quinta-feira, janeiro 25, 2018

Como os Estados Unidos alimentavam a União Soviética

O nosso blogue já contou como os EUA alimentaram o império russo no século XIX. No século XX a história se repetiu, em, pelo menos, três ocasiões os Estados Unidos forneceram ajuda alimentar à União Soviética, em larga escala, salvando as vidas dos milhões, algo que esquerda mundial faz questão de esquecer e fazer esquecer.
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1. Fome na região de Volga

Em 1921-22, a União Soviética foi avassalada por uma terrível fome, afetando principalmente a região do Volga – a fome foi causada pela política inepta do governo soviético, ceifando as vidas de cerca de 5 milhões de pessoas. Os Estados Unidos, que, na altura, ainda não reconheciam formalmente a Rússia soviética, decidiram ajudar as pessoas comuns e enviaram ajuda alimentar no valor de cerca de 80 milhões de dólares (largos bilhões aos preços atuais). O trabalho foi feito pela missão humanitária americana da American Relief Administration (ARA) – uma das maiores missões humanitárias do século XX.
Na foto acima, vemos o camião/caminhão da ARA na região do Volga. No verão de 1922, a comida em cantinas da ARA, tal como as rações especiais de milho, foi recebida por quase 9 milhões de pessoas e no final do verão de 1922 – por mais de 10 milhões. Nos meses mais ativos do seu serviço, ARA tinha cerca de 300 funcionários americanos, bem como cerca de 120.000 empregados, entre os cidadãos soviéticos.
Camponeses russos agradecem, de joelhos, a ajuda alimentar americana
Década de 1920, aldeia de Vasilievka
Milhões de cidadãos russos, com antepassados ​​de algum lugar da região do Volga – foram salvos da morte dolorosa pela fome, graças à ajuda humanitária americana.

2. II G.M. e Lend-Lease

Duas décadas após a fome na região do Volga, ocorreu a Segunda Guerra Mundial em que os EUA se opuseram à Alemanha nazi – em combates diretos em diversas frentes, mas o mais importante – os Estados Unidos forneceram imensa assistência material à URSS, que é conhecida como Lend-Lease.
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Através do Lend-Lease, a URSS recebeu ajuda americana no valor de 9,4 bilhões de dólares (multipliquem N vezes para obter os valores atuais), cerca de 40% dessa ajuda consistia em equipamentos militares (armas de pequeno calibre, blindados, viaturas, etc.), o resto eram os diversos outros bens essenciais e alimentos. Os soldados soviéticos comiam guisado, manteiga, chocolate, ovos em pó e muitos outros alimentos americanos.
Até os botões do exército soviético eram produzidos em Chicago nos EUA
A esquerda (e não só) pró-soviética adora dizer que “lend-lease não era nada”, que os soviéticos venceriam na mesma, pois essa gente não entende nada nem de guerra, nem da economia – grande quantidade de batalhas foi perdida apenas porque as tropas na frente não possuíam o apoio logístico suficiente, não havia nada para comer ou reabastecer os seus equipamentos.

Outra deixa esquerdista é que os EUA de alguma forma “fizeram o dinheiro” com a URSS, vendendo os bens. Na realidade, de acordo com os termos do Lend-Lease, deveriam ser pagos apenas os bens que não foram usados durante a II G.M. Assim, a URSS pagou apenas 7% do custo total do estoque recebido, e mesmo assim, isso aconteceu anos após o fim da guerra.
Na foto de 1944: os camiões/caminhões americanos Studebaker numa base soviética nos arredores de Mojaisk:

3. Fim da URSS e as «pernas de Bush»

Nos derradeiros anos soviéticos, a URSS vivia uma escassez terrível de alimentos mais básicos. Os Estados Unidos vieram em auxílio, organizando a entrega da ajuda humanitária; mais, Mikhail Gorbachev acordou pessoalmente com George H. W. Bush o fornecimento à URSS de cochas de frango congelado – mesmo a comida tão simples como a carne de frango (amplamente considerada como comida dos pobres e também a fonte mais acessível de proteína animal) era um défice terrível na União Soviética. Graças ao acordo histórico informal entre Gorbachev e Bush, as cochas americanas eram conhecidas, não oficialmente, como “pernas de Bush”.

Curiosamente, mesmo depois da relativa estabilização da economia na década do [malfalado capitalismo] do Yeltsin, muitos ex-cidadãos soviéticos costumavam comprar as cochas de frango – estas continuavam sendo um produto protéico relativamente barato que até mesmo as pessoas de baixa renda podiam pagar – usando um par de “pernas de Bush” era possível, por exemplo, preparar a sopa para toda a família.
Na foto acima: a fartazana socialista nos derradeiros anos soviéticos.

Como podem ver, os “marvados” dos EUA, por três vezes serviram, no século XX, de bóia de salvação à pátria socialista...  

Foto: GettyImages | Internet | Texto: Maxim Mirovich

Bónus I

Desde janeiro de 1964, a União Soviética, que prometeu, nas palavras do Nikita Khrushev de “alcançar e ultrapassar os EUA”, começou as negociações longas e difíceis com os EUA para a compra de trigo e arroz – no total de cerca de 6 milhões de toneladas.
"Alcançaremos os EUA na produção de leite e da carne"
As compras acabaram por se realizar, em março de 1964, já após a queda do Khrushev. Pela decisão do Conselho de Ministros da União Soviética foram alocadas 407 toneladas de ouro puro e, em setembro desse mesmo ano, o Presídio do Comité Central do Partido Comunista da URSS concordou com a exportação [aos mercados ocidentais] das pedras preciosas e metais não ferrosos para obtenção de algumas dezenas de milhões de dólares.

Bónus II

Rússia proíbe A Morte de Estaline
Ler mais sobre o filme
O filme “A Morte de Estaline não vai passar em qualquer sala de cinema russa. O país proibiu a distribuição do filme, chamado pela diretora da Sociedade Histórica e Militar russa de “desprezível”, acrescentando que “é um mau filme, é um filme aborrecido e é vil, repugnante e nojento” (ler mais):

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