quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Recordar Olena Teliha, a poetisa ucraniana fuzilada pelos nazis

75 anos atrás, na tristemente famosa ravina de Babi Yar em Kyiv, foi fuzilada pelos nazis a poetisa e ativista política ucraniana Olena Teliha (1906-1942), membro proeminente da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M).   

A sua vida curta parecia um relâmpago: «Amor louco da vida e o desprezo imprudente pela morte. Poderá haver uma junção mais bela e mais profundo?» Assim escrevia e assim agia Olena Teliha – poetisa, crítico literário, figura pública e política, sem dúvida, uma das figuras mais proeminentes da Diáspora ucraniana. Ela entrou na vida como se fosse numa “dança despreocupada”, e saiu dela como uma guerreira corajosa. Nascida nos arredores de Moscovo em 1906, ela viveu na República Checa e na Polónia, mas sempre sonhou e pensou principalmente em Ucrânia. Morreu também na Ucrânia – em Kyiv ocupada pelos nazis.

Por pertencer liderança da OUN-M, ela era procurada pela Gestapo. Foi detida nas instalações da União dos Escritores da Ucrânia, que foi por si liderada durante a ocupação alemã, presa e executada em 22 de fevereiro, em Babi Yar. O seu marido – Mikhaylo Teliha, sem nenhuma relação à literatura (era um engenheiro), acompanhou, de forma voluntaria, a esposa até a morte.

«Aqui estava encarcerada e daqui vai ao fuzilamento Olena Teliha», – raspou ela na parede da sua cela na rua Korolenko № 34 (espaço pertencente ao NKVD-Gestapo-MGB-KGB), agora a rua Volodymyrska № 33. E ainda por cima – desenhou o tridente ucraniano. De lá, ela foi levada à morte.

Eu não vi a pessoa que morria tão heroicamente como esta bela mulher”, – disse um dos oficiais alemães antes da execução da poetisa. Pode-se dizer que a sua vida se duvidiu em duas metades: a primeira – bastante burlesca e despreocupada, e a segunda – a ideológica e heróica. Olena cresceu num ambiente russo. A sua família viveu em São Petersburgo, desde 1918 – em Kyiv. O pai de Olena – Ivan Shovheniv era professor no Instituto Politécnico de Kyiv, na 1ª República ucraniana (1917-1920) dirigiu um dos Departamentos do Ministério dos Caminhos-de-ferro. Após a derrota da revolução ucraniana, a família emigrou para a Checoslováquia. Olena frequentou a faculdade de história e de filologia do Instituto Pedagógico Ucraniano de Praga. Na época de estudante, a falante de língua russa até então, ela opta pela sua identidade ucraniana.

Em 1926 casou com engenheiro ucraniano Mikhaylo Teliha. Na Checoslováquia ganhou o nome como poetisa e crítico literário. Mais tarde, após um encontro com o poeta Oleg Olzhych, em 1939, adere às fileiras da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M), trabalha no seu departamento cultural. Prepara os textos de folhetos, manifestos, e outros materiais que eram enviados a Ucrânia. Após o início da guerra soviético-alemã, em julho de 1941, juntamente com o escritor Ulas Samchuk entra ilegalmente na Ucrânia, passa pelo Lviv e no dia 22 de outubro de 1941 chega a Kyiv. Aqui a poetisa mergulha na vida cultural e organiza a União de Escritores Ucranianos, colabora com o jornal “Ukrayinske slovo”, onde publica o complemento literário e artístico “Litavry”. As atividades notadas pelos nazis, Olena Teliha recebeu o aviso do perigo de ser presa, a pediram deixar Kyiv, mas ela respondeu: “As pessoas estão esperando por mim. Eu não posso deixar de vir por medo da prisão... Quando eu não voltar, não se esquecem de mim. Quando eu morrer, sei que cumpri o meu dever até o fim...”
O monumento recém-inaugurado de Olena Teliha em Kyiv na ravina de Babi (Babyn) Yar
No dia 22 de fevereiro de 1942, Olena Teliha, juntamente com o seu marido e outros membros da OUN-M foram fuzilados em Babi Yar. O poder soviético sempre ignorou e silenciou este facto. Um monumento dedicado aos patriotas ucranianos, foi colocado no local das suas mortes recentemente, a sua inauguração solene terá lugar no dia 25 de fevereiro de 2017, às 13h00 (hora de Kyiv), escreve o blogueiro ucraniano, Oleg Leusenko.

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