terça-feira, agosto 31, 2010

Como Sobrevivemos ao Comunismo sem Perder o Sentido de Humor

Aconselho ler o livro da jornalista croata Slavenka Drakulic, intitulado Como sobrevivemos ao comunismo sem perder o sentido de humor (ISBN 9789898142115); 16,15 Euros.

Aclamado pelas feministas como um dos mais importantes contributos, na última década, para os estudos sobre mulheres, este relato em primeira pessoa, muitíssimo bem escrito, descreve as lutas diárias das mulheres sob o regime comunista na ex – Jugoslávia.

Crítica de imprensa

“Se fosse simplesmente o primeiro relato feminista sobre a vida das mulheres na Europa de Leste, Como Sobrevivemos ao Comunismo seria de leitura obrigatória em qualquer curso de estudos sobre a mulher. Mas a beleza e a precisão da escrita de Drakulic dão-nos um livro que é muito mais do que isso, permitindo-nos entrar na vida destas mulheres, bem como nas suas cozinhas, por onde flutua o cheiro da sopa. E sentimos na pele o medo da autora perante a chegada da guerra. Jamais devemos subestimar este tipo particular de conhecimento e a nossa necessidade de compreender a ambiguidade, a hesitação e o conflito que se encontram na raiz de toda a teoria.”
Women's Review of Books

“A maior virtude de Como Sobrevivemos ao Comunismo reside talvez na capacidade da autora de combinar a análise provocadora com a textura da vida quotidiana: o fascínio de uma criança perante uma luxuosa boneca estrangeira; o assombro e a inveja de um europeu do Leste perante o sistema telefónico americano e a sua consternação face aos inúmeros sinais de pobreza em Nova Iorque […] Um livro profundo e de fina qualidade literária.”
New York Times Book Review
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Obrigado ao José Milhazes

segunda-feira, agosto 30, 2010

Anna Politkovskaia faria 52

Anna Politkovskaia faria hoje 52 anos. O Mundo perdeu uma pessoa íntegra, Rússia perdeu uma jornalista profissional, Ucrânia perdeu uma filha.

Recordaram viking-nord / jesfor

domingo, agosto 29, 2010

Karpaty de novo ganharam em futebol…

Duas equipas ucranianas: FC Karpaty (Lviv) e FC Metallist (Kharkiv) vão jogar na fase de grupos na Liga Europa 2010.

Metallist jogava com AC Omonia de Chipre e sofreu dois golos em 5 minutos. Agora para passar à próxima fase teria que marcar dois golos. E conseguiu fazer isso; no total, as duas equipas marcaram 4 golos em 12 minutos de jogo.

Agora Metallist jogará contra PSV (Eindhoven), Sampdoria (Génova) e Debrecen (Hungria).

Mas o jogo em Lviv era muito mais dramático, FC Karpaty recebiam Galatasaray da Turquia, empatando 2:2 fora, poderiam contentar-se com o empate. No minuto 71, Karpaty perdem o jogador por vermelho directo, mesmo assim conseguem manter 0:0 até o minuto 90, quando a maioria dos adeptos já contava com o seu clube na Liga Europa…

Mas no minuto 91 os turcos marcam o golo e festejam a sua passagem para a Liga, não por muito tempo, pois Karpaty marcam no minuto 93 e passam na competição. Como se diz nestas situações, o jogo foi bem impróprio para os cardíacos.

Após o sorteio da liga Europa, FC Karpaty já conhece os seus adversários: PSG (França); Burussia (Dortmund) e Sevilha (Espanha).

Obrigado ao blogger kotyhoroshko

Bónus:

A história ucraniana de amor em fotografias (+12):
http://zirvygolova.livejournal.com/143313.html

quinta-feira, agosto 26, 2010

Ucrânia rural em 1960

Hoje gostaria de compartilhar convosco as belas fotos da Ucrânia rural dos anos 1960, tirados pelo médico veterinário ucraniano, Viktor Kovalyushko (1938 – 2000).

Apaixonado pela Ucrânia, Viktor Kovalyushko, era médico veterinário que durante cerca de 30 anos liderou o Departamento de luta contra a leucemia do Laboratório Central Estatal de Medicina Veterinária. Um dos maiores especialistas da ex-URSS em leucemia de gado bovino, Viktor Kovalyushko foi o autor de trabalhos científicos sobre a leucemia e outras doenças de animais domésticos, um dos pioneiros na implantação do sistema de prevenção e combate contra a leucemia bovina nas cooperativas agrícolas ucranianas.
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Desde sempre foi um amante da fotografia. As fotografias aqui apresentadas foram tiradas durante o estágio profissional nos últimos anos dos seus estudos na Academia Agrícola da Ucrânia (onde foi graduado em 1963) e durante as missões de serviço nos anos iniciais de seu trabalho profissional.

Ucrânia dos anos 1960 em preto-e-branco:
http://olena-nekora.livejournal.com/93207.html
+ cidade de Sochi:
http://olena-nekora.livejournal.com/91314.html
++ animais, anos 1960 - 1970:
http://olena-nekora.livejournal.com/91452.html

p.s.

Verifico constantemente que o mito sobre a bonança económica na URSS ainda persiste nas cabeças dos muitos ocidentais em geral e dos europeus em particular. Hoje não vou maçar ninguém com a comparação de preços de alimentação / produtos duradouros (pois um ser humano não vive só de medicina gratuita). Mas as fotografias falam por si, ainda quarenta anos atrás a agricultura na Ucrânia soviética dependia de cavalo, apenas 20 anos atrás nas zonas rurais era difícil comprar um simples pão, as sardinhas enlatadas mais eram vistas como um luxo, todo tipo de charcutaria era possível comprar apenas nas cidades.
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Bónus:

Grupo Okean Elzy, composição “Noites e Dias” do filme Birds of Paradise
http://www.youtube.com/watch?v=mJmEneL1nqE

terça-feira, agosto 24, 2010

Maior bandeira da Ucrânia

Para comemorar o Dia da Independência da Ucrânia (24 de Agosto), os moradores da cidade de Ternopil criaram a maior bandeira da Ucrânia, com o cumprimento de 9,5 quilómetros (!).

Uma iniciativa da Administração Estatal de Ternopil, segundo os organizadores, o evento atraiu a atenção do público e, acima de tudo – juventude, para honrar os símbolos nacionais da Ucrânia, para unificar em torno de uma causa comum a juventude ucraniana, que em breve irão determinar o futuro do país.
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A exibição da bandeira gigante foi registada pelo representante oficial do Livro de Recordes da Ucrânia, Olexander Burmitskiy. Ele confirmou oficialmente que no dia 22 de Agosto em Ternopil foi exibida a maior bandeira da Ucrânia e um certificado de registo foi entregue ao chefe da Administração Estatal de Ternopil, Mykhaylo Tsymbalyuk.
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Após a exibição, a bandeira ucraniana foi dividida em quase 7000 bandeiras menores, para serem distribuídas entre as instituições de ensino, saúde, bibliotecas, instituições culturais, autoridades e governos locais.Parte da bandeira foi também entregue no Museu histórico regional.
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Bónus:

No dia 22 de Agosto às 19h00 na praça de Independência de Kyiv foi organizado o flash – mob, convocado através das redes sociais e dedicado à Independência da Ucrânia. Às dezanove horas em ponto, todos os participantes olharam para os espelhos e disseram em uníssono:

– Ucrânia sou eu!
Dez segundos mais tarde apontaram os espelhos para a pessoa mais próxima e disseram:
– Ucrânia és tu!
E finalmente, após outros dez segundos apontaram os espelhos para o céu e disseram:
– Ucrânia somos nos! Parabéns a Ucrânia!

Vídeo da autoria da blogueira Bilozerska:
http://www.youtube.com/watch?v=g8op_H3L3yA

Hino da Ucrânia:
http://www.youtube.com/watch?v=3iiq4SDPTtk

segunda-feira, agosto 23, 2010

Olga Kurylenko: amiga – assassina

Gostaria de apresentar um filme fora do habitual circuito comercial, chamado “Kirot” (The Assassin Next Door), com a actriz e modelo ucraniana Olga Kurylenko no papel principal.

“Kirot” é um filme israelita que retracta a vida quotidiana de duas mulheres que vivem em um prédio antigo no lado errado das trilhas. Ucraniana Galia (Olga Kurylenko) é uma assassina envolvida contra sua vontade com a máfia local que se dedica ao tráfico humano. Tudo o que ela quer é se reunir com sua filha que ela deixou na Ucrânia. Elinor (Ninet Tayeb) é uma pacata caixa do super-mercado, maltratada pelo seu marido. Ela sonha em ganhar na lotaria para poder fugir do marido abusivo. Galia e Elinor não se conhecem, mas sendo vizinhas, compartilham duas coisas: uma parede adjacente e uma forte necessidade de planear a fuga. Após Galia incumprir o seu último contrato e Elinor descobrir que está grávida, as duas mulheres decidem tomar medidas contra os seus opressores na luta pela sobrevivência e liberdade.
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Realizador: Danny Lerner
Estúdio: Bleiberg Entertainment (Israel)
Classificação: R (Violência, Linguagem)
Duração: 102 minutos
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Ver no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=ivakzl88MVk



Bónus:
Grupo ucraniano Anna, música “Jogo com o Deus”
http://www.youtube.com/watch?v=78hZVG7Y7JQ

domingo, agosto 22, 2010

Guto Pasko na blogosfera

O nosso grande amigo, realizador ucraniano – brasileiro Guto Pasko (director do filme documental Made in Ucrânia), neste momento está envolvido no novo projecto chamado: Ivan, de Volta para o Passado.

O filme documental retrata a vida do ucraniano Iván Boiko, levado em 1942 pelos nazistas da sua aldeia natal no município de Berezhany (província de Ternopil), para os trabalhos forçados na Alemanha. E a sua emigração posterior no Brasil, onde Sr. Ivan se dedicou à produção de banduras, um instrumento musical ucraniano bastante original.Para poderem seguir a viagem da equipa do Guto Pasko pela Ucrânia, poderão aceder ao blogue Guto Pasko, onde além das histórias, também poderão ver as fotos da produção, acompanhar passo a passo o reencontro memorável de um ucraniano com a sua terra.

Visitar o blogue do Guto:
http://gutopasko.blogspot.com

quinta-feira, agosto 19, 2010

O meu 19 de Agosto de 1991

No dia 19 de agosto de 1991, em Moscovo ocorreu a tentativa de golpe do Estado comunista. Os acontecimentos daqueles dias vistos pelo jovem estudante ucraniano, que fazia os seus primeiros passos no jornalismo.

Era uma 2ª feira e eu, o estudante e jornalista – aprendiz, por razão que já não consigo recordar foi visitar a secção de registo de domicílio na fábrica onde trabalhava o meu pai.
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Naquela época, todo o cidadão soviético deveria viver registado em algum domicílio, ato comprovado pelo carimbo que o mesmo cidadão recebia no seu passaporte interno (o Cartão do Cidadão/Cartão/Bilhete de Identidade soviético, um livrinho A5 de papel com várias páginas, onde as autoridades controladores registavam o seu estado civil, registo domiciliar e até o grupo de sangue, embora este último apenas ao pedido do seu portador).

E lá, na secção do registo, ouvi na rádio a notícia, que já tinha ouvido de alguém, naquela mesma manha, mas em cuja veracidade não queria acreditar. Mikhail Gorbachev (o presidente auto-proclamado da URSS, pois não foi votado em escrutínio popular), retirou-se para a Crimeia por questões da saúde (qualquer cidadão soviético percebia que homem foi detido) e todo o poder na URSS passava para as mãos da junta político – militar, que tinha um nome complexo de pronunciar: Comité Estatal de Situação de Emergência, ou GKChP.

O meu primeiro pensamento foi algo do gênero: “Meu Deus, a minha vida acabou, a Perestroica acabou, o meu país (ainda sentia a URSS como o seu) irá viver uma terrível ditadura comunista”. Agora, olhando para trás, entendo claramente que o poder soviético (acredito que foi com o total aval de Gorbachev), preparava a opinião pública para a necessidade de “aperto de parafusos”. Desde o Referendo Soviético de 1991 a imprensa soviética estatal assustava quase diariamente os “pequenos – burgueses” soviéticos com as informações sobre o “crescimento do nacionalismo” nos Estados Bálticos, Geórgia, Moldova e Ucrânia. A TV central mostrava as imagens de alimentos racionalizados (açúcar, sabão, cigarros), mas também de ovos, frangos, carne, “achados” nas lixeiras municipais. Dava-se entender que a URSS estava à beira de colapso e que apenas boa velha ordem conseguirá nós salvar “deles”, quem eram “eles” não se dizia, mas no entender da propaganda pró – soviética não era a gente boa.

Deixei tudo por trás e imediatamente foi para a praça central de Kyiv (o atual Maydan, a Praça de Independência), que ainda tinha o nome de, Revolução de Outubro e era vigiada pela enorme estátua de Lenine de granito, cercado pelo marinheiro, soldado – camponês e uma operária de bronze, de cima de uma colina subjacente.

A praça era conhecida na época de 1987-1991 como Hyde Park de Kyiv, servia de espaço de liberdade onde eram vendidos revistas e jornais independentes: liberais ou democratas moscovitas, imprensa democrata ou nacionalista ucraniana de Kyiv, Kharkiv ou Lviv.

Naquele dia na praça eram distribuídas os panfletos vindos da Rússia, assinados pelas pessoas próximas do Bóris Yeltsin, que exortavam os cidadãos a não aceitarem a autoridade da junta militar. No mesmo dia, mas a tarde, apareceram os primeiros panfletos ucranianos, da autoria da plataforma política nacionalista Assembleia Inter-Partidária Ucraniana (UMA) e do Movimento Popular da Ucrânia (Rukh). O Governo comunista da Ucrânia Soviética manifesta-se bastante tardiamente no sentido do que os decretos da junta não tem a força jurídica na Ucrânia, pedindo os cidadãos para “não agravar a situação social e política da República, evitar o confronto e conflitos”. Discursando na tarde do dia 19, o chefe do parlamento, comunista e futuro 1º Presidente da Ucrânia independente, Leonid Kravchuk exortava a população ucraniana manter a “paz e tranquilidade”, para não dar motivos de instalar na República o estado de emergência.

Naquele mesma tarde do dia 19 escrevi uma pequena reportagem sobre os acontecimentos na praça, mas o pessoal do jornal onde habitualmente publicava as minhas primeiras notícias disse que sou um jovem bom e corajoso, mas nada disso poderia ser publicado por causa da censura política restabelecida pela junta militar.

Assim dirigi-me para casa, chegando exatamente para assistir ao meio a famosa entrevista em direto com a liderança da junta, mais tarde apelidada de Bando dos Oito. O chefe nominal da junta, o vice – presidente soviético Gennady Yanayev tinha mãos tremidas, por vezes respondia as perguntas dos jornalistas balbuciando frases sem nenhum nexo. Todos os outros membros da junta pareciam muito nervosos, o que obviamente foi lhes fatal, os telespectadores percebiam que algo não batia certo:


Cerca de 100.000 moscovitas saíram às ruas para defender o edifício do Governo russo; a “Casa Branca” foi cercada pelas barricadas improvisadas, as pessoas usavam para isso todo o tipo de material de construção que conseguiam achar, incluindo vários carros eléctricos e viaturas de limpeza municipal.
Boris Yeltsin se dirige à multidão em Moscovo, já após a vitória, 22 de agosto de 1991
A Centena Ucraniana bem organizada, empenhando as bandeiras da Ucrânia participou na defesa da Casa Branca, assegurando a defesa da parte sudoeste do edifício. Entre as três pessoas que morreram no dia 21 de Agosto, quando a Divisão Motorizada da Infantaria Tamanskaya começou o ataque contra a Casa Branca, foi ucraniano Ilya Krichevskiy (foto no meio), sepultado mais tarde envolto na bandeira ucraniana. Ele e mais dois companheiros mortos durante o golpe de Estado receberam a título póstumo os títulos dos Heróis da União Soviética (últimos cidadãos condecorados com este título soviético).


O que aconteceu depois é do domínio público: uma parte do exército passou para o lado do governo federativo russo, os líderes da junta foram presos, um deles suicidou-se conjuntamente com a esposa. No dia 24 de agosto Ucrânia proclamou a sua Independência, seguida pela Moldova (27 de agosto), no dia 6 de setembro a URSS reconheceu as independências da Letônia, Lituânia e Estônia. A desintegração da URSS era apenas a questão de dias.

Outra vez, olhando para trás, acho que o maior erro e a tragédia da jovem – democracia russa, foi a incapacidade dos seus líderes de revogar para sempre o chauvinismo imperial russo. A tentativa de usar o nacionalismo russo para amedrontar e controlar os Estados vizinhos foi mais forte do que a luta e o sofrimento conjunto, que os dois povos sentiram durante 74 anos da ditadura bolchevique, que terminou exatamente em agosto de 1991.

No dia 24 de agosto de 1991 estive com milhares de outros ucranianos no “cerco” pacífico do edifício da Rada Suprema (Parlamento ucraniano), tendo a vontade firme permanecer lá até que a Independência seja proclamada. Mas é uma outra história.

Fotos de Agosto de 1991: http://public.fotki.com/Ed-Glezin/c4c5/page3.html

Moscovo, golpe comunista na noite de 19 para 20 de Agosto de 1991 (vídeo):

terça-feira, agosto 17, 2010

Curso de Ucraniano do CELIN (UFPR)

Arrancou no dia 16 de Agosto o novo curso de Língua Ucraniana, dado em Paraná pela primeira vez em 1985, contribuindo desde ai para a manutenção do idioma e para a divulgação da cultura ucraniana no Brasil.

Curso de Língua Ucraniana
Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná
Ofertas para o Segundo Semestre de 2010
Turmas de 60 Horas – início em 16 de Agosoto

Língua Ucraniana 2 - 2as/4as – 18:30/20:20 / Paulina Tchaika Milus
Língua Ucraniana 4 - 3as/5as – 18:30/20:20 / Paulina Tchaika Milus
Língua Ucraniana 5 - 2as/4as – 18:30/20:20 / Olga Nadia Kalko
Língua Ucraniana 7 - 3as/5as – 18:30/20:20 / Olga Nadia Kalko

Para informações sobre inscrições aceder: http://www.celin.ufpr.br/

Profª. Paulina Tchaika Milus: 3262-4094 / e-mail: nicolas_milus arroba yahoo ponto com
Profª. Olga Nadia Kalko: 3335-7963 / e-mail: kalko arroba uol ponto com ponto br

segunda-feira, agosto 16, 2010

Iván – de Volta para o Passado

O realizador ucraniano – brasileiro Guto Pasko (Made in Ucrânia) está engajado no novo projecto: o filme documentário sobre a vida do imigrante ucraniano Iván Bojko, levado em 1942 pelos nazistas da sua aldeia natal no município de Berezhany (província de Ternopil) para os trabalhos forçados na Alemanha.

A diversidade étnica é uma das marcas do Paraná, que abriga colónias e comunidades de diversas culturas, entre elas estão os ucranianos. A imigração ucraniana no Brasil começou no final do século XIX e teve três grandes levas até 1952. Calcula-se que o grupo étnico ucraniano e seus descendentes no Brasil somam cerca de 400 mil pessoas, das quais 81% vivem no Paraná. Deste total, se estima que cerca de 100 mil se encontram na cidade de Curitiba, entre elas Iván Bojko.

Iván Bojko veio ao Brasil em 1948; como refugiado de 2ª guerra mundial e nunca mais voltou para a Ucrânia. Em 2010, ou seja, 78 anos depois, ele irá fazer uma viagem de volta ao passado, em retorno à sua terra natal. O filme tem patrocínio da PETROBRÁS Petróleo Brasileiro S.A., através do Programa Petrobrás Cultural.

Em 1942 Iván Boiko foi arrancado da Ucrânia e levado pelos nazistas para os trabalhos forçados na Alemanha, onde permaneceu até 1945. Com o fim da 2ª guerra mundial ele não quis regressar à Ucrânia porque os soviéticos dominaram o país, acusando de inimigos de povo e traidores todos os cidadãos da então União Soviética que estiveram trabalhando na Alemanha, mesmo que em circunstancias como as vividas por Iván Boiko. Se ele retornasse seria morto ou então se tivesse sorte, seria preso e enviado para os GULAGes da Sibéria.

Para Iván Boiko sobrou à alternativa de buscar refugio em outro País e ele escolheu o Brasil, mais especificamente, a cidade de Curitiba.

No Brasil Iván Boiko dedicou-se à fabricação e propagação de bandura – instrumento musical nacional dos ucranianos. Para Ivan Bojko fabricar a bandura significou se sentir mais próximo do seu país de origem, o qual foi obrigado a abandonar.

O maior sonho de Iván Boiko, qual ele está prestes a realizar, é viajar para a Ucrânia para reencontrar a única pessoa ainda viva da sua família: uma irmã que está com mais de 80 anos de idade e mora actualmente na região de Odessa, sul da Ucrânia. Desde que saiu de sua terra natal, levado pelos alemães, eles nunca mais se viram.

Ver as fotográficas de filmagens no Facebook:
http://www.facebook.com/home.php?#!/album.php?aid=2075025&id=1149204580