sexta-feira, novembro 07, 2014

Os escravos soviéticos: o caso da Ucrânia

A última mentira sobre Ucrânia, produzida pela imprensa russa, seguramente é uma diagnose clínica. O 1º Canal (ORT) colocou no ar a peça onde se afirmava que “à cada soldado ucraniano foi prometido um terreno e DOIS ESCRAVOS”. Entende-se, dois escravos provenientes das regiões separatistas.

Tendo em conta essa “criatividade noticiosa” da máquina propagandista do seu país, o cidadão russo Igor Ponochevnyy, decidiu contar a história da escravatura da sua própria família, escravatura real, escravatura praticada no recente passado comunista soviético...

Falando disso, se alguém está interessado, então vós conto sobre os escravos. Mais, sobre os escravos da Ucrânia. E aquilo que contarei é verdade, ao contrário das mentiras da ORT. O meu pai vivia numa aldeia da Ucrânia. Chamada Kireevka. Distrito de Liubar, província de Zhytomyr. Eles viveram numa família – o avô, com a contusão recebida sob o Budapeste, avó, e seus seis filhos. Viviam em um abrigo semi-subterrâneo. A metade era casa, um quarto e uma cozinha com fogão, a segunda metade era celeiro. A casa normal foi destruída na guerra. E nunca foi reconstruída porque não tinham os meios e a saúde foi perdida na guerra.

Trabalhavam pelos dias-lavouro no kolkhoz. Sete dias por semana. Dias-lavouro é quando se faz um traço no jornal (do registo) e depois os contam e sobre a soma entregam a farinha ou açúcar em sacos. No final do ano. É todo o pagamento. Claro, é evidente que era impossível não trabalhar, existia um artigo (no Código Penal) sobre o parasitismo. Era impossível deixar em aldeia – nas aldeias (os camponeses) não tinham os passaportes (bilhetes de identidade / cartões de cidadão). Sem o passaporte (a polícia) capturava (as pessoas) na cidade e novamente (era aplicado) o artigo. Era possível ter o gado de casa, mas não acima do permitido. E, depois, (tinham que) entregar ao Estado, por conta disso, o leite e ovos – como imposto.

O pai foi à escola só à partir da segunda classe – pois nada tinha a roupa. Mesmo na segunda classe não (estudava) no inverno, porque com os pés descalços era impossível andar na neve. Depois ele recebeu os sapatos da irmã mais velha, à ela compraram outros sapatos. E para lhe comprar os sapatos, o avô foi num feriado ao chefe do kolkhoz e implorou por um cavalo. Pois, era proibido manter os cavalos na exploração individual. Aparentemente, para que os escravos não fugissem nos cavalos. E ele foi até Liubar, carregado de galinhas e um leitão, para os vender no mercado. Mas ninguém comprava, e só tinha metade de um dia, por isso entregou tudo ao intermediário. E este lhe deu um pouco de dinheiro e avô com isso comprou os sapatos.

Quando o pai teve 18 anos, ele foi à tropa como soldado e lá a vida era um pouco mais fácil, e ele ficou lá como oficial no exército soviético, foi graduado pelas duas escolas militares, tornou-se um artilheiro no campo de tiro. Assim, ele conseguiu sair da escravidão.
Os pais do autor no dia do seu casamento há 50 anos atrás
Mas existem algumas lêndeas que negam tudo isso. Que na URSS haviam escravos. Pois, eles próprios viviam nos edifícios (da série) estalinista (destinados às elites), mamavam a mortadela com queijo, os seus pais eram informadores estalinistas, e eles não viam nada disso. Ou não queriam ver. E no cinema lhes mostravam os cossacos de Kuban e não esta dura realidade. E hoje eles levantam as suas fuças de cavalo, e estão rachar de todos os lados, se babando de saliva, que na URSS era um paraíso de car@lho e como na Ucrânia os soldados de junta de Kiev recebem dois escravos.

Fonte:

Na foto em cima: as crianças e alguns adultos, com as mãos, desenterram a batata congelada no kolkhoz da aldeia de Udachnoe (Boa sorte) na província de Donetsk, FONTE.  

NATO – força, Khuylo ao sabão
"NATO - força, Khuylo ao sabão"
Na Crimeia ocupada, no caminho para a montanha Ai-Petri, os resistentes desconhecidos deixaram gravada a frase popular: “NATO – força, Khuylo ao sabão”, escreve no seu Facebook o blogueiro Ali Tatar-zade.

“Os nossos dias. Isso é apenas exemplo. A polícia de trânsito dos ocupantes gasta as suas solas na procura dos “sabotadores” desconhecidos que andam pela Crimeia toda, e deixam este tipo de cartões de visita”, foi escrito no comentário à fotoEm julho, em um dos edifícios de Simferopol os desconhecidos corrigiram a inscrição antiga “Juntos contra o fascismo” para “Juntos contra o ruscismo”, recorda Newsru.ua

1 comentário:

Maurício disse...

Parabéns muito elucidativo!