quarta-feira, maio 09, 2012

Passado soviético como culto religioso


Tal como o comunismo, o passado soviético, a “Grande Guerra Patriótica” e o dia 9 de maio se tornam cada vez mais um culto religioso com todo o respetivo cerimonial.


Sobre a vitória em termos religiosos escrevem os próprios trovadores do império soviético. O chefe-editor do jornal “Zavtra”, Alexander Prokhanov, no seu artigo “Vitória – religião, Estaline – santo”, escreveu: “A vitória na Grande Guerra Patriótica deve ser equiparada à criação do Adão, salvamento da vida humana na arca do Noé e o advento à terra do Jesus”. Todos aqueles que não professam a fé “verdadeira” – são objetos das repressões e da perseguição pela heresia e blasfémia.

Por isso decidimos analisar detalhadamente as parcelas integrantes do novo culto religioso:

Estaline – messias, parecido com Jesus Cristo que veio para este mundo para vencer o satanás. Tal como Cristo, ele foi o autor dos diversos milagres, por exemplo “recebeu a Rússia com a charrua e a deixou com a bomba atómica”.

Hitler – satanás, também conhecido como Lucífero. Primeiramente estava ao lado das forças da luz, por isso foi lhe conferida a tarefa gloriosa de ocupar os “malvados dos polacos”. Mas tal, como na história bíblica, encabeçou a sublevação contra o Deus (Estaline), por isso, posteriormente foi derrotado e exilado.

Os generais do exército – são apóstolos. O seu papel era de seguir o Profeta e difundir a “boa nova” sobre ele. Aos mais fieis era prometido a paz terrestre, glorificação posterior e claro, entrada no paraíso. Georgi Zhukov até ganhou o direito de ter o monumento praticamente no local sagrado.

A Praça Vermelha – não é menos importante do que a Gólgota na fé cristã. Aqui se passaram os acontecimentos mais dramáticos que ditaram o andamento posterior da guerra.

Traidor Andrey Vlasov – Judas e canalha absoluto. As esperanças enormes eram colocadas nele, ele foi chamado de “comandante amado pelo Estaline” e “salvador do Moscovo”. Até estavam preparados para escrever o livro, “Cabo-de-guerra do Estaline”, do género “vidas dos santos”. E aqui, ele, escória, foi encantado pelo Lucifer, caiu na tentação e passou para o lado do mal. Por isso foi enforcado, tal como Judas, embora este parou na garrote pela vontade própria.

NKVD – a “santa inquisição” que tinha a tarefa de reforçar as leis de Deus, e no caso do cisma, julgar qualquer blasfémia com toda a dureza.

Campos de concentração – purgatório, para onde foram enviados todos os pecadores, ainda não absolvidos. O homem soviético estava sobrecarregado com os pecados, que não o deixavam entrar livremente na casa de Deus, recebia a “purga” e só depois entrava no paraíso.  

O estado soviético após a II G.M. é uma espécie de paraíso, onde tentava entrar todo o cidadão soviético temente da lei. Este país tinha tudo – a linguiça barata, a medicina gratuita, a educação acessível, as guias aos santórios. Simplesmente aquilo tudo sobre o que um coitado capitalista – imperialista ocidental só podia sonhar.

As paradas militares – uma espécie de cruzadas para a afirmação da bondade na terra. Geralmente eram acompanhadas de bandeiras (pendões) e retratos do messias (ícones). Durante a vida do Estaline não havia as paradas, pois o homem – deus era modesto por natureza e por isso evitava as honras devidas.

Os túmulos dos combatentes soviéticos – relíquias sagradas. As visitas às relíquias melhoram a carma, fortalecem as sabedorias (patriotismo, dedicação, firmeza ideológica, etc.) e até permitem ao cidadão subir na hierarquia profissional soviética.

As visitas aos monumentos e aos túmulos com a colocação das flores é uma peregrinação às “terras santas”. Toda a sua importância é descrita no ponto anterior.

Nacionalistas ucranianos, bandeiristas – são demónios, tal como anjos caídos, eles foram tentados pelo Lucífero e o seguiram, renegando o Deus. As criaturas que continuamente disparavam nas costas, nos cús. Mas foram derrotados pelos bravos funcionários do NKVD.

Se levanta, grande país! Se levanta para a luta mortífera” (A Guerra Sagrada) – como a maioria das peças musicais daquele tempo, essa composição cumpria a papel dos hinos religiosos. A sua meta – aumentar o autoconhecimento religioso e levar até a êxtase religioso.

A faixa de São George é uma espécie de cruxifico. Permite saber quem pertence à fé verdadeira e quem é apóstata. Quanto mais as tiver é melhor, pois faixa defende da influência diabólica e dos nacionalistas ucranianos. De preferência a colocar no lugar mais visível. A faixa é multifuncional – pode ser colocada nas antenas dos carros, nas carteiras femininas, nos balcões das lojas, e outros lugares.

Essa lista de simbologia religiosa e cerimonial do dia 9 de maio não é definitiva. Vocês podem ajudar a aumentar. Pois apenas conhecendo a verdade, vocês se tornem livres!

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