segunda-feira, março 23, 2015

Nazis russos e europeus se reúnem na Rússia


Neste fim-de-semana, na cidade russa de São-Petersburgo, decorreu o congresso internacional dos partidos neo-nazis, fascistas e da extrema direita, denominado “Fórum conservador internacional russo”.

Da parte russa, o fórum, de-facto, organizou a filial regional do partido pró-governamental “Rodina” (Pátria), embora de-jure, o organizador é o “Centro nacional-cultural russo — Casa Popular”. Na página do partido “Rodina” na Internet está escrito que no fórum irão participar os líderes e ativistas dos partidos “nacional-patrióticos”, casos de Ataka (Bulgária), “Aurora Dourada” (Grécia), “Forza Nuova” (Itália), Partido Nacional Britânico (Grã-Bretanha), Democracia Nacional (Espanha), Partido dos Suecos (Svenskarnas Parti) da Suécia, Partido Nacional-Democrático Alemão (Nationaldemokratische Partei Deutschlands – NPD) da Alemanha e outros partidos que na União Europeia são classificados de neo-fascistas e neo-nazis.

Mas para que o país que segundo a sua liderança luta diariamente contra “fascismo” na Ucrânia, recebe os neo-nazis e fascistas da Europa?

A página do “Rodina” explica que o objetivo do congresso é “conjunção de esforços para desenvolver um conceito geral da interação das forças nacional-conservadoras da Europa e da Rússia em condições de sanções da UE contra a Rússia e (nas condições) da pressão política sobre os países da Europa e da Rússia por parte dos Estados Unidos”. Além disso, todos os presentes do fórum apoiam a agressão russa contra a Ucrânia, bem como expressam o seu apoio às organizações terroristas “rpd/dnr” e “rpl/lnr”. Embora já nos países de origem, os radicais, se opõem, em absoluto, aos separatismos domésticos.

O partido grego “Aurora Dourada” (Χρυσή Αυγή) será representado por dois militares gregos na reserva: o tenente-general Elefterios Sinadinos (1955) e ex-chefe do Estado-maior da UE, Georgios Epitideios (1953). Segundo o estatuto do partido “apenas arianos de sangue e gregos de origem podem solicitar a adesão no partido”. O símbolo do partido é uma suástica estilizada, os seus membros abertamente adoram Hitler e usam a saudação nazi como o cumprimento normal entre si.

A ideologia do partido italiano “Forza Nuova” se baseia no legado do fascismo italiano (Julius Evola na filosofia e Benito Mussolini na política). O núcleo-fundador do partido era formado pelos skin-heads italianos. O líder do partido, Roberto Fiore, que se posiciona como fascista, na década de 1970 foi acusado de terrorismo neo-fascista, era fugitivo da justiça italiana no fim de 1990. Por diversas vezes ele revelava publicamente as suas simpatias para com Vladimir Putin. Desde a invasão da Crimeia no início de 2014 o partido apoiou absolutamente a anexação da península, mais tarde expressou o seu apoio às organizações terroristas de “rpd/dnr” e “rpl/lnr”.

O partido da extrema-direita alemã, NPD, é tido na Alemanha como a sucessora ideológica da NSDAP. Por diversas vezes tentou-se a proibição do partido, o escândalo maior se deu em novembro de 2011, após descobrir que um influente membro do partido, Ralf Wohlleben (36), foi preso pelas suas ligações à organização neo-nazi “Clandestinidade Nacional-socialista” (Nationalsozialistischer Untergrund – NSU), responsável pelo cometimento, desde 1998, de 10 assassinatos, 14 assaltos e acusada de cometimento dos actos terroristas. O próprio Wohlleben é acusado pela participação em 6 assassinatos e uma tentativa de assassinato. Udo Voigt (1952), ex-líder do NPD é conhecido anti-semita e xenófobo. O atual deputado do Parlamento europeu chegou a dizer que: «venera os soldados corajosos da Wehrmacht: do exército, da Luftwaffe e da Marinha e da Waffen-SS, que até o último dia cumpriam o seu dever» (a sentença lhe valeu dez meses de prisão, embora de pena suspensa).

O partido sueco Svenskarnas Parti foi criado pelos membros da “Frente Nacional-socialista” (Nationalsocialistisk front – NSF) em 2008. O fundador do partido e o seu líder entre 2008-2013, Daniel Höglund, foi um dos líderes da Frente Nacional-socialista.

O partido búlgaro “Ataka” advoga a proibição dos partidos étnicos e organizações separatistas. “Ataka” é famosa pela sua intolerância e xenofobia, em particular, ódio contra ciganos e muçulmanos búlgaros. Isso tudo na Bulgária. O mesmo partido apoia incondicionalmente os movimentos separatistas na Ucrânia.

Entre outras personagens pitorescas presentes em São-Petersburgo, podemos citar Nick Griffin, o ex-líder (expulso em 2014) do Partido Nacional Britânico (BNP), cuja ideologia inclui racismo, anti-semitismo, negação do Holocausto, homofobia e proibição da imigração.

Os anfitriões russos não são menos radicais, um dos líderes do “Movimento Imperial russo”, Stanislav Vorobiev é conhecido por afirmar que “a civilização russa, ao contrário da bárbara europeia da Europa Ocidental, é a sucessora direta de Roma Antiga”.

O fórum neo-fascista não esconde os seus objetivos, é a procura os “aliados na Europa” que irão “defender os valores tradicionais, promover os interesses da Rússia e exigir o levantamento das sanções”. Tudo indica que os neo-fascistas e neo-nazis (além dos neo-comunistas ausentes em São-Petersburgo), são quase únicas forças europeias que podem servir na Europa de apoio às políticas do Kremlin.

A reunião magna dos neo-nazis, organizada ao nível mais alto e apoiada oficialmente pelos deputados da Duma Estatal criou a onda de indignação no seio dos verdadeiros anti-fascistas russos. Nas vésperas do início do trabalho do fórum, eles bloquearam a avenida Nevsky, exibindo o cartaz “Nazis, vão embora”. No dia da abertura do fórum, como informa agência  Fontanka.ru, 30-40 jovens ativistas vieram protestar junto ao local do certame, hotel Holiday Inn, mas quase de imediato a polícia russa dispersou os manifestantes. Já os delegados neo-nazis não foram incomodados.
"Não precisamos de nazis estrangeiros, em S. Petersburgo não há onde meter os seus!"
Por sua vez, os partidos e organizações russas que se declaram “anti-fascistas”, procurando permanentemente pelo “fascismo ucraniano”, não se manifestaram contra a presença dos neo-nazis europeus numa cidade tão martirizada pelo nazismo alemão como São-Petersburgo. Nem o PC russo (KPRF), nem “Anti-Maydan”, nem outras organizações e grupos do género foram vistos à protestar.

Tudo indica que um grande fórum de neo-fascistas em São Petersburgo faz parte da estratégia do Kremlin em trabalhar com os euro-cépticos na UE. Posições, geralmente, partilhadas por vários tipos de ultra-conservadores da direita, que direcionam a sua propaganda contra o multi-culturalismo, tolerância, democracia e globalização. Os partidos ultra-nacionalistas europeus, geralmente são à favor da eliminação da União Europeia e pela saída dos seus estados da NATO. Apostando nos movimentos da extrema-direita, o Kremlin tem a intenção de enfraquecer e dividir a Europa. Em alguns países europeus, a extrema-direita (e extrema-esquerda) são suspeitas de receber os subsídios substanciais estatais russos.
     
É claro que tudo isso não se encaixa na ideologia oficial russa que se baseia em “anti-fascismo” demonstrativo e no culto da vitória sobre a Alemanha nazi. No entanto, são detalhes que não incomodam a sociedade russa que apoia fortemente o curso abertamente fascista do presidente Putin e a agressão militar contra os estados vizinhos. Para fazer um acordo com a sua própria consciência, em algum momento o chauvinismo nacional foi chamado de “anti-fascismo” e a ocupação de território estrangeiro de “proteção da população de língua russa”. Dois pesos e duas medidas são a base diária da vida da sociedade russa contemporânea, e, desta forma o fórum nazi em São-Petersburgo parece bastante apropriado. Em que outro lugar poderiam se reunir os seguidores de Hitler, se não em casa do atual presidente da Rússia?

Fonte:

Blogueiro 

Ucrânia não foi presente no fórum por nenhuma organização, um dos representantes da “rpd/dnr” é já conhecido militante neo-nazi russo ao serviço dos separatistas, Alexei “Fritz” Milchakov.  

2 comentários:

Anónimo disse...

A morte do filho de Yanoukovich poderia ter sido mesmo um acidente

qual sua opiniao

Jest nas Wielu disse...

Realmente é bem possível que se tratou de um acidente banal, VY Jr., era lembrado como uma pessoa não agressiva, claramente membro da "juventude de ouro", pouco dado à política, era amante incondicional dos carros e de vida boa, não exercia a influência direta no estado, nem usava o nome do pai para favorecer os amigos...