sexta-feira, abril 12, 2013

Abecedário erótico soviético

Diversos abecedários foram produzidos na URSS. Assim, em 1933 foi publicado o abecedário antirreligioso, pensado em mais novos. Em 1931 foi produzido, sem nunca ser publicado, o “Abecedário erótico soviético”, pois como se dizia semi-oficialmente: “Na URSS sexo não existe!”

“Abecedário erótico soviético” foi criado pelo futuro “Pintor popular da URSS”, Sergey Merkurov (1881 – 1952), primo do famoso místico George Gurdjiev. Além disso, durante diversos períodos da sua vida Merkurov foi membro da loja maçónica “Irmandade Unida Laboral”, Associação dos Pintores da Rússia Revolucionária (AKhRR) e desde 1945, do PC (b) soviético.
A proletária!
O artista estudou no Instituto Politécnico de Kyiv, aprendeu a arte com Adolf Mayer (Suíça), Wilghelm von Ruman (Munique), viveu e trabalhou em Paris.
As letras G e D...
A sua especialidade como escultor-monumental eram os monumentos babilónicos do Estaline (incluindo três maiores da URSS), Lenine e diversas placas fúnebres dos líderes soviéticos, sepultados no murro de Kremlin. Mercurov também aprimorou a arte das mascaras pós-morte (é autor da única mascara do Lenine) e foi prémio Estaline de arte por duas vezes, em 1941 e 1951.
Essa letra também foi banida do abecedário do "homem novo"
O seu álbum erótico, datado de 17-X-1931, contem 36 folhas, uma por cada letra do alfabeto russo (incluindo as letras abolidas pelos bolcheviques na reforma de 1917-1918). A técnica é papel e aquarela, tamanho de folhas 18,5 х 24,5 sm. As imagens denotam a forte influência da escola francesa e sul-alemã, hoje a obra pertence à uma coleção privada.

Ver e folhear a obra:        

Fotografia ucraniana: em busca da sua casa


De origem ucraniano-bósnia, a fotografa Larysa Sendich passou sua infância entre duas culturas que a sua família imigrante recordava como suas; as comunidades ucranianas dos EUA e a vida de uma cidadã americana. Esta divisão de circunstâncias culturais alimentou ao longo das suas vivências uma busca pelo significado “Casa”.

Desde o início de sua carreira na fotografia, Larysa se empenha na exploração da pesquisa de longo prazo, cruzando as culturas e gerações, das necessidades humanas fundamentais. Ela tenta produzir um olhar mais profundo sobre o que é a nossa casa ou como algo se transforma em nossa casa. Através das imagens que ela cria, os significados infinitos de casa – culturais, físicos e emocionais – dos seus heróis e, em última instância, os seus, são explorados.

Suas fotos têm tido destaque em inúmeras publicações e exposições coletivas. Atualmente a fotógrafa mora na cidade de Nova York.

Entre os seus trabalhos podemos destacar a série “Hutsulos”, que retrata a vida diária dos hutsulos, um subgrupo étnico ucraniano que habita os Cárpatos ucranianos durante gerações. Os Cárpatos se alongam pela Romênia e Polônia, ao lado da Ucrânia. Confinados às fronteiras naturais, a cultura hutsul continua manter a raiz de tradições étnicas muito ricas e um estilo de vida muito próprio. Esta série tem um olhar mais atento à maneira pela qual os hutsulos preservam e respeitam a terra e os seus recursos, como a forma de preservar a sua própria cultura.

Ver as fotos:
http://larysasendich.com/editorial/hutsul (série Hutsulos, 15 fotos)
http://larysasendich.com/portraits (série Retratos, 11 fotos)

quarta-feira, abril 10, 2013

R.I.P. Margaret Thatcher


Não quisemos escrever nada sobre a morte da baronesa Margaret Thatcher (os outros escreveram mais e melhor). Mas as danças macabras organizadas pelos lêmingues esquerdistas britânicos (os mesmos que um mês atrás defendiam o respeito supremo pela morte do Chávez) obrigam-nos a recordar com ternura a Dama de Ferro, uma das responsáveis pela derrocada do comunismo ao nível global.

Na foto em cima, a jovem e romântica Meggy na capa da revista “The Economist”. A página ucraniana “Verdade Histórica” brinda-nos com 20 capas das revistas mundiais dedicadas à primeira-ministra britânica.

Ver as capas:

terça-feira, abril 09, 2013

Os pastores dos Cárpatos


Esta é uma história dos pastores Hutsulos, vivendo nos Cárpatos ucranianos, o seu lavouro diário, vida familiar e doméstica e o trabalho sazonal nos prados dos Cárpatos, chamados polonynas. Eles andam com os rebanhos no alto das montanhas, produzindo o queijo fresco e brynza, assim como os seus antepassados ​​fizeram centenas e centenas de anos atrás...

Fotógrafo: Yurko Dyachyshyn
Álbum: Cárpatos ucranianos, 2005-2011.

segunda-feira, abril 08, 2013

Cinema ucraniano: Zemlia


Em 1958, na Expo’58 em Bruxelas (Bélgica), no inquérito conduzido pela Cinemateca Belga entre 117 críticos e estudiosos do cinema, oriundos de 26 países, o filme A Terra (Zemlia) do realizador ucraniano Alexander Dovzhenko foi considerado uma das 12 películas mais importantes de todos os tempos.

No dia 8 de abril de 1930 filme é demonstrado nos cinemas de Kyiv, nove dias depois, em 17 de abril, é retirado e prescrito na URSS durante 28 anos. Antes de ser exibido ao público, o filme foi demonstrado em 32 seções oficiais e fechadas, recebeu vários cortes, originados pela censura soviética. O filme é acusado de “naturalismo e atentado contra as tradições”. Na sua autobiografia Dovzhenko escreve:  

«A alegria do sucesso criativo foi brutalmente reprimida pelo assustador folhetim de dois fundos do Demyan Bedny, (conhecido como “poeta do Kremlin”) chamado “Filósofos” no jornal “Izvestia”. Eu, literalmente fiquei grisalho e envelhecido em poucos dias. Foi um trauma psicológico real. Primeiro, eu queria morrer mesmo».

Dovzhenko soube com incredulidade que o filme obteve um sucesso grandioso na Europa, sendo proibido na URSS. Após a sua estreia em Berlim, a imprensa europeia dedica 48 artigos ao Dovzhenko, na Itália ele é chamado de “Homero do cinema”. Na URSS o filme foi reabilitado 28 anos depois…
Pôster checoslovaco do filme 
“A terra” também foi eleito entre dez maiores filmes de todos os tempos pelo Simpósio Internacional de Críticos de Cinema e ganhou o lugar # 88 entre os 100 melhores filmes do século, na versão da revista Time Out (1995). “A Terra” é o primeiro filme que a personagem de Woody Allen vai assistir em “Manhattan”.

Ver o filme no YouTube, 70 minutos


domingo, abril 07, 2013

Lenine proibido na Espanha


O Ministério da Justiça da Espanha apoiou a deliberação anterior dos órgãos de registos de estado civil, que se recusaram registar uma criança com o nome do Lenine.

Na deliberação se diz: “Lenine é um pseudónimo […], atribuição ao cidadão de um nome assim, poderá no futuro originar a confusão entre nome e apelido”.

Respondendo à inquirição do deputado pertencente ao grupo parlamentar da “Izquierda Unida” (quem, se não for a esquerda, irá defender o legado sangrento do Lenine?), o Ministro da Justiça da Espanha, Alberto Ruiz-Gallardón explicou que a proibição de registo de nomes dos cidadãos que contrariam as normas estabelecidas aplica-se quer aos nascidos na Espanha, quer aos estrangeiros que pretendem adquirir a nacionalidade espanhola.

O cidadão estrangeiro, que pretenderá receber a cidadania do país e que tenha o nome do Lenine, será obrigado a mudar o seu nome, segundo a legislação da Espanha, escreve Espanarusa.

Imagino que esquerda considerará essa norma como “ofensa à humanidade progressista” e todos parlatórios de costume. No entanto, creio que não existe nenhuma obrigação dos cidadãos chamados Lenine se naturalizarem espanhóis, poderão continuar com as suas cidadanias anteriores (qualquer que estas sejam), sem necessidade nenhuma de usufruir das comodidades capitalistas. 

sábado, abril 06, 2013

Hollywood cria herói-amante ucraniano


Este blogue já se dedicou à problemática da imagem que ucranianos e ucranianas possuem no Hollywood. Homens como vilões pouco simpáticos. Mulheres como coitadas vítimas do tráfico humano. Claro, sempre existem boas exceções, esperemos que estas sejam mais e mais frequentes.

A série Body of Proof (também exibida sob os títulos de “Prova de Vida” e “Prova do Crime”), na sua terceira temporada, no 6º capítulo chamado “Fallen Angel” (visto nos EUA por 9,59 milhões de pessoas), mostra o homem ucraniano não como um vilão, mas como herói-amante.

O herói ucraniano se chama Sergei Damanov (ator Ivan Sergei Gaudio), ele é assistente do attaché da embaixada da Ucrânia, algumas vezes fala ao telefone em ucraniano. Sergei tem no braço uma tatuagem poética, sobre qual diz se tratar de “citação de uma poetisa soviética dos tempos da revolução”.

O blogueiro ucraniano Mr. Petruccio (Petro Nek) descobriu que na realidade não se trata de nenhuma “poetisa soviética”, são traduções de títulos das canções do grupo “Depeche Mode”: Pecador em mim — The Sinner in Me, Acorrentado — In Chains, Dor à que estou acostumado — A Pain That I'm Used To, Eu (me) sentia amado — I Feel Loved, Casa — Home, Uma carícia — One Caress.

Outro blogueiro ucraniano, Roman Sizo, criou a playlist destas mesmas músicas, em ordem exata como aparecem na tatuagem: http://music.yandex.ru/#!/users/miminov/playlists/1003

Obrigado aos blogueiros ucranianos Elias Strongowski e Maria Dmytriyeva.

No mesmo capítulo ainda aparecem várias meninas eslavas, chamadas Tatyana (atriz Natasha Alam), Petre (Ksenia Lauren), Ivanka (Anya Monzikova) e Oksana Svetlova (Natasha Hall). Em breve investigaremos se algumas fazem papel de ucraniana e se os seus papéis dignificam Ucrânia.

Para já, pelo sim, pelo não, o estúdio “ABC Studios” faz mais para promover Ucrânia do que as pessoas que desta tarefa fazem o seu ganha-pão.

Ler também:

quinta-feira, abril 04, 2013

Recordar Kvitka (Kasey) Cisyk

No dia 4 de abril Ucrânia celebra o aniversário de nascimento da cantora soprano ucraniano-americana Kvitka Cisyk (4.04.1953 — †29.03.1998), famosa pela sua performance das canções populares ucranianas, aparições na TV americana, trabalhos na publicidade e colaboração com ópera de Gante (Bélgica).

Kvitka Cisyk nasceu em 1953 em Nova Iorque, na família ucraniana originária de Transcarpátia. O seu pai, Volodymyr Cisyk, violinista, ensinou a filha tocar violino aos 5 anos. Kvitka fez parte do movimento escuteiro ucraniano “Plast”, fazia balé e teatro, tocava violino e guitarra, adorava os cavalos. Mais tarde, estudou profissionalmente o vocal em Mannes School of Music, foi detentora de Óscar pela sua canção “You Light Up My Life” (1977).

Provavelmente, um dos primeiros álbuns da cantora se chama “Ivanku” (Ivaninho). Hoje a raridade absoluta, a LP, contem as canções populares e de escuteiros em inglês e ucraniano. Mas Kvitka alcançou a fama produzindo dois álbuns de canções ucranianas: “Kvitka – Songs of Ukraine” e “Kvitka – Two Colors”. Ambos eram projetos familiares, o seu segundo marido, engenheiro de som Edward J. Rakowicz foi o produtor, irmã Maria tocava piano, mãe, Ivanna, zelava pela correção da língua ucraniana. Além deles, nestes projetos participaram cerca de 20 músicos.

Os seus discos eram clandestinamente copiados e em LP e cassetes, entrando na Ucrânia Soviética nas décadas de 1980-1990. A cantora visitou Ucrânia de forma incógnita por uma única vez, em 1983, na companhia da mãe. Mesmo a sua família de Lviv não sabia da visita. O departamento ideológico do partido comunista tinha produzido a circular que proibia a divulgação da sua obra. No repertório, a cantora possuía as canções sobre UPA ou Atiradores de Sich, era filha dos emigrantes. O marido conta que todas as conversas telefónicas que cantora manteve no hotel eram escutadas.

Ela morreu em 1998, não chegando por alguns dias de completar 45 anos, vítima do cancro de mama. Da mesma doença padeceram a sua mãe e irmã. Em sua memória foi criada uma fundação beneficiária, que compra e envia a Ucrânia os equipamentos mamográficos.

Como epigrafo ao seu 2º álbum, Kvitka escolheu estas palavras: “Essa coletânea de canções é desejo do meu coração ucraniano de tecer as notas alegres no tecido rasgado pela vida em que foi bordado o destino do nosso povo”.

Baixinha, de apenas 1,47 cm, durante dezoito anos Kvitka foi a única voz oficial da corporação automóvel “Ford”, gravou os jingles publicitários para “Coca-cola”, “American Airlines”, “McDonald's”, entre outros. Foi a back-vocal do Michael Jackson e Whitney Houston. Foi casada por duas vezes, em 1991 nasceu o seu filho Edward Wolodymyr.

Fonte & Fotos inéditos:

“Kvitka. A voz em exemplar único”

Para recordar solenemente o seu 60º aniversário, em 2013 o canal ucraniano “Inter” produziu o filme documental “Kvitka. A voz em exemplar único”. O filme procurará explicar o fenómeno da Kvitka, cujas canções exercem o hipnotismo inexplicado aos seus ouvintes.

No filme os depoimentos são dados pela sua família próxima e parentes da Ucrânia, os seus colaboradores e admiradores. O filme mostrará a única e exclusiva entrevista em língua ucraniana que cantora deu ao dirigente da Filarmónica Nacional da Ucrânia, Olexander Gornostaev. Realizadora do filme é Sofia Chemerys, escreve IstPravda.com.ua

Álbum da Kvitka Cisyk “Two Colors” (1989):


quarta-feira, abril 03, 2013

Bastardos. Comunistas e Holodomor


Devo confessar, durante muito tempo não acreditei que Holodomor foi o genocídio planeado do povo ucraniano. Entendia que era necessário exatamente este estatuto da fome de 1932-1933, entendia que isso se fazia pelos interesses do país, mas não acreditava até o fim na veracidade destas afirmações. Considerava a fome, não como a vingança nacional, mas a vingança da classe, dos comunistas contra os camponeses abastados. Considerava crime, mas não o genocídio. Após o démarche dos comunistas no Parlamento ucraniano (do dia 2 de abril de 2013), eu mudei a minha opinião, escreve o blogueiro ucraniano Frankensstein.

Não se levantando, para honrar as vítimas da fome, os comunistas mostraram desprezo claro e cínico aos mortos e com isso confirmaram que não sentem nenhuma pena dos milhões de falecidos. Se Holodomor fosse a força da natureza, uma tragédia aleatória, eles não teriam nenhuma razão para odiar as suas vítimas. Os comunistas podiam se levantar, nem que movidos pelos sentimentos morais. Nem que seja para mostrar que lembram e respeitam os cidadãos soviéticos, pela cuja felicidade, alegadamente, lutaram nas diversas frentes.

Em quais situações, geralmente, as pessoas mostrar o desrespeito claro? Quando se trata dos inimigos. Dos que não temos a pena. Os assassinos não sentem a pena pelas suas vítimas. Talvez os assassinos arrependidos. Mas os comunistas não se arrependeram. Eles não se consideram assassinos, mas regularmente dão entender que eles são assassinos. E se Holodomor não foi o genocídio dos ucranianos, os seus autores não teriam a necessidade de pisar barbaramente a memória das suas vítimas.

As canalhas do grupo parlamentar do Partido Comunista da Ucrânia não possuem nem a moral, nem a consciência, nem a vergonha. Por isso não é de estranhar que as suas próprias “sacralidades” foram e serão tratados no futuro, com o mesmo desrespeito que eles agora mostram para com Ucrânia.

Fonte:           

segunda-feira, abril 01, 2013

Propaganda antirreligiosa na URSS

Em 1933, a editora soviética IZOGIZ * (Editora Estatal de Artes Plásticas), através do seu departamento Utilburo (Bureau de Utilizáveis), publicou o “Alfabeto antirreligioso”, obra propagandística, pensada nas crianças.

O autor dos textos e desenhador do álbum é Mikhail Cheremnykh (1890—1962), gráfico e cartunista, ilustrador livreiro e prémio Estaline do 2º grau de 1942. Especializava-se na propaganda antirreligiosa e anticlerical.

Entre os alvos da propaganda antirreligiosa da época estão diversos sacerdotes, alta burguesia, curandeiros, Mahatma Gandhi, Henry Ford, entre outros.

A luta sem quartel do poder soviético contra a religião tradicional é bastante compreensível. O poder comunista apostava tudo para substituir a fé cristã (e em menor grau a muçulmana e judaica), por uma nova fé de teor perfeitamente religioso, a fé comunista. Como tal, todos os “concorrentes” dessa fé eram ferozmente combatidos e de preferência eliminados.
"Desmascarado por eles, o nome do traidor" 
Curiosos são os aspetos da propaganda anti-Gandhi, pois a sua política de não-violência não agradava a liderança da URSS. Por essa razão, na União Soviética, Gandhi passou de “traidor” à “progressista” apenas na década de 1950, já após a sua morte em 1948.
"Fabricante Ford fortaleza do fascismo"
Não menos interessante é a propaganda anti-Ford, pois em 1929, Henry Ford aceitou o convite de Estaline para construir a fábrica automóvel de NNAZ (hoje GAZ), na cidade de Gorky (Níjni Novgorod), e enviou engenheiros e técnicos americanos para ajudar a instalá-la. Este acordo foi firmado por nove anos e assinado em 31 de maio de 1929.

Leia também:

* A editora IZOGIZ existiu entre 1930 e 1938, com sedes em Moscovo e Leninegrado.

Ver as imagens do álbum:

Álbum em PDF: