terça-feira, abril 07, 2015

O dia em que URSS decidiu fuzilar as crianças

No dia 7 de abril de 1935, o Comité Central Executivo da URSS e o Conselho dos Comissários Populares da URSS adotaram uma lei sem precedentes, permitindo que as crianças à partir de 12 anos poderiam ser fuziladas.

A lei foi oficialmente publicada no dia seguinte e assinada pelo Kalinin, Molotov e Ivan Akulov, este último, preso e fuzilado 1937, sob a acusação de participação na conspiração militar contra-revolucionária. O decreto foi revisto, emendado e recebeu o aval positivo do Estaline.

Oficialmente, o decreto-lei № 3/598 «Sobre os meios da luta contra criminalidade entre os menores» foi pensado para punir os jovens criminosos que cometiam os roubos, assassinatos ou tentativas de assassinatos ou mesmo infringiam os ferimentos aos terceiros.

Dado que URSS se retratava como “paraíso socialista”, a palavra “fuzilamento” não foi usada no texto da lei, substituída pelas fórmula “todas as medidas”. Provavelmente, dentro do próprio NKVD surgiram os questionamentos sobre o que significavam tais “todas as mediadas”. Para dissipar as duvidas, na sua reunião magna em 26 de abril do mesmo ano, o Bureau Político do PCUS debateu a lei e confirmou aplicação da pena capital às crianças maiores de 12 anos.
URSS nem sequer considerava os menores de 12 anos como crianças. Nesta idade eram julgados aptos para trabalhar, entravam nas “reservas laborais” das fábricas e manufacturas soviéticas. Após a publicação da nova lei, todas as instituições corretivas de jovens infratores e crianças sem-abrigo passaram da responsabilidade dos comissariados populares à tutela do NKVD.

Ao abrigo da mesma lei, as pessoas que incitavam ou mesmo forçavam os menores para participar na especulação, prostituição e vadiagem, eram sentenciados ao máximo de 5 anos de prisão. Com estes medidas violentas e desumanas, Estaline tentou controlar a estatística vergonhosa de crianças desabrigadas e, portanto, o crime juvenil – dois indicadores que foram o resultado direto das políticas internas soviéticas daquela época: a coletivização forçada, Holodomor ucraniano de 1932-33, as repressões e deportações massificadas para os campos de concentração soviéticos, o famigerado GULAG.

Mesmo quando os órgãos soviéticos não tinham absolutamente nenhuma prova de qualquer crime real ou imaginário, mas havendo a vontade política de fuzilar um determinado jovem ou adolescente, estas simplesmente inventavam-se. Vejamos o caso do Yuri Kamenev (1921—1938), filho do Lev Kamenev, foi fuzilado em 1938 sob acusação de:

«Kamenev, que estava sob a influência ideológica de seu pai – o inimigo do povo, L. B. Kamenev, aprendeu as teorias terroristas da organização anti-soviética trotskista; sendo amargurado pela repressão aplicada ao seu pai, como o inimigo do povo; Kamenev Y. L. em 1937 em Gorky expressou, entre os estudantes, as intenções terroristas em relação aos dirigentes do PC (b) e do poder soviético» (FONTE).


Fonte:

Pontes que desunem…
O fotógrafo ucraniano Sergiy Polezhaka, criou uma série fotográfica de pontes dinamitados e destruídos pelos terroristas russos na região de Donbas.
“Destruir os pontes significa separar deliberadamente. Obrigar as pessoas vivem separadamente, não ver e não ouvir uns aos outros. Como resultado  não compreender e talvez odiar. No momento em que no país nascem umas novas ligações sociais (desde o movimento voluntário unificativo até a fraternidade combatente), a possibilidade de entendimento com Donbas não aparece todos os dias – tal como estes pontes”, – explica o fotógrafo.

Ver fotos:
http://www.polezhaka.com/burnt-bridges-of-donbass

Aniversário da tragédia de Katyn

79 anos atrás, em abril-maio de 1940, os carrascos do NKVD, fuzilaram cerca de 22.000 (21.857 já identificados) cidadãos polacos, prisioneiros das autoridades soviéticas, o crime contra a humanidade conhecido como Massacre de Katyn.

As vítimas foram executadas na floresta de Katyn, em campos de concentração situados nas localidades de Starobelsk e Ostashkov, no quartel-general da NKVD em Smolensk, nas cadeias em Kalinin e Moscovo, todos na Rússia; em alguns locais da Belarus; em Kharkiv, na Ucrânia, e em outros lugares próximos. Do total dos assassinados, cerca de 8 mil eram militares prisioneiros de guerra, outros 6 mil eram policiais e os restantes civis, pertencentes à elite intelectual polaca: professores, artistas, pesquisadores, historiadores, presos sob a acusação de serem sabotadores, espiões, latifundiários, donos de fábricas, advogados, sacerdotes e funcionários públicos perigosos.

Todos eles eram cidadãos da 2ª República polaca, em termos étnicos: polacos, belarusos, judeus (entre 500 à 600 pessoas) e ucranianos.

Os carrascos soviéticos demoraram um mês e meio, naquilo que se chamava “a operação de limpeza dos campos”. Os polacos eram trazidos em comboios de 500 pessoas cada, vindos dos diversos locais da URSS, onde eles estavam aprisionados. Diversos prisioneiros estavam contentes, achavam que serão libertados...   

Antes de fuzilamento, as vítimas eram roubadas pela última vez, lhes retiravam as alianças, crucifixos, pertences valiosos, depois amarravam as mãos atrás, usando o arame, levavam até a vala comum e disparavam na nuca. De seguida os corpos alinhados eram cobertos com a terra.
Nas décadas de 1980-1990, os estudantes soviéticos na Polónia eram doutrinados pela embaixada da URSS, que os instruía como responder as possíveis perguntas sobre a questão de Katyn. Os estudantes deveriam dizer que os culpados eram nazis, que por sua vez tentaram culpabilizar os soviéticos. Nos meados da década de 2000, o Ministério da Justiça russo, repetiu a deixa na sua resposta ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, argumentando que dado que as primeiras listas dos assassinados eram compiladas pelos alemães, estas não podiam ser consideradas como provas.   

Apenas em 1990, Gorbachov admitiu a culpa soviética, entregando ao Wojciech Jaruzelski uma parte dos documentos secretos sobre o massacre; o maior número de documentos foi entregue à parte polaca pelo Boris Yeltsin em 1991. Os últimos foram libertados pelo presidente russo Medvedev durante a sua cadência presidencial. Em novembro de 2010, a Duma Estatal russa aprovou uma declaração culpando Estaline e outros dirigentes soviéticos por haverem pessoalmente ordenado o massacre. Agora, Polónia possui praticamente o dossier completo das decisões políticas da liderança comunista: decisões do Bureau Político, com assinaturas do Estaline e Molotov, relatórios dos carrascos ordinários, etc.

Após a II G.M., a URSS tentou culpabilizar oficialmente os nazis pelo seu próprio crime, através do Tribunal de Nuremberga. Preparando as peritagens falsas e instruindo as “testemunhas”. O tribunal rejeitou em absoluto essa tentativa, mas a propaganda soviética teimava em culpar Alemanha quase até o fim da Perestroica...

Blogueiro

Atualmente, os diversos neo-estalinistas e pró-soviéticos defendem novamente a tese negacionista, apontando o uso no massacre de Katyn das pistolas alemãs “Walther”.

Sabe-se que em Katyn, os carrascos do NKVD usavam a munição de calibre 7,65 de marca “Geco 7.65D”, produzida pela fábrica alemã de “Gustaw Genschow Co.”. A munição, que após 1928 era vendida em quantidades consideráveis para Polónia, Países Bálticos e para a URSS. Além disso, em Katyn foram encontrados os cartuchos de fabrico soviético (Gracian Jaworowski, “Nieznana relacja о grobach katynskich”, Zeszyty Historyczne, Paris, 45, 1978:4).

Mais do que isso, as balas de calibre 7,65x17, fabricadas pela “Geco” podiam ser disparadas quer pelas diversas pistolas alemãs, quer pelas belgas: “Browning” de 1900 e 1910 e até mesmo pela americanas “Savage 1907” (FONTE).

Mas a verdadeira prova do crime soviético, como é obvio, não se encontra na origem das armas-assassinas. Pois, até é bastante habitual que em diversas operações clandestinas os governos usam o armamento dos seus adversários ou da terceira parte, basta lembrar os preparativos semelhantes na Operação Mar Verde.

À semelhança da Gestapo nazi, o NKVD soviético era uma pesada máquina burocrática, onde nenhum prisioneiro podia ser fuzilado ou morrer de causas naturais, sem que seja lavrado um auto e que sejam informados os superiores. Então, 22.000 prisioneiros polacos não poderiam desaparecer das cadeias e campos de concentração do NKVD em 1940 sem que isso seja contabilizado e justificado nos documentos do NKVD. E não existe nenhum documento neste sentido. Muito pelo contrário, sabe-se que NKVD fazia tudo para matar todos os prisioneiros em seu poder antes da chegada das tropas alemãs em 1941, após o início da guerra nazi-soviética. Os milhares de prisioneiros ucranianos, judeus e novamente polacos, foram assassinados nas cadeias de NKVD na Ucrânia Ocidental, nos dias (e as vezes horas) imediatos à entrada do exército alemão nas respetivas localidades, onde estes cidadãos estavam detidos (ler mais: Tragédia da Ucrânia Ocidental).     

domingo, abril 05, 2015

Ucrânia na mensagem do Papa Francisco

Na sua última mensagem “Urbi et Orbi”, proferida pelo Papa Francisco, neste Domingo de Páscoa na cidade de Vaticano, o Sumo Pontífice recordou a situação na Ucrânia.

A Ressurreição do Senhor leve luz à amada Ucrânia, sobretudo àqueles que sofreram as violências do conflito nos últimos meses. Possa o país reencontrar paz e esperança, graças ao empenho de todas as partes interessadas.

O texto integral da mensagem:

A mensagem original em alemão, inglês, espanhol, francês e português:
https://www.youtube.com/watch?v=jfmL3gL_ZVU

Ucrânia na novela brasileira

Num dos recentes capítulos da novela brasileira Sete Vidas, a atriz Isabelle Drummond (a personagem principal, Júlia de Moraes Brandão, uma estudante de medicina que descobre ser filha de um doador de sémen), estava vestindo uma camisa bordada ucraniana, conhecida como vyshyvanka (fonte e fotos).

sábado, abril 04, 2015

Dozor-B e retro-escavadora para OAT

A empresa estatal ucraniana “Fábrica de Blindados de Lviv começou o fabrico em série do blindado militar ligeiro Dozor-B.
A fábrica planeia produzir 40 veículos até julho de 2015. Segundo o diretor, o seu pessoal está pronto para o processo de produção, mesmo para aumento de encomendas de novos blindados. Para este efeito, a fábrica de Lviv está preparar os equipamentos adicionais e contratou funcionários qualificados adicionais, escreve o Ministério da Defesa da Ucrânia.
É de recordar que o motor do blindado é Deutz BF turbo de quatro cilindros à gasóleo, a transmissão é automática “Allison LCT 1000”.

As ofertas das “Irmãs da Vitória”

As voluntárias da fundação de caridade “Irmãs da Vitória”, entregaram aos militares da 55ª Brigada de artilharia das FAU uma retro-escavadora, que permitira aos militares escavar as trincheiras e sistemas de defesa na linha da frente.
Como explica a voluntária Kateryna Matyukha, a máquina foi comprada na República Checa, custando cerca de 8.000 Euros, outros 20.000 UAH (800 Euros), os voluntários entregaram aos militares para a compra de combustível. A retro-escavadora ajudará aos “deuses da guerra” ucranianos de proteger os seus equipamentos e facilitará a execução das tarefas defensivas no leste da Ucrânia, informa a televisão ucraniana Hromadske TV.
https://www.youtube.com/watch?v=Vim4fEr27-A

Ajudar às “Irmãs da Vitória”
Cartão do PrivatBank (UAH): 26009052753420
PayPal: victorysisters2014@gmail.com

Bónus
A ucraniana de Luhansk de 80 anos, que graças à chegada do “mundo russo” se tornou refugiada na sua própria terra, agora todos os dias visita os voluntários em Kyiv, onde participa na fabricação das redes de camuflagem para as necessidades do exército ucraniano (FONTE).

sexta-feira, abril 03, 2015

Industrialização: o maior mito soviético

A industrialização soviética é uma das mais-valias atribuída ao Estaline e ao seu regime, mesmo pelos historiadores ocidentais. Nos livros da história dos diversos países democráticos é possível ler que “apesar das repressões em massa, a URSS alcançou os grandes progressos”. Os textos não explicam como estes foram alcançados, fazendo com que os alunos que não gostam de ler fiquem com a ideia dúbia do que “estalinismo conseguiu algo de positivo”...

Veremos, então, o que está por de traz da famosa sentença absolvente endereçada ao Estaline: “Recebeu o país com arado e deixou com a bomba atómica”.

O custo da industrialização

O regime soviético comprou a sua industrialização, pagando aos industriais ocidentais com ouro czarista e expropriado à igreja e ao população e com o trigo, expropriado aos camponeses nos anos 1920-21, em 1932-33 (Holodomor ucraniano) e em 1946-47.

Além disso, o regime colocou a sua própria população na condição de semi-escravatura: os camponeses foram privados dos documentos de identificação sem quais não podiam deixar o campo, mais, as diversas ondas de terror, colocaram milhões de cidadãos soviéticos no GULAG, onde estes trabalhavam 12-14 horas diárias apenas pela alimentação deficiente.
  
No final da década de 1920, as primeiras fábricas soviéticas foram construídas na URSS pelas empresas e especialistas alemães. Depois de expulsar estas mesmas empresas e os seus especialistas sob diversas acusações, os bolcheviques se viraram aos americanos.

Albert Kahn, Inc

Em fevereiro de 1930 o governo soviético, através da sua corporação “Amtorg” e a corporação americana “Albert Kahn, Inc” assinam um acordo, segundo o qual “Albert Kahn, Inc” se transformava no principal consultor soviético em questões de construção industrial, recebendo um pacote de contratos no valor de 2 biliões de dólares (cerca de 250 biliões de dólares aos preços atuais).

O número exato dos locais industriais construídos pelo “Albert Kahn, Inc” na URSS é desconhecido, mas fala-se sobre 521 ou 571 empreitadas. Nesta lista estão as fábricas de tratores em Estalinegrado (atual Volgogrado), Cheliabinsk e Kharkiv; fábricas de automóveis em Moscovo e Nijni Novgorod; ferrarias em Chelyabinsk, Dnipropetrovsk, Kharkiv, Kolomna, Magnitogorsk, Nizhny Tagil, Estalinegrado; fábrica de maquinaria em Kaluga, Novosibirsk, Verhniaia Salda; fundições em Chelyabinsk, Dnipropetrovsk, Kharkiv, Kolomna, Magnitogorsk, Sormovo, Estalinegrado; fábricas e unidades mecânicas em Chelyabinsk, Podolsk, Estalinegrado, Sverdlovsk; estação térmica em Yakutsk; fábricas de aço em Novokuznetsk, Magnitogorsk, Nizhny Tagil, Sormovo; 1º Fábrica estatal de rolamentos em Moscovo e muitos outras fábricas e unidades fabris.

Vejamos, por exemplo, a Fábrica de maquinaria pesada de Urais (Uralmash). A fábrica responsável pelo fabrico do famoso blindado soviético T-34 e canhões auto-propulsados SU-122, SU-85 e SU-100. Entre 1928 à 1941 nela trabalharam 311 especialistas ocidentais, destes, 141 eram alemães.

A maior parte do equipamento foi fornecido por empresas estrangeiras. Duas prensas de vapor hidráulico na unidade forjadora eram das empresas alemãs “Hydraulik”, “Schlemann und Wagner”; fundição de ferro era da empresa alemã “Krigar”; os guindastes de carga eram da britânica “Sheppard”; os fornos eléctricos eram da “AEG”, as câmaras e serrações de arreia eram da “Mars-Werke”; das 337 máquinas da 1ª oficina mecânica, 300 eram de fabrico ocidental.

A hidroelétrica DniproGES, o orgulho da industrialização soviética, foi projetada e construída pela americana “Cooper”, o local de construção foi preparado pela alemã “Siemens” que também forneceu os geradores elétricos. Todas as turbinas da hidroelétrica foram fabricadas pela americana “Newport News”, menos uma, a sua cópia soviética.

A lendária Magnitka (Fábrica de Ferro e Aço de Magnitogorsk) foi uma obra da americana “Arthur McKee & Company” de Cleveland. Os campos petrolíferos de Baku (Azerbaijão) foram apetrechados pela empresa “Barnsdall”. As fábricas e minas de Donbas (Ucrânia) e Kuzbas (Rússia), estavam ao cargo das americanas “Stuart, James & Cooke”, “Roberts & Schaefer”, “Allen & Garcia”.

A fama-show

Então, por que razão os livros de história falam sobre “o glorioso povo soviético” e da “sua proeza industrial”, omitindo o facto deste mesmo povo não passar dos semi-escravos nos kolkhozes e de escravos aprisionados no GULAG?

Uma das razões é simples: um grande número dos engenheiros e organizadores soviéticos destes empreendimentos foi preso, julgado, considerado inimigo do povo, fuzilado, morreu ou desapareceu sem deixar rasto no GULAG soviético.

Foram fuzilados o primeiro construtor e diretor da “Uralmash” Bannikov, o seu primeiro 1º engenheiro Fidler, o seu sucessor Muzafarov, o construtor da estação elétrica da “Uralmash” Popov e outros responsáveis da empreitada.

O lendário metalúrgico soviético, Avraamiy Zavenyagin dizia: “A fábrica de Magnitogorsk foi erguida, em essência, pelos três valentes: Gugel, Mariassin e Valerius”. Todos os três foram fuzilados no final dos anos 1930. O próprio Avraamiy Zavenyagin escapou ao mesmo destino pela sua amizade pessoal com Vyacheslav Molotov.

O metalúrgico soviético responsável pelo projeto de Magnitka, Chingiz Ildyrym, foi preso pelo NKVD em julho de 1937, sob acusação de participação no grupo contra-revolucionário. Ele foi fuzilado pelo pelotão de fuzilamento na cadeia moscovita de Sukhanovo no verão do mesmo ano.

Também foram fuzilados o primeiro diretor da Magnitka V. Smolianinov; gestor da Magnitka em 1930 Yakov Schmidt; o brigadeiro-construtor e detentor da ordem “Lenine” V. Kalmykov; o primeiro 1º engenheiro, V. Gasselblat morreu da inanição no GULAG.

Em resultado das repressões dos anos 1930 foram aniquilados quase todos que estavam envolvidos direta ou indiretamente na aquisição de equipamentos importados para estes empreendimentos. Por isso, é difícil livrar-se da crença de que um dos principais objetivos da onda repressiva nas vésperas da II G.M. foi o encobrimento da verdade sobre como e quem efetuou a industrialização da União Soviética. Para que nos livros de história, a industrialização permanecerá para sempre como o “feito inédito do proletariado emancipado, liderado pelo partido bolchevique e pelo génio de Estaline”.

Fonte:
http://expert.ru/expert/2010/01/ura_u_nih_depressiya

Ucranianos na Guerra das Malvinas

No dia 2 de abril, Argentina comemora oficialmente o “Día del Veterano y de los Caídos en la guerra en Malvinas” (Dia do Veterano e dos Caídos na guerra em Malvinas), referente à Guerra das Malvinas (1982).

Argentina perdeu no conflito 649 homens (655 pelos dados britânicos), entre eles entre 3 à 4 ucranianos étnicos. Dois deles pertenciam à armada argentina e morreram no afundamento do cruzador ARA General Belgrano:
RIP Pedro Ricardo S. Horszczaruk
Pedro Ricardo Segundo Horszczaruk (recruta, documento de identificação militar № 16125654; nascido em Buenos Aires; Merlo; sepultado no alto mar) e Miguel Ángel Tasiuk (1º marinheiro; documento de identificação militar № 16145868; nascido em Corrientes, na colónia Liebig's; sepultado no alto mar);
RIP Miguel Angel Tasiuk
Dois outros pertenciam ao exército da Argentina:
RIP Rolando Máximo Pacholczuk
Rolando Máximo Pacholczuk do Regimento de Infantaria № 7 (documento de identificação militar № 16153250; natural de Mar del Plata (?); sepultado no cemitério em Mar del Plata) e Sergio Fabián Nosikoski (Regimento de Infantaria № 8; sepultado em Darwin, Malvinas, parcela “A”, fila 4/19, não temos a sua foto).

Fontes:

Entre as forças britânicas, que perderam 255 homens, aparentemente não há nenhum de descendência ucraniana (FONTE).

Blogueiro: estes homens morreram pela sua pátria, numa guerra que simplesmente não deveria ter acontecido; hoje, não devemos esquecer que o atual governo da Argentina se recusou categoricamente de reconhecer o referendo nas Malvinas, organizado em março de 2013, que votou pela permanência das ilhas na Grã-Bretanha, mas não teve o fôlego semelhante para rejeitar em absoluto o “referendo” na Crimeia, ocorrido em março de 2014...

quinta-feira, abril 02, 2015

Páscoa na Ucrânia (2)

Aproxima-se a Páscoa católica e ortodoxa (5 e 12 de abril respetivamente) e o nosso artigo anterior sobre a Páscoa na Ucrânia é consultado por cada vez maior número dos leitores.

Recordamos que na Ucrânia o símbolo da Páscoa é um ovo que significa a vida. Existe uma tradição de pintar os ovos (pysankas / pêssancas) que tem a origem pagã. Depois do baptismo da Ucrânia em 988 os ovos pintados perderam o seu significado pagão. Desde aí, as pessoas passaram então a fazer pysankas para dar aos parentes e amigos na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos.

Nesta ocasião, a página Kiev Typical pensou em leigos, daqueles que não tem muita veia artística mas também querem entrar no espírito da Páscoa ucraniana. A tabela explica visualmente como pintar os ovem para que estes tenham as cores festivos. A tabela apenas não menciona a maneira clássica e mais simples: cozer os ovos juntamente com a casca de cebola. A intensidade da cor dependerá da cor da casca e do tempo da cozedura.

Cristo ressuscitou!” – “Verdadeiramente ressuscitou!

Mission possible: borsh aos ucranianos, cadeia aos terroristas

Uma empresa ucraniana de Cherkassy prepara diariamente até 10.000 refeições de borsh seco aos militares ucranianos que combatem os terroristas russos no leste da Ucrânia. O responsável é empreendedor e empresário local Andriy Bortnyk.

O investimento foi de 100.000 USD, o lucro líquido anual de uma outra PME do mesmo empresário. A “empresa-mãe” também cedeu o espaço para montar a linha de descascamento de legumes, pois diariamente por aqui passa 1,5 tonelada destes.

«Qualquer negócio agora deve possuir a responsabilidade social, deve fazer tudo para que a guerra acabe rapidamente. Não serei muito útil no exército, não fiz o SMO, será uma perda de tempo de me ensinar o ofício militar... Aqui me sinto muito mais útil», – explica Andriy Bortnyk.

Diariamente na sua empresa trabalha meia-centena de voluntários. Estudante universitária Inna é uma delas. O seu pai está agora na linha da frente no leste, por isso, juntamente com amigas, após os estudos, ela se apressa para ajudar em alguma coisa. Tem a esperança que pelo menos uma dessas refeições chegará aos seu pai e companheiros dele no leste.

Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=Q5xzJKgx7KA

Cadeia do … NKVD-FSB para o terrorista

No dia 30 de março, na cidade russa de São-Petersburgo, o FSB deteve o “ex-ministro da defesa” da organização terrorista “lnr/rpl”, Oleg Bugrov (41). Bugrov é acusado de fornecer os tubos usados e contrafeitos à empresa “Ust-Luga Oil” (ex-RosNeftBunker), anteriormente pertencente ao “Volga Group” do oligarca russo Gennadiy Timchenko, próximo do Putin.  

Ex-polícia do destacamento “Berkut”, desde 2010 Bugrov vivia em São-Petersburgo, onde se casou e se dedicava ao comércio. Em 2014 ele traiu Ucrânia e se juntou aos terroristas da “lnr/rpl”, comandou o bando “Zaria” e chegou até o “ministro da defesa”. Não aceitando a ideia do cessar-fogo, entrou em oposição ao líder da “lnr/rpl” Plotnitsky e foi expulso para Rússia nos meados de janeiro de 2015.  

Formalmente, a cadeia na rua Shpalernaia № 25 (SIZO-3), pertence ao Ministério da Justiça, na prática é mantida pelo FSB. Construída antes da revolução bolchevique, a cadeia já foi gerida pela polícia política czarista, pela VCheKa, NKVD e KGB. O oficial guarda-prisional da cadeia que falou com a imprensa russa, se simpatizou com o detido conhecido:

«Aqui não é tão bonito como na (estância balnear) de Valdai, mas, em contrapartida, todas as quartas-feiras, até às 15h00, são permitidas as entregas (de bens e alimentos). Das 13h00 às 14h00 é almoço».

O sucedido é uma boa ocasião para os ucranianos se rirem e os comparsas do Bugrov invejarem a sua nova posição, pois: «Na cadeia agora é jantar, o macarrão», escreve Fontanka.ru

quarta-feira, abril 01, 2015

Junta und Vata: evolução ou morte!

No dia 31 de março em Kyiv, no Centro da Arte Moderna (CAM) M17, se deu a antestreia da exposição “Junta und Vata”, da autoria de dois artistas contemporâneosIvan Semesyuk (Ucrânia) e Anton Chadsky (Rússia).
"Espere aí, moscovita": pássarobandera
"Ninguém além de nos" / "Para-quedistas rasgarão todos 2015"
O conceito da exposição está na compreensão da ironia das dimensões mitológicas da guerra informativa e cultural que se trava simultaneamente com a intervenção militar direta russa no leste da Ucrânia. Dois artistas contemporâneos, ucraniano e russo, demonstram como a atualidade criou os novos símbolos, personagens e significados. “Vatnik” do Anton Chadsky é uma personagem sarcástica, irritada, agressiva na sua crítica intransigente. “Banderyk” do Ivan Semesyuk tem a imagem oposta, rica em humor benigno e uma esperança otimista de vitória.
"A junta malvada avança aos moscovitas"
"Lutem - Vencerão" 
“Diante de nossos olhos se movimenta uma batalha impressionante entre duas mitologias opostas, duas diferentes tradições heróicas, com visões distintas sobre o herói, com diferentes motivações, com diferentes fundamentações culturais. As relações russo-ucranianas vivem Ragnarök – o tempo da batalha final que decidirá bastante os nossos destinos futuros”, – explicam os criadores deste incrível projeto cultural.
"Junta-vos!"
Banderyk é uma espécie de antítese ao vatnik, na forma, no conteúdo e no sentido emocional. Banderyk deseja as coisas simples – a sua terra, a sua própria casa, a sua esposa, a sua arma, e vocês, seus queridos visitantes vatniks podem ir para o c@ralho! Não desejamos as coisas alheias e não entregaremos o que é nosso. Mas o mais importante – banderyk se percebeu que sem as dolorosas e muito rápidas mudanças não acontecerá nada, e é por isso o seu slogan atual – evolução ou morte! Se mude flexivelmente e ganharás certamente! Nisso está a antítese total ao vatnik, criatura incrivelmente conservadora, áspera, tradicionalista e degenerada”, – diz Ivan Semesyuk.
"Os f0de. Folk Magic: 2015": banderboy
Anton Chadskyy (o artista russo que teve de fugir da Rússia para Ucrânia por causa da criação da imagem do “vatnik”), desconstrói a sua própria personagem:

Vatnik nasceu em 2011 como uma imagem coletiva dos nossos contemporâneos, representante do chamado “mundo russo”. Ele incorpora todas as características de um patriota russo típico: a estupidez, a hipocrisia, a falsidade, a intolerância, a agressão, a submissão à autoridade.
Vatnik típico no acto de amor fraternal, autoria @Internet
Vatnik odeia Ocidente, o considera como o principal inimigo que procura destruir a Rússia, impondo os seus valores e a democracia. Vatnik acredita que a Rússia possui a sua própria “terceira” via civilizacional; o principal objetivo dessa via – ser “temido e respeitado”. Ao mesmo tempo, vatnik imagina-se como indivíduo superiormente espiritual e moral, cercado pelos imorais, depravados e homossexuais pedófilos ocidentais.

A sociedade russa moderna está representada, na sua maior parte, exatamente por estas personagens. [...] A origem do sentimento vatnik dos adeptos do “mundo russo” encontra-se no seu profundo complexo, ressentimentos históricos e no sentimento de inveja para com os vizinhos melhor sucedidos. Vatnik se sente de alguma maneira privado, ele inveja os padrões de vida dos países ocidentais, embora, é claro, nunca irá reconhecê-lo.

O que vatnik não consegue alcançar ele quer destruir. Disso advém a tal paixão dos vatniks pelas ameaças militaristas, exaltação das suas antigas e bastante discutíveis vitórias, o desejo de começar uma guerra “de destruição”. Vatnik é capaz aos actos mais hediondos, ao terror, à violência; na sua alma primitiva e bárbara ainda ecoa o grito de guerra da Horda de Ouro, dos mongóis nómadas, dos ancestrais criadores da Moscóvia e da Rússia moscovita...”

Local e datas:
Kyiv, rua Antonovych (ex-Gorky), № 104
Aberto ao público geral entre 1 à 6 de abril, das 11h00 às 20h00
Informação adicional: info.press.m17@gmail.com ; + 38 095 5348783 (RP / Dária Kushelevska)
Mais info: Fonte 1; Fonte 2

Bónus
Trolling do 80º nível do ucraniano PrivatBank (2014) e Dmytro Yarosh visto por um artista japonês (2015)