quarta-feira, janeiro 09, 2013

Natal nos Cárpatos ucranianos



Nos Cárpatos ucranianos através da trembita, os hutsules avisavam sobre a chegada da Kolyada (as festas natalinas). Os próprios kolyadnyky se reuniam em “partidos” comandados pelo “bereza” (bétula). Kolyadky são cantadas em dialeto local, com ritmos e entonações locais. Os hutsules não adornavam a árvore de Natal, nem usavam o Didukh.

por: Halyna Dobosh

O estudioso polaco da Hutsulia, Stanisław Vincenz escrevia que Kolyada veio aos Cárpatos ucranianos com São Nicolau, quando “os restos das liberdades foram extintos nas planícies, quando as canções velhas foram pisoteadas e todos os assuntos de fé e de coração foram entregues aos governos”. E desde que os Cárpatos são altos, então aqui foram “preservadas músicas antigas, danças ancestrais, todos os costumes, tão alegres, que saltam para o céu”.

A poetisa e tradutora, Halyna Petrasonyak, conta que estas canções e estas tradições passavam de geração à geração no seio familiar. Ela recorda como esperava pelo Sviatvechir (noite de natal): desde manha se preparava a comida. Todos tinham as suas tarefas. Não era desejável comer, isso é, preparar comida sim, mas comer não. E assim o dia inteiro”.

O escritor Vasyl Karpyuk recorda que a sua tarefa era pilar os sementes da papoila: nas tardes, ou desde o almoço, se reuniam os grupos e andavam a cantar kolyadky. Nas mãos tinham as cornetas e as trembitas, tocam nelas permanentemente. É um sinal (surma). Na nossa região as cornetas tocam só nas festas do Natal”.

O pintor e artista plástico, Vasyl Korpanyuk, recorda que pela primeira vez participou nas kolyadkas aos 6 anos de idade:

Onde nasce Cristo,
Da Virgem encarnado,
Como homem da mortalha
Em Deus embrulhado.

Embora houvesse kolyadky mais lentas:

Nova alegria,
Nova alegria ao mundo revelou-se:
A Virgem, Santíssima deu à luz à um filho.

ou

Oh, se ouve, se ouve na terra da trembita,
Em toda a Ucrânia, em todo o Mundo.

Fonte:

Bónus

Kolyadky ucranianos gravados em 1947 (Mp4):

terça-feira, janeiro 08, 2013

Jaworzno: campo de concentração da Polónia comunista

Durante a investigação, Maria do Żernicy foi a mais espancada. Era levada da manhã e à noite trazida sobre um cobertor... A mãe do “Bystry” foi tão espancada que os ossos se descolavam do corpo... As duas mulheres não resistiram e atiraram-se sobre o arame farpado...” assim descreve a sua estadia no campo de concentração polaco/polonês de Jaworzno, uma ucraniana lá detida.

por: Igor Hryvnia

Campo de concentração de Jaworzno é uma das lembranças mais sombrias dos ucranianos do triste, para eles, ano 1947. Passaram pelo campo 3.873 prisioneiros, incluindo 823 mulheres e menores. As 162 pessoas morreram no campo. Quantos morreram em resultado de tortura, nunca iremos a saber.

O campo de Jaworzno foi criado pelos comunistas polacos em fevereiro de 1945, no território do subcampo nazi de Auschwitz-Birkenau. Na primavera de 1947, lá foi criado um campo secundário para os ucranianos, separado da parte principal por arame farpado.

Ucranianos foram enviados ao campo com base na decisão do Bureão Político do Comité Central do Partido Polaco dos Trabalhadores (BP KC PPR) de 23 de abril de 1947. Para o campo eram enviadas os suspeitos de simpatizar ou cooperar com Exército Insurgente Ucraniano (UPA). Estavam lá presos quase exclusivamente civis. Os membros do UPA, naquela altura, eram julgados pelos tribunais militares campais.

Ao campo eram enviados intelectuais, padres e camponeses ucranianos. Às vezes, para chegar a Jaworzno, era suficiente ter um volume de poemas de Taras Shevchenko. Mais tarde, também foram enviados ao Jaworzno ucranianos que tentaram retornar à Polônia após a sua deportação fora do seu país natal.

O primeiro transporte de prisioneiros chegou a Jaworzno em 4 de maio de 1947 de Sanok. A prisioneira número um era Maria Baran. Os últimos prisioneiros foram levados para o campo em 22 de maio de 1948, eram 112 guerrilheiros do UPA da centena do Volodymyr (Włodzimier) Szczygielski “Burłaka”, que foram capturados na Checoslováquia durante a sua marcha para o Ocidente. Em Jaworzno ficaram apenas alguns dias. Em seguida, foram transferidos para a prisão em Cracóvia. Os Tribunais Distritais militares de Cracóvia e Rzeszow condenaram a maioria deles à morte.

Desde a primavera de 1948 os prisioneiros foram gradualmente libertos. Subcampo para os ucranianos oficialmente encerrou em 8 de janeiro de 1949. Os comandantes do campo na época foram Stanislaw Kwiatkowski e Teófilo Hazehnajer (Abril de 1948). O campo de Jaworzno pertencia à Divisão de Prisões e Campos de Escritório Provincial de Segurança Pública, em Cracóvia, comandada, na época, pelo tenente Jakub Hammerschmidt (Jakub Halicki).

Os guardas eram soldados do corpo de segurança inteira. O campo tinha 14 barracas iguais ao de Auschwitz e foi cercado pelo arame-farpado ligado à energia elétrica.

Em seguida, o campo foi transformado em um centro de trabalho forçado para prisioneiros juvenis. Lá também estavam presos os guerrilheiros do UPA e AK, condenados às penas menores. O acampamento foi fechado no verão de 1956.

Colocavam água no nariz e aplicavam choque elétrico
O campo era operado pelo grupo especial do serviço de segurança, que torturava os prisioneiros, tentando extorquir a confissão de colaborar com a UPA. Além dos espancamentos de “rotina”, eram aplicadas torturas da Gestapo e da NKVD, tais como agulhas debaixo de unhas, o esmagamento de dedos na porta, derramar água no nariz ou choque elétrico.

O interrogador me disse para fechar a porta – recorda uma das prisioneiras. – Eu agarrei a maçaneta da porta e foi arrematada até a parede, porque a maçaneta estava ligada ao corrente elétrica... eu perdi a consciência ... Quando recuperei, o investigador deu-me um momento para descansar. Então ele começou a me chutar no estômago.

Campo de concentração de Jaworzno era muito parecido com um campo de concentração alemão. Havia o “capo”. Presos eram alvos de espancamentos, rações de fome e excesso de trabalho.

As recordações do Padre Stefan Dziubyny

Os presos foram espancados em cada turno. Eles bateram-nos na distribuição de alimentos, na fila para o banheiro, pela menor “ofensa”. E acima de tudo durante a investigação. Presos me contaram sobre os casos de tortura até a morte. Alguns estavam voltando dos interrogatórios com costelas e pernas quebradas, dentes partidos. Eles tinham as unhas arrancadas ou os dedos esmagados pela porta. Pessoalmente, vi um prisioneiro, que voltou do interrogatório com uma perna quebrada... Os investigadores utilizavam durante a tortura a corrente. O nosso pior adversário era a fome. Estávamos com fome o tempo todo... Para o pequeno-almoço e jantar, recebíamos um pedaço de pão e um líquido fedorento chamado de “café”. Para o jantar, se pode dizer que era a água limpa... Durante alguns meses os prisioneiros inchavam de fome. Durante a chamada de manhã..., às vezes eram descobertos várias pessoas mortas.

Em novembro de 1947, a mortalidade no campo preocupou o serviço de segurança de Cracóvia. Isso originou um relatório curioso.

Ucranianos, deliberadamente sabotam a ordem emitida pela administração do campo... de tal forma que, apesar de receber comida normal, prevista nas normas do Departamento de Cadeias e Campos, que é de 2.400 calorias, muitas vezes ... comem batatas não lavadas, beterraba, cenoura (...)

O procurador com uma vara

Admitiam a sua culpa aqueles que ajudaram UPA e aqueles que não tinham nada a ver com a guerrilha.

Amarraram o meu rosto com um pano molhado para não ouvir gritos e batiam, batiam, - recorda um dos presos. Uma vez colocaram dois fios elétricos ao lado do meu dente e conectaram à tomada. Eu perdi a consciência... No final, eu foi visto pelo representante do Ministério Público. Imediatamente disse-lhe:

- Sr. Procurador, me bateram aqui terrivelmente.

Quando o procurador ouviu isso, ele tirou da gaveta uma vara de madeira. Ele ficou ao meu lado e deu um tapa no rosto. Em seguida, novamente e novamente. Caí.

- Então? Assinas ou não assinas? (...) Eu assinei.

No primeiro transporte entraram no Jaworzno três membros da nossa família: eu, minha mãe e irmão Volodymyr – lembra a moradora da aldeia de Wola Krecowska. – Irmão Mykola veio no segundo transporte... Um outro dia veio novamente transporte de pessoas. Os militares batiam os tanto, que quebraram neles as placas... Eles batiam os com tudo que tinham em suas mãos: placas, paus, barros, pés das mesas. Eu nunca vou esquecer... Durante a investigação, Maria do Żernicy foi a mais espancada. Era levada da manhã e à noite trazida sobre um cobertor... A mãe do “Bystry” foi tão espancada que os ossos se descolavam do corpo... As duas mulheres não resistiram e atiraram-se sobre o arame farpado...

Polacos em Jaworzno

Ao campo ucraniano em Jaworzno também foram enviados os polacos, suspeitos pelos serviços secretos, de apoiar UPA ou os ucranianos. Assim para Jaworzno foi enviado Andrzej Bednarz, chefe da aldeia de Lubaczow, militante do partido agrário PSL, em oposição ao regime comunista da Polônia. No entanto, em 1945 ele foi acusado de não apenas sabotar a deportação de ucranianos para URSS, mas emitir os certificados que comprovavam que eles são cidadãos leais ao Estado polonês. Durante a Operação Wisla, ele foi preso sob a acusação de colaboração com a UPA e ficou em Jaworzno de setembro de 1947 à junho de 1948.

Mas, enquanto Andrzej Bednarz teve os seus “pecados” contra os comunistas, o caso do grupo teatral amador polonês da cidade Cieszanów (fronteira polonesa-ucraniana no sudeste da Polônia), parece completamente surreal. Em abril de 1947, o grupo atuou na cidade de Chrzanów na Silésia. Serviço de segurança deteve os atores sob a “suspeita” que, desde a sua origem polaca oriental, eles podem ter alguma relação com UPA. Da prisão Montelupich em Cracóvia, os 12 membros do grupo foram para Jaworzno. Entre eles estava Franciszka Buczek, cujo filho, Marian Buczek, em 2002-2009 era Bispo auxiliar católico romano de Lviv. E desde 2009 ele é bispo da diocese ucraniana de Kharkiv – Zaporizhia.

Memórias da Franciszka Buczek

Passei um ano no Jaworzno. Estava junto com as ucranianas. Juntos orávamos, juntos compartilhávamos a nossa miséria... Dos interrogatórios as ucranianas voltavam terrivelmente espancadas. Dos interrogatórios não voltavam aos seus próprios pés. As ucranianas eram espancadas muito... que condições tinha o Jaworzno? É muito doloroso de lembrar. As 150 pessoas num barraco. Piolhos e a fome. Neve do inverno caia sobre os beliches. No café da manhã davam pão e “café” de cereais, sopa rala para o almoço... Eu trabalhei na loja do alfaiate... Se a norma era cumprida, uma vez por semana, recebia 25 gramas de açúcar, um quarto de pão, 2 cenouras e metade de um enlatado americano... Não batiam nos polacos no campo, mas os ucranianos – terrivelmente. Muitos deles morreram. De fome, de doença... Eu recentemente teve que preencher um questionário para a compensação. Mas aplica-se apenas aos ucranianos. E eu não sou ucraniana, sou polaca. Desisti. E por que eu fui presa, não sei até agora.

Em 1998, os presidentes da Polônia e da Ucrânia inauguraram um monumento dedicado às vítimas do Jaworzno. O monumento tem a inscrição: “Parece bobo aos olhos dos mortos, mas eles estão em paz”.

Nos três painéis, inscritos em polaco, ucraniano e alemão podemos ler:

Em memória de polacos, ucranianos, alemães, aos todos aqueles que sofreram inocentemente aqui, como vítimas do terror comunista, presos, assassinados, mortos nos anos 1945-1956 no Campo de Trabalho Central em Jaworzno em homenagem a posteridade”.

Ler a original (em polaco/polonês):

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Natal: do UPA à Donetsk


Natal ucraniano é o cimento que une gerações e regiões, não é por acaso que a sua celebração foi perseguida e proibida durante a longa ocupação soviética.

Nas vésperas do Natal em Donetsk (Ucrânia do Leste). No centro da cidade a juventude decidiu celebrar a festa na tradição ucraniana, com Vertep (presépio ambulante) e Kolyadky (canções natalinas). Foi muito alegre e bastante inusual para aquelas bandas, já que o Natal é celebrado em Donetsk bastante modestamente. Sem nenhuns passeatas ou celebrações públicas.

O povo ficou interessado. Reuniram-se várias dezenas de pessoas, que filmavam as festividades, tentavam cantar juntamente com coro, embora os textos das kolyadkas são conhecidos por pouca gente.

Coro no YouTube:


Após a atuação na praça central, a processão foi pela avenida Artem, oferecendo aos cidadãos varenyky (ravióli ucranianos), que foram preparados para essa ocasião, escreve Frankensstein.

Hrystos Rozhdaetsya! Slavimo Yoho!  


O cartão original, publicado pelo Departamento Político do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), algures nos anos 1950.

Que luxo: pão, vaquinhas,
Galinhas mais o porquinho.
O bolchevique e os hitlerianos
Até deixam cair a salivinha.

Mas em vão apetites.
Que experimentam a figa,
Se não querem a provar
A bala Insurgente.

Hrystos Narodyvsia! Slavimo Yoho!  

Feliz Natal Ortodoxo!

Hoje na Ucrânia se celebra o Natal Ortodoxo (também celebrado pela martirizada e perseguida no passado recente a Igreja Grego-Católica Ucraniana). As pessoas dizem: Hrystos Voshres! (Cristo Ressuscitou!) e a resposta é Voїstynu Voshres! (Realmente Ressuscitou!). Um bom Natal e boas festas Natalinas para todos os leitores do nosso blogue, especialmente para Maurício Mazur e para todos os ucranianos e amigos da Ucrânia!

domingo, janeiro 06, 2013

As primeiras notas ucranianas


No dia 5 de janeiro de 1918, a República Popular da Ucrânia (UNR), emitiu as primeiras notas bancárias ucranianas – karbovanets.

No verão de 1917, o chefe da Rada Central, Mykhailo Hrushevskyi, anunciou o concurso público para o melhor design da nova moeda ucraniana. Diversos desenhadores e pintores participaram no concurso. Para o brasão de armas foram propostos o tridente com a cruz, cossaco com mosquete, etc. O concurso foi ganho pelo Heorhiy Narbut, que estudando as moedas antigas da Rus de Kyiv, propôs o tridente com a cruz, que mais tarde apareceu nas primeiras notas ucranianas.

A emissão total foi de 500 milhões de karbovanets. A primeira nota foi de 50 karbovanets, conhecida popularmente como “horpynka”, por causa do nome feminino Horpyna, associado à ornamentação da nota, parecida com os desenhos dos aventais femininos.

Ler mais sobre a história da moeda ucraniana: Hryvnia ucraniana

sábado, janeiro 05, 2013

Como preparar uma boa Kutia?

Pela primeira vez, em 2017 Ucrânia irá celebrar o Natal com o resto do mundo, no dia 25 de dezembro. Mas o Natal ortodoxo também está à porta e com ele o Sviatvechir (ceia natalina), na Ucrânia, a Kutia faz parte do menu/cardápio dos 12 pratos (um por cada apóstolo) que na noite de 6 para 7 de janeiro estará na mesa dos ucranianos.

Cada dona de casa tem a sua própria receita, a companhia comercial "Halychyna" revela algumas dicas de uma boa Kutia.

1. Trigo. Bom trigo facilmente se parte, este trigo se cose melhor.
2. Mel. O verdadeiro mel tem um cheiro forte. Se colocar no bom mel um palito, o mal “agarra” o palito, quando o iremos retirar. Dizem que melhor mel para Kutia é de trigo.
3. Uva-seca. Não deve ter os caroços.
4. Sementes de papoila não devem ser amargas.
5. Nozes (nogueira-comum). Não devem ser húmidos, rugados, demasiadamente esmigalhado ou duros. A cor externa da noz deve ser castanha clara, dourada.

Algumas donas de casa colocam na Kutia a fruta cristalizada, ameixeira-europeia seca ou mesmo halva.

As receias: AQUI, AQUI e AQUI

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Ouro do biatlo da Ucrânia


A equipa feminina do biatlo da Ucrânia, ganhou a medalha de ouro na estafeta da etapa da Taça do Mundo na cidade alemã de Oberhof.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Vertép ucraniano no Brasil


Vertép ou “Chopka” (presépio ambulante) é uma das mais antigas tradições do Natal Ucraniano. Muito popular nos séculos XVII e XVIII, a tradição tem versões diversas em cada uma das regiões da Ucrânia. 

No Brasil, o Vertép chegou na bagagem dos imigrantes ucranianos e foi muito popular na cidade de Mallet (estado de Paraná) até meados da década de 1960. Desde 2003, o Folclore ucraniano “Spomen” revive a tradição, visitando as famílias ucranianas do Município com as tradicionais “Koliady” ou “koliadkas” (canções ucranianas de Natal) e os personagens do Vertép: a Sagrada Família, os 3 reis, a estrela, São Nicolau, Santo Estevão, o anjo, o demônio e a morte. Mallet é uma das únicas cidades do Brasil que ainda preserva a tradição do Vertép.

Em 2012/13, o Spomen visitou mais de 100 famílias ucranianas em Mallet. Agradecemos à todos que os receberam e desejamos um feliz e abençoado 2013. Muito obrigado!

Além disso, “Chopka” é o nome dado na Galiza contemporânea ao presépio fixo, montado nas ruas ou praças das cidades ucranianas.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Heróis não morrem: Stepan Bandera


No dia 1 de janeiro de 1909, nasceu Stepan Bandera (1909 – 1959), um dos proeminentes nacionalistas ucranianos, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), assassinado pelo agente do KGB na cidade de Munique na Alemanha Federal.

Figura que até hoje suscita amor e ódios supremos, Bandera era uma figura complexa, colocada pela história no topo da luta ucraniana pela sua independência política nos anos 1930-1960.

Stepan Bandera na carta aos amigos, escrita por volta de 1950 e trazida à Ucrânia pelos mensageiros da resistência ucraniana:

Devo Vós dizer honestamente que me muito difícil. Me oprime indizivelmente que o meu nome está associado aos mais altos valores da nossa luta, comprados com trabalho, grandes sacrifícios e sangue dos Melhores Amigos. Sinto-me indigno de servir de foco simbólico dos valores do movimento de libertação da Ucrânia. Sob este peso moral, a pessoa fraca, que vê o quão pouco ela própria fez para o patrimônio comum, qual é a diferença infinita entre a sua própria contribuição, sua própria capacidade e seu próprio valor e aquilo que deve representar e liderar. Representação – este não é a minha obra, não tenho para isso nenhuma disposição e me sinto mal nesse papel. O conteúdo da minha vida, até agora tem sido a luta, e assim deve continuar. Eu não posso representar a luta, quando não participo nela. Não tenho jeito para o papel do representante “por trás do vidro”.

O historiador ucraniano Volodymyr Viatrovych, que publicou esta carta numa rede social explica: “creio que essa separação da luta, no momento do seu desenvolvimento mais alto, foi a maior tragédia pessoal do Bandera”.

O jornalista ucraniano Yuri Lukanov foi o autor do filme documental “Três amores do Stepan Bandera”, que apresenta crónica única da sua vida, além da cerimónia do seu enterro em Munique. A película foi filmada em Munique, Londres e Ucrânia Ocidental.

Ver no YouTube:   


E como já é tradicional, o aniversário do Bandera foi assinalado pelas marchas em Kyiv e em mais 7 cidades ucranianas: Lviv, Zaporizhia, Poltava, Kirovohrad, Melitopol, Luhansk e Ternopil. As FOTOS e vídeo são da autoria da jornalista ucraniana Olena Bilozerska:


Mais fotos:

terça-feira, janeiro 01, 2013

A motoqueira ucraniana dobrará o mundo


A motoqueira e ativista social ucraniana, Anna Hrechyshkina, se prepara para viagem em redor do mundo em cima de uma moto. Anna será a primeira ucraniana a conseguir essa proeza.

Anna já anda de moto cerca de 7 anos, viajou pela Ucrânia, Europa Central e Oriental, Cáucaso e Médio Oriente. Agora o plano é fazer a viagem em redor do mundo. A viagem, que a motoqueira dedica ao pai que sempre a apoiou, irá começar no dia 12 de agosto de 2013 e deverá terminar em junho de 2014.

Dado, que além da ser uma motoqueira, Anna é ativista social, essa sua faceta fará parte da viagem. Nos últimos três anos ela lidera o programa de caridade gerida pelos motoqueiros, chamada MotoSave. Os ativistas visitam os orfanatos, casas da terceira idade, os deficientes físicos. O objetivo principal é o apoio moral aos mais desfavorecidos. Durante a viagem, Anna planeia se encontrar com as crianças, ativistas sociais e juvenis, portadores do HIV-SIDA. A motoqueira espera que em resultado poderá escrever um diário da sua viagem, que já tem um nome: “I Have a Dream” (Eu tenho o sonho). “Quero dizer as pessoas, com quem vou-me encontrar, que se a pessoa aplicar as suas forças, tudo é possível. Quero prova-lo no meu próprio exemplo”, explica Anna Hrechyshkina.

Viagem solitária

A sua viagem passará por cinco continentes: Eurásia, Austrália, América do Sul e do Norte e África (o traçado inclui Brasil e Moçambique). A viagem, de cerca de um ano e meio, será solitária, sem acompanhantes, nem assistência técnica. Embora ela contará com uma rede de contatos em todos os países pelos quais pretende a passar. Anna tenta traçar o seu trajeto pelos países e territórios mais seguros, mas também já teve a experiência de viajar pelo Curdistão ou Índia, onde viveu algumas situações mais perigosas.
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Neste momento a motoqueira ucraniana estuda as particularidades culturais dos diversos países e povos, mentalidades das pessoas, técnicas da defesa pessoal e primeiros socorros. Em termos financeiros, a viagem não será nada barata, Anna planeia gastar 3-5.000 USD por mês, dependendo das eventuais condições de alojamento. Por isso, embora já assegurou alguns patrocínios, está aberta às propostas de cooperação mutualmente vantajosas.

Uma das questões principais é a moto à usar na viagem. Já que Hanna não irá levar a sua mota habitual, a “Kavasaki Vulkan 900”, que usa nos últimos 6 anos (ela se tornou a primeira ucraniana a completar a norma «SaddleSore 1000», percorrendo 1900 km em cima de uma mota em 24 horas).

A viagem poderá ser acompanhada na Internet através da página Ihaveadream.com.ua, na sua página Facebook e na revista especializada “Bike”.

Até agora, apenas 3 ucranianos conseguiram realizar a viagem em redor do mundo numa moto (um deles é Valeriy Kryshen). Pelo contrário, nenhuma mulher da Europa Central ou espaço pós-soviético conseguiu a tal façanha. Por isso, Anna Hrechyshkina tem toda a possibilidade de ser a primeira.

Fonte:
http://www.bbc.co.uk/ukrainian/entertainment/2012/12/121205_hrechyshkina_bike_trip_ek.shtml