quarta-feira, dezembro 23, 2015

Estalinismo: as vítimas e os adoradores

Ninguém sabe o número certo das vítimas do Grande Terror estalinista. Os historiadores o avaliam em 1 milhão de pessoas. No seu pico, em 1937-38, NKVD fuzilava mais de 1.000 pessoas por dia, geralmente com um disparo na nuca.
As fotos mostram as vítimas do terror estalinista. Todas as fotos foram tiradas na última semana ou, mesmo, no último dia das suas vidas. Os autores das fotos são desconhecidos, os originais se encontram nos arquivos do FSB e do Arquivo Estatal da Federação Russa (GARF). As cópias, fornecidas pela sociedade russa Memorial, foram publicadas no livro do Tomasz Kizny e Dominique Roynette “La Grande Terreur en URSS 1937-1938”, Les Editions Noir sur Blanc, Lausanne, 2013 (ISBN 9782882503039; 40.00 €).
Quem são as vítimas?

Nikolay V. Abramov (1890-21/10/1937); russo; capataz de kolkhoze; fuzilado. 
Aleksandra I. Chubar (1903-28/08/1937); arménia; consultora; fuzilada.
Aleksey Zheltikov (1890-1/11/1937); russo; serralheiro; fuzilado.
Boris N. Rosenfeld (1908-13/07/1937); judeu; engenheiro; fuzilado.
Gavriil S. Bogdanov (1888-20/08/1937); russo; operário; fuzilado.
Vasili S. Kurenkov (1886-21/08/1937); trabalhador do sovkhoze; fuzilado.
Semen N. Krechkov (1876-25/11/1937); russo; padre da Igreja Ortodoxa; fuzilado.
Marfa I. Riazantseva (1866-11/10/1937); russa; reformada / aposentada; fuzilada.

Síndrome russa
Apesar disso, apesar da abertura dos arquivos, apesar de acessibilidade de informação sobre o terror e os crimes comunistas, o túmulo do Estaline na praça Vermelha de Moscovo, continua atrair as peregrinações dos adoradores do comunismo. Os loucos urbanos ainda em 2015 lhe trazem as flores e o transformam, literalmente, num ícone (fotos).
https://www.youtube.com/watch?v=qtIHOEz6zq0
Síndrome russa II

Na cidade russa de Penza, foi aberto o primeiro na Rússia, “Centro Estalinista”, cujo propósito principal é estudar o espólio do Estaline, propagar “as normas éticas e morais da sociedade soviética” e combater “à influência destrutiva pós-modernista na cultura e nas artes”.
O "Centro Estalinista" cidade de Penza, foto@penza-press.ru
O 1º secretário do Comité provincial do PC da FR (KPRF), Georgiy Kamnev, anunciou os projetos do centro para 2016: as “leituras estalinistas” em março e dezembro; colocação das imagens do Estaline nos transportes públicos em maio; as excursões dedicadas à arquitetura estalinista em junho e feira de livros estalinistas em julho. Nos planos imediatos do Centro está a formação do “conselho científico” e a criação de um prémio “Estaline” para os estudantes no valor 5.000 rublos (70,3 dólares), informa a agência noticiosa ucraniana UNIAN

2 comentários:

Anónimo disse...

E ainda há pessoas que afirmam que russos e ucranianos são um povo só. Na verdade o povo ucraniano tem alma libertária, pois luta e lutou pela própria liberdade. Já o povo russo, como disse Dostoievsky, é masoquista.

Anónimo disse...

Me faz lembrar da atitude de imigrantes ucranianos quando Stalin morreu: ofereceram Borsch de graça. Já os russos choraram pela morte do bigodudo... Lamentável!