terça-feira, novembro 13, 2012

Bordados do GULAG


Maria Zasimenko-Bonatska tem 79 anos, passou 7 anos nos campos de concentração soviéticos pela sua militância no Exército Insurgente Ucraniano (UPA). Ela é autora de 8 livros poéticos e de ensaios, na prisão aprendeu a bordar.

Na sua casa senhora Maria tem retratos do Stepan Bandera e Roman Shukhevych, muitos livros e bordados ucranianos (vyshyvanky). Foi presa em 1948 aos 15 anos, condenada à 10 anos de “trabalhos laborais corretivos com o confisco dos bens”.

Os nazis queimaram a nossa aldeia por ajudarmos ao UPA. Escondíamo-nos no bosque, pessoas e o gado: duas vacas, alguns porcos, ovelhas. Desde 6 anos ajudava na safra.”

Senhora Maria, que cumpriu o seu termo em Mordovia conta que aprendeu a bordar com uma mulher idosa, natural da Polisya. Os bordados feitos nos campos de concentração guarda como relíquias.

As linhas eram retiradas dos lenços coloridos ou panos. Bordávamos as toalhas de mesa. As agulhas eram fabricadas do arame farpado. Para bordar na cadeia tínhamos que sentar de maneira que o guarda não ver através da mira na porta. Bordávamos até as camisas”.

Após a libertação não consegui se formar em jornalismo, a “má” biografia não permitiu. Vários anos trabalhou como bibliotecária, agora reformada escreve livros de memórias e poesia. Visita a sua aldeia natal, mas quase ninguém dos seus conhecidos está lá, uns morreram, outros não voltaram da Sibéria.  

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