terça-feira, novembro 25, 2008

Presidente da Ucrânia sobre o Holodomor

Palavra do Presidente da Ucrânia à comunidade internacional em ocasião do 75º aniversário do Holodomor (a fome artificial) de 1932 – 1933 na Ucrânia

22 de Novembro de 2008

Dirijo-me para vocês em ocasião do 75º aniversário do acontecimento mais trágico na história do povo ucraniano – Holodomor de 1932 – 1933.

A verdade sobre o crime de genocídio, perpetrado deliberadamente por regime de Stalin na terra fértil da Ucrânia, ao longo de décadas tentou abrir o caminho para o mundo.

É que agradeço imensamente a todos aqueles que não ficaram calados durante esses anos, quando o medo dominava toda a Ucrânia subjugada pela União Soviética, quando o mundo optou por ignorar um dos terríveis crimes contra a Humanidade.

Apenas ao livrar-se do totalitarismo comunista, a Ucrânia independente pode falar sobre o atentado contra a vida de um povo inteiro, que ocorreu nos anos 30 de século passado.

Agora a verdade sobre o Holodomor está do conhecimento do mundo inteiro. Não é possível oculta-a. Finalmente o peso da opressão de Stalin se despica.

O Holodomor é reconhecido como um crime e condenado por muitos países e organizações internacionais, governos e parlamentos regionais, conselhos municipais em todo o mundo.

Expresso a todos um profundo respeito pelo humanismo e a solidariedade com os milhões de vítimas inocentes do genocídio.

O apoio internacional incrementa a nossa fé de que a verdade histórica será restaurada e fortalece a nossa vontade de alcançá-la em toda a sua plenitude.

A comunidade internacional tem que perceber que para prevenir os futuros crimes contra a Humanidade, devem ser condenados os crimes do passado.

Não falamos de que o mundo podia fazer 75 anos atrás, se soubesse a verdade. Estamos falando sobre o que ele deveria fazer hoje, como sinal de homenagem aos falecidos e aqueles que conseguiram sobreviver no inferno da fome.

No dia 22 de novembro, em Kyiv, milhões de velas, acendidas em memória dos compatriotas ucranianos, mortos pela fome, vão unir-se com a chama da tocha “Vela Inapagável”, que viajou por 33 países de todo o mundo e Ucrânia, tendo absorvido o fogo dos corações sinceros das pessoas de diferentes países e povos.

Apelo a todos os que se preocupam com bondade, compaixão e justiça, que querem a vitória do bem sobre o mal, acender, juntamente connosco, uma vela de memória para homenagear as vítimas do Holodomor.

A Ucrânia lembra! O Mundo reconhece!
Viktor Yushchenko

Oksana Bilozir – “Svicha” (“Vela”), canção em homenagem do 75° Aniversário do Holodomor na Ucrânia. Música Myroslava Skoryk; versos de Bohdan Stelmakh.
http://ca.youtube.com/watch?v=1v7OzHXnU6I

Projecto Dazzle Dreams Sound System

O projecto musical electrónico ucraniano Dazzle Dreams, que trabalha no estilo world music, obteve recentemente a denominação Dazzle Dreams Sound System e decidiu visitar o Nepal. Obviamente, nem todos os sons e instrumentos que a rapaziada ucraniana encontrou durante uma semana de viagem se caberão numa única edição musical. De momento, Dazzle Dreams Sound System, está propor aos fãs um CD musical com sete composições inspirados no Nepal, além do DVD sobre a sua viagem, editado com apoio da MTV Ucrânia.
A gravação dos ucranianos teve a forte influência das várias músicas e canções do Nepal, da autoria dos Krishna Thing, Ramesh Raj Kuluju, Sunil Sharma, Rita, Somser Gonodarba, Noren, Kash, Nikson, Mohan P. Joshi. Muitos destes músicos trabalham com a editora Real World Music do Peter Gabriel. Agora, as suas criações serão ouvidos em arranjos do Dazzle Dreams Sound System. Em Dezembro de 2008 o Dazzle Dreams Sound System pretende se deslocar para a República Checa >>>

Ver vídeo musical Dazzle Dreams - Shock Your Mind (2007)
http://fdr.com.ua/online_tv_view/106

Fonte:
"4ª onda" - Organização Internacional Social Ucraniana
Notícias, 23.11.2008

Vídeos promocionais da Ucrânia exibidos no CNN e Euronews:

Ucrânia para os amantes da neve
http://tw.youtube.com/watch?v=kfyGBhrHdt8
Ukraine – Beautifully Yours
http://tw.youtube.com/watch?v=lzItUNqAkz0

segunda-feira, novembro 24, 2008

Papa reza pelas vítimas do Holodomor

O papa Bento XVI rezou neste domingo pelos milhões de pessoas que morreram de fome na Ucrânia (o Holodomor 1932 – 1933) durante a ditadura de Josef Stalin. Bento XVI pediu que a ideologia não acabe com a liberdade e a dignidade das pessoas.

O pontífice falou em ucraniano aos peregrinos desse país que foram a Roma. O papa lembrou que Novembro marca o aniversário do Holodomor como ficou conhecida a tragédia da grande fome na Ucrânia. Estima-se que milhões de pessoas foram mortas de fome, em um plano maligno orquestrado pelas autoridades soviéticas para forçar os camponeses a viverem em fazendas colectivas.

No Outono de 1932, as autoridades confiscaram os grãos, o gado e outros alimentos dos povoados em grande parte da União Soviética, porque os camponeses não haviam cumprido a cota que o governo havia exigido. A União Soviética exportou o grão para construir fábricas. Os moradores foram proibidos de sair de casa e milhões morreram de fome.
“Enquanto espero que nenhum regime político, em nome de uma ideologia, negue os direitos, a dignidade e a liberdade de um ser humano, rezo por todas as vítimas inocentes dessa imensa tragédia”, disse o papa desde as janelas do seu apartamento, para a multidão na Praça de São Pedro.

Actualmente, parlamentares ucranianos qualificam a grande fome de 1932 – 1933 como um genocídio contra o povo ucraniano. Não obstante, o Kremlin nega a acusação, ao alegar que outros grupos étnicos também sofreram com a grande fome, inclusive russos.

Fonte:
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mundo/conteudo.phtml?id=830938

A Diáspora ucraniana da Austrália relembra o Holodomor:
http://marichka2.multiply.com/photos/album/173

Mais informação sobre o Holodomor:
http://www.holodomoreducation.org/index.php/id/161/lang/en

Ataque contra o Presidente da Geórgia

Os presidentes da Geórgia, Mikeil Saakashvili e da Polónia, Lech Kaczynski, acusaram tropas russas de terem disparado tiros perto de um comboio em que viajavam.

O ataque ocorreu em uma área controlada por tropas russas, em um posto de controle perto do território separatista da Ossétia do Sul. Em conferência de imprensa, Mikael Saakashvili disse que o episódio, que não deixou feridos, foi claramente uma provocação da Rússia.

Os dois presidentes se dirigiam a uma área em que ocorreram confrontos entre tropas da Geórgia e da Rússia em Agosto deste ano e onde planeavam visitar vítimas do conflito. O governo russo reconheceu formalmente a independência da Ossétia do Sul e de outra província separatista da Geórgia, a Abecásia. Desde Agosto, têm ocorrido diversos incidentes nessa região de fronteira, em violação do acordo de cessar-fogo mediado pela União Europeia.

Fonte:
Comitiva de líder da Geórgia atacada aos tiros

Assassinato do Giorgi Mebonia, Governador do Distrito de Tsalenjikha, Geórgia, 25.10.2008
http://www.youtube.com/watch?v=vh_o92xZHPo

sexta-feira, novembro 21, 2008

No dia 22.11.2008 a Ucrânia vai parar

Para assinalar o 75º aniversário do Holodomor 1932 – 1933, no dia 22 de Novembro toda a Ucrânia irá parar às 16h00 em ponto (hora de Kyiv, 15h00 em Maputo, 14h00 em Lisboa, 10h00 em Brasília). Vai parar o trabalho nas repartições do Estado, nas autarquias locais, nas empresas, organizações, parará o transporte público e os programas da TV e da rádio serão interrompidas.

Nesta data, após a passagem por mais de 30 países onde vive a Diáspora ucraniana, chega a Kyiv a Tocha da Memória do Holodomor. Em Kyiv o Presidente Victor Yushchenko participara nas cerimónias de inauguração da 1ª fase do Memorial do Holodomor.

... e no Brasil

Dia 22 de Novembro de 2008, Sábado, às 19h00, na cidade de Curitiba, capital do Estado da Paraná, será realizada a cerimónia solene em memória dos milhões de ucranianos que morreram durante o Holodomor, em resultado das políticas planeadas e deliberadas do Kremlin.

Far-se-á presente nesta solenidade representando o Governo da Ucrânia a Cônsul da Ucrânia em Curitiba Sra. Larysa Myroneko, o presidente da Representação Central Ucraniano – Brasileira Sr. Vitório Sorotiuk, membros da comunidade e o público em geral.

Local:Catedral de São Demétrio
Av. Cândido Hartmann, 1278 / 1310 – Bigorrilho
Curitiba – Paraná

Programa dos actos solenes em Kyiv (em ucraniano):
http://www.president.gov.ua/news/12114.html
Ler o artigo sobre actual situação da Ucrânia no jornal espanhol El Pais:

Rigas Sargi – Defensores da Riga

Nestes dias a Letónia está comemorando 90 anos da sua Independência nacional do Império russo, mas um ano depois, o país teve que se defender perante os novos invasores, as tropas do 2º Reich.

O filme “Rigas Sargi” (Defensores da Riga) é o projecto mais caro da história do cinema letão, mas também foi o mais bem sucedido, só entre 11 de Novembro à 19 de Dezembro de 2007, ele foi visto pelos 123.513 pessoas. “Rigas Sargi” tornou-se o esforço frutífero do realizador Aigars Grauba e produtor Andrejs Ekis de acabar com a “degradação do cinema nacional letão”.

A história do filme se desenrola durante a guerra entre a Letónia e a Alemanha em 1919, quando o exército germânico comandado pelo oficial monarquista russo Pavel Bermont (Girts Krumins), atacou a capital do país, cidade da Riga. Mas apesar do grande desnível entre as partes, apenas 11.000 defensores da cidade, contra 50.000 atacantes, Riga resistiu à invasão.

O herói principal do filme é uma personagem inventada, o bombeiro Martins (Janis Reinis), que no dia do seu casamento oferece-se como voluntário e vai à frente da batalha.

Via:
http://polar-bird.livejournal.com/317914.html

Ver a apresentação do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=ZnQN2znzofA

Aos rádio – amadores lusófonos

Neste momento em Moçambique se encontra o rádio – amador ucraniano Igor UY5LW, na próxima semana ele visitará a ilha de Inhaca (cerca de 40 km de Maputo), da onde irá emitir alguma coisa interessante.

Vejam a página dele:
http://www.dxer.com.ua/c91lw

O Holodomor, 75 anos depois

“Um dos mais terríveis crimes do século XX” (Simon Montefiore), “o único acontecimento da história europeia do século XX que pode ser comparado com outros dois genocídios, o da Arménia e o Holocausto” (Nicolas Werth), “um dos mais devastadores acontecimentos da História Contemporânea” (Robert Conquest), “terror pela fome” (Stanislav Kulchytsky), “abominação” (Georgy Sokolov), “a fome usada como uma arma contra as aldeias ucranianas” (Gerhard Simon),“campo da morte” (Alain Besançon), “genocídio pela fome” (Yves Ternon).

Por: Luís M. Ribeiro *
É com estas palavras que diversos historiadores descreveram uma das maiores tragédias do século passado - o Holodomor ou Grande Fome da Ucrânia de 1932-1933 - e que, paradoxalmente, continua a não fazer parte da nossa memória colectiva.
Graças à abertura dos arquivos da antiga União Soviética, é hoje possível reconstituir o processo de decisão política, a sequência de acontecimentos e o nível de responsabilidade do regime estalinista, bem como confirmar o carácter anti-ucraniano e genocidário do Holodomor.
A causa primordial deste genocídio assenta nas opções políticas do regime totalitário estalinista: fundir todas as nações da URSS num único “povo soviético” munido de uma só mundividência e realizar o programa de colectivização agrícola e de industrialização acelerada (a “Grande Viragem”), mobilizando compulsivamente todos os recursos humanos e materiais do país.
Neste contexto, a Ucrânia - a segunda nação mais populosa da URSS - representava para o regime soviético uma séria ameaça à integridade do império, devido à sua rica herança histórica e cultural e à persistência do sentimento independentista entre os diversos grupos sociais.
Vendo no campesinato a base social do nacionalismo ucraniano, o poder estalinista utiliza a “arma da fome” para dizimar uma parte significativa da população rural, aproximadamente 3 a 4 milhões de pessoas. As brigadas de colecta, apoiadas pelas forças de segurança, efectuam autênticas expedições punitivas às aldeias, confiscando a produção agrícola e as próprias reservas alimentares. Estas requisições predatórias são acompanhadas de inúmeros abusos, violências físicas e detenções indiscriminadas; por sua vez, os camponeses sobreviventes são forçados a integrar as herdades colectivas e sujeitos a um regime laboral que, de forma eloquente, Nikolai Bukharin caracterizou de “exploração militar-feudal”.
O Holodomor constituiu, assim, um meio para garantir a total colectivização do campesinato, e também um instrumento de subjugação política do povo ucraniano. Não é por acaso que o Holodomor ocorre em simultâneo com a revogação da política de autonomia cultural das populações ucranianas residentes em outros territórios da URSS (por exemplo, o Kuban, no Norte do Cáucaso) e com a aniquilação da intelligentsia nacional (só em 1932-1933, cerca de 200.000 pessoas são detidas pela polícia política). É precisamente o carácter “anti-nacional” que confere ao Holodomor a sua especificidade em relação à fome que devastou outras regiões (como o Cazaquistão) na sequência da campanha de terror contra os kulaks e da colectivização forçada.
Assim, nos domínios histórico e jurídico, podemos formular as seguintes conclusões:

· O Holodomor foi o resultado de uma actuação política deliberada e sistemática por parte do regime totalitário soviético, consubstanciada na brutal supressão do ideal independentista; no extermínio em massa dos camponeses, pela fome, de modo a destruir a base sócio-económica do nacionalismo e a intimidar a restante população; na destruição do sistema económico pré-colectivista e na imposição de novas e difíceis condições de vida; no isolamento de vastos territórios da Ucrânia e das regiões da URSS com significativa população ucraniana; na ocultação das causas e da dimensão desta tragédia;
· O carácter genocidário do Holodomor de 1932-1933 está em conformidade com a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, aprovada pelas Nações Unidas em 9 de Dezembro de 1948, e em particular com o disposto no Artigo 2.º, alínea c (“Submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial”);
· De acordo com a Resolução n.º 1481 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa de 25 de Janeiro de 2006, o Holodomor é consequência de uma política deliberada do poder soviético, sendo passível de condenação internacional como um crime do regime totalitário comunista.
Mas a reflexão sobre o Holodomor impõe-nos, igualmente, uma conclusão de natureza moral: o dever de preservar a memória deste crime de Estado, sob pena de ser “simplesmente impossível compreender o século XX europeu” (Andrea Graziosi).
* Professor de História, Portugal

quinta-feira, novembro 20, 2008

A causa da morte – Ucraniano...

Esta simples folha amarela é um boletim de óbito do jovem camponês ucraniano Andriy Ostapenko, falecido na região ucraniana de Sumy no dia 13 de maio de 1933. O documento foi encontrado nos fundos do Arquivo Estatal da província de Sumy (leste da Ucrânia), pela arquivista principal, Sra. Oksana Kovalenko (DASO., F.R.7720, descrição 1, processo 458, página 34).

por: Viktor Rog

No ano de 1933, faleceu um membro da “equipa Lenine” do kolkhoz do distrito Ulyanovsky. Na coluna “causas da morte” está escrito com uma letra da caligrafia bem elaborada: “Ucraniano”. Dizem os manhosos que não ouve nenhum Holodomor, nenhum genocídio, que todos passaram por dificuldades. Mas na coluna “causas da morte” está escrito com uma letra bem elaborada: “Ucraniano”.
Passavam fome na Rússia, no Cáucaso, no Casaquistão – afirmam aqueles que pretendem fugir da responsabilidade pelos crimes dos seus progenitores ideológicos. Mas na coluna “causas da morte” está escrito com uma letra bem elaborada: “Ucraniano”.

Geralmente, naqueles anos malditos, entre as causas da morte dos camponeses ucranianos eram apontadas: “fraqueza caquéctica”, “subnutrição”, “distúrbio alimentar”, “esgotamento”, “fraqueza do organismo”, “inanição”, “inchaço de inanição”, “desgaste natural”, “distrofia”, “diarreia”...

Mas para nós, após 75 anos e à luz opaca dos documentos amarelos, penetra na nossa consciência e pede a atenção uma palavra simples, escrita com uma letra bem elaborada na coluna “causas da morte” – “Ucraniano”.

Fonte:
http://spas.org.ua/work.php?id=382&rozd=news (a página atualmente está no ar, mas sem funcionar plenamente)

Ver o filme letão The Soviet Story na parte dedicada ao Holodomor:

terça-feira, novembro 18, 2008

História da Europa Central em cartoon

O estúdio letão “Latvietis” criou o genial desenho animado que em menos de 9 minutos conta toda a história da Letónia, desde os primórdios da nação até o futuro. Mas o desenho animado também é um perfeito espelho divertido da história do qualquer outro país da Europa Central e do Leste.

Ver o filme (deixando os preconceitos do lado):
http://www.youtube.com/watch?v=iHumUXCEn3I