sábado, fevereiro 23, 2013

Os crimes do comunismo soviético: “Operação Lentil”

No dia 23 de fevereiro de 1944 começou o hediondo crime estalinista, a deportação geral de chechenos e inguches da sua pátria no Cáucaso para as repúblicas da Ásia Central e para o Cazaquistão. A limpeza étnica soviética, denominada Operação Lentil, durou até 9 de março e atingiu entre 496.000 à 650.000 cidadãos, dos quais até 1957 sobreviveram apenas cerca de 395.000 pessoas. 
Antes, no dia 2 de novembro de 1943 foram deportados os carachais, mais tarde, no dia 8 de março de 1944 foi a vez dos bálcaros. Sensivelmente na mesma época o regime soviético deportou os mesquetinos, em maio de 1944 chegou a vez dos tártaros da Crimeia e outros.
Os vagões semelhantes eram usados para transportar os chechenos e inguches
As deportações resultaram na perda direta de até cerca de 90-100 mil pessoas, ou seja 20% da população geral daquelas pequenas nações. As pessoas morriam do frio, fome, doenças. Eles perderam tudo, mas guardaram no seu coração a fé.
A família ingush Gadziev junto à sua filha falecida, Cazaquistão, 1944
Contam as testemunhas: “Quando todos foram colocados nos vagões de mercadorias, começou o pânico, motivado pelos acontecimentos e pelo desconhecimento do futuro. De repente, um velho gritou:Gente, não tenham medo! Não seremos levados para o lugar onde não existe o Alá”. Depois disso as pessoas se calaram e sossegaram…”, escreve Muhammad Karachai.


Devido à enorme desigualdade de forças, houve pouca resistência. De acordo com dados oficiais soviéticos, 780 pessoas foram mortas durante a operação, 2016 «elementos anti-soviéticos» foram presos, mais de 20 mil armas de fogo, mantidos em casas chechenas desde a guerra civil russa, foram confiscados. Conseguiram escapar às montanhas 6.544 pessoas. Alguns funcionários do NKVD relataram «uma série de faсtos feios da violação da legitimidade revolucionária, execuções arbitrárias das mulheres velhas, enfermos e paralíticos chechenos que ficaram por trás da deportação e não poderiam seguir no reassentamento», mas ninguém foi punido. Pelo contrário, por decreto de 8 de março de 1944, 714 participantes da deportação foram condecorados «pelo desempenho exemplar de atribuições especiais», incluindo as condecorações militares: Ordem de  Suvorov, de Kutuzov e da Bandeira Vermelha. A tragédia mais terrível ocorreu na aldeia de alta montanha de Khaybakh, onde 705 pessoas foram assassinadas. No local de Khaybakh ficaram apenas ruínas. Sua única "culpa" consistia no facto de que em 23 de fevereiro na região caiu uma pesada nevasca e os moradores não conseguiram descer das montanhas e assim interferiram no horário de deportação. O comissário de NKVD do 3º grau Mikhail Gvishiani (mais tarde – o padrinho do casamento do primeiro-ministro soviético Alexei Kosygin) ordenou que as pessoas fossem levadas ao estábulo e queimadas, usando os métodos dos nazis que estes aplicavam na II G.M.

A suposta culpa
Ler os documentos
A decisão de deportar chechenos e ingushes foi justificada pelo Presídio do Soviete Supremo da URSS pelo suposto facto de que “durante a Grande Guerra Patriótica, especialmente durante as ações das tropas fascistas alemãs no Cáucaso, muitos chechenos e ingushes traíram a sua Pátria, passando ao lado dos invasores fascistas, juntaram-se às fileiras de sabotadores e batedores, eram lançados pelos alemães na retaguarda do Exército Vermelho, criando os bandos armados ao pedido dos alemães para lutar contra o poder soviético”.

De acordo com os dados divulgados pelo historiador russo Vasily Filkin, 28,5 mil combatentes chechenos e ingushes lutaram nas fileiras do Exército Vermelho (19,5 mil voluntários e 9.000 militares no activo), de acordo com a informação da Sociedade chechena de veteranos da guerra – eram até 44 mil pessoas. Cerca de 2.300 chechenos e ingushes morreram na frente da batalha.


Por outro lado, durante a II G.M. foram detectadas oito grupos de pára-quedistas alemães, com um total de 77 pessoas, que foram lançados no território da Chechénia, que, de acordo com os dados de NKVD-NKGB, na “sua maioria” eram compostos pelos residentes locais.
Noman Çelebicihan
Décadas antes, em 23 de fevereiro de 1918, na cidade de Sebastopol, na cadeia civil, os marinheiros bolcheviques russos fuzilaram Noman Çelebicihan, o líder dos tártaros da Crimeia, presidente da República Popular da Crimeia (QHC), o primeiro mufti dos muçulmanos da Crimeia, Lituânia, Polônia e Belarus (1885-1918). O seu corpo foi atirado ao Mar Negro. Ele foi o autor do verso «Ant etkenmen!» («Eu jurei!») que se tornou o hino dos tártaros da Crimeia, recorda-nos a blogueira ucraniana Hanna Cherkasska.

1 comentário:

Hanna Cherkasska disse...

Страшно, страшні часи, коли розчерком пера тиран визначив 12 народів-зрадників. Я немало розмовляла в Криму з тими татарами, кого виселяли за 24 години (після війни, з дітьми, хворими), пішки гнали до Сімферополя, а там у товарні вагони заганяли людей. Дітей вологих субтропіків везли до пустелі Азії. По дорозі вночі забирали трупи й викидали. Нехай не повториться цей жах, бо Росія знову простирає над нами свої чорні крила!