quinta-feira, agosto 24, 2017

O Dia da Ucrânia

No meio de tantas festas que cada país tem, a maior, sem dúvida, é a nacional – Dia da Independência. Assim como cada um de nós anseia pela liberdade de escolha, da mesma forma cada Estado tem de ter a possibilidade de tomar decisões independentes que obedeçam às suas vontades e interesses, sem precisar de imposições e ordens externas.

por: Anatolii Koval, Cônsul, Chefe da Missão em Portugal (Jornal de Notícias)
Em 24 de agosto de 1991, o Supremo Conselho da República Socialista Soviética da Ucrânia adotou a Declaração de Independência da Ucrânia, que, na verdade, foi a restauração da independência da Ucrânia proclamada em 22 de janeiro de 1918.

A Ucrânia moderna herdou as suas características fundamentais de diferentes períodos da sua riqueza histórica: da Rus de Kyiv recebeu a escolha de civilização determinada pela adoção do cristianismo em 988, Kyiv – a sua capital e centro político e cultural das terras ucranianas durante mais de mil anos, a hryvnia – o nome da moeda, e até o próprio nome Ucrânia, que foi mencionado pela primeira vez nas Crónicas de Ipatiiv datadas de 1187; do Estado de Galychyna e Volyn vieram cores azul e amarela da bandeira nacional e o rumo europeu de desenvolvimento; do Grão-Ducado da Lituânia chegou a tradição europeia de governar as cidades, Lei de Magdeburgo; da era dos cossacos – as tradições democráticas da república e uma das primeiras constituições europeias composta por Pylyp Orlyk em 1710.

Durante a Revolução Ucraniana de 1917-1921, pela primeira vez os ucranianos criaram um Estado nacional independente. Do Estado ucraniano daquele período chegaram os fundamentos democráticos da construção do Estado, o primeiro Parlamento, estabelecido em março de 1917; primeiro Governo, símbolos de Estado: brasão de armas, hino “Ucrânia ainda não morreu”, bandeira, a união das terras ucranianas num único Estado independente e a Academia de Ciências da Ucrânia, fundada em novembro de 1918.

A Ucrânia foi aceite como Estado independente na arena internacional no início do século passado, começando a funcionar o primeiro departamento de política externa, tendo o Governo estabelecido ligações com os países da Tríplice Entente, aceitando representantes da França e da Grã-Bretanha. Em dezembro de 1917, a delegação ucraniana participou em negociações de paz em Brest, onde em 27 de janeiro de 1918 foi assinado o primeiro tratado de paz na guerra mundial.

O Estado ucraniano iniciou o trabalho das suas missões diplomáticas na Roménia, Finlândia, Suíça, Suécia, Estónia, Letónia, Checoslováquia, Hungria, Polónia, Vaticano e recebeu mais de 20 representantes de países estrangeiros. A delegação da República Popular da Ucrânia participou na Conferência de Paz de Paris de 1918, enquanto atuava como representante diplomático interino da Ucrânia em França.

Embora a perda de independência como resultado da ocupação bolchevique após a Revolução Ucraniana de 1917-1921 tenha trazido os regimes totalitários criminosos - comunistas e nazi – que levaram milhões de vidas de cidadãos ucranianos como resultado do Holodomor, do Holocausto, do terror do Estado, das deportações e das guerras, o espírito dos ucranianos permaneceu indestrutível. Em 1945, a Ucrânia tornou-se um dos fundadores das Nações Unidas.

No final dos anos 1980, o movimento nacional-patriótico retomou a sua atividade em grande escala, sendo naquela altura que a questão da independência surgiu. A proclamação da independência da Ucrânia em 1991 desempenhou um papel decisivo no colapso da URSS e na destruição final do império totalitário comunista.

Hoje, a independência da Ucrânia, que se tornou um Estado soberano e mostrou-se capaz de estabelecer valores democráticos e defender a liberdade, é um grande obstáculo para o imperialismo russo e uma garantia do livre desenvolvimento dos estados europeus.

A vida tem apenas o valor que lhe damos. Para a Ucrânia, é inalterável – a liberdade, a independência, a paz, o direito de viver, amar e desenvolver-se de forma independente na sua terra natal.

Ao contrário do que pensa o nosso vizinho do norte, que anexou a península da Crimeia da Ucrânia e continua a cometer crimes de guerra no leste da Ucrânia, desconsiderando descaradamente as normas do Direito internacional, a Ucrânia não é um elemento de decoração para ninguém. Somos uma nação formada com o código genético da liberdade, endurecida em luta, que não perdoa desprezo, porque o caminho para a independência era um caminho muito espinhoso.
Um dos últimos comícios pró-Ucrânia na cidade de Donetsk, primavera de 2014

quarta-feira, agosto 23, 2017

Exército da Ucrânia em 2017 (21 foto)

Exército da Ucrânia se prepara para a parada militar do dia 24 de agosto – o Dia de Independência da Ucrânia. O exército ucraniano progrediu imensamente desde 2014, quando o país foi atacado inesperadamente pelas costas...
MBT T-80BV (as três últimas fotos)
As fotos do Dylan Malyasov; Yuriy Gogolev e mais fotos.

KraAZ
T-84U Oplot
BTR Butsefal
BTR-4
KraAZ Hulk
2S7 «Pion»
9K35 «Strela-10» | SA-13 Gopher
T-72AMT
KraAZ
Tryton
23 de agosto é o Dia da Bandeira da Ucrânia, a bandeira de um país em guerra pela sua soberania e Independência; a bandeira tão odiada pelos ocupantes e terroristas e defendida até a morte pelos ucranianos...  
... mesmo na Crimeia ocupada!
Cidade de Sebastopol, Crimeia ocupada, 23/08/2017

A guerra mundial híbrida: a frente ucraniana

Um grupo de autores do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos da Ucrânia (NISS) apresenta o estudo aprofundado do fenómeno da guerra híbrida mundial, que se manifestou na agressão militar russa contra Ucrânia.

A natureza da guerra híbrida é analisada no contexto da crise de segurança global e é estudada como um novo tipo de confronto global. O estudo é uma análise complexa das causas e pré-condições da agressão russa contra Ucrânia, seus objetivos estratégicos e aspectos específicos de conduta em várias dimensões, incluindo militares, políticas, económicas, sociais, humanitárias e informativas. Os autores também analisam o sucesso da Ucrânia em resistir aos planos hostis da federação russa em diversas esferas. A conclusão do estudo é que Ucrânia, como um estado, conseguiu provar a sua capacidade de lutar contra o agressor pela sua soberania. A reforma das instituições internacionais de segurança e a obtenção do equilíbrio de poder na nova realidade híbrida também são analisadas no livro.

O livro pode ser útil aos políticos, analistas políticos, funcionários de governos e cientistas na esfera de estudos de segurança. Os resultados da pesquisa também seriam interessantes aos académicos, representantes da sociedade civil, bem como cidadãos patriotas e responsáveis.
Descarregar/baixar o livro em inglês (PDF, 157 páginas) ou ucraniano (WIN RAR).

O livro, oferecido ao senador americano John McCain e aos seus colegas do Comité de Defesa do Senado foi traduzido ao inglês e publicado por iniciativa do think tank ucraniano “Instituto Ucraniano para o Futuro” (https://uifuture.org).
Senador John McCain e Anton Gerashenko em Washington
O senador McCain disse que este livro e, em geral, qualquer informação sobre os métodos de condução de uma guerra híbrida pela Rússia é muito desejado nos Estados Unidos e nos países membros da NATO. Dado que a agressão russa contra Ucrânia é um desafio e uma ameaça para todo o mundo civilizado.
No fim do encontro em Washington D. C. com a delegação ucraniana, o senador McCain disse que nunca esquecerá o dia em que no inverno de 2014 veio ao Maydan de Kyiv para falar na frente de centenas de milhares de ucranianos que participaram num protesto pacífico contra o regime corrupto e pró-russo do presidente Yanukovych, escreve o assessor do Ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko
Senador McCain em Kyiv no fim do inverno de 2014

domingo, agosto 20, 2017

Como a URSS ocupou a Checoslováquia (29 fotos)

49 anos atrás, a União Soviética, secundada pela Polónia, Hungria e Bulgária ocupou a Checoslováquia. Assim terminou a Primavera de Praga”, uma série de reformas democráticas, aplicadas por um governo soberano, a derradeira tentativa utópica de construir o “socialismo com a cara humana”.

Na noite de 21 de agosto o avião soviético An-24 pediu a permissão de efetuar a aterragem de emergência no aeroporto de Praga. Recebendo a permissão, em violação de normas internacionais, do aparelho saíram os pára-quedistas da 7ª Divisão soviética da guarda. Sem uso efetivo de armas, eles ocuparam o aeroporto e organizaram a recepção dos aviões soviéticos de transporte An-12, com os pára-quedistas e equipamentos militares. Era o fim trágico da “Primavera de Praga”.

A URSS usou na invasão da Checoslováquia as suas 18 divisões: motorizadas, de blindados, de pára-quedistas, cerca de 200-250 mil militares (no total na ocupação do país participaram cerca de 500.000 militares e até 5.000 blindados). A propaganda comunista e soviética apresentava a invasão militar como “ajuda ao povo irmão checoslovaco na luta contra a contra-revolução”. Na realidade, não havia nenhuma contra-revolução no paísque detinha a maior taxa dos membros do PC no mundo (em percentagem, comparando com a população geral), os comunistas locais apenas aboliram a censura, introduziram a liberdade de movimentos e de manifestações, baixaram o nível de interferências do Estado na economia, acabaram com o regime do partido único. A URSS teve medo de que, em um sistema aberto e transparente, o PC da Checoslováquia não sobreviveria (dado que a retórica demagógica dos comunistas é insustentável em um campo aberto e transparente) e decidiu invadir o país.

As autoridades da Checoslováquia decidiram não resistir às tropas soviéticas, deixando o seu exército aquartelado. Ao mesmo tempo, as tropas da URSS encontraram uma forte resistência da sociedade civil, especialmente em Praga. Nas ruas da Praga cresceram as barricadas, os tanques soviéticos avançaram na rua Vinohradská e os militares soviéticos assassinaram 17 pessoas. Em Praga, foi introduzido o recolher obrigatório, os soldados soviéticos receberam a ordem de abrir fogo contra qualquer objeto em movimento.

02. Os militares soviéticos num camião aberto nas ruas de Praga. No seu livro de memórias, “O caminho longo para casa, o escritor belaruso Vasil Bykaú conta, de forma bastante pitoresca, como as colunas das tropas soviéticas avançavam para a Checoslováquia, sempre no período noturno, através da cidade belarusa de Hrodno, onde então morava Bykaú.

03. Os blindados nas ruas de Praga. No dia 22 de agosto eles atacaram as barricadas na rua Vinohradská, onde no prédio № 12 se situava Rádio Praha.

04. Nestes dias nos murros e paredes dos prédios os moradores de Praga deixavam diversos grafiteis, em russo e checo. O seu teor principal era simples: “não temos nenhuma contra-revolução, russos, não sejam ocupantes, voltem para casa”.

05. Os estudantes checos divulgam a literatura clandestina na praça Wenceslas (Václavské náměstí) em Praga, em protesto contra a ocupação soviética.

06. Marcas de combates urbanos nas barricadas no centro de Pragaas janelas partidas, árvores e equipamentos militares soviéticos queimados.

07. À direita os restos do blindado soviético queimado.

08. Blindado soviético no centro de Praga. À direita, os restos de um meio de transporte, provavelmente autocarro/ônibus.

09. Rádio Praha que até o fim resistiu aos invasores comunistas. A estação foi atacada pelos ocupantes e defendida pelos moradores de Praga.

10. Os estudantes e jovens usando uma forma de protesto pacífico com bandeiras do seu país eles circulavam pelas ruas de Praga com os slogans contra a invasão comunista.

11. O militar checoslovaco com a rádio nas mãos é cercado pelos populares que querem saber as últimas notícias.

12. Na entrada do hotel “Jalta” é afixado um cartaz em memória do estudante Jindřich Krahulec, assassinado pelos invasores soviéticos.

13. Os estudantes estavam se dedicando à criação dos cartazes. Num dos prédios vazios de Praga eles montaram o seu estúdio improvisado.

14. Manifestante, ferido nas barricadas desenha um cartoon político ao estilo do Josef Lada.

15. O cartoon desenhado pelo maratonista checo Emil Zátopek o militar soviético é retratado por cima dos dois blindados, como se fossem os patins (na sequência da invasão, ainda em 1968 eles foi expulso do partido comunista por participar na Primavera de Praga, morreu em 22 de novembro de 2000).


16. O blindado ligeiro soviético com soldados, é cercado por uma multidão em Praga. Os soldados soviéticos eram na sua maioria perdidos, de acordo com os testemunhos de habitantes locais – ficou claro que eles não entendiam o que estava acontecendo. Os comandantes disseram-lhes que era necessário salvar o povo irmão da Checoslováquia da contra-revolução, mas aqui este mesmo povo cuspe e grita para com as tropas soviéticas.

17. Os estudantes queimam os jornais soviéticos.

18. Tanque T-55 e blindado BRDM-1 nas ruas de Praga.

19. A juventude checoslovaca em cima do blindado.

20. A ponte que não aguentou o peso do blindado (cerca de 36 toneladas), a informação alternativa afirma que a ponte foi dinamitada.

21. A coluna dos manifestantes com o slogan “URSS nunca mais”.

22. Blindado ligeiro soviético cercado pela multidão.

23. Tanque cercado.

24. Camiões militares em chamas.

25. Automóveis com os cidadãos em protesto.

26. Os moradores de Praga olham ao blindado soviético.

27. O blindado soviético ficou preso na barricada improvisada.

28. Os cidadãos que tombaram na defesa da Rádio Praha...

29. No total, em resultado da invasão comunista morreram 108 e foram feridos mais de 500 cidadãos de Checoslováquia. Cerca de 300.000 cidadãos deixaram o país rumo ao Ocidente na sequência da invasão. As reformas, iniciadas pela Primavera de Praga”, foram adiadas pelos blindados soviéticos por mais de 20 anos e foram concluídos apenas após 1989.
Fotos @GettyImages | Texto @Maxim Mirovich