segunda-feira, março 11, 2013

Sozinho no oceano: fuga da URSS

No fim de 2012 foi apresentado ao público o novo filme documental «Sozinho no oceano» (Fuga), do realizador Alexey Litvintsev que conta a história verídica do Stanislav (Slava) Kurilov (1936 — 1998) — oceanógrafo soviético que fugiu da URSS em 1974, desafiando a proibição de autoridades de viajar para fora do país.

Kurilov estudava a psicologia social, era oceanógrafo profissional, praticava a yoga. Várias vezes viu negado o seu pedido de viajar ao estrangeiro, negação originada, entre outros, pelo facto de cientista possuir familiares no estrangeiro, a sua irmã tinha casando-se com um cidadão indiano, emigrando mais tarde para Canadá.

Em dezembro de 1974 Kurilov comprou o bilhete para o cruzeiro “União Soviética” (ex-Adolfo Hitler), que fazia o trajeto de ida e volta entre a cidade de Vladivostok e a linha do equador, sem entrada em nenhum porto estrangeiro (assim as autoridades soviéticas pretendiam evitar a possível fuga dos passageiros).

Na noite de 13 de dezembro de 1974, Slava Kurilov saltou do cruzeiro, tendo apenas máscara de mergulho e as barbatanas, sem alimentos, nem água, durante 3 dias ele percorreu cerca de 100 km, chegando à ilha de Siargao (Filipinas). Depois de investigação por parte das autoridades filipinas, Kurilov se mudou ao Canadá, onde recebeu a cidadania local.

A sua fuga foi tornada pública pela rádio “Voz da América”, na URSS Kurilov foi julgado à revelia, condenado à 10 anos de cadeia pela “traição de pátria”. Desde 1986 Slava Kurilov vivia em Israel, onde casou e trabalhou no Instituto Oceanográfico de Haifa. Morreu em janeiro de 1998 no ocidente de mergulho, foi sepultado em Jerusalém.
Em 1994 a editora francesa “Hachette” publicou o livro de suas memórias sob o título de La Fuite (A Fuga, ISBN: 9782010212147), ilustrado pelo magnífico ilustrador húngaro Gabor Szittya. Edição russa, “Sozinho no oceano” foi publicada em 2004, já após a morte do autor.

Ler o livro:
Slava Kurilov: alone at sea (trecho, inglês)

Descarregar o filme:

Ver no YouTube (versão integral, 44 min.):

1 comentário:

Hélio Medeiros disse...

Incrível que, com tantos casos assim emblemáticos, as coisas que ainda hoje se presencia de outros países que insistem nessa quimera, ainda haja quem, em países democráticos, persistem em defender uma utopia que já entregou os pontos há mais de duas décadas!