terça-feira, novembro 29, 2011

O meu comunismo familiar

O comunismo que chegou à Ucrânia nos anos 1920 trazido pelas baionetas do exército vermelho, atingiu os meus trisavôs em cheio. O descendente da pequena nobreza polaca, o trisavô perdeu quase todos os seus bens que foram lhe confiscadas em nome do “futuro brilhante” de toda a Humanidade... 

A sua casa agradou a direcção do recém – criado kolkhoze, que lá se instalou, ficando na posse dos bens que eles tinham em casa: mobílias, utensílios, roupas, coisas que as pessoas adquirem durante as suas vidas. Os trisavôs receberam a generosa permissão de ficarem com a roupa que traziam no corpo, além de pudessem manter o violino (o trisavô tocava as polcas nos casamentos). E ficaram ainda com a máquina que expremia óleo, a partir das sementes do girassol. Desta maneira, até a sua morte, os trisavôs tiveram um pequeno meio de sustento que lhes permitia sobreviver com o mínimo da dignidade. 

Incrivelmente benevolentes, as novas autoridades até deixaram os trisavôs a viver no seu próprio estábulo. Os seus animais: vaca, cavalo (o trisavô possuía pequena carroça que usava para se deslocar até a cidade mais próxima), porcos, também abalaram rumo ao socialismo científico, colocados nos estábulos kolkhozianos. Onde em breve muitos destes animais morreram, pois novas autoridades proibiam aos antigos donos de cuidarem dos seus bichos e não designaram absolutamente ninguém para trata-lo. 

Por fim o kolkhoze mandou abater todas as arvores de um grande pomar, formado pelas macieiras e pereiras, que também pertencia aos meus trisavôs. As arvores “burguesas” deveriam dar lugar às culturas mais úteis aos proletários e camponeses. Como resultado, este novo campo nunca foi cultivado e se tornou um terreno baldio, cheio de ervas daninhas e arbustos inúteis...  

Apesar de tudo isso, o filho do meu trisavô, meu bisavô, recebeu o comunismo de braços abertos. Doutrinado, provavelmente, durante o seu serviço na marinha czarista, ele voltou a Ucrânia no fim da I G. M., aderindo às rédeas do bolchevismo. A lenda familiar reza que bisavô servia nas fileiras da maquina repressiva, embora não se sabe ao certo nas quais: Tcheka?, Chon?, GPU? Mesma lenda conta que uma vez no Outono, os homens do chefe insurgente ucraniano Zeleniy (Danylo Terpylo) vieram a procura do bisavô e dos seus. Ele não estava em casa e a bisavó teve que se esconder às pressas dentro da meda de feno. Os intrusos picaram a meda com as baionetas, uma deles perfurou a xaile da bisavó. Seja por causa do susto extremo, seja porquê ficou constipada, ela adoeceu e morreu de seguida. 
O chefe Zeleniy (sentado) com os seus homens
Nas vésperas do Holodomor, a sua filha, a minha avó, foi levada para a cidade pelo seu irmão mais velho, que a colocou a estudar na escola técnica e ensinou a falar russo. Ninguém da minha família directa faleceu em consequências do Holodomor, os protegeu a proximidade com Belarus (onde as pessoas iam para trocar os alimentos) e o facto de viverem em um canto bastante esquecido da Ucrânia.

O irmão mais velho de um outro bisavô meu, funciobário do NKVD, foi dado como desaparecido em combate na frente da batalha, provavelmente na Ucrânia Ocidental, durante a I G.M. Em vez de ficar quieto e calado (possuir os familiares no estrangeiro na União Soviética era a maneira mais curta de perder o emprego e acabar no GULAG), ele tentou o localizar através da Cruz Vermelha, imaginem, internacional. Quando o seu serviço soube do sucedido, o bisavô foi imediatamente despedido e só não foi preso porque Alemanha nazi atacou URSS; assim ele foi imediatamente mobilizado para o exército como soldado raso. O bisavô desapareceu em combate (na realidade morreu) nos primeiros meses da guerra, tombado na defesa do Leninegrado, “o berço da revolução” que Stalin ordenou defender custe o que custar. 

Já o avô, que foi mobilizado para a inteligência do regimento da infantaria soviético em 1943, quando o Exército Vermelho retomou a Ucrânia, terminou a II G. M. em Budapeste. Ele deixou a sua vila em 1932 fugindo do Holodomor, rumando à Kyiv, onde primeiro entrou na Rabfak (Faculdade dos Trabalhadores), depois conseguiu a vaga na Universidade. Holodomor de tal maneira afectou a vida social e académica da sua região natal, Zhytomyr, que durante três anos consecutivos: 1932, 1933 e 1934 na escola secundária dele não foram leccionadas nenhumas aulas. O que criou uma situação inédita, quando a sua turma original começou a 10ª classe, o avô voltou à escola como professor, leccionando aos colegas da turma a física, química, biologia e matemática. Em 1941 ele já não estava na idade de recruta, além disso a condição do professor permitiu que não fosse mobilizado ao exército. 

Apesar da exigência do poder comunista e depois dos nazis de entregar todos os aparelhos de rádio (os nazis simplesmente executavam aqueles que encontravam na sua posse), o avô não entregou o seu. Escutava à noite as notícias de Moscovo e algumas estações de rádio estrangeiras. Foi denunciado e levado pelos nazis para ser enforcado, quando um membro da polícia auxiliar ucraniana interveio em sua defesa. Após a guerra, o avô mostrava o tal ex-polícia (quando se cruzavam na rua) aos seus familiares e dizia: “Vejam, filhos, este é o homem que salvou a minha vida”. 

Nos anos pós – guerra os avôs maternos guardavam cada copeque para pudessem construir a sua própria casa. De noite, a família ia para os bosques próximos, coletar ilegalmente os pequenos troncos para fazerem as ripas; também levavam as folhas, bolotas e agulhas que se misturavam com o barro, tudo para construir as paredes. Nada disso era permitido por Lei, se eles fossem apanhados poderiam ser detidos, multados ou presos. 

A minha própria mãe contava que vivia um drama constante: tudo o que aprendia na escola a ensinava que deveria denunciar os pais às autoridades, pois eles “delapidavam o património socialista”, além disso, o seu pai escutava as rádios estrangeiras, naturalmente anticomunistas. Por outro lado, eram os seus pais, a sua única família no mundo. Algumas vezes ela pensava que iria faze-lo, no fim, o complexo comunista do Pavlik Morozov não funcionou nela. 

Quando eu próprio me tornei pioneiro, aderi ao Clube da Amizade Internacional (KID), o Clube fornecia-nos os endereços das crianças dos países socialistas com quem poderíamos se corresponder em língua russa. Os países como Albânia, China, Jugoslávia e Roménia não constavam na lista. Escrevi para vários endereços, no fim comecei me corresponder com uma menina polaca, gostaria imenso de saber onde vive e o que faz hoje a “minha” Agnieszka... Um dia os meus pais compraram o bonito álbum bilingue (em russo e polaco) sobre a arte sacra da Igreja de Santa Sófia em Kyiv, eu queria o enviar para a minha amiga. Mas nos correios centrais da nossa cidade fomos informados do que este álbum, editado na Ucrânia Soviética, numa editora soviética (portanto próprio para o consumo doméstico), deveria obter a permissão oficial do KGB para poder ser enviado para o estrangeiro, pois se tratava de material ligado à religião. Mesmo para um país socialista irmão... 

Anos mais tarde, já nas vésperas da Perestroica, conheci a jovem senhora, chamaremos ela de Valentina, casada com um membro do PCP, a estudar na nossa cidade alguma ciência útil. Valentina era bela, fresca e deslumbrante, ela dizia com ar de vedeta internacional cansada da fama: “sou bi – cidadã, tenho o passaporte soviético e português” e nós demonstrava o livro do Álvaro Cunhal autografado pelo próprio. Além disso, Valentina, era costureira, creio que usava os modelos da revista “Burda” (uma novidade absoluta na URSS, a primeira edição soviética, naturalmente em russo, só chegou as senhoras em 8 de Março de 1987), e as vendia como roupas de marca ocidentais, que alegadamente, comprava no Berlim Ocidental (os quadros da PCP faziam lá as compras nas férias universitárias) ou mesmo em Portugal, que para nós equivalia aos EUA ou mesmo à Marte, um lugar simplesmente inacessível. 

A Valentina tinha uma vida paralela, seguramente não sancionada nem pelo marido, nem pelo PCP. Ela tinha um amante, rapaz novo, belo e fogoso, creio que boliviano, com quem mantinha uns encontros “calientes” aqui e ali. Por vezes, eles se encontravam no meu apartamento, tudo começava com beijos e abraços e acabava com beijos, abraços e choros recíprocos. Mais tarde soube que Valentina chegou a esconder na sua casa um amigo meu, expulso da Universidade na sequência do processo ordenado pelo KGB. Recentemente encontrei, graças à Internet, o nome do marido da Valentina (que recordo como um sujeito sempre cabisbaixo, triste e desanimado) nas listas distritais (vocês vão se rir), do PSD. Que voltas dá o mundo... 

Estive no centro de Kyiv quando no dia 24 de Agosto de 1991 foi proclamada a Independência da Ucrânia, naquele mesmo dia começaram desmontar o monumento enormíssimo de Lenine (rodeado pelas figuras alegóricas do soldado, marinheiro e operária), que dominava a actual Praça de Independência (Maydan de Kyiv). Durante muitos anos guardei como recordações os bocados do granito e do bronze que faziam parte daquele conjunto monumental. 

Pressuponho que a história do polícia auxiliar poderá servir para algum “camarada cacete” me acusar de “branquear os crimes de nacional socialismo”. Do mesmo jeito os mesmos camaradas classificam qualquer denúncia dos crimes do comunismo como “um ataque contra os comunistas”. O que não pode e nem deve ser confundido. Os crimes do comunismo são reais, massificados e largamente documentados. Mas a responsabilidade pelos crimes é sempre individual. Algum correligionário do Lenine ou do Stalin assinou a ordem executiva, algum carrasco a executou. Mas todos eles possuem os seus nomes próprios e como tal são responsáveis pelos seus próprios actos. 
A capa do ensaio “Porque eu não quero voltar para URSS?”
O escritor ucraniano e político socialista Ivan Bahrianyi, autor do famoso ensaio “Porque eu não quero voltar para URSS?” (1946), dizia: “Os nossos quadros estão no partido (comunista) e em Komsomol (juventude comunista)”. A frase que a maior parte da emigração ucraniana rejeitava revelou-se bastante profética. Como demonstrou a história, os patriotas da Ucrânia se encontravam no partido, em Komsomol e até mesmo no KGB. Apenas entre os delatores e os carrascos não havia patriotas, pois os seus corpos físicos se encontravam na Ucrânia, mas as suas almas, mesmo nos dias de hoje, pertencem às gavetas obscuras dos arquivos moscovitas.

domingo, novembro 27, 2011

Vitali Klitschko e Holodomor


O campeão do boxe e líder do partido UDAR, ucraniano Vitali Klitschko faz parte dos 67% dos ucranianos que consideram Holodomor como genocídio da Nação ucraniana. Eis o depoimento inédito do pugilista.
Pela primeira vez me contou sobre Holodomor a minha avó, Yevdokia Pylypivna. Meninos, eu e meu irmão pensamos que com as histórias terríveis avó simplesmente nós tentava assustar. Eu tinha 9 anos, Volodymyr ainda era pequeno mesmo, mas ambos lembramos até agora aquelas recordações assustadoras.
Avó Dusya recordava como ela, juntamente com as irmãs recolhia a erva Malva sylvestris, como os seus pais escondiam os alimentos dos pelotões de requisições, como gritou a mãe dela, quando estes levavam o trigo. Avó sempre chorava quando se recordava disso, e nós não conseguíamos acreditar que tudo aquilo era verdade. Na grande família da avó havia 8 crianças. Naquele Inverno assustador os seus país e todos os irmãos e irmãs morreram. A pequena Dusya foi salva pelos vizinhos, ela foi única que sobreviveu.
Nos nossos manuais soviéticos da história não havia nenhuma linha sobre a terrível fome de 1932-1933. Mas quase todas as famílias ucranianas ouviram falar sobre este acontecimento. E odiavam em silêncio Stalin, pois sabiam que aquela fome foi o seu plano horrível.
Para mim, o dia 26 de Novembro é o dia da memória da minha avó, dos seus irmãos e irmãs. O dia quando nós recordamos a história da nossa família, a história da Ucrânia, para também poder conta-la aos nossos filhos.
Hoje (26.11) à noite eu acenderei a vela da memória. Pelos todos assassinados sem culpa nenhuma...
Fonte:

Recordar Holodomor em Lisboa

Ler mais sobre Holodomor:

sexta-feira, novembro 25, 2011

High time to see Ukraine


“High time to see Ukraine” é uma série de spots promocionais que pretendem mostrar Ucrânia aos visitantes europeus, nas vésperas do campeonato de futebol Euro-2012. 

Conseguimos abraçar os grandes lugares de nossa pátria maravilhosa e estamos contentes de apresentar várias pérolas da Ucrânia à sua atenção”, explica o filme promocional. 

Os grandes mares que explodem no Cabo Tarchankut na Criméia, os picos das montanhas dos Cárpatos, que se reflectem na superfície do lago de Synevir. A monumental cidade de Kharkiv com seu símbolo – a  Praça da Independência extremamente espaçosa. A cidade de Lviv que valoriza o mistério de uma antiga metrópole. Campos sem fim que estão alimentando vidas durante gerações. O castelo de Kamyenets-Podilskiy com suas muralhas que passaram por muitas épocas e mudanças. O Mosteiro de Svyatohorskiy como uma encarnação da sabedoria e da fé. O estádio Donbass Arena que é um verdadeiro Coliseu ucraniano, o estádio irá assistir a um monte de grandes conquistas no futuro. Para não mencionar Kyiv – a cidade que está nos corações dos ucranianos. Todas estas belezas são apenas uma gota no oceano de maravilhas ucranianas. Milhares de outras coisas espantosas e inéditas foram deixados para trás das filmagens. 

Nós amamos o nosso país e com a genuína hospitalidade ucraniana dizemos "Welcome!" para todos os hóspedes do nosso país. 

Ver no YouTube:



Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas


O dia 26 de Novembro (quarto sábado de todo o mês de Novembro) é o “Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas”, instituído pelo Parlamento Ucraniano para homenagear as vítimas do Holodomor. Faça a sua homenagem, não deixe passar a data em branco. O Holodomor foi o genocídio perpetrado por Stalin e a cúpula do partido comunista soviético contra o povo ucraniano em 1932-33. Nessa tragédia pereceram, vitimados pela fome, doenças e assassinatos, cerca de 5 – 7 milhões de ucranianos, entre homens, mulheres e crianças. O Holodomor foi um crime monstruoso, que abalou até mesmo a base genética da Nação ucraniana, e por isso não pode e não deve ser esquecido!
Bónus:
A parada conjunta dos nazis e do Exército Vermelho em 1939:

quarta-feira, novembro 23, 2011

Holodomor nunca mais!


Analisando o livro que a Associação “CompaRes” pretende editar em forma de colectânea de artigos sobre Holodomor ucraniano, cuja ideia surgiu depois de “Quinzena histórica e cultural da Ucrânia” realizada em 2009 na Reitoria da Universidade de Lisboa e que foi financiada pela comunidade ucraniana em Portugal, fiquei surpreendido pelo facto do alguns capítulos do livro não respeitarem a verdade histórica do genocídio perpetuado pelo regime comunista soviético, nem a memória de milhões de vítimas deste crime.
Conseguimos imaginar que a nossa dor colectiva, a nossa maior tragédia singular do século XX pode contentar alguns e ser indiferente para outros. Mas Holodomor não é nenhum tema de discussão pós – moderna, onde todas as opiniões são válidas e onde todo mundo pode ter a sua razão. Holodomor foi um crime premeditado, calculado, planeado e executado pelas lideranças políticas da URSS e do Partido Comunista da União Soviética, quer ao nível central, em Moscovo, quer ao nível local, na Ucrânia Soviética.
Acusam-nos de nos centrarmos em “demasia” nos casos de canibalismo, ocorridos durante Holodomor, dizem que não são as recordações “bonitas”. Mas estes factos tristes e revoltantes tiveram lugar, eram reais e hoje em dia fazem parte da verdade histórica. Verdade que não pode, nem deve ser mudada consoante a conjuntura política ucraniana, europeia ou mundial.
Também nos acusam de usarmos o Holodomor como arma de arremesso político contra Rússia. O que não é verdade de todo. No passado recente o tribunal ucraniano pronunciou os indivíduos pessoalmente culpados no genocídio ucraniano, eles são: Stalin, Kaganovich, Postyshev, Kossior, entre outros.
Associam constantemente Holodomor com o nome do Presidente ucraniano Viktor Yushchenko. Mas todos os presidentes da Ucrânia independente cuidaram da memória dessa tragédia: Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko. Sim, é verdade que presidente Yushchenko fez mais do que seus predecessores, mas não é menos verdade que não fez tudo e que podia fazer mais.
Dizem que Holodomor é uma arma política apontada contra Rússia e que constitui uma política anti – russa. Não nos parece que alguém no Ocidente ousará classificar a luta pelo reconhecimento do Genocídio Arménio ou Holocausto Judaico como política “anti-turca” ou “anti-alemã” e que alguém no Ocidente ousará associar a memória dos arménios ou judeus exterminados com esta ou aquela força ou personalidade política da Arménia ou do Israel.
Contudo, isso é constantemente e abusivamente feito em relação aos ucranianos. Porquê? Não sabemos. Mas de certeza, não iremos pactuar com isso!
O maior cinismo possível é a tentativa de obrigar as vítimas de financiar os pontos de vista dos seus carrascos. Por isso não peçam aos ucranianos para pagarem as “opiniões” e “divagações” da índole política dos não procuram a verdade histórica dos factos.
Holodomor nunca mais!

terça-feira, novembro 22, 2011

Aniversário da Revolução Laranja


Nos dias 21 – 22 de Novembro se completa o 7° aniversário da Revolução Laranja que em Novembro de 2004 se revoltou contra a falsificação massificada e sem precedentes das eleições presidenciais ucranianas.
Passaram-se sete anos, muitas das promessas feitas não foram cumpridas, Viktor Yuschenko perdeu a confiança das pessoas e não foi eleito para o segundo termo; a Yulia Tymoshenko foi recentemente condenada e neste momento se encontra na cadeia, sofrendo do problema grave da coluna, embora parece que presidente de Yanukovych foi obrigado a permitir que ela seja tratada nos hospitais civis fora da cadeia.
Amedrontados pela possível reacção das pessoas, o poder ucraniano, através do Tribunal Distrital Administrativo de Kyiv, proibiu a condução dos comícios populares em Kyiv. A decisão foi justificada pela, alegada, necessidade de montar a arvore de Natal na Praça (Maydan) de Independência e também “para evitar as inconveniências” durante a estadia em Kyiv do Presidente da Lituânia. País, que diga-se de passagem, desde a primeira hora apoiou a Revolução. Os cibernautas ucranianos chegaram recolher as assinaturas para pedir ao presidente lituano a visitar Ucrânia numa outra ocasião.
Ao mesmo tempo, o poder não quer confrontar as pessoas directamente, por isso Ministério do Interior prometeu que não irá não deter as pessoas que vão celebrar o Dia de Liberdade em Kyiv na Praça de Independência no dia 22 de Novembro.
O chefe do Departamento das RP do Ministério do Interior, Volodymyr Polishuk disse que “polícia apenas levantará o acto contra os organizadores da acção”, escreve edição on-line Tyzhden.
Blogueiro Alexandr Kovalenko escreve que neste momento, para perturbar o comício, o poder usa o sistema de som que transmite a música dita popular, de baixa qualidade artística.
A activista ‎Hanna Sinkova escreve que às 18h30 (menos dois em Maputo, menos 4 em Lisboa, menos 9 em Brasília), na praça de Independência já se reuniram mais de 1500 pessoas, vigiados de perto por cerca de  1000 (!) polícias de choque.
Blogueira Kateryna Avramchuk informa que agora mesmo dois activistas foram detidos pela polícia, não se sabe por que razão.
Ver a Praça de Independência de Kyiv em directo: http://ru.justin.tv/amidov00#/w/2114387744
Para recordar, a Praça de Independência de Kyiv em 5.12.2004, grupo Plach Jeremiji (Choro do Jeremias), composição “Na Maydani” (Na Maydan):

Exibição GULAG no Museu Global do comunismo


A Fundação Memorial Vítimas do Comunismo e a Fundação Freda Utley convidam os interessados para a recepção e a Demonstração Especial da Exibição GULAG no Museu Global do Comunismo on-line.

Local:
First Amendment Lounge
National Press Club
14th & F St. NW
Washington, DC, 20045
18h30 – 20h30,
Quarta - Feira, 30 de Novembro de 2011
Informação adicional até 25 de Novembro com Sr. Nathaniel Green:
Tel. 202-536-2373, e-mail: vocmemorialarrobaaoldotcom

segunda-feira, novembro 21, 2011

Será que sou um illuminati?


Recentemente, o órgão oficial dos comunistas portugueses, o jornal “Avante!” surpreendeu tudo e todos com a revelação bombástica de um tal Jorge Messias: o mundo é dominado pelos illuminati, compostos pela maçonaria, Wall Street e Igreja Católica. O seu livro de cabeceira é a “obra” forjada pelos serviços secretos czaristas, “Protocolos dos Sábios do Sião” e eles estão entre nós. Mexem na economia, mandam na fé, opinam na imprensa, escrevem nos blogues... Dado que também mantenho um blogue, perguntei comigo mesmo, será que também sou um illuminati? Talvez até sem o saber? Decidi por isso analisar a minha vida, talvez assim poderei responder a essa questão nada fácil e muito pertinente. 

Nasci em uma família soviética mediana. Pai e mãe, ambos ateístas; pai era membro da Juventude Comunista (Komsomol), mais tarde ele se filiou no partido. Primeira falha moral: ainda menino ele foi baptizado em segredo pela minha avo. Um padre da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) veio ao domicílio, onde completou a cerimonia sacra selada com um gole do vinho doce, naquela época os padres ortodoxos usavam o “Kagor”. O vinho traiu a avo, pois a criança segredou ao seu pai, o meu avô, que hoje eles tiveram a visita de um “tio”, que lhe tinha dado uma bebidinha gostosa. A avó confessou o “crime”, que podia custar a carreira militar ao avô. Um oficial do exército não podia permitir que seu filho fosse baptizado. Mas o caso ficou sem consequências, ninguém na vizinhança os denunciou às autoridades. Talvez eram rodeados pela boa gente, talvez os delatores eram desorientados pela primavera do Khrushev... 

Filho de uma geração pós – II G.M., pai trocou a pistola pessoal do meu avô pela esferográfica do seu colega da turma que provinha de uma família mais abastada. Naquele tempo os meninos soviéticos iam para escola munidos das canetas de tinta permanente e um tinteiro “não despejável”. O avô de carácter estalinista, ficou, digamos, desapontado com a descoberta. Stalin já lá foi, mas o desaparecimento da arma pessoal poderia significar o tribunal militar. Nas vésperas da II G.M., o meu bisavô pagou com a própria vida por um “delito” infinitamente menor. Este caso também acabou em bem, o colega devolveu a arma, os pais de menino até convidaram o meu pai assistir a televisão na casa deles, sempre que o pai quiser. Os televisões eram muitíssimo raros e caros, orçamento familiar de um oficial do exército não dava para tudo. 

No entanto, quanto eu nasci, o avô, já reformado do exército, era um dos maiores entusiastas do meu baptismo. Foi baptizado em uma igreja da IOR em funcionamento, numa cidade e numa república diferentes da residência habitual dos maus pais. Assim o sistema perdeu a chance de os incomodar por causa da sua “traição dos ideais dos construtores do comunismo”. 

Que não deve andar muito longe, pois  Nikita Khrushev aponta o ano 1980 como o início desta época dourada: “Ainda a actual geração da gente soviética irá viver no comunismo”, — proclama ele. “Do cada um pelas capacidades, a cada um pelas necessidades”, explica as virtudes do comunismo o meu livro escolar. O bilhete do autocarro custa 5 copeque, do trólei – 4, do eléctrico – 3, um telefonema público dentro da cidade – 2, uma caixa de fósforo – 1 e pão no refeitório popular ou medicamentos sob a receita médica são gratuitos. No entanto, recordo a década de 1975 – 1985 como os verdadeiros anos de chumbo. Cinzentos, parecidos uns com outros. Nada acontecia, apenas mudavam os secretários gerais do PCUS, cada vez mais velhos e senis. E rumores, rumores, rumores... A morte do neo – estalinista Andropov é atribuída a sua filha, que dizem os conhecedores, disparou contra o pai por ele não lhe fazer uma vontade qualquer. O meu tio costuma escutar a rádio BBC em língua russa às claras e nós contava os romances radiofónicos abertamente anti-soviéticos, “sabem, ontem escutei uma história tão estúpida, tão ridícula”, começa ele. Lembro que era a história de uma senhora que em Moscovo se via em apuros para comprar um frango... 

Em 1979 a URSS invade o Afeganistão, em 1980 o mundo boicota os jogos olímpicos de Moscovo (na TV mostram os desenhos animados “Mas a bruxa má é contra”, aparentemente para as crianças, mas com a piscadela de olho para os adultos, ursinho olímpico é perseguido pelos mauzões folclóricos); em 1981 o general Jaruzelski decreta o estado de sítio na Polónia. Nenhum sinal do comunismo prometido. 

No entanto, longe de mim questionar o status quo. Num dos meus aniversários, recebo de presente um calhamaço de 800 e tal páginas, chamado “Pioneiros — heróis”. Uma espécie de martirólogo dos jovens santos soviéticos que deram a sua vida pelo regime: desde o apóstolo Pavlik Morozov (mais tarde o seu nome se tornará o sinónimo da traição familiar ideologicamente correcta), que denunciou o próprio pai aos chekistas até os meninos e meninas dos anos 1970 – 1980 que em vez de estudar, gastavam quase todo o ano escolar no trabalho agrícola semi-escravo na Ásia Central e no Cáucaso. Lembro que me agradava a ideia de se tornar um pioneiro – herói, salvar as pessoas através de uma façanha qualquer. 

Desde o primeiro ano escolar, eu e toda a minha turma se tornaram “outubristas”, ou “netos de Lenine”, o primeiro degrau ideológico que um cidadão soviético fazia na longa caminhada para se tornar comunista. Os “outubristas” mais in, entravam na organização em clima de festa, por exemplo no museu do Lenine da cidade. A minha escola não era muito especial, por isso um belo dia nós colocaram as insígnias vermelhas de alumínio em forma da estrela pontiaguda, com a imagem do jovem Lenine no centro, quando ele ainda era conhecido pelo seu nome de baptismo – Vladimir Ulianov. A estrela custava entre 5 à 15 copeque, era vendida nas papelarias e representava um rombo chato nas minhas parcas economias. Os fechos das insígnias se partiam constantemente, principalmente durante as brincadeiras ou as lutas escolares. E a conselheira da turma obrigava comprar uma nova insígnia. As mães mais práticas afixavam a estrela na uniforme com a linha. Assim, ela nunca mais se perdia. 

No terceiro ano escolar chegamos ao próximo passo da caminhada ideológica – tornamo-nos pioneiros. Entrávamos na organização em grupos, a turma até votou para eleger os primeiros a entrarem, os melhores nas notas, depois entraram os medianos, depois os assim – assim e os péssimos alunos entraram automaticamente já no ano seguinte. Eu deveria entrar no segundo grupo, mas chamado à depor, isso é, resolver um exercício de matemática, enrolei-me com o nervosismo (a professora informou que a resolução correcta seria o meu passaporte para o mundo dos escolhidos). Como consequência, entrei no terceiro grupo sem pedir a permissão de ninguém, simplesmente comprei na papelaria o lenço triangular de seda vermelha da má qualidade (“uma partícula da bandeira vermelha”) e apareci na cerimónia simples que teve lugar no parque público perto da minha casa. Ninguém perguntou nada, o lenço foi me apertado no pescoço por um membro do Komsomol (era o funcionamento de tal hierarquia outubrista – pioneiro – komsomolista – comunista). A professora estranhou, mas não ousou retirar o lenço, ninguém se metia de qualquer maneira com “a partícula da bandeira vermelha”. 

Em termos práticos, os outubristas e os pioneiros se dedicavam à recolha de papel usado que escola depois vendia às empresas especializadas. Considerava essa actividade pouco estimulante, pois nos filmes e livros os pioneiros recolhiam os metais que depois se transformavam em tanques ou comboios gloriosos. O papel usado não transmitia nenhuma glória semelhante. 

Na quarta classe a turma me elegeu para o posto do “chefe do conselho do destacamento”. Votaram em mim, pois os restantes colegas não queriam fazer absolutamente nada, a apatia e o desinteresse total reinavam na sociedade soviética em todas as suas instituições. Pelo contrário, fiquei muito orgulhoso de mim mesmo, é a segunda vez que foi escolhido para alguma coisa (no campo de férias de verão recebi o posto de “porta – bandeira”, nas manhas segurava a bandeira que encabeçava a entrada do nosso destacamento para a formação matinal). O estado soviético ainda “usava e abusava” da terminologia militar: destacamento de pioneiros, luta pela produtividade ou pelos planos quinquenais. Ao mesmo tempo, toda a gente roubava algo (se diz “levava”), a escola roubava o nosso dinheiro, o refeitório escolar roubava o nosso leite e pão, no vestuário escolar alguém roubou o meu chapéu tricotado chamado “galito” (grito de moda dos anos 1980, custava 25 rublos no mercado paralelo, fazia parte de uniforme das equipas de esqui), os nossos pais “levavam” para casa os utensílios de escritório. 

Na primeira reunião dos chefes dos conselhos dos destacamentos da escola, temos que enumerar por escrito (!) as promessas das nossas futuras acções: recolher X kg de papel, visitar os veteranos, fazer outras coisas igualmente úteis. Cheguei para essa reunião extremamente entusiasmado e disparei: “então, vamos prometer o que? Vamos votar como?” As meninas presentes olham-se entre elas desconfiadas e me passaram as promessas já escritas do ano passado para as copiar. Não me recordo se as copiei, só sei que uma semana depois renunciei publicamente o meu posto. Passei a esquecer o meu lenço de pioneiro em casa, o estragava com o ferro (nunca aprendi o engomar como deve ser, nem fazer o nó correcto) até que o deixei de usar definitivamente; quando a responsável do Komsomol da escola me perguntou com ar ameaçador onde estava o meu lenço, respondi que tinha saído da organização por opção. Nunca formalizei essa saída oficialmente, hoje tenho pena que não teve a coragem de ir até o fim. Alguns colegas também deixam de usar o lenço, o chamam de “coleira de cão”, outros fazem nó como “pioneiros na RDA”, isso dá um toque de rebeldia, pois na organização são permitidos apenas rituais canónicos, tal como “delegou o grande Lenine”. 

Como não entrei no Komsomol já contei anteriormente. Aos 13-14 anos já se considerava um anticomunista, embora receava o termo e não me sentia totalmente confortável com ele. No meu íntimo gostava de me tornar um verdadeiro anticomunista (e não sabia como), mas também sentia o peso da palavra que receava à assumir. Nos últimos anos da escola deixei de usar o odiável fardamento castanho e vestia um casaco leve da malha capitalista. No casaco ostentava a insígnia que fiz eu próprio: o retrato do czar russo Nicolau II, em forma do ícone, canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior.  

Após a leitura do ensaio do Alexander Soljenitsin “Como nós reconstruiremos a Rússia”, onde ele defende a inexistência dos belarusos, cazaques e ucranianos, tirei o retrato do Nicolau II e o substitui pela frase: “Não há vida sem a metralhadora”. Lembro uma vez, a camponesa trintona (que o trabalho duríssimo no kolkhoze transformou em quarentona), cruzou comigo na paragem do transporte público nos arredores da minha cidade, sugerindo tirar a insígnia. “Não cuide da sua imagem”, disse ela, querendo dizer “Não chama a atenção sobre si”... recordo disso, pois creio que a frase ilustra perfeitamente a trauma de várias gerações dos camponeses ucranianos, “reeducados” pelas diversas experiências comunistas. Não chamar nenhuma atenção sobre a sua pessoa, se esconder, encolher, se tornar invisível, insignificante, e ai talvez, o perigo passará, NKVD irá embora, os requisitores de alimentos não levarão o último pão e a família conseguirá sobreviver até a primavera... 

Não sei se tudo isso faz de mim um bom illuminati...

sábado, novembro 19, 2011

Multinacionais na Ucrânia desrespeitam língua ucraniana


Além do já noticiado caso Starbucks Ukraine, outras multinacionais que mantêm as suas representações na Ucrânia, insistem em manter as suas páginas do Facebook em russo, casos dos: Johnnie Walker Ukraine, Mitsubishi Motors Ukraine, Samsung Ukraine, Nivea Ukraine, etc. 

Pelos vistos, as empresas gostam do dinheiro ucraniano, mas não têm nenhum respeito pelos direitos fundamentais dos consumidores ucranianos de serem servidos no seu próprio país na sua língua nacional que é a língua oficial da Ucrânia. 

Assim, os ucranianos vivem em uma espécie da ocupação linguística, apoiada pelas multinacionais mais ricas do mundo...  

Enquanto isso, no Facebook apareceu mais uma página Starbucks na Ucrânia, provavelmente não oficial, que é mantida em russo e que apaga todos os comentários dos que pedem para passar para a língua ucraniana.

p.s.
Entre as empresas acima citadas, até agora apenas Nivea Ukraine reagiu a crítica, agradecendo o nosso reparo, prometendo fazer a pesquisa de opinião entre os usuários sobre que língua que deverá usar logo que a sua página atingir o marco de 10.000 “Gosto”.
Bónus
No dia 9 de Novembro, Ucrânia celebra o Dia da Língua e da Escrita ucranianas, por essa ocasião, o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, felicitou o povo ucraniano na sua página de Facebook, onde postou uma mensagem de vídeo, na qual o estadista georgiano afirma:
A língua ucraniana, tal como a Nação ucraniana amam e adoram a liberdade. Ucraniano superou todas as privações e na luta adquiriu o direito de existir. Dizem que a língua do povo é a sua alma, e eu acho que isso é verdade, a alma ucraniana, é o mesmo que a língua ucraniana”.

Ver no YouTube:

A forma como morreu Gaddafi...


Francamente, fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas, seguramente bem intencionados, que lamentaram publicamente a morte do ditador Gaddafi.

Muitos deles, que até se intitulam da gente de esquerda, escolheram as palavras pouco simpáticas para com os seus captores e alegadamente, carrascos. Mas o que eles esperavam? Que os militantes da Brigada do Sirte, que resistiram ao cerco das tropas do ditador durante 70 dias iriam o prender, lendo lhe os seus direitos constitucionais, como acontece nos filmes americanos? Mas a Líbia nem possui uma constituição formal, esta foi substituída pelo Livro Verde, assinado pelo mesmo coronel, cuja morte é tão fortemente criticada pelos pacifistas de esquerda.

A forma como morreu Gaddafi não difere em absolutamente nada da forma como todos os dias do ano são mortos centenas de milhares de pessoas em diversos cantos do 3° mundo, do Vladivostok à Joanesburgo, de Mumbai à Maputo. Assaltados, assassinados, estuprados entre as paragens do transporte colectivo e as suas pacatas casas, muitas vezes por um punhado dos randes, rublos, rupees, meticais ou um celular de 2ª mão. Mas ninguém os conta e ninguém os chama de heróis, aparentemente, em vez de resistir aos “avanços da NATO” estas pessoas trabalham de sol à sol, tentando sobreviver nos países muitos vezes comandados pelos outros ditadores e até amigos do Gaddafi, que drenam as riquezas nacionais para as suas tendas de luxo, concertos familiares privados com estrelas “ingénuas” ocidentais, MBA’s no Ocidente para os filhos e claro, a compra do armamento ocidental para a luta ferozmente de faz de conta contra Ocidente.

A forma como morreu Gaddafi é apenas uma variante cultural (e esquerda nós ensina que devemos respeitar as diferenças culturais de cada povo), da maneira como morreram Ceauşescu e Saddam, um fuzilado e outro enforcado, praticamente, pelos seus próprias guardas.

A forma como morreu Gaddafi seguramente irá nos parecer demasiadamente branda, quando milhões dos autistas actuais da Correia do Norte acordarem do seu sono profundo e apresentarão as contas à dinastia vermelha dos Kim’s pelo mais do meio século do seu atraso gratuitamente colossal, que mais parece com vários séculos, se os comparamos com os seus irmãos na vizinha Correia do Sul.

A forma como morreu Gaddafi, deve, em teoria, oferecer uma pequena demonstração grátis aos outros ditadores ainda em activo, daquilo que irá acontecer com os indivíduos que brutalizam os seus povos, acreditando que o mesmo povo os ama.

A forma como morreu Gaddafi foi absolutamente proporcionalmente digna à forma como ele viveu e como comandou os destinos do seu país durante últimos 42 anos. É hora de entender, que os próprios dirigentes escolhem a maneira como eles morrem e quem mata pelo ferro, pelo ferro morre. E as possíveis excepções só podem reforçar a regra geral.

Bónus

Aconselho ver o filme documental da autoria do jornalista do canal Aljazeera English, Imran Garda, chamado “India’s Silent War” sobre a vida quotidiana do povos indígenas Adivasi (84 milhões de pessoas), encurralado entre o estado indiano e os rebeldes maoistas na sua luta armada pela utopia totalitária.
 
Ver no YouTube:

quinta-feira, novembro 17, 2011

Descubra os amish ucranianos


Na província ucraniana de Ternopil, nas aldeias Kosmaryn e Stinka vivem os amish ucranianos, adeptos do movimento religioso que não aceita os bens materiais da civilização e tenta manter a distância do qualquer relacionamento com Estado. 

Eles usam as invenções tecnológicas apenas do século XVII – XVIII, o resto é proibido, assim como abortos, adornos, viagens aéreas ou a roupa moderna. As mulheres amish são popularmente conhecidas em Ternopil como “marcadores” (por causa dos seus coloridos lenços de cores vivas), os homens – “chapeleiros” (por causa dos chapéus característicos). 

Os amish ucranianos recusam qualquer contacto “pecaminoso” com Estado, por isso não pagam impostos, não usam seguros, não cumprem o serviço militar obrigatório, não recorrem à medicina estatal. Por isso a mortalidade infantil entre os amish é muito alta, assim como a natalidade. Em média, a família amish ucraniana tem 15 – 20 crianças. Moradora da aldeia de Kosmaryn, trintona Maryna, conta que a sua avo tem cerca de 300 netos. As famílias alargadas vivem nas casas azuis, várias gerações na mesma casa. Os mais velhos cuidam dos mais novos. As crianças amish permanecem na escola até a oitava (o secundário ucraniano incompleto). 

Nos EUA e Canadá, onde vive a maioria dos amish, eles permitem que três anos antes do baptismo (amish se baptizam em consciência), os seus jovens são libertados para conhecerem o mundo exterior. Apenas os que voltam se tornam verdadeiros amish, outras crianças são publicamente e definitivamente rejeitadas. Nos EUA até existe um show televisivo dedicado ao crescimento dos jovens amish. 

As meninas são as que voltam menos, por isso os amish não gostam de filmagens, dos turistas, dos jornalistas e outros visitantes do mundo exterior. Mas não podem usar a violência, por isso simplesmente se escondem. 

As casas dos amish ucranianos são iluminados com as lamparinas de petróleo, eles não constroem as igrejas e não visitam, nem cuidam dos seus cemitérios. Por isso todas as campas amish são dominadas pelas ervas daninhas, menos uma. A do profeta local Ivan Derkach que introduziu a fé amish nesta região da Ucrânia Ocidental. 

Fonte (ver vídeo):

Bónus 

Uma única curiosidade, apesar da recusa geral de manejar as invenções tecnológicas da civilização, o usuário riznyk informa que os amish ucranianos usam os telemóveis, pois, se calhar, existe alguma passagem da Bíblia que os torna menos pecaminosos...

terça-feira, novembro 15, 2011

“Obra” que os nazis divulgavam e os comunistas defendem


A frase “Será que Deus consegue criar a pedra que não consegue levantar?” foi inventada pela propaganda ateia para embaraçar os sacerdotes nos debates públicos para provar a inexistência do Deus.
Uma pergunta semelhante pode ser formulada em relação aos “Protocolos dos Sábios do Sião”: será que as forças que, alegadamente, pretendem dominar o mundo são tão estúpidas que se expõem publicamente? Ou seja, ou os “Sábios do Sião” são extremamente poderosos e ai não se percebe como eles se auto denunciam daquela maneira ou então, são bastante estúpidos e não possuem o poder para controlar lá grande coisa.
Apenas o PCP, o “Avante!”, um tal Jorge Messias e a grande parte da esquerda portuguesa não vêem contradição alguma nisso. Claro, eles sabem que para atacar os direitos da classe operária e camponesa o “sionismo global” é capaz de tudo. Até criar a pedra que Deus não consegue levantar ou o escrever o livro cuja reedição foi 22 vezes (!) patrocinada pelo partido nazi.
O comunismo é definitivamente = ao nazismo...

Amazing Geórgia


Segundo o estudo Doing Business 2012, Geórgia ocupa o 1° lugar mundial no domínio do registo dos imóveis (Registering Property), graças às reformas no sector, em curso no país.
Os dados do inquérito condizido pelo Banco Mundial e pela Corporação Financeira Internacional (IFC), que teve lugar entre Junho de 2010 e Junho de 2011 em 183 países, apontam que Geórgia ocupa o 1° lugar em registo dos imóveis e 16° lugar global. É de notar, que no domínio dos imóveis, Geórgia ocupava 16ª posição em 2006, 11ª em 2007 e 2ª em 2008.
O registo dos imóveis na Geórgia desde 2004 é feito pela Agência Nacional dos Registos Públicos do Ministério da Justiça e a qualidade dos seus serviços pode ser invejada por muitos países da União Europeia.
O ranking mundial global é encabeçado pela Singapura, Hong-Kong e Nova Zelândia, Geórgia ocupa a 16ª posição (17ª em 2011), Portugal – 30ª, Brasil – 126ª, Moçambique – 139ª, Ucrânia — 152ª (149ª em 2011), São Tome – 163ª, Timor Leste – 168ª, Angola – 172ª, Guiné Bissau – 176ª.
O que fez Geórgia (e o que devem fazer todos os países que pretendem atrair o capital doméstico e estrangeiro): as taxas administrativas podem ser pagas por diversas vias e não apenas via banco, mudanças do Código Civil, simplificação da obtenção do crédito, alargando o leque dos activos que podem ser usados com a garantia, defesa dos direitos do investidor (procedimentos sobre as transacções entre as partes), simplificação do pagamento dos impostos, principalmente nos procedimentos do pagamento do IVA, introdução do sistema electrónico do preenchimento da declaração e o pagamento dos impostos.
Pontos menos fortes da Geórgia neste momento são os procedimentos da declaração da bancarrota e o acesso à energia eléctrica.
O estudo actualmente abrange os 183 países e se centra em 10 domínios: início do negócio, obtenção das permissões, ligação à energia eléctrica, registo da propriedade, obtenção do crédito, defesa do investidor, sistema tributário, comércio internacional, garantias da execução dos contractos, contratação de mão de obra.
Fonte:
http://www.doingbusiness.org/reports/global-reports/doing-business-2012

Além disso, recentemente Geórgia consegui o 2° lugar entre 80 países no índice da acessibilidade dos cidadãos à informação sobre o orçamento estatal.
O Centro da Lei e Democracia (CLD), em conjunto com Access Info Europe (AIE) e International Budget Partnership (IBP), levou a cabo a extensa examinação internacional do nível da acessibilidade pública às informações sobre o orçamento do estado de cada país. No decorrer do inquérito, as ONG’s em 80 países fizeram aos respectivos Governos nacionais seis perguntas – chave sobre as despesas do orçamento. As perguntas eram focadas em três áreas temáticas, intimamente relacionadas com a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente, a saúde materna, a assistência ao desenvolvimento e ao meio ambiente.
A lista foi encabeçada pela Nova Zelândia, em 2° ficou Geórgia, seguida por Índia, Namíbia, Arménia, Colômbia, Ucrânia, Montenegro, Sérvia, Bulgária, Croácia, Eslovénia, África do Sul e Alemanha, no 80° e último lugar ficou a Venezuela do Hugo Cháves (ver a lista completa).
A particularidade da campanha residiu no facto do que em nenhum país os órgãos estatais foram previamente informados sobre a condução do estudo.
Ler mais sobre a Campanha de seis perguntas (em espanhol).
Bónus
Ler a história do georgiano Niko Bagrationi, que participou na guerra anglo – bóer (era conhecido como Niko, o Bóer), na qualidade do voluntário estrangeiro do exército africânder.