sexta-feira, maio 17, 2013

“Regresso”: a história de um povo

No dia 17 de maio na Ucrânia terá a estreia pública o filme Haytarma (Regresso), dedicado à tragédia dos tártaros da Crimeia, que em 18 de maio de 1944 foram deportados em massa para Ásia Central. Era uma forma de punição coletiva, às ordens do Estaline e da liderança soviética, que resultou na morte de cerca de 46,3% dos deportados, causada pelas doenças e desnutrição. O evento é conhecido na língua tártara da Crimeia como Sürgün (Exílio).

No centro da história está o piloto-aviador soviético, Amet-khan Sultan (duas vezes herói da União Soviética, com 30 vitórias sobre Luftwaffe). Em maio de 1944, após a libertação de Sebastopol dos nazis, ele visita a sua cidade natal, Alupka, onde no dia 18 de maio testemunha a deportação dos tártaros da Crimeia.

Nas filmagens de multidões deportadas participaram mais de mil pessoas de toda a Crimeia, várias delas sobreviveram a tragédia na sua meninice ou juventude. O filme conta com atores ucranianos conhecidos, casos de Oleksii Horbunov, Yurii Tsurilo, Andrii Samanin, Oleksii Trytenko, Dmytro Surzhikov. O realizador é Akhtem Seytabla, ele também faz papel do Amet-khan Sultan.

O orçamento da película é de 1,5 milhões de dólares, assegurados pelo estúdio de produção do canal da televisão dos tártaros da Crimeia, ATR. A estreia do filme será nas vésperas do 69º aniversário da deportação do povo tártaro da Crimeia. O dia 18 de maio é solenemente recordado na Crimeia como o Dia das vítimas da deportação.


Ver o trecho do filme no YouTube:

quarta-feira, maio 15, 2013

Ucrânia no final do Eurovisão 2013


A cantora ucraniana Zlata Ognevich (Inna L. Bordyuh), passou para final do festival Eurovisão de 2013 com a sua canção “Gravity”. O final do concurso será disputado na cidade sueca de Malmö. 

terça-feira, maio 14, 2013

Yuri Pleskun: brilho do estilo gopnik

Ucraniano radicado nos EUA, Yuri Pleskun, é um dos modelos masculinos mais requisitados de momento. Conhecido pelo seu estilo gopnik, paradoxalmente, ele é muito parecido com uma menina-moça, qualidade extremamente apreciada pela atual indústria de moda.

Yuri não gosta de falar de si, por isso a sua biografia possui imensas incógnitas. Sabe-se que ele nasceu no dia 14 de maio na Ucrânia. Nos EUA sua família se afixou em Nova Iorque, no bairro de Bronx. Aqui, um belo dia Yuri foi abordado por uma “escuteira” meio-bêbada de alguma agência de modelos que perguntou se ele gostaria de trabalhar como modelo. Yuri respondeu: “Tanto faz”, mas acedeu ao convite. Estávamos em 2008, no início da sua grande carreira.

Na agência gostaram do seu look eslavo, aprofundando e explorando a imagem expressiva e malandra do Yuri, conhecido pela alcunha de “Bronx”. Como um bom malandro, Yuri tem duas tatuagens importantes: “Lena”, o nome da sua irmã e palavra “shine” (brilho), que pelos vistos tem uma carga simbólica para ele.

O seu primeiro trabalho profissional se deu em 2008, publicidade para Re:Quest. Ele caiu no gosto do fotógrafo David Armstong que o fotografou para a revista AnOther Man.

Yuri tem 1.88 de altura, pesa 65 kg, possui os cabelos loiros e, dizem os entendidos, que uns lábios extremamente sensuais. Este “pacote” permite que em 2009 ele se torna a cara do Topman. No mesmo 2009 Yuri faz seções para as revistas i-D e 10 Men, se torna a capa do Vogue Hommes japonês.
Yuri Pleskun com look feminino...
A sua carreira profissional começa a descolar, o mundo da moda descobre uma nova estrela. A junção de pernas fininhas e olhar eu-te-parto-a-cara não é de deitar fora!

Em julho de 2009 Yuri visita Paris, onde desfila para Paul Smith e Rick Owens. Além da sua imagem paradoxalmente dual, Yuri Pleskun é um ótimo ator. Ele consegue fundir-se numa coisa só com qualquer tipo de roupa, mostrando uma larga gama das emoções apenas com as suas expressões faciais. Os fotógrafos de moda consideram Yuri como modelo masculino possuindo uma das mímicas mais expressivas e dizem que trabalhar com ele é um verdadeiro prazer.

Em setembro de 2009 ele desfila em Nova Iorque para Marc by Marc Jacobs, Zero Maria Cornejo e Patrik Ervell. Criador Marc Jacobs adora o estilo do jovem ucraniano e este se torna a cara da campanha publicitária de outono da marca/grife Marc by Marc Jacobs. No mesmo outono Yuri participa na seção fotográfica para revista Self Service.

Em janeiro de 2010 Yuri Pleskun é fotografado para revista V, depois viaja à Paris, onde desfila para Rick Owens e Paul Smith. Em fevereiro volta a Nova Iorque e desfila para rag & bone, Duckie Brown, Generra e Rad Hourani.

Em março de 2010 é publicada uma entrevista sua, onde Yuri conta, à contragosto, a sua biografia e diz que até podia lavar as janelas nos arranha-céus. O modelo que recebe os cachés desde 100.000 dólares diz que não tem nenhum criador preferido e que “o preferido é aquele que paga e que quando maior o cheque é melhor!

Yuri experimenta também o look feminino, na seção para revista Love ele calça os sapatos de salto alto, usa as unhas postiças e peruca arredondada. Em abril de 2010 modelo ucraniano faz seção fotográfica para catálogo Urban Outfitters e revista Interview; em maio aparece nas revistas Metal e Vogue Men chinês; em junho em Vogue italiano.
Em setembro de 2010 seguem as revistas Dazed & Confused e i-D; em dezembro – Teen Vogue. No fim do mesmo ano Yuri assina o contrato com a marca/grife Balenciaga e em 2011 se torna a sua cara oficial.

O seu hobby são os carrinhos de controlo remoto, Yuri possui uma coleção considerável deles, desde os modelos desportivos (e caros) até os brinquedos bastante baratos.

Hoje Yuri Pleskun é conhecido mundialmente, ele ocupa a 9ª posição entre os Top-50 dos modelos masculinos na versão da página models.com. O seu corpo frágil e a face do mau rapaz do Bronx criam uma mistura surpreendente que os criadores da moda e os editores das revistas de moda adoram e vão continuar a adorar à explorar.


Yuri Pleskun com o seu melhor amigo, também modelo Cole Mohr:

Página próxima ao Yuri: http://fuckyeahyuripleskun.tumblr.com

Yuri Pleskun na primeira pessoa:

1 Confortável
Eu visto as calças jeans confortáveis ​​e T-shirt simples, sem imagens e sapatilhas durante todo o ano. É legal olhar para o estilo de outras pessoas e ver coisas diferentes, mas eu não me conseguia imaginar adotando o estilo de outra pessoa, porque não serei eu.

2 Look como no vídeo de rap
Os meus amigos se vestem como se eles fossem do Bronx. Eles usam os tênis ocasionais Prada, os óculos de Gucci, você sabe como é. Basta olhar para um vídeo de rap, e você vai ver exatamente como eles se parecem.

3 Uma mochila leve
Eu gasto o meu dinheiro, na maior parte de vezes, com os meus amigos. Na verdade, estou planeando uma viagem para todos nós. Eu quero ir, talvez para uma ilha, em algum lugar fora da América porque os meus amigos nunca deixaram Nova Iorque... Eu só estou levando os calções para nadar. Isso é tudo que você realmente precisa.

4 Mostrar alguma pele
Eu gosto de garotas que vestem nada. Absolutamente nada! [risos] Eu gosto de salto alto, saias curtas, qualquer coisa que mostra um pouco de clivagem. Qualquer coisa que mostra a pele, eu gosto.

Fonte: forums.thefashionspot.com

domingo, maio 12, 2013

“O Taxista”: Taxi Driver brasileiro


Quem, alguma vez na vida, ao entrar num táxi, não acabou “usando” o motorista como psicólogo? Ou pelo menos como ouvinte?

O filme, onde podemos ver o realizador Guto Pasko no papel do ator, não percam!

A verdade é que a maioria dos motoristas de táxi parece ter um “dom” para ouvir problemas e desabafos de estranhos. Alguns têm até um “quê” de terapeuta, pois além de ouvir, sempre têm algum conselho para dar ao passageiro aflito.

Assim é o personagem principal do Casos e Causos deste domingo (12). Em uma noite de trabalho qualquer, o nosso motorista de táxi faz três corridas, com três passageiros diferentes, mas que acabam têm as histórias cruzadas, num final surpreendente.

O episódio “O Taxista” é uma produção GP7 Cinema e RPCTV, com roteiro de Rafael Monteiro e direção de Andréia Kaláboa. No elenco estão Enéas Lour, Kelly Eshima, Daniel Siwek e Guto Pasko.

A atração vai ao ar neste domingo, logo depois do seriado Revenge, na Revista RPC! Não perca! 

Veja a chamada que está no ar no link abaixo:

sábado, maio 11, 2013

Sinais maçônicos da moeda ucraniana


Os adeptos das teorias de conspiração apreciam “o ramo” maçônico das mesmas. Hoje falaremos sobre os símbolos maçônicos que os curiosos detetaram na atual moeda ucraniana, Hryvnia.

Muita gente sabe sobre a existência do símbolo chamado Olho da Providência nos dólares norte-americanos. Menos conhecida a simbologia maçônica da moeda ucraniana. Na face da nota de 500 UAH aparece o retrato do filósofo ucraniano Hryhorii Skovoroda tido como fundador da maçonaria ucraniana.

Na parte revertida aparece a imagem do edifício da Academia Kyiv-Mohyla, ao seu lado está presente o Olho da Providência. Dizem que Academia (fundada em 1661, mas inativa entre 1817 e 1991) era a casa-mãe do movimento maçônico ucraniano.

Em algumas moedas metálicas aparecem os símbolos classificados como lírios. Uns vêm os lírios como o símbolo do Priorado de Sião, outros dizem que o mesmo era usado pelos puritanos nos EUA para marcar o gado e os escravos, escreve Triângulo Ucraniano.

O que é certo, que toda essa história merece a citação do grande Les Podervyansky, peça teatral “Hamleto”:

Fantasma: “Veja, meu filho, são judeus-mações! Tu os fod@ com pau no fígado, depois me informas. O que não está claro?

FIM.

quarta-feira, maio 08, 2013

Segunda Guerra Mundial – a conta pessoal


Será que irá ser tapada pelas comemorações falsas e de fachada, que reinam atualmente na Ucrânia no dia 9 de maio?

por: Vasyl Ilnytskiy, cidade de Uzhhorod

Cerca de dez anos atrás, os documentalistas ucranianos, liderados pelo realizador Serhiy Bukovskiy produziram um importante filme chamado “Guerra – a conta ucraniana”. O filme desmistificava a mitologia soviética da “Grande Guerra patriótica”, obrigava os espetadores encarar a 2ª G.M., através dos destinos de milhões de pessoas mortas e feridas, que passaram pelo inferno terrestre da guerra. Pois, provavelmente, cada família ucraniana tem uma conta naquela guerra. A minha também…


Após a ocupação da Ucrânia dos Cárpatos pelo exército húngaro em março de 1939, milhares de ucranianos fugindo das cadeias, miséria, hungarização forçada, mobilização compulsiva aos trabalhos e depois ao exército húngaro, procuravam a salvação na URSS. O irmão do meu pai, Mykhaylo Ilnytskiy, fugiu para URSS em 1940, para evitar a mobilização à tropa húngara. Na URSS ele foi imediatamente preso e julgado pela “travessia ilegal da fronteira”, morrendo em 1941 no campo de concentração soviético de PechorLAG. A nossa família foi informada sobre o seu destino triste apenas em 1990, durante a Perestroica do Gorbachov. O sistema judicial, ainda soviético, reabilitou o meu tio e devolveu-nos os seus pertences pessoais: documentos de identificação emitidos pela Checoslováquia e Hungria, fotos e um bloco de notas rústico com os textos de canções populares ucranianas, eslovacas, húngaros e inesperadamente, “A Internacional”…


No mesmo ano, o meu pai, Ivan Ilnytskiy (nascido em 1916), e os tios, Pavlo Betsa (1914) e Mykhaylo Voshepynets (1910) foram mobilizados ao exército real da Hungria. O pai, digamos, teve sorte, enviado à unidade de artilheria, onde por não falar húngaro, como a maioria dos ucranianos alistados, foi colocado como condutor dos cavalos que transportavam os canhões. A sua unidade entrou em combates em março de 1945, o meu pai foi ferido por algum soldado da 3ª Frente ucraniana do Exército vermelho. Passando 3 anos na guerra, ele nunca teve o direito de se chamar veterano, pois vestia uniforme do exército “alheio”.

Já os tios tiveram menos sorte. Foram colocados nas fileiras do 2º Exército húngaro que na batalha de Estalinegrado perdeu cerca de 150.000 homens (85% dos seus efetivos), entre prisioneiros, feridos e mortos. Os tios se entregaram aos soviéticos na primeira oportunidade, nenhum deles queria morrer pelo país alheio. Mas nem no pesadelo mais assustador eles imaginavam o inferno que os esperava.

Primeiro, foi a longa marcha de pé entre frio terrível e as cuspidelas e insultos da população local, depois as torturas pelo frio e fome no campo de prisioneiros da guerra. Após apenas alguns meses no campo soviético, o tio Mykhaylo Voshepynets, aos seus 33 anos, pesava cerca de 30 kg. Ao seu lado, diariamente morriam centenas dos seus camaradas, italianos, croatas, húngaros, ucranianos. O tio sobreviveu graças aos seus conhecimentos parcos da língua russa, ele trabalhou na equipa que sepultava os mortos, recebendo alguma alimentação extra pelo trabalho.

A salvação da morte certa veio na possibilidade de se alistar na Legião Checoslovaca, que foi formada em 1942 e após uma curta formação militar, colocada em combate contra as tropas alemães de elite nas batalhas pelo Kharkiv (aldeia de Sokolove), Kyiv, Bila Tserkva e Korsun-Shevchenkovsky.

Os “legionários” sobreviventes sonhavam em libertar a sua terra dos ocupantes, levar a liberdade às suas famílias. Mas Estaline não pretendia que os soldados experientes, tendo a cidadania estrangeira pudessem interferir nos seus planos sobre o futuro dos Cárpatos. A Legião Checoslovaca foi lançada num ataque frontal contra os alemães na passagem de Dukliany, onde em 80 dias de combates o Exército vermelho perdeu cerca de 150.000 efetivos.

Feridos por balas e estilhaços, sofrendo as contusões, mas extremamente felizes por estarem vivos, voltavam os ucranianos da Transcarpátia para casa. Mas quando eles, conjuntamente com os seus camaradas limpavam a Europa do nazismo, na sua casa um novo país criava o novo sistema repressivo.

Pelo Calvário da 2ª G.M., alistados nos diversos exércitos, em ambas partes da frente, passaram dezenas de milhares dos meus conterrâneos da Transcarpátia. Uma minoria teve sorte e não foi sepultada em valas comuns nas terras longínquas, ou simplesmente conseguiu sair com a vida dos campos de concentração soviéticos e nazis. Agora, entre nos, os verdadeiros veteranos são pouquíssimos, pois os seus regimentos e divisões já muito tempo que se pacificaram nos seus. Nestes dias de maio, vamos os recordar e oraremos por eles. Pelos que morreram em combate, sucumbiram mais tarde aos ferimentos, ou vivia durante anos, segurando a dor, causada pela guerra. Os recordaremos sem a falsidade ou celebrações refinadas de fachada. Talvez assim, cada conta pessoal nossa, daquela guerra, será paga, pelo menos parcialmente.

Fonte:

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terça-feira, maio 07, 2013

Segunda-feira molhada em Lviv na Ucrânia


De acordo com a tradição cristã ucraniana, o primeiro dia após a Páscoa, que é chamado de segunda-feira de Páscoa ou segunda-feira molhada, é comemorado de uma maneira especial, mas nem sempre acompanhado pelo devido respeito e civismo.

Antigamente, os jovens flertavam com as meninas, polvilhando-as com água perto da igreja. Atualmente, para certas pessoas, esta tradição tem um caráter violento. Tomando celebrações como uma desculpa, os jovens formaram grupos de 20-30 pessoas e começam a “caça”. E não apenas as meninas que eles perseguem como suas “presas”. “Mulhação” com a água se transformou em banhos violentos e brutais com água fria. Junto com a água, os jovens “criminosos” deixam transparecer a sua raiva e instintos animais. Eles se sentem como mestres das ruas, ignorando os pedidos de suas “presas” e ameaçando as testemunhas, alegando que é uma tradição nacional. Apesar de seu comportamento violento e cruel, os jovens “criminosos” escapam à polícia e à punição.

As fotos do Yurko Dyachyshyn são de 2009, 2010, 2011:

Blogueiro

É impossível não notar algumas semelhanças entre este comportamento, mais ou menos malandro demais, com o comportamento dos heróis do romance “Capitães de Arreia” do Jorge Amado, embora o caso ucraniano é muito mais soft…

sábado, maio 04, 2013

Páscoa celebrada no GULAG

"Mãe do Deus, salve o povo ucraniano do cativeiro". 1946

Na história da Ucrânia, a fé cristã se tornou a parte integrante da criação de identidade nacional. As grandes festas religiosas se tornaram a parte da tradição popular, com as particularidades só ucranianas. Por isso, em qualquer lugar que estejam os ucranianos, as suas tradições estão com eles.

por: Ihor Derevyaniy *

Na segunda metade da década de 1940 o poder soviético apostou em aniquilamento do movimento nacional ucraniano. Entre 1944 e 1953 da Ucrânia Ocidental (Galiza ucraniana), foram deportados 134.000 membros e apoiantes da OUN-UPA (Organização dos Nacionalistas Ucranianos – Exército Insurgente Ucraniano) e cerca de 204.000 civis, que eram a base de apoio da resistência ucraniana.

As condições de vida nos campos de concentração soviéticos, rotinas diárias, regime e ateísmo demonstrativo eram pensados para aniquilar primeiro o espírito e depois o corpo físico dos prisioneiros. Nestas condições, só a base espiritual permite sobreviver e preservar as qualidades de moral humana. Por isso não é de estranhar, que a celebração de Natal e Páscoa mostrava a firmeza da pessoa em oposição à máquina de aniquilação soviética.

Até 1953 a festa principal dos prisioneiros do GULAG era Natal. Isso acontecia por diversas razões: havia menos trabalho no Inverno, exatamente no Natal, uma parte dos prisioneiros recebia os alimentos de casa (eles tinham o direito à apenas um cabaz por ano). Os familiares, geralmente, mandavam apenas o trigo ou nozes, pois os alimentos na base de carne eram proibidos pela administração do GULAG. Outro problema era a dificuldade de calcular o dia certo para celebrar a Páscoa (este dia não é fixo), principalmente, quando na zona ou campo prisional não havia o sacerdote. Por tudo isso, a mesa de Páscoa muitas das vezes, era composta apenas pelo pão prisional, raramente aparecia o pão caseiro, enviado pelos familiares.

Lyubomyr Polyuha, estafeta e segurança do comandante-em-chefe do UPA, Roman Shukhevych, recorda a Páscoa de 1952, na 4ª zona feminina de campo especial № 1 – Minlag (cidade de Intá).
Páscoa celebrada pela guerrilha ucraniana
A brigada feminina foi colocada, sob escolta, para escovar a terra congelada após o Inverno, para servir de alicerces ao futuro edifício. Elas conseguiram terminar o normativo diário até 16h00, para puderem voltar às barracas, celebrar a Páscoa. Os guardas ordenaram a continuação dos trabalhos. A recusa originou as ameaças, intimidação com os cães, disparos para o ar. Em algum momento, uma das mulheres começou a cantar “Cristo ressuscitou dos mortos…” O canto foi seguido por todas – isso lhes deu a força moral contra a arbitrariedade totalitária. Os guardas ficaram baralhados, testemunhando a resistência pela primeira vez na sua carreira e o seu oficial ordenou: “Formar o grupo, vamos para o campo!

Após a morte do Estaline, GULAG foi sacudido pelas fortíssimas revoltas dos prisioneiros, que levaram à liberalização relativa do regime: ia-se ao trabalho sem escolta, eram pagos pelo seu trabalho, os prisioneiros podiam se mover livremente entre as barracas dentro do campo prisional. Tudo isso criou as largas possibilidades para a comunicação entre os presos.

Halyna Zayachkivska-Mykhalchuk, que pertenceu à rede da OUN e participou ativamente na revolta de Norilsk em 1953, recorda o acordo secreto, feito entre os prisioneiros sobre a missa matinal, antes das 4h de manha, quando eram acordados para trabalhar. Administração do campo ficou surpreendida, quando ouviu o hino religioso, “Cristo ressuscitou dos mortos…”, cantado pelos prisioneiros, antes de tocar o hino soviético. Um caso semelhante se deu em 1956, na 3ª zona de Minlag, quando os prisioneiros benzeram o pão pascoal após a missa matinal.

Nem todos os prisioneiros tiveram a força moral e respeito necessário pelas festas religiosas. Recorda Volodymyr-Ihor Porendovskiy, que em 1943-1944 era chefe das comunicações da circunscrição militar UPA-Ocidente e participou ativamente na revolta de Kengir de 1954.

“Na Páscoa de 1957 eu quis apreciar a Sibéria neste dia especial. No caminho até a casa, encontrei o prisioneiro Raskov, que estava sentado numa valeta absolutamente bêbado. Lhe disse com a reprimenda:
– Você tem cá um aspeto, hoje é Páscoa, será que não sente a vergonha?
Em resposta ouvi:
– Hoje já bebi pelo partido, pelo governo, pelos sindicatos, pelo Khrushov, pelo Lenine, mas pela Páscoa ainda não bebi. Boa oportunidade

Hryhoriy Pryshliak, que em 1944 era membro da Concelhia regional da OUN, recorda o ano 1957 em Intá, quando a Páscoa foi celebrada em conjunto pelos ucranianos e lituanos. As duas nações tiveram melhores relações entre si no sistema do GULAG, até criaram o coro conjunto, que cantava as canções pascoais em duas línguas.

Com o tempo, sob a pressão das pessoas, a administração prisional deixou de interferir nos feriados religiosos. Nestes dias os prisioneiros não trabalhavam e os capatazes não os obrigavam. Formalmente, isso constituía a violação das regras, por isso preencham-se os relatórios fictícios de trabalho, inventava-se a execução das normas. Mas administração se lembrava das revoltas de 1953-1954 e não queria aprofundar o conflito com os prisioneiros políticos, que, além de tudo, trabalhavam melhor que os criminosos do delito comum.


Páscoa, se transformou para os ucranianos prisioneiros do GULAG, não apenas num marco de identidade nacional e moral, mas no elemento da resistência contra o sistema soviético. As pessoas viviam com a fé na ressuscitação da Ucrânia e na esperança de voltar à sua pátria. Tal como Cristo que sofreu pela salvação da humanidade, eles passaram pelos sofrimentos, para testemunhar a longa e complexa caminhada pela liberdade das pessoas e das nações.

* Funcionário sênior do Museu Nacional Memorial das vítimas dos regimes de ocupação “Cadeia na Lonckoho”

Fonte:

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sexta-feira, maio 03, 2013

Auschwitz dos ucranianos

Capa do livro "Quero Viver" do Danylo Chaykivskiy
Mais de 14.000 ucranianos passaram pelo campo de concentração nazi de Auschwitz, entre eles vários membros da resistência nacionalista de OUN-UPA. Nada na exposição atual do campo lembra a sua presença aqui, ou a execução pela Gestapo das centenas de nacionalistas ucranianos, nem a morte do Oleksa e Vasyl Bandera, os irmãos do líder da OUN, Stepan Bandera.
Irmão do Stepan Bandera, Vasyl Bandera: aprisionado e morto no campo de concentração nazi (KL) Auschwitz 
Praticamente únicas lembranças desta resistência antinazi são três livros de memórias, escritas pelos sobreviventes ucranianos do Auschwitz. “Em moinhos alemães da morte” do Petró Mirchuk, “Em Auschwitz pela Ucrânia” do Stefan Petelycky e “Quero viver” do Danylo Chaykivskiy.

O livro do Danylo Chaykivskiy “Eu quero viver” foi publicado em 1946 e foi o primeiro testemunho ucraniano e provavelmente internacional, sobre os horrores do Auschwitz. Escrita à quente, em 1945-1946, o livro descreve fidedignamente as rotinas dos prisioneiros, os seus caracteres, o seu heroísmo e a traição. O livro é um testemunho vivo do que nenhuma fantasia literária pode igualar a realidade do dia-a-dia dos campos de concentração nazis ou soviéticos.

O livro é escrito na terceira pessoa, o herói possui o nome de Hnat Tirsky, a obra foi assinada pelo pseudónimo “O. Dansky”. Estas técnicas ajudavam ao autor se distanciar dos horrores do passado e permitiam evitar que ele, a sua família direta ou os parentes que ficaram à viver na Ucrânia cairiam na mira dos serviços secretos comunistas.

Membro ativo da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), Danylo Chaykovskiy relata que três vezes foi o alvo de tentativas do assassinato por parte do KGB. Filho do sacerdote, membro da OUN, participante ativo dos “grupos da campanha”, delegado do 2º Grande Congresso da OUN, prisioneiro político na Polónia, em setembro de 1941 é preso pela Gestapo e enviado ao Auschwitz.

Após o fim da II G.M., Danylo Chaykovskiy continua ser militante ativo da OUN, trabalhando no seu departamento da propaganda, editando o órgão oficial da organização, o jornal “Caminho da Vitória”. Foi autor de diversos livros históricos. Residiu na Alemanha, França e EUA. O seu livro, “Quero viver”, teve a sua última edição já na Ucrânia independente.

Fonte:

quarta-feira, maio 01, 2013

Arte totalitária: selos soviéticos e nazis


A arte soviética e nazi eram de tal maneira parecidas (pois bebiam da mesma fonte), que por vezes os selos dos respetivos países confundem os sentidos, é difícil dizer qual selo foi produzido na URSS comunista e qual na Alemanha nazi, os dois eram pensados para exortar o nacional ou internacional socialismo, respetivamente (fazer click na imagem para ver em tamanho maior)...