sexta-feira, janeiro 23, 2009

Agentes secretos soviéticos em África (Quénia)

No artigo publicado no semanário ucranianoDzerkalo Tyzhnia”, se conta a história de dois agentes secretos soviéticos na clandestinidade, ambos naturais de Kyiv (Ucrânia), major Boris Beym (“Fram”) e a sua esposa, agente do KGB, Olena/Yelena Beym (“Victoria”).

Segundo o jornal, eles eram proprietários do salão de beleza “Helena” algures em África, num país indicado no artigo como a “Naizânia” na cidade de “Daytown” (na realidade cidade de Nairobi em Quênia).

por: Oleksander Skrypnyk (serviço de imprensa do Serviço da Inteligência Externa da Ucrânia).

Os agentes secretos na clandestinidade são a nata dos serviços secretos de qualquer país. E como tal, são um tema quase tabu para a imprensa. As chefias do Serviço da Inteligência Externa da Ucrânia (SZRU) concordaram em revelar o nome de um dos seus companheiros ainda vivos, pela primeira vez na história da Ucrânia independente (também revelando que KGB e Moscovo apreciavam muito bem, todas as informações conseguidas pelo casal).
Boris Beym em 1967, foto tirada em Quénia
Boris Isakovich Beym nasceu em 1923 e faleceu em 2005, sobrevivendo dois ataques cardíacos. Ele entrou no serviço secreto soviético após a II G.M., terminando a guerra com o patente do 1º tenente dos blindados e sendo cavaleiro de duas medalhas de Estrela Vermelha. Na vida civil escolheu a faculdade de língua inglesa do Instituto Pedagógico de Kyiv. Entre 1959 e 1974 era agente ilegal soviético na Europa e em África.
Boris Beym numa das últimas fotos, 2004/05(?)
A sua esposa Olena Braylovska (Elena, Helen) também nasceu em Kyiv em 1923, onde faleceu em 1992. Era uma jovem bonita e sociável, dominava bem o inglês, alemão e polaco, foi formada no Instituti Pedagógico de Kyiv, na faculdade de tradutores. No dia dos exames estatais, eles se casaram e apesar de serem naturais de Kyiv, foram enviados a trabalharem em Donetsk (através do sistema estatal de colocação dos recém–graduados). Primeiramente, eram professores de inglês no secundário, mais tarde, Boris se tornou o director da escola.
Olena/Yelena Beym em 1967, foto tirada em Quénia
Na realidade, durante este tempo todo, as suas biografias eram verificadas a “pente fino”. Parecia que os futuros agentes secretos não eram muito “soviéticos”: pai da Olena, professor militar e general, pertencia a nobreza ucraniana, em 1937 foi fuzilado como “inimigo do povo”. O pai do Boris fez a parte do exército czarista, embora após 1917 passou para o lado dos bolcheviques. Na década de 1930, era o primeiro director do Supermercado Central de Kyiv, na rua Khreschatyk.

Mais tarde, Boris recebeu a proposta de trabalhar para a secreta soviética, sendo colocado no estrangeiro, junto com a sua esposa. Nada foi lhe dito sobre o tipo do trabalho futuro. Ele concordou. Em Moscovo os ensinaram as técnicas de vigilância, eles aprenderam como receber, enviar e decifrar os radiogramas, criar os esconderijos, o que fazer no caso de serem descobertos.

Salão de beleza “Helen” foi o melhor da cidade

Antes de se dirigir para o tal país africano, quatro anos eles viveram na Europa, primeiro na Polónia comunista e depois na Suíça (KGB preparava-se para os infiltrar em Israel), mudando de países e cidades, de propósito, deixando o rasto, para “validar” a sua “lenda”. Segundo esta, os pais do Boris emigraram da Europa para América Latina, onde este nasceu. Quando teve cinco anos, voltaram a Europa, onde morreram / desapareceram sem deixar o rasto durante a II G.M. (muito possivelmente no Holocausto).

Moscovo queria saber toda a informação sobre as orientações políticas da elite do país, os planos da política externa, orientação pró–EUA, pró–Grã-Bretanha ou pró–URSS dos seus dirigentes. Nikita Khrushov pretendia criar em Quénia o socialismo africano, isso iria custar muito dinheiro, como tal, Kremlin necessitava de receber a informação verídica e de forma regular. Disso era encarregue o casal Beym, que era conhecido pelos pseudónimos “Fram” e “Viktória”.

— Sr. Boris, porque “Fram”?
— Assim chamava-se o barco do Fridtjof Nansen (descobridor, diplomata e humanista norueguês).

O casal Beym veio para a África alegadamente como turistas, que mais tarde gostaram do país e decidiram abrir lá o seu negócio. Para o tal, eles trouxeram 10.000 USD, escondidos no fundo duplo de uma das malas.

Duas vezes por semana, eles recebiam os radiogramas do Moscovo, usando auscultadores, para que nem os vizinhos, nem os microfones possíveis pudessem detectar o barulho do código Morse. Mais tarde eles abriram o salão de beleza, Olena obteve o diploma de estética médica na Europa, ela já tinha alguma prática nesta área. Boris aprendeu as técnicas da massagem. Para que o salão tenha o sucesso entre a elite do país, eles importaram alguns equipamentos da Suíça.

— Sr. Boris, 10.000 dólares chegaram?
— Claro que não! – Tivemos que gastar o nosso próprio dinheiro. Na URSS eram acostumados economizar em tudo. Por exemplo, pedimos ao Moscovo os fundos para a compra de um carro, pois todos os europeus usavam os carros próprios, apenas a população local usava os transportes públicos. Moscovo em resposta solicitou o pedido formal devidamente justificado. Em resultado, mandaram o dinheiro para um carro pequenino. Mais tarde, quando o negócio começou dar o dinheiro, eu o passei para a esposa, comprei uma “Toyota” para mim.
A casa dos Beyms em África
No quintal da nossa residência existia um campo abandonado de ténis, nós o recuperamos e não ficamos decepcionados. Durante o fins-de-semana começaram aparecer lá os americanos, britânicos, italianos, outros diplomatas, que numa atmosfera informal, facilmente davam com a “língua fora”.

A secretária pessoal do presidente nos avisou: tenham cuidado com os agentes da contra – inteligência

Quanto o casal recebia os radiogramas, eles fechavam as janelas com as cortinas, Olena ponha auscultadores, Boris saia para o quintal para “apanhar o ar fresco”. Os códigos eram decifrados com as “chaves” individuais. Tudo que era necessário, era escondido dentro do lápis, escova de roupa, outros objectos domésticos. Peças para a preparação dos microfilmes eram escondidas na porta da geleira. Eles escreviam o texto, o fotografavam e diminuíam até o tamanho de um micro – ponto. Descoloriam, colocavam dentro de um postal, especialmente preparado para o efeito. Dormiam apenas após de destruir todas as provas que os poderiam incriminar. Saindo de casa, lembravam o local exacto onde ficavam os certos objectos, deixavam as marcas especiais que iriam denunciar a presença dos intrusos. Uma vez por mês e cada vez, após a reparação do seu carro, Boris verificava a presença dos possíveis microfones na viatura. O cuidado maior, o casal tinha quando visitavam os esconderijos: Boris ia verifica-los e a esposa analisava os arredores.

Muitas das vezes, ele levava consigo uma luva de cabedal grosso, pois em África, em cada oco das arvores, buracos, ravinas e outros locais do género havia perigo de encontrar uma cobra, arranha ou um outro bicho venenoso.

Outra regra de ouro de todos os agentes na clandestinidade, era mesmo estando sozinhos, sempre falar em inglês, nunca na sua língua materna. Embora sobre os assuntos operativos, eles falavam ou em lugares longínquos, ou escreviam as perguntas – respostas no papel, que era queimado depois.

Para sobreviver os dias mais pesados, fugir do estresse, uma vez por duas semanas, os Beym viajavam para o campo, apreciavam as paisagens e fotografavam os animais, possuindo uma grande coleção de fotos da natureza africana.

Numa certa ocasião, o seu salão foi visitado por uma senhora britânica. Mais tarde eles souberam que ela é a secretária pessoal do presidente do país, a sua conselheira da etiqueta e a babá dos seus filhos. Senhora vivia no território do palácio presidencial, tratava do conforto do lar presidencial, dirigia os banquetes. O presidente confiava nela, ela conhecia todos os segredos do país, facto aproveitado pelo nosso casal. A britânica teve algumas desavenças com o chefe da guarda presidencial, que a pretendia afastar. Os agentes criaram para ela no seu salão uma atmosfera da paz e sossego, onde senhora lhes contava os seus problemas, desabafava sobre as coisas rotineiras do dia a dia... Foi ela que lhes contou sobre os métodos do trabalho da contra – inteligência nacional, explicando como descobrir os seus agentes.

O agente americano

Um dos clientes do seu salão era o antigo encarregado de negócios da embaixada dos EUA naquele pais, que deixou o serviço e se tornou empresário. O Moscovo os informou: “Sejam muito prudentes, o Sr. N., está ligado aos serviços secretos americanos”.

O americano tinha uma belíssima casa, possuía vários carros de colecção, no seu quintal viviam duas belas chitas (onça africana).

Sr. N., um dia perguntou Boris, — você não tem medo de perder isso tudo, em resultado de um tumulto qualquer, ou até de uma revolução?
Não, não tenho este medo, — respondeu o americano. — Tenho as garantias do meu Governo, que no caso de qualquer situação destas, será me restituído tudo, até o último centavo. Nestas condições eu concordei em trabalhar cá.

Voltando para a casa, o nosso casal pensava o mesmo: o que os espera na URSS? Não tinham nenhuma casa. Todo o dinheiro ganho ia para a renda, compra de produtos e manutenção de um nível de vida, que lhes permitia a obtenção de informação desejada pelo Moscovo. Eles dispunham de apenas uma soma “de avaria”, escondida na sua casa temporária, que poderiam usar só no caso de uma “evacuação” inesperada.

Após seis anos do serviço em Quénia, “Fram” e “Victoria” voltaram a URSS, onde os esperava a surpresa: o estado lhes ofereceu um apartamento T1 (!) em Moscovo e três mil dólares em “cheques” equivalentes aos cerca de 6.000 USD (os cidadãos soviéticos não podiam possuir as divisas, como tal o estado emitia os “cheques”, ou os rublos convertidos, que eram aceites nas lojas onde faziam as suas compras a elite soviética e os diplomatas ocidentais). Os Beym compraram mobílias, geleira, aparelhos de televisão e de rádio, com o resto do dinheiro pagaram o 3º modelo do Lada (fabricado entre 1972 e 1984).

Logo depois, eles receberam a ordem para uma nova viagem para o estrangeiro. Havia mais viagens, veio a reforma e a sua mudança para o Kyiv. Uma única coisa que o casal nunca conseguiu era ter os filhos. Talvez por isso, Sr. Boris alojou no seu apartamento modesto um casal de amigos. Ele também é visitado pelo pessoal do SZRU. Todo o seu passado – são cerca de 300 fotografias feitos em África. Todos eles contêm apenas a natureza, os monumentos e os animais. As coisas do serviço ficaram fora do objetivo da câmara. Algo que acontece com todos os agentes secretos.

Ler o original (em russo): http://www.szru.gov.ua/index_ua/index.html

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Ucrânia possui o maior jogo de palavras cruzadas do mundo

Um edifício residencial na cidade de Lviv, Ucrânia Ocidental, ostenta o maior jogo de palavras cruzadas do mundo.

Colocado na lateral do prédio, o jogo tem cerca de 30 metros de altura, segundo reportagem do jornal "Daily Telegraph".

As soluções do jogo são exibidas em letras fluorescentes à noite, de acordo com o jornal. No entanto é preciso conhecer o alfabeto ucraniano, pois todas as letras são em cirílico.

Os turistas que visitam a cidade são, inclusive, encorajados a decifrar o jogo durante seus passeios. As perguntas do passatempo estão espalhadas em diferentes pontos turísticos da cidade.

A cidade de Lviv, que fica perto da fronteira com a Polónia, tem uma tradição cultural muito forte. O centro histórico da cidade foi declarado Património Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1998.

Fontes:
Lviv – Palavras Cruzadas
http://www.pessoal.utfpr.edu.br/zasycki

p.s.
Volodymyr Klichko ganhou ao Samuel Peter no 11º combate. Assim Peter já pode se orgulhar de “levar” de ambos os irmãos Klichko, pois antes foi derrotado pelo Vitaliy.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Ucrânia vs Rússia 2

Ucraniano e amigo da Ucrânia, apoie o nosso país neste simples flash – mob, iniciado nas páginas do sítio http://www.ukraine-vs-russia.com, onde até agora 62.719 pessoas manifestaram a sua posição, apoiando a Ucrânia ou o seu rival nortenho.

Como demonstra o mapa estatístico, a Ucrânia ganha nas preferências de três países lusófonos, cujos cidadãos participaram na votação, nomeadamente no Brasil, Moçambique e em Portugal. É possível votar cada duas horas, a força está na unidade!

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Associação dos Ucranianos em Portugal
http://dyvosvit.at.ua

terça-feira, janeiro 20, 2009

Made in Ucrânia na TV Paraná Educativa

O documentário “Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná” será exibido em rede estadual em canal aberto pela TV Paraná Educativa na quarta-feira dia 21/01/09, logo após o programa “Aqui entre Nós” que começa as 22h10min e tem como convidado o cineasta Guto Pasko, director do filme, que falará do processo de produção do documentário, do atual momento do cinema paranaense e de sua carreira no cinema.

“Made in Ucrânia” foi um dos projectos seleccionados no primeiro Edital de Cinema e Vídeo do Paraná, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura. O documentário foi distribuído de forma independente pela GP7 Cinema nos cinemas do Paraná e fez 13 mil espectadores. Em 2008 foi lançado em DVD e licenciado para a TV Sinal, TV Senado e TV Brasil e agora será exibido pela TV pública do Paraná.

O documentário faz um resgate histórico da imigração ucraniana no Estado do Paraná, desde a chegada dos primeiros imigrantes há 110 anos atrás até os dias de hoje, mostrando como os imigrantes mantiveram vivas todas as suas tradições e costumes, tais como a língua, o folclore, a religiosidade, os cantos, artesanato e arquitectura, influenciando directamente na cultura paranaense.

Mais do que retractar a história desse povo no Paraná, o filme nos mostra um panorama da Ucrânia e dos principais acontecimentos políticos que marcaram a sua história, explicando os motivos das três fases da imigração desta etnia ao Brasil, traçando um paralelo entre as comunidades ucranianas do Paraná com a história da Ucrânia antiga, desde o Principado de Kyiv até os dias de hoje, nos evidenciando que, um século depois, a situação económica e política da Ucrânia não mudaram e os ciclos imigratórios continuam.

Dificuldade económica, dominação política, fé, luta, sonhos, esperança... "Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná" é um retracto fiel da bravura desse povo que jamais se entrega.

Veja o trecho:
http://www.youtube.com/watch?v=F1itb6IBbD8

Mais uma vez agradeço pela colaboração.

Atenciosamente;

Guto Pasko – Director e Produtor
41 3362-2525 / 9152-3206
guto@gp7cinema.com

Ucrânia venceu a batalha do gás!

Ucrânia salva a Europa do holocausto do gás, criado pelo Gazprom

Após uma autêntica guerra comercial, movida pela Rússia, coerção, esforço colossal das RP em todo o mundo, tudo indica que a Ucrânia acabou por ganhar a batalha de gás de 2009.

Após o último encontro entre a Primeira – Ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko e o seu homólogo russo, foi acordado que em 2010 a Ucrânia receberá o gás ao preço do mercado europeu. Em 2009, o país pagará menos 20% deste valor. Se antes o Gazprom afirmava que o “preço do mercado” para a Ucrânia será de 450 dólares, então no primeiro trimestre de 2009, o país pagará 360 USD (preço médio do gás que a Rússia compra na Ásia Central mais acréscimo mínimo de trânsito).

Em troca, a Ucrânia também não irá aumentar significativamente a tarifa actual do trânsito do gás “russo” pelo território ucraniano (de 1,6 USD passará para 1,7 USD por 1000 metros cúbicos de cada 100 km da distância). A título de exemplo, a Eslováquia cobra ao Gazprom 4,0 USD por mesmos 100 km do trânsito pelo seu território.

Embora, quer na Ucrânia, quer na UE, haverá muitas versões e explicações do sucedido, o facto é muito simples, Gazprom não vai ganhar quase nada, vendendo a Ucrânia o gás em 2009 / 2010. Os seus únicos ganhos serão as tarifas do trânsito do gás asiático pelo seu território. E depois, como prevê “dono” do sector energético russo, presidente do RAO ES, Anatoliy Chubays, já em 2012 a Rússia poderá viver a falta do gás mesmo para os seus próprios cidadãos.

Além disso, veremos o que o acordo diz sobre outros aspectos inerentes do complicado negócio de compra & trânsito do gás:

Penalizações? Não foram mencionadas, significa que não são à favor do Gazprom.
E o tal gás “roubado”? Nunca existiu.
O que conseguiu a Ucrânia? Salvou a Europa do “holocausto do gás”, criado pelo Gazprom.
O que consegui a Rússia? Nada.
Quem é culpado pelo corte do gás a Europa? A Rússia.

O “levantamento do chão” do “império energético”, poderá realmente terminar antes do seu início...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Guerra na Geórgia: o seu custo para a Geórgia

O que perdeu a Geórgia e o que perdeu a Rússia
O Ministro do Interior da Geórgia, Ivane Marabishvili explica porque a guerra em Agosto aconteceu exactamente daquela maneira e quais foram as suas perdas e ganhos para a Geórgia.

Por: Olga Allenova, Jornal «Коmmersant» № 197(4014) de 29.10.2008

— Porque as tropas da Geórgia entraram na Ossétia do Sul no dia 7 de Agosto?
— Entramos no dia oito. Os russos lá entraram às 03h00 de manha no dia 7 de Agosto, nós entramos à 01h00 no dia 8 de Agosto.

— Quem confirma isso?
— Temos a transcrição das conversas telefónicas, que os guarda – fronteiras da Ossétia do Sul tiveram na noite de 7 de Agosto. O guarda do o túnel de Roki, informa os seus chefes em Tshinvali, que através do túnel está passar a coluna militar russa.

Guarda – fronteira Gasiev, de plantão no túnel de Rokski às 03h00 do dia 7 de Agosto informa o seu comandante em Tshinvali, que através do túnel está passar a coluna russa, chefiada pelo coronel Khromchenko. “Este Khromchenko exige, que nós lhe passamos o controlo total, — diz Gasiev. – O que faço?” O comandante responde-lhe que tem que deixar passar a coluna.

Até na imprensa russa passaram as entrevistas dos capitães, que diziam que no dia 7 de Agosto eles já estavam na Ossétia do Sul, — continua Vano Merabishvili. – Em geral, quando estamos falar sobre a guerra, não devemos falar sobre o dia 7 ou 8 de Agosto. Kokoity (líder dos separatistas ossetas) ainda no ano passado possuía no mínimo 20 tanques e 25 SAU (peças da Artilharia Móvel). Onde e como uma cidade com 20 mil habitantes pode comprar este armamento? Essa guerra começou no mínimo em 2001. Em 2000, na Ossétia do Sul havia apenas 1,200 eleitores que votaram em Putin. Neste ano votaram em Medvedev mais de 30.000 pessoas. Como é possível, que em oito anos, o número dos cidadãos russos na Ossétia do Sul aumentou 30 vezes, quando a população diminuiu duas vezes? Os generais e ministros russos foram enviados a Ossétia do Sul. Assim começou a guerra. Putin quer entrar na história da Rússia como o colector das terras. A Rússia, sem duvida, preparava-se para esta guerra.

— Mesmo se isso foi uma provocação, porque a Geórgia caiu nela? Podiam chamar a atenção da comunidade internacional no dia 7 de Agosto, quando como vocês afirmam, o exército russo entrou na Ossétia do Sul.— Não houve nenhum dia, quando nós não tentamos chamar essa atenção. Nós mostrávamos as fotos das bases militares que no último ano cresceram em Java e Tshinvali. No dia 5 de Agosto, o meu vice levou os diplomatas ocidentais, incluindo o embaixador russo e mostrava lhes as aldeias que foram alvos de fogo de lança – granadas. Kokoity todos os dias dizia que pretende “libertar” as aldeias georgianas. E sabe, o que acontecia, se nós não fizermos nada? Aqueles aldeias que estão ocupados agora, seriam ocupados na mesma pelo Kokoity com ajuda dos militares russos, mas agora todos diziam que eles foram ocupados pelo Kokoity e não pelo exército russo.

— Quer dizer, o facto que eles foram ocupados pelo exército russo para vocês é preferível do que a ocupação do Kokoity? Você acha que a Rússia, entrando nesta guerra perdeu a face?— Para mim é importante o que perdemos nos. O que perdeu a Rússia para mim é secundário.

— Mesmo assim, muitos na Geórgia dizem que vocês não deviam entrar em Tshinvali.— Como é possível não reagir, quando começa a limpeza étnica dos 15 mil georgianos, que viviam no enclave atrás do Tshinvali? Nossa polícia já não conseguia passar para lá, desde o dia 1 de Agosto estes 15 mil pessoas se tornaram reféns do Kokoity. Todos os dias decorriam os bombardeamentos e disparos contínuos destas aldeias e destas pessoas que nós não conseguíamos a defender. A Rússia preparava-se para essa guerra, sem duvida. Ainda no dia 3 de Agosto 50 jornalistas russos estavam em Tshinvali e faziam de lá as reportagens directas. Desde o dias 2 de Agosto começou a evacuação organizada dos refugiados da Ossétia do Sul. E no dia 7 lá entrou o exército russo. O que nós restava a fazer?

— Mas era possível criar a mostra de fotografias cósmicas, demonstrando o exército russo a passar o túnel de Roki, difundindo estas fotos por todo o mundo.— Este tipo de fotografias cósmicas eram feitas constantemente, nestas fotografias se vê como num ano cresceu a enorme base militar em Java.

— Mas a base é uma coisa e a entrada da coluna (militar) é bem diferente.
— Eles (generais russos) sabiam que às 03h00 da noite não se consegue fotografar nada. A coluna progrediu até a base da Java e parou, de manha já não se via nada. Dmitriy Sankoev (chefe da administração georgiana da Ossétia do Sul) me contou uma história. Na altura, ele era o Ministro da Defesa da Ossétia do Sul. E quando os russos lhe passavam os tanques, eles lhe diziam: “Temos que esperar por um dia nubloso, então passaremos”. Ele ficou intrigado: porque? Eles respondem: “Americanos vão fotografar”. Eles calcularam tudo desta vez também, por isso a guerra foi uma coisa inesperada para o Ocidente.

“Eles ocupariam o Tbilisi em três dias”
— Então você agora acha que a entrada das tropas em Tshinvali era a única decisão correcta?
— Nós estávamos perante a situação quanto não tivemos a escolha. Você agora vai me dizer que tínhamos que estar nas arredores de Tbilisi e esperar os tanques russos. Mas talvez nós ganhamos o tempo? O que aconteceria, se os tanques russos entrassem e sem a resistência chegarem até o Tbilisi?

— Porque você pensa que eles iam a Tbilisi?— Havia duas possibilidades. Ou eles iam parar em Tshinvali e “libertariam” aquelas aldeias georgianas, que ficaram no enclave, ou marchavam em direcção ao Tbilisi. Em ambas as situações nós ficaríamos numa situação pior do que agora. Se nós perderíamos o território sem a resistência, a sociedade georgiana não nos perdoava. Na pior hipótese eles tomariam o Tbilisi em três dias – e então a comunidade internacional não ia ter o tempo para reagir. Um mês mais tarde, eles convocariam as novas eleições e um Giorgadze qualquer seria o presidente.

— Então porque o exército russo não dirigiu-se a Tbilisi?
— Eles perderam o tempo. Dois dias perderam em combate. Depois chegaram até a cidade de Gori. De Gori em direcção a Tbilisi, eles dirigiram-se cerca de uma semana depois. Após disso, começaram as negociações. A primeira reacção internacional foi conhecida após 5 – 6 dias. Primeira declaração real do Bush foi conhecida no dia 13 de Agosto. E se os tanques russos estariam naquele momento em Tbilisi já seria tarde. O facto do que os russos preparavam-se para trazer cá os políticos pró – russos, não é segredo. Eu dou lhe ouvir a conversa telefónica entre o general Borisov e vosso protegido Abashidze.

Vano Maerabishvili abre um novo file. Ouve-se uma conversa em russo: “Boa tarde, Aslan Ibragimovich! Aqui é Borisov. Então, nós o vingamos, Aslan Ibragimovich! Chegamos até o Poti! Aqui tenho o Dumbadze comigo. O passo para si”.

[...]
— Os países – doadores puseram à disposição da Geórgia uma grande ajuda financeira. Estes fundos serão usados para a resolução dos problemas humanitárias ou também para a reabilitação do complexo militar?
— Nossas perdas neste domínio não são tão grandes, como é costume dizer na Rússia. Sim, os militares russos retiraram muitos bens das nossas bases militares. Eles usavam camiões militares para levar as sanitas, camas, botas militares. Levavam os ar – condicionados, nomeadamente a parte do equipamento que ficava dentro das casernas, a parte do fora deixavam. Levavam os computadores, embora apenas os monitores, deixando os processadores. Sabe, porque eles atacavam as nossas bases pela segunda vez? Eles levavam os monitores, mas depois alguém lhes dizia que os monitores necessitam os processadores e eles voltavam para leva-los. Mas tudo isso não são as perdas tão grandes, mais ou menos 2 – 3 milhões de lari (no dia 31.10.2008 o câmbio do Banco Nacional da Geórgia determinava que de 1 USD valia 1.4210 lari e 1 Euro valia 1.8712 lari).

— Mas como?— Quando os vossos militares estavam cá aquartelados, nós trocamos por vodka ou compramo-lhes a maior parte dos equipamentos roubados. Agora vou lhe mostrar como isso acontecia.

Ministro liga o computador e mostra a conversa entre os polícias georgianos à civil e os soldados russos, gravada por uma câmara oculta: [...] eles combinam a revenda dos computadores roubados. Por 900 lari (cerca de $750) os polícias compram todos os computadores na posse dos russos. Depois, os polícias dizem que querem comprar as munições – após uma negociação curta, os compradores ficam com algumas granadas. Ministro está a sorrir.
— Eu próprio fico muito admirado, — continua o ministro. — Pois o salário dos militares russos não é tão pequeno. Mas eles até roubavam as coisas baratas. Uma vez nós capturamos o “KamAZ” blindado, ele estava cheio de papel higiénico e sumos concentrados. Por isso as nossas percas financeiras não são tão grandes. Nesta guerra perdemos muito mais que os nossos bens.

— E as perdas dos bombardeamentos? Bases, porto em Poti...
— Mesmo lá, as perdas não são avultados. Porque nenhuma bomba acertou no alvo. Porque em Gori morreram os civis? Não foi porque estes apartamentos foram bombardeados de propósito, mas porque queriam bombardear a base, mas não acertaram. Quando eles bombardearam o aeroporto em Tbilisi — temos lá o aeroporto militar e a fabrica de aviões, que produz Su-25 (classificação da NATO – Frogfoot), — eles acertaram não no aeroporto, mas num armazém abandonado. E as perdas eram nulas.

— Mas apesar disso, a guerra resultou em perca pela Geórgia da Abecásia e da Ossétia do Sul.— A Ossétia do Sul e a Abecásia, foram perdidas principalmente pelos próprios abecasos e ossetas. Eles vão ter que viver segundo as normas russas. Se eles gostam disso — podem viver. E se não gostam, então nós não os perdemos.

Fonte:http://www.kommersant.ru/doc.aspx?DocsID=1048935

Pelos dados disponíveis, mas muito dispersos na Internet, sabe-se que as perdas humanas e militares da Geórgia nesta guerra foram as seguintes:

Civis: mais de 100
Militares: cerca de 200
Polícias: 15
Aviões: 4 caças Su-25 (três na terra, um em combate), provavelmente um aparelho de reconhecimento L-39 “Albatros”.
Tanques: cerca de 10 – 15 abatidos, muitos capturados e levados à Rússia como trofeus.
Jeepes americanos “Hummer”: inicialmente capturados e levados à Rússia, serão lavados, testados e devolvidos a Geórgia.

Fontes:Internet & revista “Moscow Defense Brief”

sexta-feira, janeiro 16, 2009

MNE da Ucrânia escreve para o Gazprom

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia divulgou ontem, dia 15 de Janeiro, um comunicado da imprensa, invulgarmente duro em relação ao Gazprom.

«As conclusões de ontem dos peritos da União Europeia e a declaração do Comissário Andris Pibalgs, (confirmando) que a rota alternativa do trânsito do gás russo, proposta pelo Gazprom é tecnicamente impossível, colocou todos os pontos na questão quem terá a responsabilidade pela suspensão do abastecimento de gás aos consumidores europeus.
A Rússia não consegui transformar a UE em um instrumento político de pressão sobre a Ucrânia.
No entanto, agora não é o momento para procurar os responsáveis. Agora é o momento para resolver problemas que afectam toda a Europa, incluindo a Ucrânia. Infelizmente, nesta situação, o Gazprom se comporta como um bagunceiro, enchendo a UE com as chicanas, em vez de arregaçar as mangas e procurar o compromisso. Existem todos os sinais da agonia do gás do lado russo, de acordo com declarações dos seus representantes. Portanto, a única solução de compromisso, e disto estão ciente na Ucrânia e na União Europeia, é a criação imediata de um acordo técnico interino sobre o trânsito do gás russo para a UE.
Estamos solidários com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Gazprom, e, apesar do ressentimento das últimas semanas, estamos prontos para procurar uma solução de compromisso que permitiria à todas as partes sair desta força – maior energética. No entanto, estamos convictos, que no caminho das chicanas e da histeria política, o compromisso não será encontrado”.

Fonte:
http://obkom.net.ua/news/2009-01-15/1440.shtml

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Tártaros oferecem o gás a Ucrânia!

A coerção brutal da dupla Kremlin & Gazprom, obteve uma resposta inesperada dos intelectuais da República do Tartaristão.

Conhecido escritor e activista político & social tártaro, um dos liquidadores da catástrofe nuclear de Chornobyl na Ucrânia, Aydar Halim, apresentou à Comunidade Internacional o comunicado, difundido pelo serviço de imprensa do Centro da Sociedade Tártara / Governo do Tartaristão.

No comunicado, Aydar Halim afirma que a Ucrânia tem todo o direito de usar o gás natural da Sibéria, que até a ocupação russa do Canato de Cazã, era o território tártaro.

“... gás é do próprio Ala, a propriedade tártara da origem siberiana, caída nas mãos dos russos, após a queda do Cazã, – relembra Aydar Halim. – Por isso a Ucrânia poderá nem pagar o gás, nós o enviamos gratuitamente para os nossos irmãos ucranianos, como a contribuição irrisória da Rússia ao povo ucraniano, pelo 444 anos do uso do seu território como a plataforma de novas e novas conquistas".

O Comunicado também foi subscrito pelo o líder do Milli Mejlis (Parlamento do Povo tártaro no exílio), cientista químico de renome e dissidente soviético Vil Mirzanov, que neste momento reside nos EUA. Ele tomou a responsabilidade de difundir o documento no estrangeiro, com o título: “Ucrânia, leva o nosso gás de graça! Os russos o roubam dos tártaros!”.

Lembramos, que em Dezembro do 2008, o Milli Mejlis no exílio aprovou o apelo à Comunidade Internacional, pedindo o reconhecimento da Independência do Tartaristão.

Documento lembrava que no século XVIII, segundo o censo do rei russo Pedro I, as nações russa e tártara tiveram o mesmo número de habitantes, cerca de 5, 5 milhões de pessoas. Mas já no século XX, os russos cresceram até 120 milhões e os tártaros ficaram com o mesmo número de cidadãos.

No dia 30 de Agosto de 1990, os tártaros aprovaram a Declaração da Soberania Estatal do Tartaristão, organizaram o referendo com a participação dos observadores internacionais, onde a proposta de Soberania ganhou com 61,4% dos votos favoráveis.

Fonte:
http://blogs.mail.ru/mail/dina175/76B322E7B93B1E9E.html

Arte filatélica ucraniana

O artista plástico ucraniano Lubomyr Tymkiv, radicado na cidade de Lviv se interessa pela uma área da arte, conhecida como “Mail art” ou “arte filatélica”.

O seu blog http://first-day-cover.blogspot.com/ é dedicado à um dos tipos da filatelia, conhecido como “envelopes do primeiro dia”. Diferentemente dos envelopes emitidos pelo estado, os trabalhos do Lubomyr tem a tiragem limitada, embora todos eles são feitos com o uso das técnicas gráficas tradicionais.

Para desenhar os seus selos, Lubomyr Tymkiv modifica os desenhos dos selos estatais. Alguns dos seus trabalhos podem ser encontrados na Internet, através das palavras – chave "Lubomyr Tymkiv" ou "Lyubomyr Tymkiv".

Neste momento, o artista está fazer trabalhar na produção das pinturas religiosas na igreja da aldeia de “Koty”, na Galiza Ucraniana.

Quem estiver interessado em selos oficiais, poderá visitar a página da “Casa Editorial Selo da Ucrânia” ("Marka Ukrainy"), da empresa pública “Correios da Ucrânia” ("Ukrposhta"). Desde a data de Independência até agora, “Correios da Ucrânia” já emitiram mais de 800 selos, alem disso, milhões de envelopes decorativos, cartões postais com e sem selos são emitidos todos os anos. Toda essa produção filatélica é impressa numa fábrica especializada: Fabrica de Emissão Integrada "Ukrayina".

Visitar a página da “Casa Editorial Selo da Ucrânia”:
http://stamp.kiev.ua/eng/news

E para terminar, o coleccionador Anatoliy Zh., da Crimeia, está coleccionar os postais, assinados e selados, que outros coleccionadores lhe enviem de todo o mundo. O seu nickname é horilko_chasnyk, o seu blog é:
http://crimea-postcards.blogspot.com/
p.s.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Outra vez sobre o gás…

Geralmente, os apoiantes europeus da Rússia (eu os chamo de adoradores, pois o seu apoio incondicional e acrítico de toda e qualquer barbaridade praticada pelo Kremlin me lembra a adoração sectária religiosa), defendem mito russo da “impossibilidade de subsidiar a economia ucraniana”.

Mas será que a Rússia, de facto, está subsidiar a nossa economia? Será que a Ucrânia apenas consome sem nada dar em troca? Vejamos isso ao pormenor.

A Rússia quer que a Ucrânia pague $450 dólares por metro³ do gás, enquanto ela própria paga apenas $1.6 dólares pelo trânsito do respectivo metro³, por cada 100 km do território ucraniano.

Pelo contrário, a Eslováquia (também membro da NATO e da UE), paga $270 dólares por metro³, mas cobra $4.0 dólares / metro³ do gás / por 100 km do seu território.

Em 2008 a Ucrânia pagava $179.5 por metro³, cobrando os mesmos $1.6 / 100 km do trânsito. E não se pode esquecer que a Ucrânia transporta cerca de 80% do gás “russo” (uma parte substancial deste gás é comprada pela Rússia na Ásia Central) e o gás percorre na Ucrânia uma distância de aproximadamente 950 km (590 milhas).

Fonte:
http://tap-the-talent.blogspot.com/2009/01/ukraine-signs-gas-transit-protocol-on.html

Enquanto isso, alguns políticos / politólogos russos, vão dizendo aquilo que tem na alma:

... já que nós não estamos gostar daquele país por completo, o mais correcto, a sua liderança, nós podemos lhes exigir em aspecto político, tudo o que queremos. Nós queremos receber deles até 1.000 dólares por metro cúbico (do gás). Nós queremos receber deles a Crimeia e toda a população da idade produtiva para a escravidão. Nós podemos conseguir isso. Isso faz parte dos nossos interesses políticos. Não sei até que ponto isso faz parte dos interesses do “Gazprom”, nomeadamente como a empresa, mas “Gazprom”, primeiramente é uma empresa política. Nós a podemos atacar de todos os frentes. Vocês não tem o dinheiro (para pagar) o gás – entreguem a Crimeia! Apenas isso.

Alexander Grobman, analítico de investimentos, rádio “Eco do Moscovo”.

Fonte:
http://www.echo.msk.ru/programs/opponent/564315-echo

Via:
http://alex-glbr.livejournal.com/278990.html