domingo, julho 08, 2012

Ivana Kupala e Klitschko


A noite de Ivana Kupala (festa dedicada ao João Batista) é celebrada na Ucrânia na noite de 7 de julho.

No período pré-cristão, os ucranianos celebravam nesta data o Deus do Sol ou Dajbog, acreditando que no período de solstício de verão o sol fica na força máxima e começa se preparar para o inverno. Se dizia, que o sol, como símbolo da luz e do bem, celebra a vitória sobre as forças do mal, e que durante a sua subida o sol “brinca”, “salta”, “fica feliz”. A natureza fica encantada neste dia, o celebrando.

O deus eslavo Kupaylo é responsável pela safra, bem-estar, plantas medicinais, em termos de tradições é o dia em que se celebrava a juventude, beleza, amor e purificação.  

Nesta noite os jovens acendem as fogueiras e saltam sobre elas em forma de cruz para se purificar, colocam as coroas de flores nas águas dos rios e lagos. Além disso, com a chegada da meia-noite, os jovens solteiros vão à floresta para procurarem a flor de samambaia. A flor realiza todos os desejos das pessoas, o afortunado homem que retornar com o anel de flor em sua cabeça, se casará em breve.

Este ano na cidade de Uzhhorod foi organizado o ritual de andanças sobre as cinzas ardentes. Os entusiastas dizem que o ritual ajuda superar os seus medos, ficar curado e obter a energia. A primeira foto é do Serhiy Hudak da agência noticiosa Ukrinform.

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Os irmãos Klitschko mais uma vez alegraram os ucranianos, desta vez foi Volodymyr, que obteve a sua 51ª vitória em combate pelo título do campeão mundial nas versões de IBF, IBO, WBO, WBA, The Ring, dos pesos pesados. Em seis assaltos ele superou Tony Thompson, o mandando ao KO. Nossas congratulações ao campeão ucraniano!

sábado, julho 07, 2012

Belle Époque de Kyiv


O blogueiro Periskop passeou pelas ruas de Kyiv, procurando os exemplos do estilo arquitetónico Belle Époque nos edifícios antigos e modernos da capital ucraniana. Em resultado temos a bela reportagem que se segue (34 fotos) e links para outras 11 reportagens fotográficas.

sexta-feira, julho 06, 2012

NYT sobre a situação na Ucrânia


O jornal americano NYT publicou o artigo sobre a situação na Ucrânia, desencadeada pela aprovação fraudulenta da Lei № 9073, que coloca a maioria ucraniana em situação linguística desvantajosa no seu próprio país.

O artigo cita as palavras do Vitali Klitschko, o campeão dos pesos pesados na versão da WBC e o líder do partido UDAR que irá disputar as eleições legislativas no final de outubro deste ano. “Porque a língua principal na Alemanha é alemão”, perguntou Klitschko sarcasticamente. “Porquê a língua principal da França é o francês?”

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Na Presidência da República foi desmentido o encontro informal entre o presidente Yanukovych e o chefe demissionário do Parlamento, Volodymyr Lytvyn. As pessoas próximas do Yanukovych também dão entender que a Lei № 9073 poderá ser vetada ou então receberá a indicação de a tornar ligeiramente menos agressiva para com a língua ucraniana. Os patriotas ucranianos continuam a defender a Casa Ucraniana em Kyiv, um dos deputados da oposição, Andriy Parubiy já recebeu a intimação administrativa na qualidade da pessoa responsável por “perturbar a ordem pública”.

Deputado do partido “União Popular – Nossa Ucrânia”, Ihor Palytsya, registou no parlamento o projeto – lei № 10700, que prevê que todos os funcionários públicos da Ucrânia sejam obrigados a serem fluentes em ucraniano e obrigatoriamente usar a língua ucraniana no decorrer das suas atividades profissionais nas estruturas do estado ucraniano.

quinta-feira, julho 05, 2012

Hienas do ano 2012


A Direção da Sociedade dos Jornalistas Polacos propôs os apresentadores Kuba Wojewódzki e Michał Figurski para o anti – prémio “Hienas do ano 2012”.

Além disso, o jornal polaco «Gazeta Wyborcza» escreve que soube das fontes não oficiais que a direção da rádio Eska Rock (radio@eskarock.pl), anulou o contrato laboral dos apresentadores.

O Conselho da Ética de Imprensa e Conselho Polaco da Rádio e Televisão, classificaram as palavras do Wojewódzki e Figurski sobre as ucranianas como “manifestações xenófobas, de brutalidade estrema e linguagem de ódio”, informa a Rádio da Polônia.

Ao mesmo tempo, na entrevista à revista «Polska The Times», o ministro da Justiça da Polônia, Jarosław Gowin, diz que a “estupidez não é passível de sanções”. Ou seja, a dupla de xenófobos e racistas reincidentes, mais uma vez evitou a responsabilidade criminal. Até quando?

Ucrânia: a última defesa da Nação II

O chefe do Parlamento ucraniano, Volodymyr Lytvyn apresentou a sua demissão não assinar a Lei Nr. 9073, as "cabeças falantes" do Partido das Regiões o ameaçam com o processo criminal à conta disso. Existe a informação não confirmada do que Lytvyn se reuniu com o presidente Yanukovych. A página Web do Parlamento está bloqueada e inacessível. 

A defesa da Casa Ucraniana (Ukrayinskiy Dim) continua, VO Svoboda trouxe cerca de 100 ativistas seus, houve também um comício em frente da Presidência da República em Kyiv. Mais e mais pessoas continuam a gostar as pinturas do tipo: "A vista noturna do Parlamento da Ucrânia"...  

Estaline e Hitler: irmãos – gémeos II


A reação furiosa por parte de neoestalinistas ao nosso artigo anterior obrigou nos a voltar ao tema espelhado no título do artigo.

Podemos imaginar o camarada Estaline como o chefe de um GCO – o Grupo de Criminalidade Organizado e Hitler na chefia de um outro grupo. Se acreditarmos na tese estalinista do que nas vésperas da II G.M., Estaline ficou tete-a-tete com Hitler, abandonado pelo Ocidente, temos que admitir que o seu comportamento é privado de qualquer lógica.

Ou seja, nas vésperas do conflito, Estaline fez a sangria sem precedentes no comando do RKKA (Exército Vermelho), fuzilando, torturando e enviando aos campos de concentração inúmeros generais, comandantes e até marechais (dos cinco marechais soviéticos, dois foram fuzilados e um morreu na cadeia sob a tortura).
Depois acordou com Hitler as zonas de influência, delimitando e dividindo a Europa entre parte Ocidental, entregue ao 3° Reich e a parte Oriental, cedida para URSS.

A URSS do Estaline participou em algumas guerras “regionais” sozinho (Finlândia) ou na companhia da arquirrival Hitler (campanha da Polônia).


Entre 1925 e 1934, na URSS, na base aérea de Lipetsk, eram formados os pilotos de Luftwaffe (a lista dos 37 futuros generais alemães formados na União Soviética), violando o tratado de Versalhes. E até colocando em cooperação NKVD e Gestapo (conferências entre Gestapo e NKVD), para que duas organizações pudessem trocar de “experiências” e melhorar as suas “técnicas investigativas”.

E depois disso alguém duvida que eles são irmãos – gémeos?..

quarta-feira, julho 04, 2012

Ucrânia: a última defesa da Nação


Os deputados da oposição e os patriotas continuam bloquear a Casa Ucraniana (Ukrayinskiy Dim) na praça da Europa em Kyiv. Vários deputados foram feridos, polícia de choque usa o gás pimenta e também recebe algum "troco" por parte dos ativistas da VO Svoboda (Liberdade). Uns chamam isso de "provocação", outros argumentam que sem os ativistas do VO Svoboda, a polícia já acabaria com os manifestantes.

O vice-chefe do Parlamento, Mykola Tomenko resignou, o chefe do Parlamento, Volodymyr Lytvyn prometeu fazer o mesmo e jurou não assinar o decreto-lei Nr. 9073 que originou os protestos.    





Marechal Zhukov: “o carniceiro da vitória”

O Marechal Zhukov, promovido pelos neoestalinistas como “génio militar soviético”, era visto pelos seus contemporâneos como um pessoa brutal e despótica, adepta do princípio de “vitória a qualquer custo” e dada às pilhagens. A sua alcunha entre os soldados soviéticos era “carniceiro”…

A doutrina militar do Zhukov se baseava na ideia do que após o fogo da artilharia, o ataque era feito pela infantaria e só depois, nas brechas por ela abertas entravam os tanques. Ou seja, a caminho dos tanques era traçado pelos corpos dos soldados. O uso desta tática, condenada por comandantes militares de senso comum, ditava que por cada soldado alemão morto, a URSS perdia 8-10 militares (no fim da II G.M., Zhukov surpreendeu o general americano Eisenhower com a famosa frase, explicando porque ele poupava os tanques em detrimento dos soldados: “Soldados são esterco, as gajas russas vão parir mais, enquanto o tanque custa o dinheiro”).

Comandando a defesa de Moscovo em outono de 1941, Zhukov lançou contra a ofensiva alemã os 179.000 soldados do “corpo voluntário” – professores, engenheiros, cientistas, muitos deles trazidos da Ucrânia. Eles tiveram 1 (uma) espingarda para cada 5 (cinco) pessoas e 1 (uma) granada para cada 3 (três). Naquela “trituradora” morreu Yuri Kondratyuk, autor do programa da viagem para a Lua, cujas ideias foram mais tarde aproveitadas pela NASA.
No dia 19 de dezembro de 1941, Zhukov usou três divisões da cavalaria contra os blindados alemães. Essa cavalaria foi aniquilada em algumas horas (durante cerca de 40 anos a propaganda soviética afirmava que o caso foi protagonizado em 1939 pela cavalaria polaca).

Na primavera de 1944, durante a batalha de Korsun-Cherkassy, Zhukov ordenou que as tropas “voluntárias”, às pressas formadas pelos camponeses ucranianos com idades entre 15 e 55 anos, atacassem as defesas alemãs. Durante 24 dias da batalha o exército soviético perdeu 770.000 pessoas, na sua maioria ucranianos.

A “Enciclopédia da Arte Militar” escreve que na batalha de Berlim, para poupar o tempo de desminagem, Zhukov mandou a infantaria avançar pelos campos minados. O marechal não sentiu nenhuma vergonha e até gabava-se disso perante os aliados. O general americano Eisenhower escrevia nas suas memórias: “Tenho dificuldade de imaginar o que aconteceria no nosso exército com um general que tivesse a ideia de dar uma ordem semelhante”. O Marechal Zhukov recebeu a terceira estrela do herói [da União Soviética]. [1]        

Em 14 de setembro de 1954, Zhukov deu a ordem de experimentar a bomba nuclear nos seus próprios soldados. No polígono de Totskoye, nos arredores de Oremburgo, cerca de 40.000 militares foram lançados no epicentro nuclear. Cerca de ¾ morreram de queimaduras e lesões de radioatividade. Outros 10.000 tornaram-se inválidos para sempre. Em resultado Zhukov recebeu outra estrela do herói [da União Soviética]. [2]    

«Zhukov não era mesquinho. Ele não gostava de castigos como repreensão ou repreensão severa. O castigo de Zhukov é o fuzilamento. Sem formalidades…», escreveu nas suas memórias o general Petró Grigorenko. [3]

O historiador catedrático russo, Andrey Mertsalov, caracteriza Zhukov assim: «Após Estaline, Zhukov era a segunda figura na direção militar a URSS… Não apenas ao Estaline, mas também ao Zhukov era próprio o princípio vicioso “a qualquer custo”, brutalidade e despotismo» [4]

O retrato do Zhukov não seria completo, se não falamos do seu instinto de saqueador. O Ministro do Defesa da URSS, Nikolai Bulganin escreveu [5] no memorando ao Estaline:

Conselho de ministros da URSS
Ao Camarada Estaline I. V.

Segundo a sua orientação, no dia 5 de janeiro de [1948] no apartamento de Zhukov em Moscovo foi feita uma busca não oficial. Pretendia-se encontrar e apreender uma mala e porta-joias com ouro, diamantes e outras preciosidades. Durante a busca a mala não foi achada, mas porta-joias estava no cofre, situado no quarto de dormir. A porta-joias continha:

Relógios – 24 unidades, destes 17 de ouro, 3 com pedras preciosas; pendentes de ouro e anéis – 15 un., 8 com pedras preciosas; porta-chaves de ouro com grande quantidade de pedras preciosas; outras peças de ouro (porta-cigarros, fios, pulseiras, brincos de pedras preciosas, etc.).      
[...]

Na noite de 8 para 9 de janeiro de [1948] foi feita uma busca não oficial na casa de campo de Zhukov, na aldeia de Rubliovka, nos arredores de Moscovo. Em resultado foi descoberto que dois quartos da casa foram transformados no armazém, onde fica armazenada uma grande quantidade de objetos e valores.

Por exemplo:
Os panos de lã, seda, brocado, veludo fino e outros – mais de 4.000 metros; peles de zibelina, macaco, raposa, otária, cordeiro de caracul – 323 peles; cabrim de qualidade superior – 35 peles; carpetes caros e gobelins de tamanhos grandes, retirados do palácio de Potsdam e outros palácios e casas da Alemanha – 44 no total, uma parte está colocada e pendurada nos quartos, outra está no armazém.      

As pinturas preciosas clássicas de tamanhos grandes em molduras artísticas – 55 no total, parcialmente pendurados nos quartos da casa e parcialmente estando no armazém; os jogos de loiça de jantar e de chá (porcelana de acabamentos artísticos, cristal) – 7 caixas grandes; jogos de talheres de jantar e de chá – 2 caixas; acordeões com acabamentos caros e artísticos – 8 peças; espingardas de caça de marca Holland & Holland e outras – 20 peças no total. Todos estes bens estão guardados em 51 caixas e malas, mas também ficam deitados.      
[...]

Toda o mobiliário, começando pelas mobílias, carpetes, loiça, adornos e acabando com as cortinas nas janelas é estrangeiro, principalmente alemão. Na casa de campo não há nenhum objeto de fabrico soviético, menos as passadeiras na entrada de casa. Não há mesmo nenhum livro soviético, mas nas prateleiras está um grande número de livros com impressão de ouro, exclusivamente em língua alemã…

Ao Camarada Estaline

Na alfândega de Yagodyn (nos arredores da cidade de Kovel) foram apreendidos 7 vagões, que continham 85 caixas com mobílias. Durante a verificação foi sabido que mobílias pertencem ao marechal Zhukov.
[...]

No dia 19 de agosto os vagões com mobílias de Yagodyn foram enviados para Odessa. Alfândega de Odessa recebeu a ordem de não entregar as mobílias até receber uma orientação especial. A descrição de mobílias, contidas nos vagões verificados está anexa.

Bulganin,
21 de agosto de 1946

No fim deste processo, a maioria dos objetos aqui citados foi apreendida pelo MGB da URSS e entregue à Direção de Património do Conselho de Ministros da URSS.

Bibliografia

[1] “Enciclopédia da Arte Militar”, Minsk, Literatura, 1997, pp. 208-209        
[2] Idem, p. 210.
[3] Viktor Suvorov, Dia “M”, Cherkassy, Ingles, 1994, p. 225.
[4] Alexey Mertsalov, “Sob hipnose da personalidade forte”, revista “Rodina”, 1991, №6-7, p. 115.
[5] Arquivos Militares da Rússia, Vol. 1, Moscovo, 1993, pp. 184-190.


Bónus
Na cidade de Odessa, no domingo 7 de maio de 2017, os ativistas ucranianos fizeram a pressão sobre o poder local para obrigar à remover a pedra memorial, em homenagem ao marechal Zhukov, colocada recentemente, e ilegalmente, pelo partido comunista da Ucrânia, também este, uma organização ilegal.

A pedra foi colocada na avenida da Centena Celestial que até recentemente ostentava o nome daquele que na memória dos soldados e oficiais do RKKA foi sempre lembrado como o “carniceiro da vitória”.


Após uma curta discussão com polícia de segurança pública presente, ao local vieram os funcionários dos serviços municipais que desmontaram e retiraram a obra ilegal, informa o serviço ucraniano da Rádio Liberdade.

terça-feira, julho 03, 2012

As caras da traição II

Típico deputado votante da Lei 9073...
Hoje, a Lei 9073, que institucionaliza o bilinguismo foi votada no parlamento ucraniano, oposição não consegui fazer nada, único deputado da coligação "Nossa Ucrânia", que tentou impedir a votação da última vez, Andriy Parubiy (obrigado Andriy!), não estava presente, ele tem as costelas machucadas...

Bloco da oposição unida "Pátria" anunciou que não reconhece a nova lei e que sairá do Parlamento para iniciar as eleições antecipadas, o vice-chefe do Parlamento, Mykola Tomenko, informou que o seu cartão do deputado foi usado de modo fraudulento para votar à favor da Lei.

Neste momento os patriotas estão a bloquear Ukrayinskiy Dim (Casa Ucraniana) na praça da Europa em Kyiv, eles sobreviveram à dois ataques da polícia de choque, que está a usar o gás lacrimogênio.

O início do Grande Terror na URSS


No dia 2 de julho de 1937 o Bureau Político do Partido Bolchevique (futuro PCUS), aprovou o envio do telegrama aos secretários dos comités provinciais, regionais, comités centrais do partido comunista nas repúblicas, onde era ordenado fazer a lista de todos os kulak (em ucraniano kurkul), que voltaram à terra (após a sua deportação), para que eles sejam detidos e fuzilados. Este telegrama deu o início ao Grande terror, as repressões estalinistas em massa.