terça-feira, fevereiro 14, 2017

A linda guerreira Isadora Katerenhuk: 1º tenente da PMSP (21 foto)

No dia 2 de dezembro de 2016, os policiais militares da Força Tática do 28° Batalhão de Polícia Militar de São Paulo (PMSP), localizaram um cativeiro e libertaram dois modelos ucranianos que foram feitos reféns na rua Alexandre Davidenko na cidade Tiradentes (Zona Leste de SP). No meio de operação policial, de muito sucesso, que contou com a postura pró-ativa das vítimas e com apoio da embaixada da Ucrânia no Brasil, a sociedade conheceu a 1º tenente da PMSP, a linda guerreira Isadora Katerenhuk.
O nosso blogue não poderia perder essa oportunidade e por meio da ajuda dos familiares da tenente entrou em contato com Isadora. O que segue é a conversa que mantemos em mais que uma ocasião em janeiro-fevereiro de 2017. O texto recebeu os mínimos retoques estéticos e é o mais próximo possível do discurso original e direto da guerreira ucraniano-brasileira.      
1. Isadora, conte sobre a sua família e os seus antepassados, do lado materno e paterno. Dado que pertenciam às etnias diferentes, isso não atrapalhou, de alguma forma os seus relacionamentos?

A minha família na parte do meu pai, em grande maioria reside no estado do Paraná, infelizmente não sabemos tanto sobre a vinda da minha família da Ucrânia, porém, os meus avos, quando eram vivos, mantinham os costumes ucranianos; inclusive alguns filhos aprenderam a língua; o meu Pai se chama Simão Katerenhuk, ele nasceu no estado do Paraná, hoje trabalha como representante comercial e infelizmente não fala ucraniano fluentemente, mas percebe o idioma;
Minha Mãe se chama Marize de Carvalho Katerenhuk, atualmente é dona de casa, cuidando do lar; a família dela portuguesa e síria, ela nasceu no sul do estado de Minas Gerais. Minha mãe conheceu o meu pai em São Paulo, quando ambos trabalhavam com vendas nos supermercados, o namoro deles até que não foi muito difícil, pois ambos estavam residindo em SP, ou seja, longe dos condicionalismos familiares.

2. Sendo uma parte da sua família é ucraniano-brasileira, como a família mantêm as tradições ucraniano-brasileiras, o idioma, etc.?
Sim, minha família mantêm muitas das tradições ucranianas, alguns dos familiares falam ucraniano; eles mantêm também a boa parte da culinária ucraniana, algo, que praticamente toda família aprecia. A família do meu pai costuma se reunir no Natal, são preparados alguns pratos tipicamente ucranianos que sempre estão em menu / no cardápio, como o Kutia, Borchtch/Borsh, Varének/Varenyky.

3. Será que vocês mantêm alguma ligação como os Katerenhuk na Ucrânia ou fora do Brasil? De alguma forma os seus familiares estão ligados à vida ucraniano-brasileira?
Infelizmente não temos tanto contato com os parentes na Ucrânia; quando as tradições, alguns primos meus, por residirem no estado do Paraná, têm o maior contato com a cultura, religião e as tradições ucranianas.

4. Até que ponto Isadora e a sua família estão atentes à atualidade da Ucrânia? Seguem o desenrolar da atual guerra russo-ucraniana? Como vê a situação em que Brasil, como membro do grupo BRICS, mantêm o equilíbrio entre Rússia e apoio à Ucrânia, com quem sempre tive as relações muito amistosas?
Sim, acompanhamos; na minha família, fora do circuito restrito dos Katerenhuk, temos outros parentes na Ucrânia, com os quais sempre conversamos sobre a situação económica e social do país. Dentro das relações internacionais, vejo que o Brasil deve manter boas relações tanto com a Rússia, quanto com Ucrânia; pois como muito bem diz a pergunta, Brasil e Ucrânia sempre tiveram um bom relacionamento.

5. Conte por favor sobre a sua meninice, escola, se era uma boa aluna, o que queria ser quando tinha 12-15 anos, quando é que nasceu a vontade de ser uma PM?
Então, quanto a escola sempre me dediquei bastante, tive boas notas;  porém quando fui atingindo meus 15 anos, comecei a me dedicar mais, prestando bolsas de estudo em cursos preparatórios, o que me ajudou muito à ingressar na área militar. Não tenho uma explicação quanto a vontade de me tornar militar, porém desde muito pequena gostava de ir em exposições de artigos, hinos ou fardamentos militares; os meus pais me levavam à feira de aviação, promovida pela Aeronáutica, eu ficava encantada pela Aeronáutica.

6. Foi muito difícil entrar na PM? É difícil ser a 1º tenente mulher?
Quando prestei provas para a Academia Militar, a prova era realizada pela FUVEST; a prova era de extrema dificuldade; fora da prova escrita, havia ainda a prova física, que contava com natação, corrida, flexão, abdominais e agilidade; a parte psicológica e a investigação social [do perfil do aspirante]. Quanto a questão de ser mulher e tenente na Polícia Militar, para mim é uma grande honra, algo que faço por amor a profissão, e como muitos perguntam quanto a condição física, acredito que com esforço podemos superar as dificuldades.

7. Como a Isadora lida com o medo? Pois está diariamente nas ruas, a cidade de SP não é tão violenta como pode parecer, mas o perigo sempre existe. Como funciona o seu processo de superação?
Já faz algum tempo que estou na minha profissão, então acho que já me acostumei com as situações diárias; mas claro que as vezes nos surpreendemos com algumas ocorrências (por exemplo essa situação que envolveu os modelos ucranianos), algo que não é tão corriqueiro; mas sempre procuro, nas folgas, através do desporto/esporte tirar o stress.

8. O terrorista brasileiro atualmente preso na Ucrânia, Rafael Lusvarghi era ex-soldado da PM em SP, tentou ser oficial da PM em Acre. No seio da PMSP se fala do assunto? A PM faz algum trabalho de acompanhamento deste tipo de situações? Dos radicais da direita e da esquerda que podem tentar penetrar na PM, representando o perigo à sociedade brasileira?
foto @PM Cleber Quirino
Quanto ao Rafael Lusvarghi, não vejo se falar tanto a respeito desse assunto; porém na Polícia temos diversos profissionais, tanto da área da Saúde mental, com o auxilio psicológico, quanto na parte de inteligência policial; os quais sempre acompanham os policiais.

9. No caso dos modelos ucranianos libertados em SP, será que Isadora foi destacada por acaso ou pesou o fato de ter a origem ucraniano-brasileira?
Quanto ao caso dos modelos ucranianos, até para mim foi uma surpresa que as duas vítimas serem do mesmo país do qual provêm a minha família. Infelizmente não falo ucraniano, mas fiquei feliz por poder ter ajudado, tanto eu, quanto a minha equipe de Força Tática, pois tal trabalho só foi possível graças a todos policiais da equipe.

10. Neste momento Ucrânia está passar por uma profunda reforma de polícia nacional e de todo o sistema de lei e ordem. Como tal, no sistema foram convidados à trabalhar alguns estrangeiros para pudessem compartilhar as melhores práticas daquilo que se faz no exterior. Se Ucrânia (o Ministério do Interior ou Guarda Nacional da Ucrânia), convidarem Isadora para trabalhar na Ucrânia, aceitaria o cargo?
Se eu fosse convidada, com toda certeza aceitaria, primeiro, porque sempre quis conhecer o país de meus parentes; e segundo pela experiencia profissional na área militar; acredito que para um Oficial, experiências assim são de suma importância, pois compartilharia as vivências tanto do Brasil, quanto da Ucrânia.

11. Além de servir na PM, Isadora está fazer o curso de Direito, que tipo de carreira gostaria de seguir?
Hoje em dia estou terminando a Faculdade de Direito, estou me empenhando em aprender o inglês; pois em breve pretendo prestar a prova para o ingresso nas Forças de Paz da ONU, podendo servir fora do país.

12. Tendo a sua vida tão preenchida, sobra o espaço para a vida privada? Namora com alguém, pensa em casar ou constituir a família?
Estou namorando com um colega do PMSP, num clima da paz e sem os choques hierárquicos ;-), mas dado aos planos da carreira, dento e fora da PM, dificilmente haverá as mudanças na minha vida pessoal, pelo menos, nos próximos tempos.
Texto @Ucrânia em África; fotos @Facebook da Isadora Katerenhuk (todas) e Cleber Quirino (marcada como CB)

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