quarta-feira, janeiro 14, 2009

Outra vez sobre o gás…

Geralmente, os apoiantes europeus da Rússia (eu os chamo de adoradores, pois o seu apoio incondicional e acrítico de toda e qualquer barbaridade praticada pelo Kremlin me lembra a adoração sectária religiosa), defendem mito russo da “impossibilidade de subsidiar a economia ucraniana”.

Mas será que a Rússia, de facto, está subsidiar a nossa economia? Será que a Ucrânia apenas consome sem nada dar em troca? Vejamos isso ao pormenor.

A Rússia quer que a Ucrânia pague $450 dólares por metro³ do gás, enquanto ela própria paga apenas $1.6 dólares pelo trânsito do respectivo metro³, por cada 100 km do território ucraniano.

Pelo contrário, a Eslováquia (também membro da NATO e da UE), paga $270 dólares por metro³, mas cobra $4.0 dólares / metro³ do gás / por 100 km do seu território.

Em 2008 a Ucrânia pagava $179.5 por metro³, cobrando os mesmos $1.6 / 100 km do trânsito. E não se pode esquecer que a Ucrânia transporta cerca de 80% do gás “russo” (uma parte substancial deste gás é comprada pela Rússia na Ásia Central) e o gás percorre na Ucrânia uma distância de aproximadamente 950 km (590 milhas).

Fonte:
http://tap-the-talent.blogspot.com/2009/01/ukraine-signs-gas-transit-protocol-on.html

Enquanto isso, alguns políticos / politólogos russos, vão dizendo aquilo que tem na alma:

... já que nós não estamos gostar daquele país por completo, o mais correcto, a sua liderança, nós podemos lhes exigir em aspecto político, tudo o que queremos. Nós queremos receber deles até 1.000 dólares por metro cúbico (do gás). Nós queremos receber deles a Crimeia e toda a população da idade produtiva para a escravidão. Nós podemos conseguir isso. Isso faz parte dos nossos interesses políticos. Não sei até que ponto isso faz parte dos interesses do “Gazprom”, nomeadamente como a empresa, mas “Gazprom”, primeiramente é uma empresa política. Nós a podemos atacar de todos os frentes. Vocês não tem o dinheiro (para pagar) o gás – entreguem a Crimeia! Apenas isso.

Alexander Grobman, analítico de investimentos, rádio “Eco do Moscovo”.

Fonte:
http://www.echo.msk.ru/programs/opponent/564315-echo

Via:
http://alex-glbr.livejournal.com/278990.html

A Ilha Habitada / Inhabited Island

Uma perfeita ilustração de como a Rússia actual se arrasta (já arrastou?) para o fascismo, agora pode ser vista nas salas de cinema e brevemente em DVD.

Não é o meu habito de escrever sobre os acontecimentos russos, nem tanto por opção ideológica, quanto pela forte convicção do que o “império energético”, que anda “se levantar do chão”, tem os recursos suficientes para publicitar os seus próprios feitios.

Mas a saída do novo filme do realizador Fyodor Bondarchuk, chamado “A Ilha Habitada” (Título internacional: “Inhabited Island”), provocou em mim a forte vontade de escrever algo sobre este trabalho cinematográfico.

O romance homónimo foi escrito pelos irmãos Arkadi Strugatsky e Boris Strugatsky em 1968. Eu li uma copia semi – clandestina do romance em 1989, era jovem e como tal, primeiramente, adorei a parte “externa” (acção holywoodesca) da história. Mais tarde, cheguei a compreender os níveis políticos “internos”, aqueles que sobremaneira inquietaram a censura soviética.

Ano 2157. Um jovem astronauta terrestre do Grupo da Procura Livre, chega a planeta Saraksh, governada pelos Pais Desconhecidos, cinco chefes anónimos, que manipulam as consciências dos cidadãos, através das ondas electromagnéticas da propaganda estatal. Aqueles, que em resultado destas emissões têm as terríveis dores de cabeça são “mutantes”, inimigos do povo. Mas também existem os inimigos externos, duas antigas “ou províncias, ou colónias”, que hoje não gostam de Saraksh: “Antigamente nós éramos um único país. Tivemos a história comum. Por isso eles nós odeiam tanto”.

No ano da Primavera de Praga, o romance lia-se como uma fortíssima critica do regime soviético, uma perfeita fotografia da URSS, país que desde a sua própria “nascença” foi atingido pelo vírus de totalitarismo. Sendo o nazismo alemão e comunismo soviético, os irmãos gémeos quase siameses, os censores soviéticos encontraram uma maneira de publicar o romance, após algumas mudanças mais ou menos cirúrgicas.

Os censores exigiram que do texto sejam retiradas todas as referências da vida quotidiana soviética, começar pelos nomes eslavos dos heróis principais. O romance também ganhou o “sotaque” alemão: tanques se transformaram em panzerwagens, a frase “parvo, ranhoso!” se transformou em «Dumkopf, Rotznase!». Os Pais Desconhecidos, Pai, Sogro e Cunhado se transformaram em Criadores de Fogo, Chanceler, Conde e Barrão. No total, a versão oficial e versão original tiveram 896 diferenças – correcções, supressões, trocas...

Mas o trabalho era feito, uma vez saído para o público, o romance começou a ser difundido em cópias, feitas à maquina de escrever ou nas primeiras copiadoras soviéticas.

Hoje, 40 anos depois, o romance não perdeu a sua mordacidade, sendo a perfeita ilustração de como a Rússia actual se arrasta (já arrastou?) para o fascismo.

O blogger ucraniano, Alex-Glbr, escreve que “A Ilha Habitada” nem pode ser qualificada como a “crítica dissimulada”. Pois o filme é um gozo aberto sobre o “rei nu”. Tal como a Rússia real, o mundo de Saraksh é fortemente influenciado pelo vendaval dos “humoristas”, “os malvados anos 90”, a propaganda massificada do ódio, os grupos totalitários juvenis (“Nashi”, “Molodaya Gvardiya”), os Pais Desconhecidos (partido “Rússia Unida”) e as frases do tipo “chacais nas portas das embaixadas”, “traidores da história comum”, “inimigos históricos são piores do que os mutantes”.

Apenas uma coisa é nova, a maneira como o filme retracta a intelegentzia, não como meras “bocas faladoras”, mas como os grupos militantes na clandestinidade, que se comportam como os combatentes e lutadores pela liberdade.

Ver o trecho do filme no YouTube:
http://ru.youtube.com/watch?v=BpTfs0ELwis

Ler a última versão do romance, corrigida pelos irmãos Strugatsky em 1992:
http://lib.ru/STRUGACKIE/ostrow2.txt

terça-feira, janeiro 13, 2009

Ucrânia vs Rússia

Ucraniano e amigo da Ucrânia, apoie o nosso país neste simples flash – mob, iniciado nas páginas do sítio http://www.ukraine-vs-russia.com, onde até agora 25.529 pessoas manifestaram a sua posição, apoiando a Ucrânia ou o seu rival nortenho.

É possível votar cada duas horas, a força está na unidade!
http://www.ukraine-vs-russia.com

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Associação dos Ucranianos em Portugal
http://dyvosvit.at.ua
http://www.ukremigrantpt.ipsys.net

Maputo em apoio a Palestina

Neste último sábado, na cidade de Maputo teve o lugar uma manifestação pública em apoio à Palestina. Cerca de 450 pessoas, na sua grande maioria muçulmanos moçambicanos desfilaram pela avenida Eduardo Mondlane em direcção ao edifício do Conselho Municipal de Maputo.

Nem a chuva que começou logo a seguir, demoveu os populares em mostrar o seu forte desagrado pela ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza, que até agora já resultou na morte de cerca de 1.000 palestinianos (42% são mulheres e crianças) e ferimentos em mais de 4.200 pessoas (49% são mulheres e crianças).















segunda-feira, janeiro 12, 2009

“Naftogaz da Ucrânia” esclarece

Holding estatal “Naftogaz da Ucrânia” é indignado pelas declarações de “Gazprom” da Rússia
Kyiv, 8 de Janeiro.
O Holding Estatal “Naftogaz da Ucrânia” é indignado pelas afirmações e pela gestão da informação distribuída pela a empresa russa “Gazprom”, monopolista do gás russo que, mais uma vez, tenta transferir a responsabilidade a Ucrânia de travar o transporte do gás para a Europa. A empresa ucraniana acredita que esta é mais uma tentativa de enganar a Comunidade Europeia e desacreditar o Holding estatal “Naftogaz da Ucrânia”, diz o centro de imprensa oficial da empresa.
A empresa disse uma vez que todas as acusações da parte russa contra a Ucrânia de modo que “a Ucrânia inicialmente seleccionou ilegalmente gás russo e, em seguida, bloqueou completamente a sua entrega do seu território para a Europa, são puramente provocativas e sem qualquer fundamento”.
O primeiro. Todas as acções da “Gazprom” de cortar o fornecimento do gás para os consumidores europeus foram registradas pela empresa “Naftogaz da Ucrânia”. O fornecimento de gás para o trânsito estava completamente parado no dia 7 de Janeiro, às 7h44 hora do Moscovo e ainda não foi restabelecido.
Em segundo lugar, qualquer declaração sobre o mau estado do sistema de transporte do gás ucraniano é tal que leva os danos à reputação da empresa “Naftogaz da Ucrânia” e pode ser o objecto de recurso em tribunal.
Em terceiro lugar, todos os pontos de controle, que são responsáveis pela redução do fornecimento de gás russo aos clientes europeus, através da Ucrânia, são situados no território da Federação Russa. Toda a responsabilidade sobre o seu trabalho recai apenas sobre o “Gazprom”.
O quarto, a empresa está francamente indignada palas declarações desprestigiantes, difundidas pelo vice – presidente da “Gazprom” Alexander Medvedev sobre o presidente do Holding Estatal “Naftogaz da Ucrânia” e do “Naftogaz” em geral. O Holding Estatal “Naftogaz da Ucrânia” considera que esta prática é inaceitável na véspera das negociações.

“Naftogaz da Ucrânia” afirma que o local das conversações não é importante e está pronto para conduzi-los de uma maneira construtiva, em termos mutuamente benéficos.

Serviço da Imprensa da Embaixada da Ucrânia no Brasil
http://www.ucrania.org.br

Quem ficou beneficiado com a crise do gás?

“Nós podemos participar e na privatização, se o Estado ucraniano quiser isso. Mas lá (na Ucrânia) se faz o fetiche do sistema de gasodutos. (O sistema) é considerado como património nacional, obtido quase dos céus e não é elegível à privatização, mas nós podemos participar na privatização, se a Ucrânia decidir isso”, - disse V. Putin na entrevista à TV alemã ARD, que será exibida no dia 14 de Janeiro.

“Durante os dias, quando Gazprom deixou de fornecer o gás a Ucrânia, o seu prejuízo totalizou cerca de 800 milhões de USD. Gazprom foi obrigado a fechar cerca de 100 furos, embora sem o perigo das consequências tecnológicas”, - disse o Putin na mesma entrevista.

Fonte:
http://www.ard.de/

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Ucrânia e EU assinam o protocolo

Em Bruxelas acabou de ser assinado o protocolo entre a Comissão Européia e a Ucrânia sobre a presença dos observadores europeus nos locais do gasoduto, que asseguram o trânsito do gás através do território ucraniano. Sobre esse acontecimento comunicou o representante do Presidente da Ucrânia em questões internacionais de segurança energética Sr. Bohdan Sokolovsky, que está em Bruxelas.
O protocolo foi assinado para a implementação dos acordos alcançados pelo Presidente Viktor Yushchenko com a liderança da Comissão Européia e os dirigentes da República Checa, país que no dia 1 de Janeiro encabeçou a Presidência da UE.

Bohdan Sokolovskiy também disse que na reunião de hoje com a delegação ucraniana o Presidente da Comissão Européia José Manuel Durão Barroso destacou o papel exclusivamente importante do Presidente da Ucrânia, as suas sugestões construtivas e acções consistentes que Viktor Yushchenko tomou para lidar com a cooperação no domínio do gás entre a Ucrânia, a Rússia e a União Europeia.
Como comunicou Bohdan Sokolovsky, a delegação ucraniana com a base do acordo entre o Presidente da Ucrânia e o Presidente da Rússia, tem proposto também a parte europeia enviar os observadores à Rússia para a sua presença nas instalações russas que fornecem o gás à Ucrânia e, acima de tudo, para as estações de controlo de passagem de gás. A UE manifestou o seu interesse nesta questão e prometeu-lhe um rápido contacto com a Federação Russa.
O representante do Presidente da Ucrânia em questões internacionais de segurança energética também salientou que as conversações ucraniano – russas sobre a questão de gás continuam em Bruxelas. Neste contexto o presidente d Holding Estatal “Naftogaz Ucrânia” Oleh Dubyna relata permanentemente ao Presidente Viktor Yushchenko sobre o andamento das conversações.

08.01.2009 17:46
Serviço de imprensa do Presidente Viktor Yushchenko
Embaixada da Ucrânia no Brasil
© AP Photo, os populares sérvios queimam a bandeira russa em protesto contra a corte no fornecimento do gás a Sérvia.

Ucrânia recorda os seus heróis

Ivan Mazepa e Stepan Bandera serão recordados com as honras do Estado

A Rada Suprema da Ucrânia (Parlamento), decidiu que em 2009, serão comemorados com as honras do Estado o 100º aniversário do Stepan Bandera, 370º do Ivan Mazepa, 130º do Symon Petliura, 300º da Batalha de Poltava e 70º da Ucrânia dos Cárpatos.

“Pelo Bandera” votaram 236 deputados dos 226 necessários. Quase toda a bancada do Bloco da Yulia Tymoshenko – BYUT (149 deputados), 19 (dos 20) do bloco do Volodymyr Lytvyn, 67 (dos 72) da Nossa Ucrânia – Autodefesa Popular e um deputado do Partido das Regiões.

Não sei se é preciso explicar, que todos estes estadistas lutaram e muitos deles morreram em combate pela Ucrânia Independente. Uma pessoa menos atenta à realidade ucraniana pode considerar essa iniciativa meramente protocolar e sem importância, mas nos sabemos que nada acontece por acaso e que neste momento estamos levar o avanço numa batalha ideológica importante.

Fonte:

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Ucrânia tem o gás para 70 dias

A crise actual do gás, provocada pela política de chantagem e coerção russa, é vista de maneira diferente à partir dos capitais europeias e da Ucrânia. Em quanto a campanha das RP russa, pretende fazer crer que os ucranianos roubam o gás, na Ucrânia as pessoas entendem perfeitamente que o aumento do preço do gás durante o inverno rigoroso de 210 para 450 dólares não é uma “prática normal do negócio”. Enfim, se o nosso vizinho nortenho compra o gás no Turcomenistão aos 400 USD ao metro³, só para que a Ucrânia não o poder comprar por 100 USD / metro³, ninguém pode esperar que a Ucrânia vai gostar desta situação e não vai retaliar como todos os meios possíveis, para defender a sua segurança nacional.

Ucrânia tem o gás para mais 70 dias

O blogger ucraniano Galimsky cita as palavras do director do Holding estatal Naftogaz Ucrânia, Sr. Oleh Dubina, assegurando que no dia 6 de Janeiro, a sua empresa tinha nos armazéns subterrâneos cerca de 16 – 16,5 bilhões de metros³ de gás natural. Desde o ano de 2008, a Ucrânia armazenou cerca de 30,03 bilhões de metros³ de gás natural, destes 17,07 bilhões pertencem ao “Naftogaz”. A empresa levanta cerca de 200 milhões de metros³ de gás por dia.

Além disso, a Ucrânia possui 13 armazéns subterrâneos, com a capacidade activa de armazenamento superior à 31 bilhões de metros³. 12 destes armazéns e o sistema de gasodutos é gerida pela empresa “Ukrtransgaz”, companhia que faz parte do Holding – mãe “Naftogaz Ucrânia”, escreve a agência noticiosa "Interfax - Ucrânia" .

Uma símiles conta aritmética mostra que com este padrão do consumo, mesmo na situação da blocada total, a Ucrânia conseguirá sobreviver nos próximos 70 – 75 dias. O gás se esgotará nos meados do Março – o final da época do aquecimento central na Ucrânia (temperatura média em Kyiv em Março é +0,7°С, em Abril +8,7°С ). Contando com a queda progressiva da produção industrial, este período poderá aumentar em 1,5 vezes. Ao mesmo tempo, o gás extraído na Ucrânia, chega perfeitamente para as necessidades do aquecimento central da população. A Europa Central e Ocidental (amiga preferida da Rússia, a Transnístria já ficou gelada, na vizinha Roménia as temperaturas baixaram até -36°C), vão pedir as contas ao Gazprom.

Prognósticos

Todos os separatistas do espaço pós – soviético vão sentir que a Rússia não estará genuinamente preocupada com eles, são uma espécie do balastro que pode ser atirado à qualquer momento.
A Europa receberá uma lição: em vez de construir os gasodutos com a Rússia, é urgente repensar a segurança energética do velho continente.
O Gazprom poderá entrar na bancarrota, caso a Turcomenistão se recusar vender-lhe o gás à baixo dos 310 USD.
A Rússia poderá ter a sua segunda crise económica, já em Abril – Maio de 2009.

Outro blogger ucraniano, None-Smilodon escreve sobre a crise em termos mais duros, mas pragmáticos: “a Europa Ocidental está neste momento colher os frutos da sua política medrosa na questão da Geórgia. As elites ucranianas e russas consideram a UE como o burro de carga, por isso ignoram simplesmente as suas pretensões, não fazendo nenhum esforço para manter as aparências.

Único país que tem a capacidade de resolver as coisas, os EUA, estão no período de transição, por isso UE não conseguirá apanhar nada. Existe alguma justiça, no facto do que a disputa entre o Naftogaz e o Gazprom atingiu primeiramente a Bulgária e Itália. Dois países – amigos da Rússia, com os níveis da corrupção maiores do que os ucranianos.

Não quero dar nenhum conselho ao Oleh Dubina (ex-director de duas fábricas metalúrgicas na Ucrânia nos anos 90, no fim ele ficou vivo e rico, naqueles terríveis anos, a sua profissão era mais perigosa do que o do piloto da caça ou do duplo do cinema), mas apenas quero lembrar, que além do monopólio do fornecedor, existe o monopólio do consumidor. Isso significa que criando um qualquer “Consorcio dos Importadores dos Recursos Energéticos Vitais” e inscrevendo lá toda a Europa, é possível começar ditar as regras a Rússia. Sem esquecer que a Europa Ocidental é estúpida e preguiçosa, eles simplesmente não têm os miolos e tomates para uma acção deste género. Por isso, o gasoduto terá que ser fechado até que a UE concordar com a criação do cartel do consumidor, com a Ucrânia à frente. Todos estes gasodutos novos, do tipo “Northsteam” – só entrarão em funcionamento daqui à 10 anos, enquanto o frio já se sente hoje.

Porque razão a Ucrânia tem que se preocupar com as necessidades daqueles que no caso duma guerra real ucraniano – russa, são capazes no máximo é de mostrar o dedinho desaprovador a Rússia? Egoísmo é uma cena buê da fixe, mas é um jogo que pode ser jogado entre duas partes.

Acredito que todos os dias diminui a quantidade daqueles, que descordam com a renovação do estatuto atómico da Ucrânia...

Quem rouba o que?

O conceituado economista russo, Andrei Illarionov, chama atenção para a questão do trânsito do gás pelo território ucraniano: “uma parte do gás (russo) faz parte do gás tecnológico que é necessário para leva-lo a Europa. Além disso, para a transferência do gás até a Europa, é necessário usar o mesmo gás para pagar o uso do sistema dos gasodutos ucranianos. Em diferentes países, a porcentagem deste gás é diferente. No caso ucraniano, o país usa cerca do 15% do total gás em trânsito. Essa grandeza é menor em relação às quantidades usadas pelo Gazprom para as transferência do gás dos produtores independentes dentro do território russo. Nestes casos os valores chagam à 30 e até 33% do total”.
http://censor.net.ua/go/viewTopic--id--302252
Porque Gazprom fica calado? Pois o gás não é retido apenas na Ucrânia, mas também na Polónia, Eslováquia, Áustria, Roménia, Belarus, Bulgária, Alemanha, França, em todo o lado!

O mesmo Oleh Dubina explica que no acordo entre o Naftogaz e o Gazprom de Outubro do 2008, está mencionado o “gás tecnológico” de 6,4 bilhões de metros³, que será usado pela Ucrânia para “empurrar” o gás russo entre o ponto de recepção e o ponto da saída para a sua exportação.
http://financist.org.ua/news/3377

E como sempre, no fim vai uma anedota, desta vez da autoria do poeta – politólogo Volodymyr Tsybulko.

Ano 2015. Noite. Inverno. Dois compadres ucranianos comem e bebem. De repente, no quintal estão ouvir um barulho estranho. Um dos compadres leva a caçadeira e vai averiguar a situação. Estão-se ouvir dois tiros. Uma voz off: “O inverno deste ano é tão rigoroso, que os moscovitas procurando a comida, começaram aproximar-se às casas das pessoas”.

Primeiro blockbuster ucraniano

A Ucrânia produziu o seu primeiro blockbuster histórico (uma grande produção holywoodesca), chamado “Bohdan – Zenovy Khmelnytsky”, dedicado à vida e obra do estadista ucraniano, Hetman Bohdan Khmelnytsky (1595 — 1657).

Ver trecho do filme no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=dJ0zVFUf3HU

terça-feira, janeiro 06, 2009

Hoje é a véspera de Natal na Ucrânia

Cristãos ucranianos de rito Bizantino, que seguem o calenário juliano, preparam a celebração da Natalividade.

A Natividade é celebrada pelos cristãos ortodoxos na Europa Central e de Leste e um pouco por todo o mundo a 7 de Janeiro, por causa da diferença do calendário Gregoriano – 13 dias depois dos outros cristãos. No Leste, a Natividade é precedida de 40 dias de jejum, que começam a 15 de Novembro. Este é um tempo de reflexão, contenção pessoal e cura pelo Sacramento da Reconciliação.

A Festa Ortodoxa da Natividade tem início na Véspera de Natal (6 de Janeiro) e termina com a Festa da Epifania. Normalmente, na Véspera de Natal, os cristãos ortodoxos ucranianos jejuam até tarde, ao anoitecer, até que a primeira estrela apareça. Quando a estrela é avistada, as pessoas preparam a mesa para a ceia de Natal. A ceia da Véspera de Natal, ou “Sviata Vecheria” (Santa Ceia), junta a família para partilhar alimentos próprios e dá início à festa com vários costumes e tradições, que remontam à antiguidade. Os rituais da Véspera de Natal são dedicados a Deus, para protecção e bem-estar da família e em memória dos antepassados.

A mesa é coberta com duas toalhas, uma para os antepassados da família, a outra para os elementos vivos. Nos tempos pagãos, os antepassados eram considerados espíritos benévolos, que, sendo devidamente respeitados, traziam boa sorte aos elementos da família. Debaixo da mesa, bem como debaixo das toalhas, é espalhada alguma palha para lembrar que Cristo nasceu num estábulo. A mesa tem sempre um lugar a mais para os membros da família já falecidos, cujas almas, de acordo com a crença, vêm na Véspera de Natal tomar parte na refeição.

Há doze pratos (ou iguarias) na mesa, porque, de acordo com a tradição cristã, cada prato é dedicado a cada um dos Apóstolos de Cristo. Na antiga crença pagã, os pratos correspondiam às doze luas-cheias do ano. Os pratos não têm carne, por causa do período de jejum pedido pela Igreja até ao dia de Natal. Porém, para os pagãos, a abstinência de carne era a forma de oferecerem sacrifícios a Deus sem derramamento de sangue. Enquanto muitos costumes ortodoxos da Véspera de Natal se revestem de uma natureza solene, o costume de cantar é alegre e divertido. Os cânticos de Natal tem a sua origem na antiguidade, tal como muitos outros costumes praticados nesta quadra.

Há dois grupos principais de cânticos na Ucrânia: os “koliadky”, cujo nome deriva provavelmente do latim “calendae”, significando primeiro dia do mês, que são cantados na Véspera e no Dia de Natal; o segundo grupo, “shedrivky”, que é uma derivação da palavra “shedriy”, significado “generoso”, é cantado durante a festa da Epifania.
No Dia de Natal as pessoas participam na Divina Liturgia, no fim da qual, muitos se deslocam em procissão para mares, rios e lagos (ou até o oceano, como fazem os ucranianos em Moçambique). Todos se juntam, na neve (ou na areia), para as cerimónias exteriores da bênção da água. Muitas vezes os rios estão congelados e as pessoas fazem buracos no gelo para a bênção. Então, em casa, há uma grande festa – todos se juntam para comer, beber e divertir-se.
Tal como há diferenças, há também semelhanças entre a Celebração do Natal no Leste e no Ocidente. O Natal no Leste tem um grande significado familiar e social, tal como o tem no Ocidente. Junta as pessoas de todas as gerações para celebrarem o nascimento de Jesus Cristo.


Nota: Calendário Juliano
É um calendário solar criado em 45 A.C. pelo imperador romano Júlio César para trazer os meses romanos ao seu lugar habitual em relação às estações do ano, confusão gerada pela adopção de um calendário de inspiração lunissolar. César impõe 12 meses com duração predeterminada e a adopção de um ano bissexto a cada 4 anos. No ano da mudança, para fazer a concordância entre o ano civil e o ano solar, ele inclui no calendário mais dois meses de 33 e 34 dias, respectivamente, entre Novembro e Dezembro, além do 13º mês, o “mercedonius”, de 23 dias. O ano fica com 445 dias distribuídos em 15 meses e é chamado “o ano da confusão.” Esse calendário, que tem um desfasamento de 13 dias em relação ao nosso, começa a ser substituído pelo calendário gregoriano a partir do século XVI – só Império russo e a Grécia fizeram a mudança apenas no século XX.

Fontes:
http://www.agencia.ecclesia.pt/
http://www.pessoal.utfpr.edu.br/zasycki