quarta-feira, maio 17, 2017

Os mistérios do “saboroso sorvete soviético” (8 fotos)

Os saudosistas soviéticos costumam afirmar, com “pompa e circunstância” que União Soviética fabricava o “sorvete mais saboroso do mundo”. As pessoas que nunca viajaram fora da URSS “avaliavam” o sabor e a qualidade da produção estrangeira sem nunca a provar. Hoje iremos conferir os mistérios do “tal sabor” nostálgico.

Primeiro, veremos o grau de popularidade do sorvete na URSS.

02. A foto do Dean Conger, o fotógrafo americano do National Geographic – mostra a venda do sorvete na rua, numa caixa isotérmica especial, em que o sorvete não derretia; imagem foi feita no centro de Moscovo (perto de loja universal GUM), na década de 1960. Dean Conger, a propósito, gostava de tirar as fotos do quotidiano, relacionadas com os alimentos – ele tirou várias imagens de festas soviéticas, das máquinas de venda automática de água refrigerante, dos barris do kvas de rua, etc.

03. O sorvete em caixas isotérmicas era vendido não só no verão, mas também no inverno, também comprado de forma bastante ativa. A ideia do que o sorvete é capaz de nos refrescar, de alguma forma, no verão é um mito bastante comum, na realidade só se resfriam os receptores da boca, criando um efeito puramente psicológico de “arrefecimento geral”. Ao mesmo tempo, o sorvete é um alimento bastante calórico, rico em hidratos de carbono, de modo que, de modo geral, aquece o organismo muito mais, do que arrefece.
A foto do inverno de cidadãos junto à caixa do sorvete, feita pelo mesmo Dean Conger. Nas mãos os cidadãos, provavelmente popular naquela época o “sorvete de nata” – era vendido em embalagens rectangulares, semelhante às da margarina, e de ambos os lados coberto com waffles; para o comer, era necessário o segurar com os dedos de ambos os lados, desdobramento gradualmente a embalagem.

04. Às vezes, a venda de sorvete era combinada com a venda de outras “guloseimas”. Por exemplo, o tabuleiro de gelado na foto possui a função de servir água com xarope. Foto tirada em Leninegrado, o ano exacto não é indicado, possivelmente na década de 1950.

05. Nesta foto se pode ver um tabuleiro de venda do sorvete – a caixa isotérmica com dois compartimentos, aparentemente para as diversas variedades de sorvete. À julgar pelos pacotes colocados sob a bandeja, eram quatro tipos de sorvete – provavelmente dois em cada compartimento de caixa (que podiam ter a divisória interna).

06. A fila para comprar sorvete no Parque Gorky em Moscovo. A julgar pela roupa dos cidadãos e pela relva/grama verde, estamos no fim da primavera ou no início de outono, não se faz muito calor, no entanto a fila é bastante longa.

07. Além dos quiosques de rua, o sorvete era vendido neste tipo de barracas, e aqui também podemos ver uma fila considerável.

08. Na URSS também existiam as cafés sorvetarias que vendiam exclusivamente doces, café e até mesmo alguns tipos de sorvete. Em Belarus e Ucrânia este tipo de cafés, recebiam, no fim da década de 1980, o nome pomposo de “bar leiteiro”, sorvete era vendido em forma de bolas e servido em uns vasinhos de plástico de cores pastel. Nos últimos anos da existência da União Soviética foi considerado de bom-tom marcar um encontro com alguma menina moça num café deste tipo.
Fotos: Dean Conger | Lionel Green | Carl Mydans | Arnold H. Drapkin | Chris Niedenthal | Texto @Maxim Mirovich

Como podemos ver, o produto tinha sido bastante popular – o sorvete era vendido em algumas bancas de rua e quiosques, formavam-se as filas para o comprar (mesmo durante a estação fria), e existiam mesmo alguns cafés que ostentavam até o nome deste produto popular.
A publicidade soviética do sorvete
Talvez o sorvete soviética tinha alguma composição especial? Nem tal pouco, no “Livro de comida saborosa e saudável”, é mencionada a receita de sorvete soviético “Plombir” (do Glace Plombières), que até pode ser facilmente preparado, incluindo em casa, eis a sua composição completa:

1. As gemas do ovo.
2. Nata (com 33-35% de gordura).
3. Leite.
4. Açúcar.
5. Baunilha ou açúcar de baunilha.

Comprovamos que não há nada de extraordinário ou exótico.

Então, qual é o segredo do “tal sabor”, que ainda se lembram os fãs da URSS? Vamo-nos recordar em que consistiam os doces soviéticos “habituais”, realmente à disposição do cidadão: doces (de caramelo tipo “montpensier” e do chocolate tipo “Urso no norte”), açúcar em cubos (as pessoas bebiam o chá, comendo açúcar à parte), halva, muito mais raramente zefir ou qualquer outro doce. Muito populares também eram as compotas e mel caseiros.
A barra de "chocolate" soviético "Urso no Norte"
Quase nada nesta lista contém o leite integral ou constitui qualquer derivado de produto lácteo. Além disso, o regime alimentar geral de cidadãos soviéticos era bastante pobre em proteínas (as pessoas comiam os cereais, massas, batatas e pão). Assim, devido às necessidades naturais do organismo em proteína do leite e gordura, além de um sabor especial “de leite”, tão diferente do resto de doces, os sorvetes soviéticos pareciam super deliciosos.

Eis o segredo real do “tal sabor” – o sorvete simplesmente se destacava bastante com o seu sabor e a composição do resto dos alimentos soviéticos realmente pobres. Hoje, quando os supermercados capitalistas estão cheios de todo o tipo de produtos lácteos (iogurtes, mousses, geleia de leite, entre outros), o simples sorvete de nata já não parece algo meio mágico, mas apenas uma lembrança nostálgica da época de “fartazana” socialista.

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