Diversos abecedários foram
produzidos na URSS. Assim, em 1933 foi publicado oabecedário
antirreligioso, pensado em mais novos. Em 1931 foi produzido, sem nunca ser
publicado, o “Abecedário erótico soviético”, pois como se dizia semi-oficialmente:
“Na URSS sexo não existe!”
“Abecedário erótico
soviético” foi criado pelo futuro “Pintor popular da URSS”, Sergey Merkurov (1881 –
1952), primo do famoso místico George Gurdjiev.
Além disso, durante diversos períodos da sua vida Merkurov foi membro da loja
maçónica “Irmandade Unida Laboral”, Associação dos Pintores da Rússia
Revolucionária (AKhRR) e desde
1945, do PC (b) soviético.
Aproletária!
O artista estudou no Instituto
Politécnico de Kyiv, aprendeu a arte com Adolf Mayer (Suíça), Wilghelm von Ruman
(Munique), viveu e trabalhou em Paris.
As letras G e D...
A sua especialidade
como escultor-monumental eram os monumentos babilónicos do Estaline (incluindo três
maiores da URSS), Lenine e diversas placas fúnebres dos líderes soviéticos, sepultados no murro de Kremlin. Mercurov também aprimorou a arte das mascaras pós-morte
(é autor da única mascara do Lenine) e foi prémio Estaline de arte por duas
vezes, em 1941 e 1951.
Essa letra também foi banida do abecedário do "homem novo"
O seu álbum erótico, datado
de 17-X-1931, contem 36 folhas, uma por cada letra do alfabeto russo (incluindo
as letras abolidas pelos bolcheviques na reforma de 1917-1918). A técnica é papel e
aquarela, tamanho de folhas 18,5 х24,5
sm. As imagens denotam a forte influência da escola francesa e sul-alemã, hoje a
obra pertence à uma coleção privada.
De origem ucraniano-bósnia,
a fotografaLarysa Sendichpassou sua
infância entre duas culturas que a sua família imigrante recordava como suas; as
comunidades ucranianas dos EUA e a vida de uma cidadã americana. Esta divisão
de circunstâncias culturais alimentou ao longo das suas vivências uma busca pelo
significado “Casa”.
Desde o início de sua
carreira na fotografia, Larysa se empenha na exploração da pesquisa de longo
prazo, cruzando as culturas e gerações, das necessidades humanas fundamentais.
Ela tenta produzir um olhar mais profundo sobre o que é a nossa casa ou como
algo se transforma em nossa casa. Através das imagens que ela cria, os
significados infinitos de casa – culturais, físicos e emocionais – dos seus heróis
e, em última instância, os seus, são explorados.
Suas fotos têm tido
destaque em inúmeras publicações e exposições coletivas. Atualmente a fotógrafa
mora na cidade de Nova York.
Entre os seus trabalhos
podemos destacar a série “Hutsulos”, que retrata a vida diária dos hutsulos, um
subgrupo étnico ucraniano que habita os Cárpatos ucranianos durante gerações. Os
Cárpatos se alongam pela Romênia e Polônia, ao lado da Ucrânia. Confinados às fronteiras
naturais, a cultura hutsul continua manter a raiz de tradições étnicas muito
ricas e um estilo de vida muito próprio. Esta série tem um olhar mais atento à
maneira pela qual os hutsulos preservam e respeitam a terra e os seus recursos,
como a forma de preservar a sua própria cultura.
Não quisemos escrever
nada sobre a morte da baronesa Margaret Thatcher (os
outros escreveram mais e melhor). Mas as danças macabras organizadas pelos lêmingues esquerdistas britânicos (os mesmos que um mês atrás defendiam o respeito
supremo pela morte do Chávez) obrigam-nos a recordar com ternura a Dama de
Ferro, uma das responsáveis pela derrocada do comunismo ao nível global.
Na foto em cima, a jovem
e romântica Meggy na capa da revista “The Economist”. A página ucraniana “Verdade
Histórica” brinda-nos com 20 capas das revistas mundiais dedicadas à
primeira-ministra britânica.
Esta é uma história dos
pastores Hutsulos, vivendo
nos Cárpatos ucranianos, o seu lavouro diário, vida familiar e doméstica e o
trabalho sazonal nos prados dos Cárpatos, chamados polonynas. Eles andam com os
rebanhos no alto das montanhas, produzindo o queijo fresco e brynza, assim como os seus
antepassados fizeram centenas e centenas de anos atrás...
Em 1958, na Expo’58 em
Bruxelas (Bélgica), no inquérito conduzido pela Cinemateca Belga entre 117
críticos e estudiosos do cinema, oriundos de 26 países, o filmeA Terra(Zemlia) do realizador
ucranianoAlexander Dovzhenkofoi considerado uma das 12 películas mais importantes de todos os tempos.
No dia 8 de abril de
1930 filme é demonstrado nos cinemas de Kyiv, nove dias depois, em 17 de abril,
é retirado e prescrito na URSS durante 28 anos. Antes de ser exibido ao
público, o filme foi demonstrado em 32 seções oficiais e fechadas, recebeu vários
cortes, originados pela censura soviética. O filme é acusado de “naturalismo e
atentado contra as tradições”. Na sua autobiografia Dovzhenko escreve:
«A alegria do sucesso
criativo foi brutalmente reprimida pelo assustador folhetim de dois fundos do Demyan
Bedny, (conhecido como “poeta do Kremlin”) chamado “Filósofos” no jornal “Izvestia”.
Eu, literalmente fiquei grisalho e envelhecido em poucos dias. Foi um trauma psicológico
real. Primeiro, eu queria morrer mesmo».
Dovzhenko soube com
incredulidade que o filme obteve um sucesso grandioso na Europa, sendo proibido
na URSS. Após a sua estreia em Berlim, a imprensa europeia dedica 48 artigos ao
Dovzhenko, na Itália ele é chamado de “Homero do cinema”. Na URSS o filme foi reabilitado
28 anos depois…
Pôster checoslovaco do filme
“A terra” também foi
eleito entre dez maiores filmes de todos os tempos pelo Simpósio Internacional
de Críticos de Cinema e ganhou o lugar # 88 entre os 100 melhores filmes do
século, na versão da revista Time Out (1995). “A Terra” é o primeiro filme que
a personagem de Woody Allen vai assistir em “Manhattan”. Ver o filme no YouTube, 70 minutos
O Ministério da Justiça
da Espanha apoiou a deliberação anterior dos órgãos de registos de estado civil,
que se recusaram registar uma criança com o nome do Lenine.
Na deliberação se diz: “Lenine
é um pseudónimo […], atribuição ao cidadão de um nome assim, poderá no futuro
originar a confusão entre nome e apelido”.
Respondendo à
inquirição do deputado pertencente ao grupo parlamentar da “Izquierda Unida” (quem,
se não for a esquerda, irá defender o legado sangrento do Lenine?), o Ministro
da Justiça da Espanha, Alberto Ruiz-Gallardón explicou que a proibição de
registo de nomes dos cidadãos que contrariam as normas estabelecidas aplica-se
quer aos nascidos na Espanha, quer aos estrangeiros que pretendem adquirir a
nacionalidade espanhola.
O cidadão estrangeiro,
que pretenderá receber a cidadania do país e que tenha o nome do Lenine, será
obrigado a mudar o seu nome, segundo a legislação da Espanha, escreve Espanarusa.
Imagino que esquerda
considerará essa norma como “ofensa à humanidade progressista” e todos
parlatórios de costume. No entanto, creio que não existe nenhuma obrigação dos
cidadãos chamados Lenine se naturalizarem espanhóis, poderão continuar com as
suas cidadanias anteriores (qualquer que estas sejam), sem necessidade nenhuma
de usufruir das comodidades capitalistas.
Este blogue já se
dedicou à problemática da imagem que ucranianos e ucranianas possuem no Hollywood.
Homens comovilõespouco simpáticos. Mulheres como coitadas vítimas do tráfico humano. Claro,
sempre existem boas exceções, esperemos que estas sejam mais e mais frequentes.
A série Body of Proof (também
exibida sob os títulos de “Prova de Vida” e “Prova do Crime”), na sua terceira
temporada, no 6º capítulo chamado “Fallen
Angel” (visto nos EUA por 9,59 milhões de pessoas), mostra o homem ucraniano
não como um vilão, mas como herói-amante.
O herói ucraniano se
chama Sergei Damanov (ator Ivan Sergei Gaudio),
ele é assistente do attaché da embaixada da Ucrânia, algumas vezes fala ao
telefone em ucraniano. Sergei tem no braço uma tatuagem poética, sobre qual diz
se tratar de “citação de uma poetisa soviética dos tempos da revolução”.
O blogueiro ucraniano Mr. Petruccio (Petro Nek)
descobriu que na realidade não se trata de nenhuma “poetisa soviética”, são traduções
de títulos das canções do grupo “Depeche Mode”: Pecador em mim — The Sinner in
Me, Acorrentado — In Chains, Dor à que estou acostumado — A Pain That I'm Used
To, Eu (me) sentia amado — I Feel Loved, Casa — Home, Uma carícia — One Caress.
No mesmo capítulo ainda
aparecem várias meninas eslavas, chamadas Tatyana (atriz Natasha Alam), Petre (Ksenia
Lauren), Ivanka (Anya Monzikova) e Oksana Svetlova (Natasha Hall). Em breve
investigaremos se algumas fazem papel de ucraniana e se os seus papéis
dignificam Ucrânia.
Para já, pelo sim, pelo
não, o estúdio “ABC Studios” faz mais para promover Ucrânia do que as pessoas
que desta tarefa fazem o seu ganha-pão.
No dia 4 de abril Ucrânia celebra o aniversário de nascimento da cantora soprano ucraniano-americanaKvitka Cisyk(4.04.1953 —
†29.03.1998), famosa pela sua performance das canções populares ucranianas, aparições na TV americana, trabalhos na publicidade e colaboração com ópera
de Gante (Bélgica).
Kvitka Cisyk nasceu em
1953 em Nova Iorque, na família ucraniana originária de Transcarpátia. O seu
pai, Volodymyr Cisyk, violinista, ensinou a filha tocar violino aos 5 anos. Kvitka
fez parte do movimento escuteiro ucraniano “Plast”, fazia balé e teatro, tocava
violino e guitarra, adorava os cavalos. Mais tarde, estudou profissionalmente o
vocal em Mannes School of Music, foi detentora de Óscar pela sua canção “You
Light Up My Life” (1977).
Provavelmente, um dos
primeiros álbuns da cantora se chama “Ivanku” (Ivaninho). Hoje a raridade
absoluta, a LP, contem as canções populares e de escuteiros em inglês e ucraniano.
Mas Kvitka alcançou a fama produzindo dois álbuns de canções ucranianas: “Kvitka
– Songs of Ukraine” e “Kvitka – Two Colors”. Ambos eram projetos familiares, o
seu segundo marido, engenheiro de som Edward J. Rakowicz foi o produtor, irmã
Maria tocava piano, mãe, Ivanna, zelava pela correção da língua ucraniana. Além
deles, nestes projetos participaram cerca de 20 músicos.
Os seus discos eram
clandestinamente copiados e em LP e cassetes, entrando na Ucrânia Soviética nas
décadas de 1980-1990. A cantora visitou Ucrânia de forma incógnita por uma única vez, em
1983, na companhia da mãe. Mesmo a sua família de Lviv não sabia da visita. O
departamento ideológico do partido comunista tinha produzido a circular que
proibia a divulgação da sua obra. No repertório, a cantora possuía as canções
sobre UPA ou Atiradores de Sich, era filha dos emigrantes. O marido conta que
todas as conversas telefónicas que cantora manteve no hotel eram escutadas.
Ela morreu em 1998, não
chegando por alguns dias de completar 45 anos, vítima do cancro de mama. Da
mesma doença padeceram a sua mãe e irmã. Em sua memória foi criada uma fundação
beneficiária, que compra e envia a Ucrânia os equipamentos mamográficos.
Como epigrafo ao seu 2º
álbum, Kvitka escolheu estas palavras: “Essa coletânea de canções é desejo do
meu coração ucraniano de tecer as notas alegres no tecido rasgado pela vida em
que foi bordado o destino do nosso povo”.
Baixinha, de apenas 1,47 cm, durante dezoito anos Kvitka foi a única voz oficial da corporação automóvel
“Ford”, gravou os jingles publicitários para “Coca-cola”, “American Airlines”, “McDonald's”,
entre outros. Foi a back-vocal
do Michael Jackson e Whitney Houston. Foi casada por duas
vezes, em 1991 nasceu o seu filho Edward Wolodymyr.
Para recordar solenemente
o seu 60º aniversário, em 2013 o canal ucraniano “Inter” produziu o filme documental “Kvitka.
A voz em exemplar único”. O filme procurará explicar o fenómeno da Kvitka, cujas
canções exercem o hipnotismo inexplicado aos seus ouvintes.
No filme os depoimentos
são dados pela sua família próxima e parentes da Ucrânia, os seus colaboradores
e admiradores. O filme mostrará a única e exclusiva entrevista em língua ucraniana
que cantora deu ao dirigente da Filarmónica Nacional da Ucrânia, Olexander Gornostaev.
Realizadora do filme é Sofia Chemerys, escreve IstPravda.com.ua
Devo confessar, durante
muito tempo não acreditei que Holodomorfoi o genocídio planeado do povo
ucraniano. Entendia que era necessário exatamente este estatuto da fome de 1932-1933,
entendia que isso se fazia pelos interesses do país, mas não acreditava até o
fim na veracidade destas afirmações. Considerava a fome, não como a vingança
nacional, mas a vingança da classe, dos comunistas contra os camponeses
abastados. Considerava crime, mas não o genocídio. Após o démarche dos
comunistas no Parlamento ucraniano (do dia 2 de abril de 2013), eu mudei a
minha opinião, escreve o blogueiro ucraniano Frankensstein.
Não se levantando, para
honrar as vítimas da fome, os comunistas mostraram desprezo claro e cínico aos
mortos e com isso confirmaram que não sentem nenhuma pena dos milhões de falecidos.
Se Holodomor fosse a força da natureza, uma tragédia aleatória, eles não teriam
nenhuma razão para odiar as suas vítimas. Os comunistas podiam se levantar, nem
que movidos pelos sentimentos morais. Nem que seja para mostrar que lembram e
respeitam os cidadãos soviéticos, pela cuja felicidade, alegadamente, lutaram nas
diversas frentes.
Em quais situações,
geralmente, as pessoas mostrar o desrespeito claro? Quando se trata dos
inimigos. Dos que não temos a pena. Os assassinos não sentem a pena pelas suas vítimas.
Talvez os assassinos arrependidos. Mas os comunistas não se arrependeram. Eles
não se consideram assassinos, mas regularmente dão entender que eles são assassinos.
E se Holodomor não foi o genocídio dos ucranianos, os seus autores não teriam a
necessidade de pisar barbaramente a memória das suas vítimas.
As canalhas do grupo
parlamentar do Partido Comunista da Ucrânia não possuem nem a moral, nem a consciência,
nem a vergonha. Por isso não é de estranhar que as suas próprias “sacralidades”
foram e serão tratados no futuro, com o mesmo desrespeito que eles agora
mostram para com Ucrânia.
Em 1933, a editora soviética
IZOGIZ * (Editora Estatal de Artes Plásticas), através do seu departamento Utilburo
(Bureau de Utilizáveis), publicou o “Alfabeto antirreligioso”, obra propagandística,
pensada nas crianças.
O autor dos textos e
desenhador do álbum é Mikhail Cheremnykh (1890—1962), gráfico e cartunista, ilustrador
livreiro e prémio Estaline do 2º grau de 1942. Especializava-se na propaganda
antirreligiosa e anticlerical.
Entre os alvos da
propaganda antirreligiosa da época estão diversos sacerdotes, alta burguesia, curandeiros,
Mahatma Gandhi, Henry Ford, entre outros.
A luta sem quartel do
poder soviético contra a religião tradicional é bastante compreensível. O poder
comunista apostava tudo para substituir a fé cristã (e em menor grau a muçulmana
e judaica), por uma nova fé de teor perfeitamente religioso, a fé comunista. Como
tal, todos os “concorrentes” dessa fé eram ferozmente combatidos e de preferência
eliminados.
"Desmascarado por eles, o nome do traidor"
Curiosos são os aspetos
da propaganda anti-Gandhi, pois a sua política de não-violência não agradava a
liderança da URSS. Por essa razão, na União Soviética, Gandhi passou de “traidor” à “progressista” apenas na década de 1950, já após a sua morte em 1948.
"Fabricante Ford fortaleza do fascismo"
Não menos interessante é
a propaganda anti-Ford, pois em 1929, Henry Ford aceitou o convite de Estaline para
construir a fábrica automóvel de NNAZ (hoje GAZ), na cidade de Gorky (Níjni Novgorod),
e enviou engenheiros e técnicos americanos para ajudar a instalá-la. Este acordo
foi firmado por nove anos e assinado em 31 de maio de 1929.