sexta-feira, setembro 30, 2011

Ucraniana eleita Vice – Miss Universo


A ucraniana Olesia Stefanko (23) foi eleita no passado dia 12, a Vice – Miss Universo 2011, concurso realizado na cidade brasileira de São Paulo. O certame foi ganho pela angolana Leila Lopes.
Participaram da competição 89 meninas de todo o mundo. Antecipadamente os organizadores anunciaram as vencedoras nas categorias de “Miss Fotogénica”, ganho pela sueca Ronnie Fornstedt e “Miss Simpatia”, conseguida pela Nikolina Lončar do Montenegro.
Antes do desfile final todas as participantes subiram ao palco, onde foram apresentados os nomes das 15 finalistas seleccionadas pelo júri na base da competição preliminar. Apenas Laura Gonçalves de Portugal foi escolhida pelo voto popular resultante da votação na Internet.
Na luta directa pelo título entraram as concorrentes da França, Kosovo, Colômbia, China, Angola, Austrália, Porto Rico, Brasil, Holanda, EUA, Ucrânia, Panamá, Costa Rica, Portugal, Filipinas e Venezuela.
Em seguida, 16 finalistas participaram no desfile em fato de banho. Entre elas o júri seleccionou dez meninas que desfilaram em vestidos de noite. Na terceira parte do concurso concorreram apenas cinco beldades – representantes da Ucrânia, Filipinas, China, Brasil e Angola, elas tiveram que responder as perguntas do júri.
Miss Universo é um dos mais prestigiados concursos internacionais de beleza. Os seus direitos pertencem ao empresário americano Donald Trump e à emissora NBC. Show em São Paulo foi transmitido ao vivo para uma audiência de mais de 1 bilhão de pessoas em 189 países.
Fonte:
http://belezaepica.wordpress.com/tag/miss-universo-2011 

Bónus 

A ucraniana Olesia Stefanko nasceu na cidade de Kolomyia na Ucrânia Ocidental e estuda na cidade de Odessa. Infelizmente, pelos vistos, é mais uma pessoa que sofre daquilo que chamo de “complexo de Cinderela”. Respondeu a pergunta de júri em russo e quando lhe perguntaram com qual personalidade histórica gostaria de trocar o lugar escolheu... Cleópatra. Os comentaristas do canal angolano TV Zimbo, pelo qual assisti o concurso, até acharam óptimo, pois como disseram “significa que Olecia conhece a história”. Entende-se que existem países onde o simples facto de alguém saber sobre a existência de Cleópatra é visto como algo espectacular e digno do registo. Mas francamente, não é o caso... Apenas me lembrou um outro concurso internacional de beleza decorrido em Sun-City na África do Sul. Lá a representante da Ucrânia também falou em russo e quando teve que discursas disse algo assim: “Me disseram que vocês aqui... tem uma cidade maravilhosa...parecida como o conto de fadas...”

quinta-feira, setembro 29, 2011

Ucranianos na cultura pop ocidental


Após dedicar a primeira parte do estudo ao retrato da Ucrânia e das ucranianas (ler AQUI) nas telões de Hollywood, vamos ver como a cultura pop aproveita (ou aproveita-se) dos ucranianos machos.

Andriy Shevchenko nasceu em Yahotyn na província de Kyiv e se tornou o jogador do Dynamo Kyiv e da selecção da Ucrânia. Em 1999 ele transferiu-se para AC Milão, em 2006 foi para Chelsea, nas últimas épocas novamente representa Dynamo Kyiv. É casado com modelo americana de origem polaca, Kristen Pazik e até fez as aparições como modelo para o seu amigo pessoal, designer Giorgio Armani. Shevchenko fala inglês, italiano e russo, apenas não se expressa em ucraniano, pelo menos publicamente.

Enquanto o campeão mundial de boxe na versão WBC Vitali Klitschko se interessa pela política, o seu irmão Wladimir continua a carreira do pugilista, reunindo os títulos de pesos pesados pelas versões de IBF, WBO, IBO e revista Ring Magazine. Além do boxe, Wladimir Klitschko fez duas aparições curtas no cinema: em “Ocean’s Eleven” (2001) e no “Keinohrhasen” (Coelho sem Orelhas), comédia romântica estrelada e dirigida pelo alemão Til Schweiger. Wladimir Klitschko também aparece no papel do vaqueiro dançante no vídeo musical “Part of Me” do Chris Cornell e Timbaland. A história reza que Chris Cornell (ex-vocalista dos Soundgraden) conheceu Klitschko em uma tentativa de luta de rua e em resultado eles se tornaram amigos. Além disso, ambos os irmãos Klitschko participam no filme autobiográfico Klitschko inside the ropes (Klitschko: no ringue).

Outro ucraniano famoso é Eugene Hutz (Yevhen Hudz), vocalista do grupo do punk cigano Gogol Bordello e actor. Nascido em 1972 em Boyarka, província de Kyiv, ele possui as raízes russas, ucranianos e ciganas. Após o desastre de Chornobyl, a sua família emigrou para os EUA, através de longa viagem pela Polónia, Hungria, Áustria e Itália. Em 1999, Gogol Bordello editaram o seu primeiro álbum, que brevemente os tornou mundialmente famosos, foram convidados a tocar nos festivais como Coachella, Lollapalooza, Glastonbury, entre outros. Actualmente Hutz vive entre Nova Iorque e Rio de Janeiro. Em 2008 ele participou no filme – debute da Madonna “Filth and Wisdom”. Aparentemente, Madonna ficou impressionada com a sua performance no concerto “London Live Earth 7” em Julho de 2007, onde eles juntos cantaram e tocaram “La Isla Bonita”.

A origem ucraniana do actor americano Jack Palance (1919-2006) nunca foi o segredo. Nascido como Volodymyr Palahniuk em Hazle Township em Pennsylvania, ele era filho dos imigrantes ucranianos. O seu pai mineiro veio da aldeia de Ivane Zolote da Ucrânia Ocidental e a mãe veio da região de Lviv. Jack Palance sempre teve orgulho das suas origens. Em 2004 ele foi convidado para o festival “Russian Nights” em Los Angeles. Quando os organizadores tentaram lhe entregar o prémio “Artista Popular da Rússia”, Jack Palance disse: “I have nothing to do with Russia or Russian film. My parents were born in Ukraine: I’m Ukrainian. I’m not Russian. Excuse me, but I don’t belong here.” Logo à seguir, ele deixou a sala, apesar da insistência prolongada dos organizadores de lhe entregar o prémio em privado.

Outro Palahniuk famoso é o autor de culto, Charles “Chuck” Palahniuk. O seu avo emigrou da Ucrânia para Canadá, da onde a família se mudou para os EUA. Chuk Palahniuk celebrizou-se pelo seu romance “Clube de Combate,” estrelado no cinema pelo Edward Norton e Brad Pitt.

O realizador americano Vadim Perelman nasceu em Kyiv em 1963, aos nove anos ele perdeu o seu pai em ocidente de viação. Cinco anos mais tarde ele e a sua mãe emigraram para Canadá. Perelman se tornou famoso após o filme de estreia, House of Sand and Fog cujo guião também foi escrito por ele. O filme com Jennifer Conneli e Ben Kingsley nos papeis principais recebeu a nomeação para o Óscar.

Outro astro de Hollywood, Sylvester Stallone, também tem origens ucranianas. A avo da sua mãe Jacquelyn Stallone nasceu e cresceu em Odessa. Em 2002 ela visitou a cidade para procurar as suas raízes. Infelizmente, o filho é demasiadamente ocupado para isso.

Fonte:
http://www.kyivpost.com/guide/general/45373/print

quarta-feira, setembro 28, 2011

Ucranianos na revolta de Varsóvia


Em Setembro – Outubro de 1944 o Estado Clandestino Polaco e o seu exército, Armia Krajowa (AK) iniciaram a revolta anti-nazi, que foi derrotada por não receber auxílio soviético, a decisão estratégica do Stalin, para enfraquecer as forças anticomunistas da Polónia. 

Vários ucranianos participaram na revolta, ao lado das forças anticomunistas polacas, embora logo no início da revolta, provavelmente de propósito, foi lançado o rumor absolutamente falso do que as unidades ucranianas, nomeadamente Divisão Galiza participam no esmagamento da revolta, os seus soldados, alegadamente, cometiam os crimes contra a população civil polaca... 

por: Roman Szagala, jornal Nasze Slowo (Polónia)

Logo após a ocupação da Polónia, os nazis proibiram o funcionamento das organizações sociais e educacionais ucranianas, vários dirigentes ucranianas foram enviados para os campos de concentração. Por exemplo, o chefe da Direcção Central do Comité Central Ucraniano, Mykola Kovalski (1855-1944) foi preso e enviado para o campo de concentração de Stutthof, depois para Dachau, onde ele morreu. Ex-funcionário da Secção militar da Missão Diplomática Extraordinária da UNR na Polónia, Illya Chudnenko, até o fim da II G.M., estava preso em Auszwitz. Um dos líderes da resistência armada ucraniana, Taras Bulba – Borovets, em 1934-1935 prisioneiro do campo de concentração polaco de Bereza Kartuska, em 1943 foi preso em Varsóvia pelo Gestapo e enviado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen. 

Vários oficiais do exército da UNR, defenderam a Polónia em 1939, após o ataque da Alemanha nazi, o mais graduado foi o general (coronel diplomado do exército polaco), Pavlo Shandruk. Em 1939 ele comandava o estado – maior da 29ª brigada de infantaria, nos dias 20 – 29 de Setembro de 1939 comandava a defesa de (Замостя). Em 1945 Pavlo Shandruk tomou o comando da Divisão Galiza, em 1949 emigrou para os EUA, o Governo polaco no exílio o condecorou com a ordem militar “Virtuti Militari” da V classe.

Em 31 de Março de 1944 o tribunal militar especial do AK ordenou o assassinato do ex-dirigente da Comité Auxiliar Ucraniano, ex-coronel do exército da UNR, Mykhaylo Pohotovko, sem nenhuma decisão formal foram assassinados quatro outros funcionários do mesmo Comité. Poucos ucranianos tiveram a coragem de participar na cerimónia do enterro do coronel Pohotovko e os seus companheiros, receando o massacre dos nacionalistas polacos. 

Desde o início da revolta, os revoltosos polacos começaram procurar e aprisionar os ucranianos, baseados na informação não confirmada que os ucranianos eram “pombeiros” (gołębiarzе), assim em Varsóvia eram conhecidos os franco-atiradores. Os ucranianos detidos eram colocados nos esquadros da polícia e nas cadeias, eram obrigados fazer vários trabalhos manuais. 

Um dos exemplos dessa “caça aos ucranianos”, por parte dos nacionalistas polacos era a história do Lev Bykovskiy, ex-oficial do exército da UNR. Engenheiro de profissão, ele foi bibliógrafo, estudioso, editor, redactor, publicista, escritor, agente cultural e economista, desde 1928 funcionário da Biblioteca Pública de Varsóvia, primeiro como bibliotecário, depois como o seu director. Durante a revolta, ele recebia para a guarda os diversos livros e arquivos vindos dos particulares e das instituições ucranianas. Em 22 de Setembro de 1944 engenheiro Bykovskiy foi preso e espancado pelos insurgentes polacos, que o enviaram para a construção de barricadas, onde ele foi gravemente ferido na garganta por estilhaço de obus nazi. Mais tarde, ele foi inocentado pelo tribunal polaco. Em Dezembro de 1944 Bykovskiy escreveu o livro de memórias “Revolta polaca em Varsóvia em 1944: lembranças da testemunha”, editada em ucraniano em 1963 em Londres e sob a sua autorização em 1964 em polaco em Paris. 

No primeiro dia da revolta, no combate contra os nazis morreu ucraniano Orest Fedoronko, porta-estandarte “Fort” do Comando de Sabotagem do AK, filho do capelão – mor ortodoxo do Exército Polaco, Semen Fedoronko, assassinado pelo NKVD em 1940 no Massacre de Katyn. 

Outro ucraniano, Andriy Hitchenko (1926-24.01.2004), filho do cônsul da UNR na Polónia, fazia parte do comando do AK “Baszta”. Duas vezes ferido em combate, preso pelos nazis após a derrota da revolta, ele sobreviveu a II G.M., foi graduado pelo Instituto Politécnico de Varsóvia e até a sua reforma trabalhou nos caminhos de ferro polacos. 

O capitão de cavalaria do exército da UNR (tenente contratado no exército polaco), Ivan Mytrus – Vigovski também lutou nas fileiras da AK. Nascido em 1897 na aldeia Umanska na Kuban, em 1907 é admitido no Corpo de Cadetes de Tbilisi, mas em 1912 é expulso por “ucranianofilia”, nos seus livros foi encontrada a colect6anea poética Kobzar do Taras Shevchenko. Ivan Mytrus participou na defesa da Polónia em 1939, em 1940-1944 fez parte do Comando de Sabotagem do AK, morreu, provavelmente, durante a revolta de Varsóvia.

Durante a revolta, o bairro Wolia de Varsóvia foi o palco de batalhas sangrentas entre polacos e alemães. No início de Agosto de 1944 os nazis mataram toda a família do padre ucraniano Anton Lalyshevych, os alemães chacinaram as crianças e o pessoal auxiliar do orfanato ortodoxo ucraniano na rua Wolska № 149. No segundo dia da revolta, os nazis destruíram a igreja grego – católica ucraniana na rua Medowa № 16, onde morreu o seu padre Klementij Kernitski e o monge Veniamin Klachinski. Também foi destruída pelos nazis a igreja ortodoxa da Santa Trindade (cidade velha, rua Podwale № 5), restaurada após a guerra e em 2002 devolvida à Metrópole ortodoxa de Varsóvia. 

Segundo os dados históricos, a unidades do exército alemão mais brutal para com as populações civis polacas era a brigada Kaminski (1ª Unidade SS do Exército Popular Russo de Libertação – RONA), chefiada pelo Bronislav Kaminski, polaco de origem por parte do pai. No seu livro Rising-44 («Revolta-44»), historiador britânico Norman Davies confirma a participação do regimento da SS RONA, chefiado pelo Brigadeführer Bronislav Kaminski (líder do Partido Nacional – Socialista Russo) na repressão da revolta de Varsóvia. O regimento RONA foi formado entre os voluntários russos na região russa de Briansk. Norman Davies não lista nenhuma formação etnicamente ucraniana que participou no esmagamento da revolta, a Legião Ucraniana de Autodefesa (31° batalhão da defesa do SD alemão), com 200 soldados, chegou a Varsóvia já após a sua derrota.

No entanto, as informações falsas sobre alegada participação dos ucranianos foram várias vezes repetidas na imprensa clandestina polaca daquela época, criando, dessa maneira o mito na inconsciência colectiva da sociedade polaca. Estes mitos também foram repetidos propositadamente em alguns estudos historiográficos posteriores.  
Recentemente, os famoso historiador e especialista em história de Varsóvia, Jerzy Majewski em conjunto com Tomasz Uzikowski colocaram o ponto sobre I, nesta questão. Na guia turística sobre a revolta de Varsóvia, a biografia curta do Bronislav Kaminski se chama: “Não são os ucranianos, mas RONA”. 

Segundo a “Enciclopédia Ucraniana”, durante a revolta de Varsóvia morreram cerca de 200 ucranianos. Tento em conta que antes de 1939 viviam na cidade cerca de 2.000-2.500 ucranianos, significa que as perdas ucranianas chegaram à 10%. A maioria foi sepultada no cemitério ortodoxo de Wolia, hoje é quase impossível obter a lista dos falecidos e assassinados, pois naquela altura não eram emitidos as declarações da morte.  

Após o fim da revolta, os moradores de Varsóvia que sobreviveram, foram levados até o campo de concentração de Pruszków. Entre os ucranianos, lá parou a família do ex-militar do exército da UNR, Anton Denysenko, sua esposa Olexandra e a filha bebé. Do Pruszków eles foram levados aos trabalhos forçados na Alemanha. 

Fonte:
http://www.istpravda.com.ua/digest/2010/10/22/895/view_print (em ucraniano)
http://nslowo.pl/content/view/1210/99 (original)
http://nslowo.pl/content/view/1288/146\ (em polaco)

Ver o filme documental sobre a revolta de Varsóvia:
http://www.youtube.com/watch?v=7qLNsIP2_eY&feature=player_embedded



segunda-feira, setembro 26, 2011

Ucrânia na 66ª sessão da AG da ONU


Durante a 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU o nome da Ucrânia foi mencionado algumas vezes, em circunstâncias mais que diversas. 

Primeiro, foi o Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, que disse na sua intervenção na 5ª Feira que Moscovo usa “embargo, chantagem e o ditado brutal” contra Ucrânia, Moldova e Belarus. Além disso, Presidente georgiano acusou Moscovo de fomentar o terrorismo e ocupar o território da Geórgia, escreve agência ucraniana UNIAN. 

O primeiro – ministro israelita, Benjamin Netanyahu, discursando na passada sexta – feira aproveitou a ocasião para “picar” Ucrânia. Recordando os judeus que “nunca deixaram de sonhar sobre Israel”, ele falou sobre “Jews in the Ukraine, fleeing the pogroms” (http://elfagr.org/Detail.aspx?nwsId=58201&secid=24&vid=2). Anteriormente, no dia 23 de Maio deste ano, Netanyahu discursou na conferência de AIPAC, onde falou sobre “the wholesale slaughter of the Jews of the Ukraine, the pogroms in Russia”. (Benjamin-netanyahus-speech-to-aipac). 

É um exemplo mais que perfeito do “pacote completo” dos clichés anti-ucranianos praticados para difamar e diminuir Ucrânia. Primeiro, deveria ser não The Ukraine, mas apenas Ukraine. Segundo, seguindo a política de “colocar Rússia em primeiro”, no texto usado na ONU, Rússia “milagrosamente” já não consta. Embora a palavra “pogrom” é uma palavra russa; os pogroms eram apadrinhados pelo serviço secreto russo Okhranka e executados pelas organizações russas chauvinistas, xenófobas e anti-ucranianas, como União do Povo Russo, União do Arcanjo Miguel ou movimento Centenas Negras. 

Além disso, durante a II G.M., pelo menos 2363 ucranianos arriscaram as suas vidas para salvarem os judeus do extermínio nazi. Ucrânia é o 4º país do mundo em número dos Justos entre as nações. Mas este facto já não se costuma mencionar quando se fala sobre Ucrânia, embora o número seja reconhecido oficialmente pela organização israelita Yad Vashem 

No fim “brilhou” o serviço de imprensa do presidente Yanukovych, que informou sobre o alegado encontro entre Yanukovych e Barack Obama, que alegadamente teve lugar em 21 de Setembro na “recepção oficial do presidente dos Estados Unidos”. Neste alegado encontro, Barack Obama alegadamente notou “a grande contribuição que a actual liderança ucraniana faz na questão da segurança nuclear no mundo”. 

No entanto, a página oficial da Casa Branca informa que no dia 21 de Setembro Barack Obama teve os encontros com Benjamin Netanyahu, com o primeiro-ministro do Japão Yoshihiko Noda, com secretário-geral da ONU, com o presidente francês Nicolas Sarkozy, com o primeiro-ministro britânico David Cameron, com o presidente do Sudão do Sul e com o chefe da Autoridade Palestina. Não existe nenhuma menção de Yanukovych nem na agenda, nem no blogue do Obama, aliás, naquela quarta-feira o presidente americano não teve nenhum outro encontro, escreve edição ucraniana on-line Bigmir Ukraine. 

Nestas condições, como escrevem vários internautas ucranianos, não resta mais nada do que convidar Mikheil Saakashvili para ser o Presidente da Ucrânia, talvez só assim o país alcançará a sua verdadeira independência política e energética.   

ONU na Ucrânia:
http://www.un.org.ua

O coro ucraniano em Lisboa


O coro ucraniano Bulava vindo do Reino Unido cantou neste Domingo em Lisboa na igreja de São José de Arroios. 

Página oficial do coro:
http://www.bulavachorus.co.uk

domingo, setembro 25, 2011

Revolução e terror das camisetas


A última campanha de terror e perseguição dos oponentes políticos começou na Ucrânia com um slogan criado pelos fãs de futebol. “Obrigado ao povo de Donbas pelo presidente pidoras”, gritavam os fãs de FC Dynamo Kyiv nos jogos da sua equipa com FC Shakhtar Donetsk. Visto que o presidente ucraniano tem um feio passado criminal, os fãs usaram a palavra do calão prisional “pidoras”, que significa homossexual passivo (nas prisões soviéticas estes se encontravam no mais fundo da hierarquia prisional e podiam ser abusados por outros presos).
A empresa privada ucraniana “ProstoPrint” usou o slogan “Obrigado ao povo de Donbas ...” para fazer a impressão em camisetas e outra mercadoria. Após o seu aparecimento no mercado os acontecimentos precipitaram-se: a polícia criminal invadiu a empresa e confiscou todos os seus produtos, equipamentos e documentação, paralisando e praticamente destruindo o negócio que demorou cinco anos para ser erguido, escreve página Demotix.com.
“Como existe no nosso país um grande número de pessoas que estão insatisfeitos com a política (do presidente Yanukovych), esses produtos se tornaram muito populares”, explica o proprietário e gestor da empresa Denis Oleinikov. Entendendo o slogan como a crítica do presidente, o poder ucraniano partiu para o contra-ataque, primeiro Oleinikov recebeu um telefonema no seu telemóvel particular com a recomendação de parar imediatamente as vendas de todos os produtos criticando Yanukovych. A proposta anónima foi recusada e como represália no dia 6 de Setembro a polícia criminal efectuou as buscas nos escritórios da “ProstoPrint”. A polícia de Kyiv abriu o caso criminal, acusando a empresa de usar indevidamente os símbolos do Euro 2012 e indiciando dez funcionários da “ProstoPrint”.
No dia 12 de Setembro os funcionários da empresa e os seus parceiros organizaram o flashmob contra as repressões políticas que pretendem castigar a produção, distribuição e vendas dos produtos que contém o slogam “Obrigado ao povo de Donbas...”  
Na entrevista à página ChernikovSun Denis Oleinikov contou que os funcionários da empresa, chamados para depor recebem ameaças verbais e são submetidos a pressão psicológica. Uma das funcionárias recebeu a ameaça de ser violada, vinda de dois oficiais da ... polícia ucraniana. Na sua página de Facebook Oleinikov escreveu: “É o quinto dia quando eu, director e proprietário da empresa não tenho permissão de me encontrar com o investigador. /.../ Eu afirmo: “ProstoPrint” não violou as leis da Ucrânia. /.../ Os funcionários da “ProstoPrint” são convidados para depor, muitos pela terceira – quarta vez”.
Durante o flashmob Denis Oleinikov distribuia as camisetas “Não tenha medo”, a acção teve poucos participantes (o tal medo), mas por vezes os carros que passavam pelas imediações faziam o sinal em apoio à iniciativa, escreve Focus.ua.
No dia 15 de Setembro, quando “ProstoPrint” organizou no centro de Kyiv a feira popular autorizada pela câmara municipal, onde vendia camisetas, bolsas e canecas com os slogans «Obirgado ao povo de Donbas pelo ananás», «Krovosisi by aZara» e UBOZ – 2012. Mas apenas 5 minutos após o início da feira, que reuniu cerca de 200 pessoas, os seus organizadores foram cercados por várias dezenas de polícias de choque da unidade Berkut. A polícia empurrava e batia nos presentes (incluindo nos jornalistas), destruindo pelo menos uma câmara fotográfica. Em seguida, a polícia apreendeu a caixa com a mercadoria e a levou até o autocarro policial, enquanto os cidadãos presentes gritavam “Ladrões” e “Obrigado ao povo de Donbas”.

Um dos organizadores da feira, Olexander Kondratyuk, contou que duas horas antes do início do evento os organizadores receberam ameaças vindas da Direcção Geral do Ministério do Interior da Ucrânia. A polícia ameaçava os organizadores do evento com "responsabilidade", contou  Kondratyuk.
No dia 19 de Setembro em Kyiv se deu o caso do jovem Andriy Orest, que foi baleado (!) na mão por dois desconhecidos, após a sua recusa de despir a camiseta “Obrigado ao povo de Donbas”, escreve Pravda.com.ua. Além disso, a polícia tentou provar que o jovem automutilou-se com “uma perfuradora”, embora os peritos independentes encontraram na ferida os vestígios de pólvora.
No dia 20 de Setembro o servidor da empresa “ProstoPrint” foi apreendido pelo Departamento da Luta Contra o Crime Organizado (UBOZ). Também se tornou público que Denis Oleinikov e a sua família recebem as ameaças. Finalmente, no dia 21 de Setembro Denis Oleinikov acompanhado pela família deixou Ucrânia, recebendo a informação sobre a sua iminente prisão... Na sua página do Facebook Oleinikov conta que além de prende-lo, a polícia planeava deter a sua esposa e recusar a possível guarda dos filhos do casal aos avos (alegando velhice e incapacidade destes).
Se tudo isso não parece com a repressão de uma ditadura terceiro mundista decadente, então já nem sei o que pensar sobre a minha pobre e sofrida Ucrânia...
Bónus  
Toque do telemóvel “Obrigado ao povo de Donbas”, voz e bateria, mp3: http://bit.ly/ringdoras

Descarregar gratuitamente os desenhos das camisetas “Obrigado ao povo de Donbas”: http://www.sendspace.com/file/4h6gfi
Foi aberto o concurso de graffiti “Obrigado ao povo de Donbas” (autor tem que fotografar o resultado e o enviar para e-mail: acbaarrobaacbapontocompontoua). Tamanho e técnica não importam, importa a criatividade, qualidade artística, o nível de perigosidade do local onde foi feito o graffiti, anuncia Blogs.korrespondent.
Mais informação sobre a campanha Obrigado ao povo de Donbas
O slogan original no YouTube:

Kyiv nas alturas


O blogueiro ucraniano Vitarly Raskalov é um fotógrafo radical que gosta de andar nas alturas e nos outros lugares pouco ortodoxos, onde tira belas fotografias. Desta vez ele visitou Kyiv, que caracteriza como uma cidade onde em praticamente cada esquina funciona a Internet Wi-Fi e onde ninguém controla as pessoas que gostam de aventuras. 

Fonte (42 fotos, incluindo 10 do metro):
http://raskalov-vit.livejournal.com/117107.html

sábado, setembro 24, 2011

Guto Pasko no Festival de Cinema de Brasília


O último filme do realizador ucraniano – brasileiro Guto Pasko, “Iván – de volta para o passado”, será exibido na Mostra Panorama Brasil do Festival de Cinema de Brasília. 

SINOPSE 

Em 1942, Iván Bojko foi arrancado de sua aldeia natal na Ucrânia pelos nazistas e levado para trabalho forçado na Alemanha. Em 1948 ele imigrou para o Brasil como refugiado de II G.M. e nunca mais conseguiu voltar para Ucrânia, mas se manteve ligado às tradições culturais do seu país através da musica. 68 anos depois, o filme documenta o retorno de Iván Bojko a sua terra natal, numa verdadeira viagem “de volta para o passado”, aos 91 anos de idade. Baseado nos diários de Iván, as imagens e sons funcionam como canais de acesso a uma experiência do imaginário, que atravessam as simples lembranças do imigrante e chegam até o nosso imaginário também. 

CRÉDITOS 

Produção executiva: Andréia Kaláboa
Roteiro: Guto Pasko
Fotografia: Alziro Barbosa
Montagem: Guto Pasko  e Heidi Peters
Captação de som: Marquinhos Ribeiro e Roseli RibeiroEdição de Som: Ulisses Galleto
Trilha sonora: Musicas Populares da Ucrânia executadas por personagens do filme.
Documentário, cor, digital, 109 min, PR, 2010/11

DIRETOR
Guto Pasko: formado pela UFPR – Universidade Federal do Paraná – Tecnologia em Produção Cênica. É ator, diretor de cinema, roteirista e diretor de produção cinematográfico: É diretor proprietário da produtora de cinema e televisão, GP7 Cinema, desde junho de 2001. Dirigiu os longas Iván – de volta para o passado (2010/2011);  A heroína (2009); Made in Ucrânia – os ucranianos no Paraná (2005/2006 ); co-direção do documentário Antonina, Morretes e Paranaguá – unidas pela história (DOCTV II, 2005); Sociedade (2004). Fez a direção e produção Direção de onze Episódios de ficção para o quadro Casos e causos, da RPCTV (Globo/PR). Dirigiu a minissérie de ficção Cecília a ser produzida em 2011, para a RPCTV (Globo/PR). 

Fonte:
Ivan-de-volta-para-o-passado

Ver o trecho no YouTube:

 

sexta-feira, setembro 23, 2011

Estudante ucraniana esbofeteia o ministro


A jovem estudante ucraniana Daria Stepanenko (17), esbofeteou na cara com um ramo de flores o ministro da educação e ciência da Ucrânia, Dmitry Tabachnik. Tudo aconteceu na Cimeira dos ministros da Educação da CEI em Kyiv.
A polícia deteve a estudante da Universidade Nacional  Academia Kyiv Mohula, levando Daria de seguida para o departamento juvenil da polícia criminal de Kyiv, onde ela foi acusada de cometer o acto de “pequeno hooliganismo”. O castigo mais grave que pode esperar a estudante é a detenção administrativa durante 15 dias. Mais tarde, a menina foi liberada.
Daria Stepanenko gravou um vídeo no qual admite que faz parte da “Irmandade de São Lucas” do conhecido provocador político – cultural Dmytro Korchynsky, cujos membros são conhecidos por fritar os ovos na chama eterna do monumento do soldado soviético. Daria Stepanenko exortou os concidadãos a lançar um protesto nacional.
Apesar do ministro Tabachnik ser conhecido pela sua ucrainofobia aguda, pelos vistos o episódio será aproveitado pelo poder ucraniano para fazer a pressão coerciva contra Academia Kyiv Mohula e contra tudo que ainda continua ser ucraniano na Ucrânia...
Fonte (foto & vídeo):
http://www.pravda.com.ua/news/2011/09/22/6606724

Ver o vídeo no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=1RRoVUZ4qg0

Também não esquecer apreciar o episódio em que um ovo derruba Yanukovich em 24 de Setembro de 2004, durante a sua visita na pré – campanha presidencial a cidade de Ivano – Frankivsk. Naquela ocasião Yanukovich tinha caído, o seu pessoal das RP afirmava que ele foi derrubado “por um objecto agudo e pesado”...

Ver no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=qFAt-43woGQ&feature=related

quinta-feira, setembro 22, 2011

O Filho de Mil Homens

A Editora Objectiva, a Livraria Ler Devagar e Valter Hugo Mãe têm o prazer de o (a) convidar para o lançamento do novo romance do autor “O Filho de Mil Homens”, um autêntico fenómeno da literatura portuguesa que marca o inicio de uma nova etapa na sua escrita.
O evento, de entrada livre, terá início às 21h30 na Ler Devagar (R. Rodrigues Faria – Lx Factory), seguido de uma festa pela noite dentro pelos 40 anos do autor.
Traga um amigo e venha festejar!
Mais informação:

Imagem do blogue do valterhugomae

quarta-feira, setembro 21, 2011

Destruição da saúde pública na Ucrânia


O sistema ucraniano da saúde pública infantil vive um ataque sem precedentes, vindo do governo do presidente Viktor Yanukovich. O Hospital Nacional Especial Infantil OHMATDYT (Defesa da Maternidade e da Infância) de Kyiv é literalmente destruído para dar lugar aos empreendimentos imobiliários, cujos proprietários são ligados aos clãs do partido do poder. 

O Hospital OHMATDYT se situa no centro de Kyiv, na zona há muito cobiçada pela construção civil. Durante última década, todos os governos ucranianos contiveram as tentativas dos oligarcas de destruir o hospital e despedaçar o seu território para a construção de centros comerciais e áreas de lazer. Mas apenas o último governo consentiu essas pretensões... 

Já foram assinados todos os acordos comerciais e se iniciaram os trabalhos de preparação para as novas construções. Para não criar uma onda de indignação maior, o Hospital não será destruído totalmente, existe o plano de construir um novo edifício, para onde serão transferidos os restos de todas as enfermarias. O número de camas será diminuído entre 2/3 à 40% da sua actual capacidade. 

Os 13 blocos e 24 enfermarias serão reunidos num único edifício de 8 pisos, por exemplo, a enfermaria de Hematologia oncológica e transplante de medula óssea que recebe as crianças de toda Ucrânia, terá apenas 25 camas (contra 70 actuais), haverá a diminuição do pessoal médico. Desta maneira, as crianças vindas das famílias humildes simplesmente não terão a oportunidade de serem atendidas no novo hospital. Pois, se é verdade que os filhos da elite ucraniana são tratados no estrangeiro, também não é menos verdade que o país possui uma quantidade enorme de burocratas de nível médio que terão toda a prioridade no usufruto das novas instalações. O terreno “liberto” de crianças doentes será entregue aos projectos de investimento de capitais russos, na Internet ucraniana se escreve que o actual director do Hospital, alegadamente, possui uma participação nestes investimentos. 

Em toda a história não ficou claro o papel do último ministro da Saúde de Ucrânia, Ilya Yemets (respeitoso cirurgião cardíaco infantil, que exerceu na Austrália, Canadá e França). Se é verdade que a sua assinatura aparece nos documentos que autorizaram a destruição do Hospital, também é certo que o ministro foi demitido pelo presidente Yanukovich em 17 de Maio de 2011, com a justificação de “ausência de reformas no sector”. 

Ainda em Janeiro de 2011, o Conselho Curador do Centro da Gematologia Oncológica e Transplantes de Medula Óssea do OHMATDYT, escreveu a carta aberta ao presidente Yanukovich e ao primeiro – ministro Mykola Azarov, subscrita por várias personalidades da sociedade civil. A carta chamava a atenção dos dirigentes ucranianos ao facto do que num único edifício serão colocados os serviços de diagnóstico, recepção, as urgências terapêuticas, o centro genético de pesquisa de vícios constitucionais, o serviço de ortopedia e traumatologia infantil, o serviço neurológico, centro de oncologia infantil, bloco operatório de micro – cirurgia e departamento tecnológico... 

Pedimos a coerência das decisões do governo para salvar as vidas das nossas crianças, que dependem completamente das condições do tratamento desta doença complexa, mas curável”, — pode-se ler na carta. 

Anualmente as doenças oncológicas são diagnosticadas aos cerca de 2.000 crianças ucranianas, destes, 10 – 12% apenas podem ser salvas com uma operação de transplante de medula óssea. 
Toda a situação vivida pelo OHMATDYT demonstra não apenas a avidez do novo poder ucraniano, mas também a sua total desumanidade. É obvio que as crianças com as formas graves de doenças não terão nenhuma possibilidade de tratamento nos hospitais provinciais. Isso significa que poderão morrer várias crianças ucranianas que de outra forma seriam salvas no OHMATDYT... 

Fontes:
OHMATDYT Yanukovichu & Azarovu  

Blogueiro 
A cobiça imobiliária do governo de Yanukovich tem várias consequências directas. Primeiro, serão seriamente prejudicados os direitos constitucionais das crianças, que não poderão ser salvas nos hospitais provinciais e distritais. Segundo, serão prejudicados os profissionais da saúde ucranianos, muitos dos quais investiram imensos recursos próprios na sua formação profissional na Ucrânia e no Ocidente. Os mais jovens ainda têm a possibilidade de emigrar, mas os mais idosos serão obrigados a desistir da profissão ou então serão forçados a trabalharem nas unidades da saúde sem condições para o exercício pleno dos seus conhecimentos. Terceiro, será destruída a escola médica inteira que foi construída ao longo das últimas décadas em redor de OHMATDYT... 

Não se conhece nenhuma reacção da Europa “civilizada” sobre o assunto. Nem as ONG´s & personalidades que costumam criticar o “tratamento desumano” dos animais domésticos, assassinos em série ou outras causas de costume, se manifestaram para defender os direitos das crianças ucranianas. São ucranianas, vão aguentar mais essa...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Tragédia da Ucrânia dos Cárpatos


Em 15 de Março de 1939 foi proclamada a Independência da Ucrânia dos Cárpatos. Na noite anterior, a República foi atacada pelos fascistas húngaros. Deixado à sua sorte, o país não consegui resistir, pois o seu exército de cerca de 2.000 militares (Karpatska Sich), apoiado pelos voluntários da OUN não poderia travar o avanço da infantaria húngara, apoiada pelos tanques e aviação. Mesmo assim, a resistência armada continuou nas montanhas até o mês de Maio... 

O século XX, nada simpático para com Ucrânia e ucranianos, fez com que uma grande parte do espólio histórico ucraniano hoje é espalhado pelos quatro cantos do mundo. Uma destas colecções é guardada no Instituto de Pesquisa Ucraniana de Harvard (HURI). 

O fundo “Kalenik Lessiuk Papers” possui cerca de 200 negativos e fotografias, tiradas em Fevereiro – Março de 1939 na Transcarpátia e Eslováquia, que documentaram a história da Ucrânia dos Cárpatos. O seu autor é Kalenik Lessiuk (pseudónimo do Vasyl Lepykash), político da República Popular da Ucrânia (UNR), coleccionador e mecenas, que em 1923 emigrou para os EUA. Kalenik Lessiuk financiava o Museu da Luta de Libertação da Ucrânia em Praga, o Instituto Ucraniano em Berlim, a Academia Ucraniana da Economia em Poděbrady, em 1932 ele custeou a defesa civil dos membros da OUN, Vasyl Bilas e Dmytro Danylyshyn. 

No início de 1939, Kalenik Lessiuk, juntamente com o seu filho Petró, chegaram a Transcarpátia para filmar a proclamação e instalação da nova república – Ucrânia dos Cárpatos. O mecenas ucraniano obteve as fotografias e filmagens únicas, nomeadamente a proclamação da Independência da Ucrânia dos Cárpatos no dia 15 de Março de 1939 na cidade de Khust. No entanto, pagou um preço muito elevado, em combates contra os invasores húngaros morreu o seu filho Petró... 

Ver a crónica da proclamação da Independência da Ucrânia dos Cárpatos:  

Após a queda da República, Kalenik Lessiuk continuou as filmagens no território da Eslováquia. Ali, durante alguns meses ele reconstruiu as cenas da defesa da República, com a participação dos verdadeiros militares da Karpatska Sich, que sobreviveram a invasão húngara. O filme “Tragédia da Ucrânia dos Cárpatos” foi concluído em 1942 em Nova Iorque no estúdio do Vasyl Avramenko. 

Além da proclamação da Independência, o filme mostra como o parlamento escolheu o presidente da República (o reverendo grego – católico Avgustyn Voloshyn, em 1945 preso pelo NKVD em Praga e morto na cadeia moscovita) e como foram votados os primeiros artigos da Constituição do novo país. 

A versão integral do filme pode ser descarregada gratuitamente AQUI. 

Fonte:

domingo, setembro 18, 2011

Alemanha impediu a entrada da Ucrânia na NATO


Ucrânia não foi aceita na NATO por medo da Alemanha de estragar as relações com Rússia, enquanto em 2008 o país estava muito perto de concluir o Plano de Acção para a Adesão (MAP) no âmbito da NATO, escreve o jornal ucraniano KyivPost, citando WikiLeaks. 

Como consta nas transcrições publicadas pela WikiLeaks, no início de 2008, a Ucrânia solicitou a adesão à NATO, que logo recebeu o aval e o apoio dos Estados Unidos. A análise do pedido deveria ser feita na cimeira da NATO em Bucareste. Juntamente com Ucrânia, Geórgia também pretendia aderir à NATO. Contra a adesão desses países à NATO se manifestou França e acentuadamente Alemanha, temendo uma reacção negativa da Rússia. No entanto, o acordo tinha sido assinado em Bucareste com o apoio dos restantes países membros da Aliança e assinatura do MAP da Ucrânia e Geórgia foi agendada para o mês de Dezembro. Se mais tarde a França tinha começado duvidar da sua avaliação negativa desta questão, Alemanha continuou teimosamente a insistir em convencer outros países membros da NATO do que a adesão da “terrível”, em termos políticos, Ucrânia apenas aumentará a tensão da Aliança com Rússia e afectará negativamente a condução da missão militar da NATO no Afeganistão. Como resultado, devido aos esforços da Alemanha, na cimeira da NATO em Bruxelas a questão da adesão da Ucrânia à NATO foi, de facto, esquecida, concentrando-se na resolução de problemas de Afeganistão. As informações da WikiLeaks sobre o comportamento da Alemanha na véspera da cimeira da NATO em Bruxelas e a sua oposição à adesão da Ucrânia à NATO provêm da fonte estritamente classificada da NATO. 

O resumo dos documentos publicados pela WikiLeaks também mostra que os alemães olham com desprezo a proposta do Medvedev sobre a segurança europeia, mas acreditam que a devem “considerar”, esperando que isso “melhore a atmosfera” das relações com Rússia. Alertando contra o perigo de “colocar Rússia em um canto”, com a concessão do MAP a Ucrânia e Geórgia após a invasão russa da Geórgia em Agosto de 2008, os alemães, ao mesmo tempo expressam-se muito críticos contra as declarações de Medvedev sobre a colocação de mísseis de curto alcance em Kaliningrado. 

Fontes: