Basta colar a imagem “incendiária” no local mais porco das suas vizinhanças (prédio, elevador, murro, estrada, pátio, etc,), e indignar-se publicamente do sucedido. Seguramente, as autoridades municipais russas mostrarão as maravilhas de velocidade furiosa na liquidação de toda e qualquer “libertinagem” nas redondezas. Ninguém, na Rússia atual, se arrisca à ser considerado como “nacional-traidor”.

Surgimento de uma nova religião russa
Atualmente, a Rússia vive o surgimento e afirmação de uma nova religião, que combina o populismo local e aceitação frenética do poder estatal. A religião se chama “Vitória sobre o fascismo alemão (Sic!) na Grande Guerra Patriótica”.
Os seus adoradores levam a nova religião à todos os cantos e domínios da sociedade russa, desde os bares de striptease, passando pela produção das bebidas alcoólicas até os concursos de culturismo feminino (FONTE).
 
Ou como dizem os seus adeptos: “Gagarin voo! Realmente voo!

segunda-feira, abril 13, 2015

A guerra ucraniana inacabada: 1945-2015

A guerra de libertação nacional inacabada. Não é por acaso que os veteranos do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), receberam o reconhecimento do estado ucraniano só agora, na auge da guerra com a Rússia.
O país finalmente entendeu que a guerra atual é apenas uma continuação daquela guerra. Ucrânia entendeu que sem o sacrifício deles é impossível vencer essa. Que o país não tem o direito de adiar o reconhecimento daqueles que lutaram e morreram pela Ucrânia “até as melhores oportunidades”, caso contrário será passada às gerações vindouras não apenas a questão histórica não resolvida, mas a estafeta da guerra inacabada. Agora, é possível colocar um ponto final nessa questão nacional (FONTE).
A canção Insurgente é o trabalho conjunto do grupo do rock gótico Komu Vnyz e do Arseniy Bilodub, o vocalista do grupo neo-pagão Sokyra Peruna (Machado do Perun).  
https://www.youtube.com/watch?v=rpOnd7U4cRU
Texto “Insurgente”

Eu foi insurgente na luta cossaca
do Bohdan glorioso na guerra de libertação.
Mesmo para a morte caminhei com coragem
Foi insurgente, pela liberdade derramava a sangue.
Eu foi centurião do Zalizniak
Com os haidamacos temperava a mão,
Pela blindagem de fogo novamente íamos à batalha:
Foi insurgente, derramava a sangue pela Verdade.
Foi Corvo Negro, semelhante à sombra,
Em Chorniy Yar na última hora.
Quem se rendeu ao inimigo, quem se rendeu ao medo
Vem um insurgente e derramará o seu sangue!
Foi Irmão de Floresta na Volyn,
Até o fim resisti à avalanche vermelha...
De raiva impotente se enfurecia o carrasco
Sou insurgente!
Em 20 de fevereiro na Maydan...
Contra os atiradores, "Berkut" e policiais!
Tão bem napalm ardeu na armadura!
Insurgi-me pela liberdade derramei o meu sangue.
Ficarei insurgente até minha morte,
Não me expulsarão do meu País!
Para bastardos traidores ao inferno descerem
Eu luto no leste  ferve meu sangue.
Sim, sou insurgente e ferve meu sangue.
Levantei-me pela liberdade
Flui meu sangue.
Tradução @Ucrânia em África

sábado, abril 11, 2015

Páscoa Ortodoxa e Ucrânia

Chegou a Páscoa ortodoxa. Ucrânia, pela primeira vez em 70 anos, celebra esta festa no ambiente da guerra, em que uma parcela do seu território nacional é ocupada pelos terroristas e invasores.
Ucrânia está à sofrer, tal como Cristo sofreu na cruz e tal como Cristo irá ressuscitar para garantir a paz e a estabilidade aos seus cidadãos e todos aqueles que estão no país por bem.

Cristo Ressuscitou! Ucrânia Ressuscitará!
Neste dia especial pedimos a paz para Ucrânia, pedimos que Deus protege o país milenar contra o Lucífero que vem do Leste que quer na sua ansia de destuir já por várias vezes orquestrou os ataques e as provocações militares nas vésperas e durante os feriados religiosos.
O símbolo do Páscoa deste ano poderá ser pysanka (pêssanka) patriótica, dedicada aos militares ucranianos que defendem o país no frente leste.