quinta-feira, abril 12, 2012

Balé ucraniano Virsky no Brasil


Balé nacional da Ucrânia, Virsky traz ao Brasil o vigor e virtuosismo de coreografias inspiradas na tradição ucraniana.

Se, pelas fotos, você achou que este é um grupo comum de dança folclórica ucraniana, irá se surpreender com seu virtuosismo. O Virsky, balé nacional da Ucrânia, chega ao Teatro Guaíra nesta sexta-feira para apresentações até domingo, trazendo seus pulos e giros altíssimos no ar, energia, cenário e figurinos coloridos e entusiasmo raros de se ver num palco (veja o serviço completo do espetáculo no Guia Gazeta do Povo).

Os integrantes de grupos folclóricos gostam de assistir para tentar elevar seu nível, e usar mais elementos em sua dança”, contou à Gazeta do Povo o empresário do grupo, Bohdan Tkachyshyn.

Das 16 coreografias que serão apresentadas, 9 foram criadas pelo fundador Paulo Virsky (morto em 1975), 6 pelo diretor atual, Myroslaw Vantukh, e uma foi tirada da ópera Taras Bulba, com passos de Konstantin Sergeyev. Muitas têm, é claro, inspiração nas tradições do bailado ucraniano, do qual provém o vigor dos saltos e giros, a alegria que extravasa dos bailarinos e os figurinos e cenários.

O show que o Virsky traz para a turnê brasileira, com 50 bailarinos, tem alto teor nacionalista, celebrando o país. Não por acaso a primeira coreografia é “Ucrânia, Minha Ucrânia!”

Talvez por esse amor à pátria os ucranianos se destaquem tanto entre os grupos de folclore do mundo, mantendo uma tradição bastante viva. Tkachyshyn vê nisso algo como um alívio persistente pela liberdade, conquistada há 20 anos, após opressões que não se resumiram à dominação soviética.

Muitos povos já nos ocuparam, mas nós queremos viver em paz com os vizinhos e mostrar nossa liberdade”, explica. A nova alegria se contrapõe às antigas canções de lamento. “Nossa história foi muito dura, por isso nossas canções têm letras tristes, porque a vida era assim. Mas às vezes você quer ver a luz no fim do túnel. As pessoas queriam otimismo”, diz.

Além de manifestar patriotismo, o espetáculo faz um apanhado de danças regionais do país. Em “Povzunets”, por exemplo, há uma bem-humorada competição entre solistas masculinos inspirada na tradição cossaca, em que cada um demonstra suas habilidades técnicas com truques infatigáveis.

Outro fator que aparece nas coreografias é o cavalheirismo masculino e o desejo de se mostrar forte para defender a companheira. “Para ser honesto, nossas mulheres são muito bonitas”, gaba-se o empresário. Esse é o tema de “Kozachok”, coreografia que busca ressaltar a boa aparência das moças, que tomam o palco para si rodeadas por elementos que lembram a primavera.

Muito suor

Apesar de existir há 75 anos, apenas em 1992 o grupo criou sua escola para treinar crianças desde cedo. Nessa fase, elas repetem centenas de vezes os saltos elaborados e passos muito próximos ao solo característicos da dança ucraniana. Passam oito anos estudando, para depois enfrentar uma audição e tentar uma vaga no grupo profissional, ainda em fase de aprendizado. Após dois anos aprimorando a técnica, os melhores entram para o elenco fixo. Na equipe atual, o mais novo tem 18 anos – o mais velho, ninguém revela quem é.

60 países já foram percorridos pelo Virsky em seus 75 anos de existência, em mais de 100 viagens.

8 anos é o período que as crianças inscritas no balé nacional Virsky passam estudando saltos e giros. Os melhores passam ainda dois anos se aprimorando até entrar para o corpo de baile profissional.

Serviço

Teatro Guaíra (Praça Santos Andrade, s/nº), + 55 41 3304-7900. Espetáculo do Balé Nacional da Ucrânia. Dias 13 e 14, às 20h30, e 15, às 19h. R$ 140 (plateia), R$ 120 (1º balcão) e R$ 100 (2º balcão) e meia-entrada para todos os valores.

Ver Virsky no YouTube:

Fonte:



quarta-feira, abril 11, 2012

Terra Sangrenta, a Europa entre Hitler e Stalin

A editora portuguesa Bertrand publicou a obra do historiador Timothy D. Snyder, chamada “Terra Sangrenta, a Europa entre Hitler e Stalin” (IBN: 9789722523639; 624 páginas; 21,90€).

Neste livro Timothy Snyder apresenta uma investigação pioneira sobre o local onde os europeus foram mortos aos milhões e uma explicação sustentada dos motivos e métodos de Hitler e Estaline. Fixa a história do Holocausto de Hitler e do Terror de Estaline no tempo e no espaço, apresenta episódios esquecidos dos homicídios em massa nazis e soviéticos e elabora um relato da relação entre os dois regimes sob uma nova perspectiva. Utilizando a literatura já existente e fontes primárias em todas as línguas relevantes, Snyder dedica especial atenção às fontes deixadas pelas vítimas: cartas para casa, bilhetes lançados de comboios ou diários descobertos com os cadáveres.


Em doze anos, as políticas de massacre deliberadas e não relacionadas com o combate dos regimes nazi e soviético mataram catorze milhões de pessoas, numa zona de morte, entre Berlim e Moscovo. Com o fim da guerra, as terras sangrentas caíram atrás da «cortina de ferro», deixando a sua história mergulhada na escuridão.

O texto do livro já foi previamente analisado no nosso blogue: Holodomores da Ucrânia: soviético e nazi

terça-feira, abril 10, 2012

Quem tem medo do povo ucraniano?


No passado dia 4 de Abril, o Tribunal Constitucional da Ucrânia anulou o direito dos emigrantes ucranianos de votarem nas eleições legislativas de Outubro de 2012, considerando este direito como “anticonstitucional”. As 35 organizações da Diáspora ucraniana da Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Alemanha, Republica Checa e os EUA contestam essa decisão.

Na sua Declaração conjunta as organizações consideram a decisão do Tribunal Constitucional como: “mais uma tentativa do poder atual de retirar aos ucranianos os seus direitos constitucionais, nomeadamente o direito eleitoral e como tal, impossibilitar a sua contribuição para tornar Ucrânia mais democrática”.

A Diáspora ucraniana exige ao Presidente e ao Parlamento a restituição da norma anterior e promete lutar pelos seus direitos constitucionais através dos contactos com as instituições internacionais e as manifestações de protesto, além de ponderar a possibilidade de não reconhecimento da legitimidade das futuras eleições legislativas.


Antecipando a reação da Diáspora, a Embaixada da Ucrânia em Lisboa "se preparou" para a contestação popular. Ou seja, se escondeu dos concidadãos atrás do recém – construído murro, com cerca de 2,5 m de altura. Interpretando, talvez, desta maneira, o slogan recente do presidente ucraniano: “Escutarei à todos!”
Embaixada ucraniana: vista atual
Embaixada ucraniana: ainda sem murro

segunda-feira, abril 09, 2012

Geórgia comemora o Dia da Unidade Nacional

Tropas soviéticas nas ruas de Tbilissi, 9 de Abril de 1989
No dia 9 de Abril, também conhecido como Massacre de Tbilissi, Geórgia comemora o Dia da Unidade Nacional, em memória dos 19/20 concidadãos, assassinados pelo exército soviético durante a manifestação pacífica em Abril de 1989.

As tropas do ministério do interior soviético usaram os bastões de borracha de 73 sm, gás – pimenta (facto só reconhecido no dia 13 de Abril), pás de sapador e, em pelo menos um caso, a arma de fogo.
No dia seguinte, cidade de Tbilissi e toda Geórgia iniciaram a greve geral e o período de 40 dias de luto pelas vítimas mortais do Massacre. Moscovo declarou o estado de emergência, mas as manifestações populares continuavam.

Em resultado da indignação popular, o governo da Geórgia Soviética se demitiu. Mikhail Gorbachov negou qualquer responsabilidade no evento, culpando o exército soviético (o TPI de Haia o espera por isso). As revelações da imprensa e as conclusões da Comissão de inquérito, chefiada pelo deputado Anatoly Sobchak, tornadas públicas em Dezembro de 1989, provaram o envolvimento no evento da linha dura do PCUS e da cúpula do exército soviético.

A tragédia radicalizou a oposição georgiana, já em Novembro de 1989 o Conselho Supremo da Geórgia (Parlamento) condenou oficialmente a “ocupação da República Democrática da Geórgia pela Rússia Soviética em 1921”.

Em Março de 1991 (ainda antes da desintegração da URSS), a maioria esmagadora dos georgianos (cerca de 99%), votou pela Independência da Geórgia. Em 9 de Abril de 1991, no Segundo aniversário da tragédia, o Conselho Supremo da Geórgia proclamou a soberania nacional e independência georgiana em ralação à URSS.

Um monumento em memória das vítimas da tragédia foi aberto em 2004 no local do Massacre, na Avenida Rustaveli em Tbilissi.

sábado, abril 07, 2012

Pascoa ucraniana no Brasil

Este ano de 2012 realizar-se-á no dia 7 de Abril – sábado – às 16:00 horas, no Parque Tingui no Memorial Ucraniano a BÊNÇÃO DOS ALIMENTOS. A Ucrânia tem uma história milenar. O Cristianismo incorporou-se à sua cultura há mil anos. Antigos costumes se mesclaram e criaram o rico rito católico bizantino. A celebração da Páscoa é particularmente rica em tradições. 


Entre elas esta a bênção dos alimentos. Os preparativos se realizam durante toda a última semana da Quaresma. São assados os pães de Páscoa – Paskas. É preparado o Hrin (Raiz-forte ) com beterraba; são cozidos e pintados ovos (
pysanka). Enfim, uma cesta de páscoa, em vime, forrada e coberta por toalhas ricamente bordadas, contendo a Paska, Pyssankas e ovos tingidos cozidos (krashanky), sal, pimenta, Hrin (raiz forte), manteiga, queijo, mel, Kovbassa (lingüiça), salo (bacon – toucinho) e carne defumada.

No Brasil esta tradição mantém-se com cerimônias em todas as Paróquias e em Curitiba no sábado de Páscoa há duas décadas à tarde há uma bênção especial no Memorial Ucraniano no Parque Tingui.

Não existe nenhum óbice a que não descendentes de ucranianos tragam a sua cesta e venham receber a bênção aos alimentos. Já no domingo os ucranianos se saúdam dizendo: Hrystos Voshres! (Cristo Ressuscitou!) e respondem Voyistynu Voshres! (De fato. Ele está ressuscitado!)

Dr. House e queijo ucraniano

Actor britânico Hugh Laurie (Dr. House), que estará em Kyiv no dia 20 de Junho com um concerto musical, encomendou aos organizadores o queijo ucraniano, informa a página «ТSN».

Laurie encomendou os vinhos tintos de Toscana, água mineral sem gás italiana, agua mineral americana e produtos lácteos ucranianos. Cerca de 50 diferentes tipos de queijos ucranianos brevemente serão enviados para a cidade de Los – Angeles, para serem aprovados pelo ator e cantor.
Hugh Laurie e o seu grupo musical “Band from TV” estarão na Ucrânia para promover o seu álbum de estreia “Let Them Talk”, editado pelo Warner Music. Uma semana após a sua estreia, o álbum, gravado em Los-Angeles e Nova Orleã, já ocupa o topo da tabela musical britânica e faz parte da lista dos Hot 100 da revista Billboard.
Hugh Laurie, que além do vocalista, também toca o teclado, já deu oito concertos nas diversas capitais europeias, optou por atuar em Junho em Kyiv e Mensk (Minsk).
Fonte:

sexta-feira, abril 06, 2012

As imagens da moeda ucraniana

A página Verdade Histórica publicou uma colectânea das imagens das diversas moedas usadas na Ucrânia, desde a primeira Hryvnia de prata na Rus de Kyiv, passando pela República Popular da Ucrânia (UNR), Ucrânia Soviética e até os dias de hoje.

No dia 25 de Agosto de 1996 foi publicada a Ordem presidencial “Sobre a reforma monetária na Ucrânia” e já no dia 2 de Setembro Ucrânia introduziu a nova moeda nacional, Hryvnia, que tinha o câmbio oficial de 1,6 UAH por 1 USD.

O pai da reforma era chefe do NBU em 1991-92, Volodymyr Matvienko, o design é do Volodymyr Lopata.

Nesta colecção são apresentados alguns esboços da Hryvnia que não foram aceites posteriormente, as notas do Estado ucraniano dos anos 1917 – 1920 e finalmente a nota de 50 karbovanets (rublos) com o retrato do Taras Shevchenko da Transnístria, o território separatista da Moldova.  

Fonte:

quinta-feira, abril 05, 2012

Quénia quer formar diplomatas na Ucrânia


Recentemente o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Ucrânia na República da Quénia e República Unida da Tanzânia (simultaneamente), Volodymyr Butiaha, se reuniu com o Director do Instituto de Serviço das Relações Exteriores da Quénia, professor Philip Mwanzia, informa o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia.
No encontro as partes discutiram as questões da cooperação do Instituto com instituições de ensino da Ucrânia, incluindo a Academia Diplomática da Ucrânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia e do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Nacional de Taras Shevchenko de Kyiv.
A parte queniana manifestou o interesse em programas de intercâmbio de estudantes e o pessoal académico das universidades. Foi dada a atenção especial aos programas de aperfeiçoamento para os funcionários diplomáticos, oferecidos pelas universidades ucranianas.
Durante o encontro foi alcançado um acordo preliminar sobre a visita à cidade de Kyiv da delegação do Instituto de Serviço das Relações Exteriores da Quénia, dirigido pelo Director do Instituto. Também foi discutida a possibilidade de organizar no próximo ano em Nairobi a mesa-redonda intitulada “20 anos das relações diplomáticas ucraniano-quenianas”, com a participação de representantes dos circuitos diplomáticos e académicos.
Fonte:
http://www.expres.ua/news/2012/03/17/62582

terça-feira, abril 03, 2012

Morreu o Eparca dos católicos ucranianos do Brasil

Recebemos a triste notícia do falecimento de Dom Efraim B. Krevey, bispo emérito da Igreja Greco-Católica Ucraniana do Brasil e maior líder que a comunidade ucraniana já conheceu.

Nascido em 1928 em Ivaí (Paraná), D. Efraim Krevey ingressou na Ordem dos Basilianos, tendo sido coadjutor da Paróquia de São Josafat em Prudentópolis (Paraná); vice-reitor e professor no seminário São José da mesma cidade; Reitor do mencionado seminário; superior e professor no Studium OSBM, em Curitiba; Provincial da Província São José da Ordem dos Basilianos.

Em 1971 foi nomeado Bispo-coadjutor, com direito à sucessão, de D. José Martenetz, para os católicos ucranianos do Brasil. Em 1978 assumiu o cargo de Eparca, em substituição a D. Martenetz.

Na entrevista que se segue o Dom Efraim Krevey fala sobre a história e o martírio da igreja sob o regime comunista, sobre o Holodomor e os desafios da reevangelização da Ucrânia (Janeiro de 2005):

segunda-feira, abril 02, 2012

Internacionalização da poesia ucraniana

No dia 27 de Março em Kyiv foram apresentadas duas colectâneas poéticas do poeta ucraniano Pavlo Tychyna, organizadas pela Museu Memorial de Tychyna em Kyiv e pelo Centro Nacional "Pequena Academia de Ciências da Ucrânia".

por: Hryhoriy Donets

No evento foi apresentada a colectânea "Onde o álamo cresce" (poemas seleccionadas do Pavlo Tychyna em tradução inglesa de Stephen Komarnytskiy) e a tetralogia "Mãe das Dores", traduzida em Inglês, francês, georgiano e russo. Na apresentação estava presente Stephen Komarnytskiy, o tradutor do poeta para a língua inglesa, radicado no Reino Unido.

No longínquo 1925, outro poeta ucraniano Mykola Khvylovy, descrevia Pavlo  Tychyna como “um dos maiores poetas da poesia europeia moderna", contando com o seu génio para “a saída da nossa literatura actual aos palcos ocidentais.” Essa afirmação não era exagerada, pois na década de 1920 as obras de Tychyna eram publicadas na Bélgica, Itália, Alemanha, Polónia, Turquia, França, República Checa; a posterior ditadura estalinista privou o poeta do seu auditório europeu.

O poeta experimentou uma espécie de período de depressão e da busca de compromisso forçado com o poder comunista, afinal, estando na clandestinidade espiritual, aceitou (embora não sem ironia) o estilo literário bolchevique. Daí o declínio do interesse pela  sua obra no Ocidente.

Recentemente, um contributo significativo para a promoção da criatividade de Tychyna na Europa fez Stephen Komarnytskiy, o tradutor  apaixonado pela literatura ucraniana. Em 2011 em Salzburgo foi publicada a colecção de poemas de Pavlo Tychyna em inglês. Recente, o esforço conjunto do Museu Memorial de Tychyna em Kyiv, do Centro Nacional "Pequena Academia de Ciências da Ucrânia" e da editora ADEF-Ucrânia resultou na publicação da colectânea bilíngue ucraniano – inglesa, intitulada "Onde álamo cresce".


Fonte:


Ver apresentação no YouTube: