quarta-feira, dezembro 02, 2009

Lula na Ucrânia

O presidente brasileiro, Luiz Inácio “Lula” da Silva visitou hoje a Ucrânia, onde assinou o acordo sobre a eliminação de vistos e recebeu a ordem de Liberdade.

Os presidentes do Brasil e da Ucrânia, Lula da Silva e Viktor Yuschenko assinaram o acordo sobre a supressão de vistos de entrada entre os dois países. Além disso, foi assinado o acordo sobre a abertura de ligação aérea directa entre Kyiv e Brasília. A operação arrancará nos próximos 6 meses, com a frequência inicial de três voos por semana.

O Presidente ucraniano condecorou o Presidente do Brasil com a ordem de Liberdade (Decreto Presidencial 960/2009), pela “contribuição significativa no desenvolvimento da cooperação bilateral brasileira – ucraniana”.

Os dois presidentes também participaram no Fórum empresarial brasileiro – ucraniano (fabricação no Brasil a insulina usando as tecnologias ucranianas, aumento de capacidades brasileira de fabricar as fertilizantes químicas, a reconstrução do porto ucraniano de Odessa, para receber os minérios brasileiros, entre outros).

Lula da Silva e Viktor Yuschenko também prestaram a homenagem à memória das vítimas do Holodomor de 1932 – 1933. Os presidentes colocaram as velas simbólicas no Memorial das vítimas e visitaram o museu temático do Holodomor.

Fonte & vídeo:
http://korrespondent.net/video/ukraine/1023352
http://www.president.gov.ua/news/15927.html

Lisboa: centenas para lembrar Holodomor

No dia 29 de Novembro, centenas de ucranianos se juntaram em Lisboa e no Porto para recordar vítimas do Holodomor (a fome artificialmente provocada) na Ucrânia de 1932-1933.

Algumas centenas de pessoas juntaram-se este domingo no largo Martim Moniz, em Lisboa, para lembrar os 7,5 milhões de ucranianos vítimas do Holodomor, fome artificialmente provocada pelas autoridades comunistas entre 1932 e 1933.

O Holodomor ocorreu há 76 anos, quando o governo de Estaline decidiu aumentar a quota de fornecimento de cereais dos países da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

No caso da Ucrânia, o aumento imposto foi de 44 por cento, o que levou a que milhões de pessoas morressem à fome, estima-se que perto de um terço da população total. Várias gerações depois, as cicatrizes ainda não estão totalmente saradas e as vítimas foram recordadas numa cerimónia religiosa ao ar livre no largo Martim Moniz.

«Até agora nós sentimos os efeitos desta grande tragédia, porque uma geração de ucranianos não nasceu e isso foi provocado para que esquecessem a sua história, a sua língua», disse à Lusa Paulo Sadokha, o presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, entidade responsável pela cerimónia.

Paulo Sadokha afirmou que é importante que o mundo reconheça este episódio histórico como genocídio, mas deixou claro que não se trata de nenhuma vingança: «Esta tragédia como acto de genocídio não tem para nós a importância de uma vingança contra quem organizou este Holodomor, mas é para no futuro não acontecer mais este tipo de tragédias e para repor a nossa história

Presente na cerimónia, o embaixador da Ucrânia em Portugal também sublinhou que lembrar o que se passou não serve para «alimentar ódios ou rancores», mas antes para fazer «justiça histórica».

«Comemorando o Holodomor na Ucrânia, não queremos apresentar contas a ninguém porque o país onde aconteceu essa tragédia já não existe. Nós sabemos os nomes dos culpados, inclusive dos dirigentes ucranianos, mas o que queremos, sim, é justiça histórica», disse Rostyslav Tronenko.

Para o embaixador, trata-se de «lembrar as vítimas inocentes», para que «estas tragédias nunca mais se repitam em nenhum lugar do mundo». Rostyslav Tronenko entende que só depois de resolvido o passado se pode caminhar para o futuro.

«Sem a verdade sobre essa tragédia dita nas escolas, para as gerações actuais, que têm orgulho de ser ucranianos e têm orgulho de falar a sua língua, não podemos avançar para a frente. A verdade tem de ser dita», adiantou, sublinhando o simbolismo da cerimónia se realizar no primeiro domingo do Advento.

Depois da missa ao ar livre, as centenas de pessoas que estavam concentradas no largo Martim Moniz foram depois em cortejo pela avenida Almirante Reis até à igreja de rito bizantino, próxima da Praça do Chile.

Fonte:
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/holodomor-fome-ucrania-manifestacao-lisboa-tvi24/1106676-4071.html

Na cidade de Porto, a cerimónia em memória das vítimas do Holodomor teve o lugar no parque “Palácio de Cristal”. A cerimónia contou com o apoio do Consulado Geral da Ucrânia na cidade de Porto e terminou com uma liturgia fúnebre preferida por sacerdotes de diferentes confissões religiosas.

Ver as fotografias das cerimónias:
http://spilka.pt/index.php?option=com_phocagallery&view=category&id=7&Itemid=53&lang=pt
http://sobor.colocall.com/pt/gallery/291109

terça-feira, dezembro 01, 2009

Recordar a Talvisota

Talvisota, também conhecida como a Guerra de Inverno ou a Guerra soviético – finlandesa, começou com ataque da União Soviética contra a Finlândia em 30 de Novembro de 1939, três meses após o início da Segunda Guerra Mundial.

Como consequência, a União Soviética foi expulsa da Liga das Nações em 14 de Dezembro de 1939. Stalin tinha esperado conquistar todo o país até ao final de 1939, mas a resistência finlandesa frustrou as forças soviéticas, que eram em maior número (3 soviéticos para 1 finlandês). A Finlândia aguentou o conflito até 12 de Março de 1940, quando um tratado de paz foi assinado, cedendo 10% do território finlandês, e 20% da sua capacidade industrial, à União Soviética.

O resultado da guerra foi misto. Embora as forças soviéticas finalmente tinham conseguido atravessar a defesa finlandesa, nenhum lado, quer a União Soviética ou a Finlândia, emergiram do conflito vitorioso. As perdas soviéticas na frente de combate foram tremendas, e a posição internacional do país sofreu (a França deixou de vender o seu equipamento militar a URSS). As forças soviéticas também não alcançaram o seu objectivo primário de conquistar a Finlândia, instalando lá o governo comunista, mas anexaram uma a parcela de território ao longo do Lago Ladoga. Os finlandeses asseguraram a sua soberania e ganharam uma posição internacional considerável.

A Guerra de Inverno foi um desastre militar para a União Soviética: morreram 126.875 soldados soviéticos contra apenas 26.662 finlandeses. Vários imigrantes finlandeses nos Estados Unidos e no Canadá voltaram a casa, e vários voluntários (um deles que seria mais tarde o actor britânico Christopher Lee) viajaram para a Finlândia e se alistaram nas forças armadas finlandesas: 1.010 dinamarqueses, 895 noruegueses, 346 finlandeses expatriados e 210 voluntários de outras nacionalidades conseguiram chegar à Finlândia antes que a guerra terminasse.

Ver o trecho do filme "Talvisota" (1989) no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=G8c3oKunoVI

Aniversário do referendo da Independência

No dia 1 de Dezembro de 1991, os eleitores ucranianos votaram no referendo que perguntava: “Apoia o Acto de Declaração de Independência da Ucrânia?” O referendo pretendia confirmar a declaração de Independência ucraniana, proclamada pelo parlamento nacional no dia 24 de Agosto do mesmo ano.

Participaram no referendo 31,891,742 pessoas (84.18% dos eleitores inscritos), destes, 28,804,071 (ou 90.32%) votaram "Sim".

No mesmo dia, tiveram o lugar as eleições presidenciais, ganhos pelo Leonid Kravchuk, até a data, o chefe do parlamento ucraniano.

Já no dia 2 de Dezembro a Ucrânia foi reconhecida pelo Canadá e Polónia (República de Moçambique reconheceu a Independência ucraniana no dia 17 de Março de 1993, já no dia 19 de Novembro os países oficialmente iniciaram as relações diplomáticas bilaterais).

Ver as estatísticas de votação:
Ukrainian_independence_referendum,_1991

Obrigado pela informação & imagem ao esgalar-teren

segunda-feira, novembro 30, 2009

Andorra homenageia às vítimas do Holodomor

O Paramento do Principado de Andorra aprovou em 26 de Novembro a declaração em que se solidariza com o povo ucraniano e presta a homenagem às vidas dos milhões de ucranianos, que morreram durante o Holodomor de 1932 – 1933.

4- IMPULS I CONTROL DE L'ACCIÓ POLÍTICA DEL GOVERN
4.8 Propostes d'acord, propostes de resolució i mocions

Edicte

El síndic general comunica que el Consell General en la seva sessió del dia 26 de novembre del 2009, exercint les competències que li atribueix l’article 138 del Reglament del Consell General, ha aprovat el següent:

Acord relatiu al 75è aniversari de l’Holodomor de 1932-1933

En commemoració del 75è aniversari de la gran fam patida a Ucraïna els anys 1932 - 1933.
Recordant el compromís contret, el 3 de juliol 2008, amb l'aprovació en el si de l’Assemblea Parlamentària de l’Organització per a la Seguretat i la Cooperació a Europa, d'una Resolució sobre l’Holodomor.
Subratllant que la Constitució andorrana proclama com a un dels principis inspiradors de l'acció de l'Estat, la defensa dels drets humans i la dignitat de la persona.
Considerant la importància de la Declaració Universal dels Drets Humans, en tots els seus extrems.
Junta de Presidents del Consell General, reunida el 4 de novembre del 2009, ha acordat formular el següent:

Acord

El Consell General se solidaritza amb el poble ucraïnès, i ret homenatge a les vides de milions d’ucraïnesos que van trobar la mort durant l’Holodomor de 1932 i 1933.

Tot el que es fa públic per a general coneixement i efectes.
Casa de la Vall, 26 de novembre del 2009
Josep Dallerès Codina
Síndic General

Ler o texto integral do Acordo em catalão:
Butlletí del Consell General – núm. 38/2009 – Casa de la Vall, 27 de novembre del 2009
http://www.consellgeneral.ad/micg/webconsell.nsf/0/85cfa1066515e305c1257671002bace9/$FILE/Acord.pdf

Holodomor

por: Nuno Rogeiro *

Amanhã, as comunidades ucranianas de todo o Mundo lembram o Holodomor, ou "Grande Fome", de 1932-33. Trata-se, segundo uma vasta corrente de opinião, do primeiro genocídio praticado por um regime totalitário, durante o século XX. Muito antes do Holocausto, e a décadas de distância dos campos da morte dos Khmer Vermelhos, no Camboja. No início da URSS, a Ucrânia, segunda maior república, era considerada a chave para o sucesso da revolução bolchevique. Mas havia um problema grave para os comunistas, quer da persuasão leninista quer da subsequente facção "napoleónica", ou estalinismo.

É que a Ucrânia tinha alguma experiência de propriedade privada da terra. Oitenta e um por cento dos seus cidadãos eram camponeses, e destes muitos gozavam de prosperidade relativa.

Para a nova ordem moscovita, os ucranianos estavam "contaminados".

Contaminados por fidelidades à antiga ordem, por atitudes "burguesas" e "idealistas", por doutrinas contra-revolucionárias, por ligações aos exércitos reaccionários de "russos brancos", por simpatias ou infiltrações alemãs e polacas, e, claro, pela adesão ao "ópio das massas", a religião.

O "problema ucraniano" precisava de ser resolvido. De forma definitiva e exemplar.

"Resolver o problema" significava, claro, coagir, ou eliminar, a grande maioria. Os camponeses, que viviam, sobretudo, da produção e comercialização de cereais (a Ucrânia era o celeiro da URSS).

A vitimização dos agricultores não foi nem acidental, nem produto de circunstâncias naturais catastróficas, nem comparável a outras tragédias no quadro soviético da altura. Traduziu-se na colectivização dos antigos domínios dos "kulaks" (abastados) e "seredniaks" (remediados), os camponeses independentes que cresceram na antiga Ucrânia dos czares, e por todo o Império, a partir das reformas liberais de Piotr Arkadyevich Stolypin, em 1906.

As novas leis do visionário primeiro-ministro de Nicolau II permitiam ao trabalhador rural, até aí uma espécie de servo da gleba medieval, adquirir propriedade, em troco de trabalho. Em apenas seis anos, mais de 16% de antigos camponeses sem direitos, por todo o território imperial, passaram à condição de pequenos, médios e até grandes proprietários.

Na Ucrânia, a percentagem era ainda superior. O novo estado "federativo socialista" de Kiev tornara-se assim em perigoso bastião de livre iniciativa, numa URSS impaciente por instaurar a "ditadura do proletariado".

Onde Lenine hesitara, ou tentara adiar, ou minimizar, Estaline decidiu agir, sem rodeios. O extermínio dos "camponeses ricos" traduzia-se na colectivização de todas as explorações, na apropriação forçada de cereal, remetido para os planificadores (não panificadores) de Moscovo, e na deportação, para a Sibéria, de todos os resistentes.

Numa vaga de sofrimento sem par, as famílias agrárias foram desapossadas de tudo. Os seus numerosos membros (entre seis a 12 pessoas por proprietário), incluindo crianças de tenra idade, pairavam pelas cidades como mendigos cadavéricos, que morriam nas ruas, às centenas. Aldeias e vilas foram riscadas do mapa.

Há uma estimativa de sete milhões de mortos.

Este martírio não entrou nas primeiras páginas dos jornais, durante muito tempo. Por isso deve ser duplamente lembrado.

É um exemplo das experiências alucinadas de tiranias supostamente "racionais", ou defensoras da "humanidade".

Em boa verdade, todos os carniceiros se disfarçaram de cordeiros.

* Nuno Rogeiro é um jornalista e comentador político de prestígio em Portugal, um dos co-apresentadores do programa Sociedade das Nações na SIC.

Fonte:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1431618

A imagem do Holodomor é de responsabilidade deste blogue.

domingo, novembro 29, 2009

Ucranianos lembram o Holodomor

A Capelania Ucraniana de Rito Bizantino em Portugal promove a realização, no dia 29 de Novembro, um memorial religioso que visa prestar homenagem a todos os nossos compatriotas que pereceram na Holodomor, a Grande Fome ucraniana de 1932-1933.

A iniciativa é de rezar pelas vítimas da Grande Fome que pereceram inocentemente às mãos dum regime injusto e totalitário”, refere o Pe. Ivan Hudz, coordenador da referida Capelania.
O objectivo é unir os cristãos de Portugal e da Ucrânia “numa justa homenagem não só a todas as vítimas dessa tragédia histórica, como também lembrar os que hoje ainda sofrem qualquer espécie de perseguição e carência”.

Estima-se que cerca de 7 milhões de ucranianos tenham morrido por ordem de Estaline, que desapossou as famílias agrárias. Aldeias e vilas foram riscadas do mapa.

O Pe. Hudz deixa o convite para que nas comunidades paroquiais das várias Dioceses do nosso país seja promovido “um breve momento de oração que reflicta o comum propósito das Igrejas de Portugal e da Ucrânia para estarmos unidos na denúncia das opressões e injustiças do nosso tempo e, assim, prestarmos homenagem a todas as vítimas que nelas perecem, as quais são simbolizadas, neste preciso dia, na tragédia da Grande Fome de 1932-1933”.

Vamos prestar homenagem aos ucranianos – uns só porque tinham terras que sabiam, com suor e dedicação, trabalhar e delas tirar o pão de cada dia. Quando temos entre nós uma grande comunidade de ucranianos, não deixaremos de, neste dia, que neste ano é Domingo, de nas nossas Eucaristias fazer um momento de oração por aqueles que morreram na Ucrânia na Grande Fome e por todos os que ainda hoje continuam a ser vítimas da injustiça e da violência.

Em 2008, 75.º aniversário da Holodomor, Bento XVI deixou votos de que “nunca mais ordenamento político algum possa, em nome de uma ideologia, negar os direitos da pessoa humana, a sua liberdade e dignidade”, garantindo a sua “oração por todas as vítimas inocentes daquela tragédia”.

Fonte & fotos:
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=76319

Ucrânia recorda o Holodomor (fotos):

Laskavo prosymo em Nuremberga

Recentemente os transportes públicos da cidade de Nuremberga (Alemanha) começaram a ostentar um autocolante, que saudava os seus utentes em várias línguas de mundo, inclusivamente em ucraniano e português.

Laskavo prosymo (Ласкаво просимо) e bem-vindos, diziam os autocarros aos seus utentes!

Fonte:
http://gajdamak.livejournal.com/32597.html

quinta-feira, novembro 26, 2009

Visão judaica do Holodomor ucraniano

O poeta e tradutor ucraniano de origem judaica, Moses Fishbein é uma voz irrequieta, que clama pelo reconhecimento do Holodomor como genocídio do povo ucraniano, mas também exige o julgamento daqueles que permitiram essa tragédia.

Intervenção do Moses Fishbein no encontro solene dedicado à memória das vítimas do Holodomor (Opera Nacional de Kyiv, 26.11.2006)

A nação ucraniana é assassinada e não morta, exterminada e inexterminável. Dos ucranianos tiraram a terra, a língua, a cultura, a história, o poder, até a própria vida. Exterminavam pela raiz a intelegentzia ucraniana, a elite ucraniana. Prendiam e fuzilavam. Exterminavam a fina-flor da nação ucraniana – os camponeses ucranianos. Matavam pela fome. Faziam o genocídio. Aqueles, que hoje tentam negar que o Holodomor dos anos 1932 – 1933 foi um genocídio da nação ucraniana, não temem e não conhecem o Deus. Eles conhecem e temem apenas o chefão e os assassinos. São criados. “Escravos, lambe botas, o lixo de Moscovo”. Eles não são ucranianos. Eles são diabritos com a aparência ucraniana. Eles são os descendentes dos assassinos do povo. Com aqueles que negam que o Holodomor era o genocídio devem falar não os publicistas, não os politólogos, não os políticos, mas os investigadores criminais ucranianos (chamo a atenção: os investigadores criminais ucranianos). Recentemente, o Presidente ucraniano da Ucrânia (chamo a atenção Presidente ucraniano da Ucrânia) fez alguns passos em direcção não das pessoas abstractas, mas à nação ucraniana, recentemente ele chamou em voz viva o Holodomor de genocídio, e os diabritos gritaram. “Não é precisa a palavra genocídio, podemos chamar de outra maneira”, gritou um. “Ele abre a ravina entre os povos eslavos!”, gritou outro. A ravina foi aberta no ano de 1933. Uma ravina enorme. Uma enorme campa ucraniana. Nela se deitaram não as dezenas, não as centenas, não os milhares, não as centenas de milhar – milhões de camponeses ucranianos: as crianças, as mulheres, os homens… E não tinham nenhuma ajuda. Não havia junto a eles os Justos entre as Nações.

Senhores, vocês sabem como morria, como agonizava de fome a aldeia ucraniana no centro da Europa? Primeiro comiam as cascas de batata. Depois as bolotas. Depois as gomas. Depois as raízes e as folhas. Comiam os cães, gatos, pardais, vermes, as peles, as solas de sapatos. Depois a aldeia se transformou em um deserto. As crianças gritavam a noite, pediam às mães o pãozinho. As mães não tinham o pãozinho. Depois as vozes de crianças já não se ouviam. Depois a aldeia começava uivar piedosamente. Depois gemia baixinho. Depois se calou e se transformou no cemitério. Mas o país tinha o pão. Isso era o assassínio do povo. Isso era o genocídio.

Eu conheço o Holodomor não dos historiadores, não dos publicistas, não dos escritores. Eu sei sobre o Holodomor da minha mãe. A minha mãe, Sara Aronivna Matusovska, em 1932 – 1933 era a professora de língua e literatura ucraniana na aldeia de Horozhene, na província de Mykolaiv. Ela foi sobrecarregada com as aulas extra de canto. As crianças ficavam encharcadas de fome. Adormeciam nas aulas. Acontecia, que nem acordavam. Mas no programa escolar estão as canções. Canções! Na primavera começaram comer o capim. Iam aos cemitérios, nos cemitérios sempre havia um capim farto. Um rapaz vizinho saiu de casa. Com muita dificuldade rastejou até o cemitério. Sem forças, caiu no capim. Mãe espera – não vem. Começou a procurar. Encontrou-o. De repente, viu que alguém é sepultado. Aproxima o rapaz, o puxa pela mão.

— Filhinho, lá sepultam alguém. Já está pronta a campa. Vamos, eu te lá coloco. De qualquer maneira, você não sobreviverá. Eu vou morrer brevemente, quem o sepultará?..

À muito custo as pessoas defenderam o menino. Em alguns dias morreram, a mãe e o rapaz. As pessoas os sepultaram.

Quantas são, estas trágicas campas sem o nome na Ucrânia? Esquecidas. Inesquecíveis. Quando serão julgados os carrascos? Quando? Eu espero.

Glória eterna aos assassinados.

Fonte: olena-nekora.livejournal.com/61513.html

Todos contra Putin!

Hoje, em simultâneo, em 15 países do mundo, começou a acção “Todos contra Putin”.

A acção de protesto pacífica foi organizada pela diáspora georgiana às 17h00 (hora de Tbilissi) e têm as acções programadas na Alemanha, Bélgica, Chipre, Estónia, EUA, Grécia, França, Israel, Holanda, Polónia, Letónia, Lituânia, Ucrânia, entre outros.

A acção foi desencadeada após o recente assassinato do cidadão georgiano em Moscovo, além de continuação de rapto de jovens georgianos menores de idade pelas forças separatistas da Ossétia do Sul.

Fonte & Foto: