segunda-feira, abril 27, 2009

Chornobyl – 23 anos depois...

Dia 26 de Abril de 2009; passam 23 anos após o acidente na estação nuclear do Chornobyl. Lembro que alguns dias após o acidente, as aulas foram interrompidos na escola e nós disseram: “houve acidente nuclear, vão para casa, fecham as janelas”.

E assim foi para casa, no estádio da minha escola via os miúdos a jogarem futebol, digo-lhes que devem ir para casa, pois houve um acidente. Eles se riam, é pá, já sabemos disso há muito tempo.

Em casa fecho as janelas, mas o pai diz que não me devo preocupar, pois a nuvem radioactiva toda ela já foi para a Finlândia. Na escola todos os dias desaparecem as crianças, são pais com um certo poder económico mandam os filhos fora da Ucrânia. Quando ficamos uns cinco alunos, toda a escola é evacuada para a Crimeia. Fico lá 45 dias, depois vou visitar os familiares do meu pai na Rússia, lá pela primeira vez vejo a maneira chauvinista de como os russos tratam os ucranianos. Chamam me os nomes (por causa da pronúncia), eu nem me considerava ucraniano na altura, coisas da vida...

No dia 1 de Maio de 1986 em Kyiv é organizada a “Corrida da paz” de ciclismo, várias delegações ocidentais e até algumas socialistas recusam-se visitar a Ucrânia. Jornal “Pravda” soviético fala sobre a “descarada propaganda anti – soviética”. Os futebolistas do Dynamo Kyiv que jogam na Franca são bombardeados pelas perguntas dos jornalistas e também mostram que são bons cidadãos soviéticos, não dizem nada... A imprensa ocidental também exagera, se conta que alguns rádios relatam “centenas” de mortes nas ruas. Isso não aconteceu, morreram mais tarde largos milhares de pessoas, mas nas suas próprias casas, nos hospitais, por causa dos cancros (subiram em flecha), outras doenças crónicas, que tiveram o desenvolvimento rápido. “Pravda” também diz que radiação em doses pequenas até é benéfica (Sic!).

No Outono de 1986 os miúdos apanhavam os cogumelos e a fruta nos bosques, mas os graúdos já proibiam de queimar as folhas secas que caiam das arvores, pois fogo libertava os isótopos radioactivos, como chumbo 238, césio, estrôncio, etc. Na escola somos obrigados a trazer um par de sapatos, que devemos usar no edifício escolar, costumo esquecer estes sapatos em casa. A ginástica (uma herança soviética estúpida, que me enervava), e que era obrigatória antes do início das aulas é suprimida. Um grande alívio meu e da direcção da escola, pois alunas (principalmente elas), costumam a desmaiar...

As pessoas dizem que é preciso beber vinho tinto, o tinto retira a radiação do corpo, tinto desaparece das lojas, mas que tinto é este, a zurrapa barata, o vinho de verdade só bebe a elite soviética.

Aparecem os versos semi – clandestinos, do tipo “ucranianos é uma nação orgulhosa, vimos essa radiação no cu”, “esqueci em casa as cuecas de chumbo”, etc.

Dos bombeiros que apagavam as chamas radioactivas em Chornobyl sobreviveu uma única pessoa, mesma sorte tiveram os pilotos de helicópteros que sobrevoavam o Chornobyl e as pessoas que atiravam no inferno radioactivo os sacos com arreia e chumbo. Glória para as suas almas, é difícil escrever estas linhas, porra estou a chorar, 23 anos parece que foi ontem...

A maioria dos ucranianos encontrou uma solução simples na resolução da tragédia do Chornobyl, criaram um muro de separação e indiferença, não saber, nem querer saber. Os especialistas dizem que nós apenas sabemos cerca de 60% daquilo que se passa no interior do 4° bloco energético. Radiação atingiu quase toda a Ucrânia (e metade da Europa) com as manchas desiguais, uma mancha nas arredores do Chornobyl pode ser inofensiva e no centro de Kyiv bastante alarmante. Mas ninguém quer andar com o medidor da radiação portátil no bolso. Assim é muito mais tranquilo.

O jornal on-line Pravda Ucraniana escreve que o termo do uso seguro do sarcófago que cobriu o Chornobyl terminará em apenas 7 anos, em 2016. E que a reacção nuclear auto – sustentada poderá ter lugar em qualquer momento, nem que seja agora mesmo. Embora ainda não aconteceu por alguma razão...

Existe o plano de criar até o ano de 2012 o “Sarcófago-2”, a estrutura nova e moderna que cobrirá o sarcófago inicial e que garantirá a sua segurança nos próximos 100 anos. Mas o jornal “Ukrayina Moloda”, escreve que até agora nada foi feito, apenas o projecto final será concluído no fim do 2009. E não será possível concluir a obra daquela envergadura até 2012, ao mesmo tempo que os estádios ucranianos do Euro 2012, que já estão a ser construídos...

A página da empresa estatal ucraniana ChAES (que gere o Chornobyl) informa que o nível médio da radioactividade na zona do Chornobyl é o seguinte: junto ao edifício administrativo № 1 – 0,68 m/Sievert por ano, na praceta de observação em frente do Sarcófago – até 6,53 m/Sievert / ano, em zona local do Sarcófago até 40 m/Sievert / ano.
(Só para comparar, a radicação solar que a pessoa recebe por ano, em média é de 2,4 m/Sievert / ano, no entanto, se o corpo humano for exposto a radiação momentânea, então apenas 1 m/Sievert provoca as mudanças no sangue, 2 – 5 provoca queda do cabelo e leucemia, 3 m/Sievert significa a morte no período de 30 dias em 50% dos casos registados).

A empresa estatal também disponibiliza o número do telefone, que as pessoas podem usar, para obter a informação mais fresca sobre a situação no Chornobyl, este número é +380 44 79 2-58-24

Proponho dois vídeos que o blogueiro ucraniano ledilid fez ao bordo do helicóptero do Ministério das Situações de Emergência da Ucrânia, filmando a estação e a cidade do Chornobyl.

Ver vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=UgG0-w1gEnU
http://www.youtube.com/watch?v=MFbtzRbyz2I

Fonte & fotos:
http://ledilid.livejournal.com/374355.html

domingo, abril 26, 2009

Brasil reflecte a obra do Gogol

A Universidade de Brasília e a Embaixada da Ucrânia organizaram o evento “200 anos de nascimento do escritor Nikolai Gógol – obras e reflexões”, que foi realizado no dia 24 de Abril de 2009 em Brasília.

No evento estiveram presentes o Vice – Reitor da Universidade de Brasília, Professor João Batista de Sousa, o Embaixador da Ucrânia no Brasil Volodymyr Lákomov, o Professor de Teoria da Literatura da Universidade de Brasília Dr. Henryk Siewierski, entre outros.

Eis a palavra do Embaixador da Ucrânia no Brasil, Volodymyr Lákomov:

Prezados Senhores, Amigos,

Hoje comemoramos 200 anos do nascimento de Mykola Gogol (Hóholh), um grande escritor russo e ucraniano. Comemora a Ucrânia, comemora a Rússia, sob a égide da UNESCO celebra a Humanidade.

Também há actividades na terra natal do escritor, na Poltava, na terra antiga e muito especial. Lá foi se desenvolveu a história do povo ucraniano, crescia vitoriosamente o espírito cossaco, se forjava a dignidade ucraniana e se formava a tradição nacional.
Nascido como o ucraniano, Mykola Hóholh ficou conhecido mundialmente como o clássico russo. Hóholh escreveu em russo, mas pelo seu pensamento e sentimentos foi ucraniano. Acho um pouco ridículas todas as disputas sobre a quem pertence Hóholh hoje. Ele, sem dúvida, pertence à Ucrânia. Mas o seu trabalho, claro, pertence aos mais altos valores da cultura humana, e a cultura russa. Ele é o grande ucraniano, mas o seu trabalho realmente não conhece fronteiras e barreiras linguísticas.
Através das obras do Hóholh o mundo já quase 200 anos sabe o nosso país, as nossas tradições, espiritualidade, identidade e a alma dos ucranianos. Ao mesmo tempo ele abriu a Ucrânia não só para o mundo, mas antes o mundo para o povo da Ucrânia.
O Hóholh «obrigou os ucranianos a conhecer a sua nacionalidade», — afirmou Panteleimon Kulish, um dos clássicos da literatura ucraniana do século XIX. Mykola Hóholh ressuscitou na memória do povo cossaco a glória, o romantismo da Sich de Zaporizhzhya, a luta pela liberdade e a independência da Ucrânia. Uma imagem poderosa de Taras Bulba ficou para sempre como uma encarnação de heroísmo, coragem e sacrifício, um modelo de honra e valentia.
O Hóholh inspirou pelo amor à sua terra natal muitas gerações de escritores, compositores, cientistas, artistas, figuras públicas, pessoas honestas e sinceras. Seu trabalho hoje alimenta a cultura ucraniana, é a herança da humanidade.
A Ucrânia homenageia a memória de Mykola Hóholh.

O povo da Ucrânia será sempre grato a ele e se orgulhará dele como um dos queridos filhos.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Gabinete do Reitor
Assessoria de Assuntos Internacionais
Campus Universitário Darcy Ribeiro – Reitoria – Asa Norte – Brasília – DF CEP: 70910-900
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sexta-feira, abril 24, 2009

Pysanka do Gucci

A Páscoa recente troce várias recordações do artesanato ucraniano, nomeadamente os ovos da Páscoa – Pysanky. Desta vez, publico um artigo sobre a colecção da alta costura do Gucci, baseada na ornamentação da pysanka.

A colecção do Gucci de 2008 conjugava as visões de um renascimento do hippy – chique, a combinação de matérias têxteis populares, do artesanato trabalhado e das tapeçarias eslavas, que lembravam a Pysanka – os ovos de Páscoa ucranianos tradicionais, decoradas pelo método do batique. Os Hutsulos (um sub – grupo étnico ucraniano que vive nas montanhas Cárpatos na Ucrânia Ocidental) acreditam que o destino do mundo depende da Pysanka. Quando o costume de decoração dos ovos continuar, o mundo (e nós que vivemos nele) existirão. Uma comparação apropriada com aqueles que acreditam que enquanto Gucci continuar a produzir as colecções novas, o mundo da moda sempre terá a sua oportunidade da luta.

Estas Psyankas podem ser compradas ao criador Soloveiko

Fonte:
http://www.trenddelacreme.com/2008/12/pysanka-by-gucci.html

quarta-feira, abril 22, 2009

Mapa da Ucrânia de 1648

Ultimamente, costumo encontrar as opiniões da gente iletrada, que repetem sem pensar as máximas russas sobre a “inexistência” da Ucrânia, sobre a “oferta” da Crimeia pelo Krushev, etc. Mas gosto de contrapor com os documentos na mão, não aprecio a polémica meramente emocional.

Hoje, queria vós apresentar o legado histórico do engenheiro francês Guillaume le Vasseur de Beauplan, que trabalhou no Reino da Polónia entre 1630 e 1647. Ele construiu fortificações na Ucrânia, cuja maior parte estava, então, sob o controle polaco, participou de batalhas com os Cossacos e Tártaros e, em 1639, viajou de barco pelo rio Dnipro (Dniepre para os portugueses). Beauplan produziu dois importantes mapas da Ucrânia que se baseavam em suas próprias observações, além das medições minuciosas astronómicas e topográficas. O seu mapa de 1648, aqui mostrado, foi publicado na cidade polaca de Gdansk, e inclui informações detalhadas sobre as áreas fronteiriças, incluindo as rotas e fortalezas tártaras. O mapa está orientado para o sul (tem que ser vista pelo contrário), na parte superior, uma característica dos mapas militares de países expostos a ataques provenientes do sul. O mapa foi gravado por Willem Hondius, o mais jovem membro da distinta família de ilustradores flamengos. Em 1651, Beauplan também publicou, em francês, Description d'Ukranie (Descrição da Ucrânia), uma importante fonte primária de informações sobre a Ucrânia, no século XVII.

O título do mapa no idioma original, latim, era “Delineatio Generalis Camporum Desertorum vulgo Ukraina, cum Adjacentibus Provinciis”, o mapa se encontra guardado na Biblioteca do Congresso e pode ser consultado aqui: http://hdl.loc.gov/loc.wdl/dlc.79

terça-feira, abril 21, 2009

Ucrânia: não é brinquedo, não!

Este é um pequeno trecho do episódio da série televisiva humorística americana Seinfeld, chamado “The Label Maker”.

No trecho, os heróis da série, Kramer e Newman, estão entretidos com o jogo da estratégia chamado “Risk”(vejam lá o tamanho da Ucrânia, o nosso país tem lá o número 6), no metropolitano da Nova Iorque, pois não se confiam mutuamente, para deixar o jogo inacabado no serviço. Eles discutem as tácticas e Kramer começa a falar mal da Ucrânia. Conversa aborrecida, que cai mal no ouvido de um ucraniano, que está junto a porta da saída (imagem padrão do ucraniano ou europeu do Leste, visto pelo americano médio). Ele fica indignado e ordena Kramer a parar de dizer que a Ucrânia é fraca, Kramer pensa que a indiferença ocidental será a sua blindagem de salvação e de repente descobre que não, no mundo novo e inesperado, a Ucrânia tem os punhos. Além de sermos os campeões nos pesos pesados (irmãos Klitschko), nós, simples cidadãos, também temos a capacidade física e mental de ensinar uns chicos espertos a respeitar o nosso país.
Ucraniano nova-iorquino praticamente repete a frase da Dona Jura da novela brasileira “Clone”, que dizia “Não é brinquedo, não”, apenas em inglês, “Ukraine is game to you”!?
http://www.youtube.com/watch?v=fzLtF_PxbYw
Obrigado ao yanek-ua

segunda-feira, abril 20, 2009

Entrevista do Presidente da Ucrânia

Presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, concedeu a entrevista ao jornal russo «Kommersant – Ucrânia» (bureão de Kyiv), onde fala sobre a sua concordância em diminuir o prazo do seu mandato, o seu apoio a ideia das eleições presidenciais e parlamentares simultâneas e antecipadas. A entrevista é conduzida pelos jornalistas do “Kommersant”, Sergey Sidorenko e Vladimir Solovióv.

— Senhor Presidente, o Senhor anteriormente declarou em diversas ocasiões sobre a impossibilidade de realização das eleições parlamentares e presidenciais simultâneas antepassadas, e agora apoia esta ideia. O que mudou?
— As eleições antecipadas não são uma tragédia. Falei sobre este um ano e dois anos atrás, e agora, também, porque a Verkhovna Rada (Parlamento ucraniano) para nós é uma fonte constante de crise. Mas a realização das eleições parlamentares para mim não é um fim em si mesmo. Mais importante é evitar no novo Parlamento os erros antigos. Agora no Parlamento se trava a luta entre os dois grandes partidos. Um deles vai fazer todo para impedir o financiamento das eleições, porque está satisfeito com o sistema que já existe no parlamento — a ausência da maioria. Outra força política está consciente de que ela tem de três a quatro semanas para ganhar o poder legitimamente, através das eleições antecipadas. Dei um estímulo ao Parlamento para eleições antecipadas – concordei com as eleições presidenciais antecipadas. Mas pôs a condição de que as eleições parlamentares, terão se realizar com um princípio novo. Para isso, se podem diminuir os restantes meses do meu mandato como o chefe de Estado, porque tais eleições podem trazer para o Parlamento uma qualidade nova e estabilidade.

— Mesmo no final do ano passado, o Senhor reconheceu que não esperava a aumentar sua popularidade. Varias vezes aceitava o facto de que os temas defendidos pelo Senhor, incluindo o Holodomor e a OTAN, não adicionariam a sua popularidade dentro dos próximos anos. Nós citamos ao Senhor correctamente?
— Sim, absolutamente. Mas há coisas que estão fora das noções convencionais da política. Hoje, a nação precisa estadistas que vão dizer o que eu digo agora. Talvez as pessoas hoje não entendem. Talvez, mesmo após cinco anos eles não vão entender. Mas o tempo virá, e que eles voltem! Tenho uma lógica simples — para fazer do povo a Nação, deveríamos falar sobre a História. Devemos lembrar que temos uma língua materna, o hino nacional, que devemos respeitar e cantar, que devemos respeitar a nossa bandeira. Pelo menos uma pessoa no país deve falar sobre isso, gostem outros ou não gostem. Digo isto como Presidente. E vocês me propõem que eu diga ao povo coisas doces que irão aumentar minha classificação.

— Está com medo de que com a chegada de um outro presidente irá se reverter a democratização da sociedade?
— Isso não é um problema meu. Este é o seu problema! O problema de você e do resto dos 47 milhões de ucranianos. Sinto muito que o trato por "você" só quero que me entende cada pessoa que vai ler essa entrevista. Se você acredita que existe um modelo melhor — por favor. Eu já me sacrifique suficiente para atingir os valores em que eu acredito! Já quatro anos falava sobre estes valores e vou falar o quinto ano também. Se Deus quiser vou falar no sexto, e no sétimo, no décimo. Eu não tenho a tarefa de agradar a Nação. Pense, eu tenho 55 anos, era o chefe do Banco Central, foi o Primeiro-Ministro. Tenho alguns princípios com que vou morrer. Independentemente de saber se o povo vai me entender ou não, vou falar de gerações de ucranianos torturados, atormentados. Neste é a missão do Presidente da Ucrânia. Vocês sabem, eu nunca tinha sido e não vou ser o “hohol”, nunca foi e nunca vou ser o “maloros” (palavras pejorativas que os russos usam para humilhar os ucranianos). Se precisar tomar uma segunda dose de dioxinas, vou fazê-lo, não me importo. Eu tenho cinco filhos, e quero ter a oportunidade de dizer lhes "Eu entrego a vocês a Ucrânia melhor do que eu recebi".

— Durante o tempo da sua cadência, Kyiv e Moscovo ainda não construíram bons relacionamentos políticos. O Senhor não podia fazê-lo, nem com Vladimir Putin, nem com Dmitry Medvedev. O que impediu?
— A Rússia é um grande país que pode e deve ser ter a liderança em muitas questões geopolíticas. Naturalmente, ela tem uma visão da política externa. Em Moscovo dizem que a Ucrânia é uma zona de especial interesse da Rússia. Mas, na Ucrânia essa terminologia não é compreendida. Quanto às nossas relações bilaterais, lhes falta o pragmatismo. Constatamos uma politização profunda. Acredito que de melhor maneira as relações se reforçam através dos laços económicos e comerciais. O dever dos políticos dos dois estados é fazer que as empresas possam comunicar-se livremente. Ainda em 1993, para reforçar as relações económicas, foi assinado o acordo sobre a uma zona de comércio livre. Hoje é 2009, passou 16 anos. A Ucrânia ratificou o documento logo após a assinatura. A Rússia ainda não tenha feito isso.

— O seu desejo alistar-se à OTAN, que a sociedade recebe sem entusiasmo, também provoca irritação de Moscovo. Qual é essa necessidade?
— Este é o princípio. Precisamos entender como é importante o papel da segurança na construção de um estado independente. Ao longo dos últimos 90 anos, os ucranianos proclamaram a independência do seu estado seis vezes. Pensem bem, seis vezes — nenhuma nação na Europa tem essa experiência!

— O Senhor acredita que, ficando fora da NATO, a Ucrânia pode perder a independência?
— Eu quero que vocês entendam o meu raciocínio. Das seis tentativas para a independência da Ucrânia, cinco falharam. Normalmente, este se deveu os factores externos. Claro que, ajudou muito a quinta coluna no país. Então, não quero, que nós perdemos a independência a sexta vez. Olhe para a Europa. Nenhum país na Europa, excluindo a Rússia, vá pelo caminho de política de auto-segurança. Todos entenderam, que a única forma de garantir sua própria segurança é a participação em um modelo de segurança colectiva. Outro modelo não é considerado nem na Áustria ou nos países nórdicos ou na Suíça. Existem diferenças nos pormenores – porque um país se aderiu formalmente ao bloco, enquanto outras não. Mas isto não significa que esses países estão contra o modelo de segurança colectiva! De um ou outro modo, todos eles estão sob a protecção do sistema. Agora tomamos um exemplo das últimas páginas da Historia, olhemos aos países do Leste da Europa desde os países Bálticos com os quais em conjunto construímos o socialismo desenvolvido. Ao declarar a independência, o primeiro passo que eles fizeram, estava ligado com o sistema de segurança colectiva.

Fonte:
"Kommersant – Ucrânia" № 66 de 15/04/2009

Tradução integral da Embaixada da Ucrânia no Brasil & correcção JNW:
http://www.ucrania.org.br/asp10/artigos/artigos_view2.asp?cod=192

Páscoa Ucraniana Feliz!

Hhrystos Voskres! (Cristo Ressuscitou)! Voїstynu Voskres! (Realmente Ressuscitou)!

Hoje é o dia da Páscoa (na Ucrânia chamada do Velekden – O Grande Dia) dos cristãos que seguem o calendário Gregoriano.
Na Ucrânia as pessoas fazem as páscoas (bolo da Páscoa), que juntamente com os ovos pintados (pysanky) é lavado para a igreja para ser benzido. Poderá ler mais sobre outras tradições ucranianos aqui. As músicas tradicionais ucranianas da Páscoa podem ser ouvidas na rádio Nash Holos.
Também queríamos partilhar convosco um vídeo sobre a preparação dos ovos pintados ucranianos – pysanky, explicando como estes são feitas, além do significado dos seus desenhos Cristãos e pré – Cristãos.

http://www.youtube.com/watch?v=eJJ2ZvcQZ70

Leia também o artigo “Pysanka do Gucci”:
http://www.trenddelacreme.com/2008/12/pysanka-by-gucci.html

Fonte:
http://nashholos.blogspot.com

quinta-feira, abril 16, 2009

Semi – final ucraniana da UEFA

Obtendo a inequívoca vitória de 3:0 sobre o Paris SG, após conseguir 0:0 na Franca, o FC Dynamo Kyiv carimbou o passaporte para a Semifinal da Taça UEFA, onde jogará com outra equipa ucranianaFC Shakhtar Donetsk.

Os planos napoleónicos dos franceses de ganhar em Kyiv, foram contrariados pelo africano Bangoura, que além de marcar o primeiro golo ao minuto 4, obrigou o guarda – redes francês a cometer o auto – golo no minuto 15. Mais tarde veio o golpe de mestre do Vukojević (minuto 61) e a questão do vencedor do jogo foi fechada.

No outro jogo, o FC Shakhtar eliminou o Olympique de Marseille, ganhando por 1:2, sem que para isso precisou de suar muito. Os comentadores da bancada dizem que o jogo não foi muito bonito, eu digo que prefiro ver a minha equipa jogar menos e ganhar, do que ver ela jogar maravilhosamente e perder. Pois só os vencedores ficam na história...

Golo do Ismael Bangoura , 4'
http://www.youtube.com/watch?v=2rBOyayMl2A

Auto golo do Landreau, 15'
http://www.youtube.com/watch?v=-bWGDbbaYww

Golo do croata Ognjen Vukojević, 61'
http://www.youtube.com/watch?v=CgkCXAv4g4g

Comprar a camisa oficial do Shakhtar (Código do produto 119816815), cerca de 40 USD:
https://shop.shakhtar.com/en/items/products/detg/?idg=265

Makhno – Che ucraniano!

Nestor Makhno poderá se tornar hoje a ícone para a esquerda europeia esclarecida, que sempre tem o bom gosto em ser diferente, por exemplo deixando a adoração do Che aos simplórios do povo inculto.

Nascido em 1888 e falecido em 1934, Makhno era o líder anarco – comunista ucraniano, guerrilheiro popular que lutou contra à invasão bolchevique da Ucrânia em 1917 – 1920, uma das figuras principais da Revolução Ucraniana.

Ele fundou o Exército Insurgente Makhnovista de princípios anarquistas que combateu as forças pró – monárquicas russas que tentavam invadir a Ucrânia durante a vigência da República Popular Ucraniana, mais tarde tendo se aliado ao exército bolchevique. Após a conclusão da ocupação bolchevique da Ucrânia, o exército mahnovista foi declarado ilegal e seus membros foram presos, deportados e executados. Makhno conseguiu fugir para a Roménia com um pequeno grupo de militantes, mais tarde se exilou na França, onde viveu até sua morte. Durante seu exílio em Paris, Makhnó manteve contacto com outros anarquistas famosos, entre os quais Alexander Berkman e Buenaventura Durruti.

A sua obra teórica principal é a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, publicada em 1926. A obra sugere a formação de uma “União Geral dos Anarquistas”, que seria baseada em quatro princípios: unidade teórica, unidade táctica, responsabilidade colectiva e federalismo.

Prontos, é a total história da Europa Central e do Leste... Mas a globalização não dorme, camaradas, e por isso os anarquistas espanhóis começaram a se interessar pelo Makhno. Pelo menos em Madrid, junto ao metro Tirso de Molina, onde aos domingos se abre o mercado de pulgas das “esquerdas”, usado pelos punks, anis – sistema e outros anarquistas para venderem a literatura, bandeiras, insígnias, música das suas queridas causas libertárias. Obviamente, lá também aparecem os skins, simples malandros, etc.

O velho anarquista Luis (proprietário da livraria Durruti), conhecedor do Makhno e da Ucrânia, diz que já vendeu a insígnia do Makhno à meia – dúzia de ucranianos. Após o meu pedido, o blogueiro Zoin, ucraniano radicado em Madrid enviou para o Moçambique um dos exemplares da criatividade hispano – ucraniana. Assim, pouco a pouco, poderemos substituir o já aborrecedor Che por um figura nova, mítica e prometedora – Nestor Makhno, lendário comandante do Exército Insurgente Makhnovista (da Ucrânia, claro).

Obrigado ao Zoin

terça-feira, abril 14, 2009

Arte ucraniana na Austrália

No dia 12 de Abril de 2009, no Centro dos Escuteiros Ucranianos (PLAST) na cidade de Lidcombe (Austrália, estado Novo Gales do Sul), foi inaugurada a exposição organizada pela Sociedade Artística Ucraniana da Austrália. A exposição celebrava o 40° aniversário da Sociedade, pagando o tributo a todos os seus membros, actuais e já falecidos.

A exposição foi oficialmente inaugurada pela Sra. Barbara Perry, a Ministra do Governo Local e Vice – Ministra da Saúde, que sublinhou a importância de manter as tradições vivas e congratulou a Sociedade no seu papel da promoção da cultura ucraniana na Austrália.

Na exposição foram demonstrados os trabalhos dos vários artistas ucranianos, entre eles Volodymyr Savchak, Eugenia Koziolkowskyj, Aleksander Chybatyj, Michael Kmit, Stefan Chwyla, Svitlana Voronyuk, Natalia Balo e Valentin Varetsa.

O Secretário da Sociedade, Petro Kravchenko, também leu as cartas de agradecimento e encorajamento recebidas das instituições públicas e governamentais da Ucrânia, da Academia das Belas Artes, da Associação Ucraniana dos Artistas, do Embaixador da Ucrânia na Austrália Sr. Valentyn Adomaytis, da Escola das Línguas, Culturas e Linguística da Universidade do Monash (Austrália), entre outros.

Ver as fotografias & ler mais em ucraniano e inglês:
Commemorating_our_art_pioneers_in_AUSTRALIA

Ilustração: Prato pintado, autora Irena Madei, “O Cossaco”