quarta-feira, junho 29, 2011

Kube: rock juvenil ítalo – ucraniano


Kube é uma banda de rock da cidade de Fano, formada por um ucraniano, um russo e um italiano. Essa mistura de origens cria uma música muito interessante, que combina os melhores sons dos seus países.
por: Marianna Soronevych

A alma da banda é ucraniano Nazar Motrovych, a voz de Kube, autor da música, letras e arranjos. “A música está na minha cabeça. Basta encontrar um momento de inspiração para tirá-la. Assim então, nascem as minhas canções”, diz ele.
Nazar Motrovych vive na Itália juntamente com a sua mãe desde 2001, ele estudou culinária e trabalhou como cozinheiro em diferentes restaurantes da costa Adriática.

Ainda na Ucrânia tinha fundado vários grupos de música, uma estrada que decidiu seguir na Itália. Nazar estudou na Academia de Música Moderna de Pesaro em Milão, em Outubro de 2006 ele fundou «Gagarin Space» e em 2009 criou o Kube, com seu amigo Ivan Veliksar. Hoje, o trio é completado pelo baterista italiano Mattia Giuliani.
O primeiro álbum do Kube saiu em 2009, era apenas em ucraniano e se chamava “Underground”, por grupo ser totalmente desconhecido. A canção de maior sucesso foi Lechu do Tebe (Voo até Você), ver o vídeo musical no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=7VijY9FtQlQ&feature=player_embedded
  

Em 2011 o grupo lançou o segundo álbum “Síndrome Bipolar”, composto por cinco músicas em ucraniano e cinco em italiano. O disco mistura os elementos da estilística pop e pop – rock, “este disco representa os dois lados da minha personalidade, ucraniano e italiano”, diz Motrovych.
O consultor do álbum é o produtor ucraniano Yevhen Stupka, que trabalhou com último álbum do grupo Okean Elzy, «Dolce Vita». A promoção está a cargo do produtor Francesco de Benedittis, que pretende apresentar o disco ao Universal Music.
Estes dias Kube está envolvido na fase de qualificação do concurso para bandas emergentes Fanote 2011 (você pode votar on-line). Neste momento eles estão em primeiro lugar na classificação, com 27,7% dos votos, mas não desdém de uma pequena ajuda de nossos leitores.
Mas é o sonho de sucesso que faz Kube a continuar. “Nós não tentamos alcançar as estrelas. Nós fazemos o que gostamos e isso agrada o público. Nós trilharmos o nosso próprio caminho, tentando aproveitar cada pequeno passo”, conclui o vocalista do grupo.

Fonte:
Nuovi cittadini-kube giovane rock italo-ucraino (italiano)
Ler mais sobre o grupo nas edição on-line da Gazeta Ukrainska (ucraniano)

Votar em grupo Kube:
http://fanote.comune.fano.ps.it

Queima das bandeiras satânicas

No último dia 22 de Junho para assinalar a data do início da guerra entre Alemanha nazi e URSS comunista, a cidade ucraniana de Donetsk testemunhou a queima das bandeiras nazi e comunista, acção da autoria de dois mineiros ucranianos.
A acção teve lugar às quatro horas de manha no topo de uma das terracotas da mina “Chelyuskincy”, no bairro Petrovski em Donetsk. Os mineiros reformados, Oleksander Lutsyk (mineiro durante 27 anos) e Viktor Mikhashenko (18 anos subterrâneos), queimaram as bandeiras nazi e bolchevique, explicando que consideram estes símbolos como “satânicos e anti-humanos”.

Em bom ucraniano, Oleksander Lutsyk disse o seguinte: “Somos dois ucranianos da província de Donetsk. Hoje, quando faz 70 anos do dia em que começou o banho de sangue, iniciado por duas forças satânicas: uma de Moscovo e outra do Berlim estamos solidários com a decisão da OSCE. Nesta (decisão) os dois regimes sangrentos são considerados culpados em iniciação do banho de sangue. Por isso queimamos duas bandeiras satânicas, pois representam estas duas forças: hitleriana e estalinista. Somos dois mineiros reformados ... queremos dizer aos aqueles que ainda não entendem que bandeiras são estas. Se somos europeus, então na Europa ninguém faz visitas com bandeiras destas. Achamos que hoje todas as pessoas de boa vontade vão apoiar a nossa acção e vão fazer o mesmo”, escreve o blogueiro frankensstein.

Ver os vídeos no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=PObxvb2Rtyk&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=bO7eKb9TP7g&feature=player_embedded

CNN com olho na Geórgia

A série da CNN “Eye On…” leva os telespectadores a diferentes países em redor do mundo, destacando a influência e inovação. A CNN mostra lugares e pessoas interessantes e inteligentes que têm o potencial de impacto do nosso mundo.

Em Junho, a CNN visita Geórgia, um país situado entre Turquia e Rússia, na borda oriental do Mar Negro. Você já visitou Geórgia ou viveu lá? Quais são as suas coisas favoritas da Geórgia? Compartilha as imagens e sons que captam o verdadeiro sabor do país.

Envie-nos as suas fotos, ou coloca os vídeos e diga ao mundo como é a cultura georgiana. As melhores histórias e vídeos serão apresentados no programa “Olho no da CNN, na página sua página Web ou na TV. Envie as suas apresentações até Terça-Feira, dia 28 de Junho e veja o que foi partilhado por outros cibernautas.

domingo, junho 26, 2011

Solovki e nascimento do GULAG

Os Campos de Utilidade Especial de Solovki (SLON), foram os primeiros campos de concentração soviéticos, criados pelos bolcheviques em 1923. Aqui foram inventados e pela primeira vez ensaiados vários tipos de torturas usadas mais tarde em GULAG’es de toda URSS.

O estalinismo era um desvio ou a continuação genuína do bolchevismo? Será que os campos de concentração, tortura, trabalhos forçados e fuzilamentos em massa foram introduzidos na URSS pelo Estaline? Até que ponto o mito do “bom comunista Lenine” e “mau ditador Estaline” perdura nas mentes e nos livros escolares ocidentais? Algumas respostas a estas questões podem ser encontradas no artigo que se segue...

A situação climática severa, o regime laboral e a luta contra a natureza serão uma boa escola para os diversos elementos viciados!”, — anunciaram os bolcheviques que apareceram em Solovki em 1920. O mosteiro ortodoxo recebeu o nome de Kremlin, lago Branco tornou-se lago Vermelho e no território do mosteiro foi criado o campo de concentração para os prisioneiros da guerra civil. Em 1923 o campo foi transformado em SLON, e é de notar que os seus primeiros prisioneiros foram os activistas dos partidos que ajudaram aos bolcheviques usurpar o poder na Rússia.

A “utilidade especial” dos campos de Solovki se manifestava pelo facto do que as pessoas eram enviados para lá não por crimes cometidos ou a sua culpabilidade, mas apenas por representar a ameaça ao regime comunista pelo facto da própria existência. Os opositores activos eram eliminados pelo novo poder imediatamente. Aos campos de concentração eram enviados aqueles, cuja formação não correspondia à prática comunista, quem era “socialmente alheio” por causa da educação, origem social ou seus conhecimentos profissionais. A maioria destas pessoas veio para Solovki não condenados  pelos tribunais, mas pelas decisões das diferentes comissões, colégios ou reuniões.

Em Solovki foi criado o modelo do Estado, dividido pela pertença à classe, com a sua própria capital, Kremlin, exército, marinha, tribunais, cadeia e a base material, recebida de herança do mosteiro. Aqui existia a sua própria moeda, editava-se os seus próprios jornais e revistas. Aqui não existia o poder soviético, mas o poder soloviético, pois o primeiro Soviete dos deputados foi criado em Solovki apenas em 1944.

No início, o trabalho era usado apenas para a reeducação. Antigos professores universitários, médicos, especialistas qualificados durante o Inverno levavam a água de uma abertura no gelo para outra, no Verão moviam os troncos das arvores de um lado para outro ou gritavam as vivas às chefias ou ao poder soviético até perder os sentidos. Este período da formação do sistema de concentração era marcado pela morte massificada dos prisioneiros por causa do trabalho impossível e maus tratos dos guardas. Depois dos prisioneiros, eram exterminados os seus guardas, nos diferentes anos foram fuzilados praticamente todos os líderes do partido que criaram SLON e os chekistas que dirigiam a administração dos campos.

A próxima etapa do desenvolvimento do sistema dos campos em Solovki foi a obtenção do lucro máximo do trabalho semi-escravo dos prisioneiros, a criação de novas delegações de SLON na URSS continental, desde a província de Leninegrado até Murmansk e Montes Urais. Solovki começaram receber os camponeses deskulakuizados (os camponeses acusados de serem os kulaks e enviados aos campos de concentração), os operários. Aumentou o número dos presos, a nova lei do campo dizia: “Pão pelo trabalho”, o que colocou na linha da morte os prisioneiros idosos e fisicamente fracos. Aqueles que conseguiam fazer as normas recebiam os diplomas e bolinhos de prémio.

Após a destruição dos seus próprios recursos naturais (as florestas milenares das ilhas), a pátria do GULAG – Solovki – transferiu a maior parte dos prisioneiros para a construção do canal Mar Branco – Mar Báltico. O regime do isolamento endurecia, desde meados dos anos 1930, os prisioneiros passaram para o racionamento prisional. No Outono de 1937, Solovki receberam a ordem do Moscovo sobre a “norma” – um determinado número de pessoas que deveria ser exterminado. A administração de Solovki escolheu dois mil pessoas que foram fuzilados. Depois disso SLON foi retirado do GULAG e transformado em uma cadeia – modelo da Direcção Central da Segurança Estatal, que possuía cinco delegações em diferentes ilhas.

Para abrigar os prisioneiros, no Solovki eram usados todas as construções do mosteiro e as barracas construídas rapidamente. Em algumas destas barracas até hoje vivem as pessoas. Existia a “barraca de crianças”, onde estavam presos as crianças ChSIR (Membros de Famílias dos Traidores da Pátria).

Em 1939 foi terminada a construção do Grande edifício especial prisional. Mas o novo Comissário popular da Segurança estatal, Lavrentiy Beria, ordenou o desmantelamento da cadeia de Solovki. Começou a II G. M. e o território do arquipélago era necessário para organizar aqui a base militar da frota do Mar do Norte. O Grande edifício prisional ficou inabitado. No fim do Outono de 1939 os prisioneiros de Solovki foram transferidos aos outros locais do GULAG.

Historiador russo Yuri Arkadievich Brodski dedicou 38 anos da sua vida ao pesquisar e reunir os dados sobre SLON: depoimentos das testemunhas, documentos. Em 2002, com a ajuda financeira da Fundação Soros e da Embaixada da Suécia na Rússia, ele publicou o livro "Solovki. Vinte anos de objectivo especial", escrito na base do material recolhido. As 525 páginas do livro reúnem o material único – depoimentos escritos dos antigos prisioneiros do SLON, testemunhos documentais, fotografias...

Monte Sekirnaya

Monte Sekirnaya é o ponto mais alto na grande ilha de Solovki. Os bolcheviques instalaram aqui a área do isolamento punitivo № 2 (Savvatievo), conhecido pelo seu regime extremamente duro. Os prisioneiros ficavam sentados durante 24 horas em cima das varras de madeira (iguais à de um galinheiro) e eram espancadas sistematicamente, o que eram as punições mais leves. Na praceta em frente da igreja os prisioneiros da área do isolamento, periodicamente eram fuzilados.

Engenheiro Yemelyan Solovyov conta que uma vez viu os prisioneiros da área do isolamento que eram levados para os trabalhos de enchimento do cemitério dos que morreram do escorbuto e tifo:

“— Apercebemos nós da aproximação dos isolados da Monte Sekirnaya pela ordem alta: — Fora do caminho!
Obviamente, todos fugiram para os cantos e ao nosso lado foram levadas as pessoas com a aparência absolutamente animalesca, cercados pela guarnição numerosa. Alguns vestiam os sacos, em nenhum deles eu via as botas”.

Em 1929 escritor proletário Máximo Gorki visitou a Monte Sekirnaya na companhia dos seus familiares e dos funcionários do OGPU. Antes da sua chegada foram retiradas as varras de madeira, colocadas as mesas e os prisioneiros recebiam os jornais, com a ordem expressa de fazer de conta que estão os ler. Muitos dos prisioneiros viraram os jornais de cabeça para baixo. Gorki viu isso, aproximou-se a um deles e colocou o jornal correctamente. No fim da sua visita no livro do controlo Gorki escreveu: “Diria que óptimo” e assinou.

A escada famosa de 300 degraus na Monte Sekirnaya era usada para obrigar os prisioneiros levar a água 10 vezes por dia, para cima e para baixo. O futuro académico Dmitri Likhachev que desempenhava no Solovki o papel do VRIDL (Temporariamente Executando as Tarefas do Cavalo) contava que os guardas costumavam atirar os prisioneiros destas escadas, amarrados ao tronco curto de madeira. “Em baixo já chegava um cadáver ensanguentado que até era difícil de reconhecer. No mesmo local, debaixo da monte, logo o enterravam no buraco”, — escrevia Likhachev. Debaixo da monte existem os buracos onde são sepultados várias dezenas de pessoas. Alguns buracos eram abertos antecipadamente – escavadas no Verão para aqueles que seriam fuzilados no Inverno.

Os funcionários do Campo dos inválidos na ilha de Grande Muksalma diziam que no Inverno de 1928 morreram no local os 2040 prisioneiros. No Outono para lá eram enviados os deficientes de toda a 1ª zona que não poderiam ser usados em Solovki e também porque eram pobres, não tinham o apoio da família e por isso não conseguiam pagar o suborno.

Os subornos em Solovki eram muito desenvolvidos. O futuro destino do prisioneiro muitas das vezes dependia deles. Prisioneiros “ricos” podiam garantir o lugar no 6° destacamento de guarnição, onde a maioria eram os padres, que guarneciam armazéns, oficinas e hortas. Aqueles que eram enviados para Muksalma sabiam que os seus dias estão contados e que no Inverno eles iriam morrer. Os condenados viviam em beliches de dois andares na barraca com 30 – 40 m² que abrigava 100 pessoas. No almoço recebiam a sopa simples em grandes bacias e comiam do prato comum. No Verão os deficientes trabalhavam na recolha dos bagos, cogumelos e plantas que se pretendia exportar para o estrangeiro. No Outono eram mandados escavar os buracos das suas futuras campas, para não os escavar no Inverno na terra congelada. Os buracos eram grandes, cada um para 60 – 100 pessoas. Os buracos eram tapados com as tábuas para não serem enchidos com a neve. Com a chegada dos frios do Inverno as campas eram preenchidas, primeiramente com os doentes pulmonares, depois chegavam os restantes. Até a Primavera naquela barraca restavam apenas algumas pessoas.

O professor Vladimir Krivos (Nemanic) trabalhou como tradutor no Comissariado dos Negócios Estrangeiros. Razoavelmente falava praticamente todas as línguas do mundo, incluindo chinês, japonês, turco e todas as línguas europeias. Em 1923 foi condenado à 10 anos de prisão ao abrigo do artigo 66: “espionagem a favor da burguesia mundial” e deportado para Solovki.

Tendo a dentadura postiça, ele usava duas facas para comer: faca de mesa e um canivete, cuja posse sempre lhe foi permitida desde a cadeia do GPU. Em Solovki as facas foram lhe retiradas com a seguinte resolução do comandante do campo: “As regras estabelecidas são obrigatórias para todos e não poderá haver excepções!” O professor saiu em liberdade em 1928.

Texto e fotos © drugoi
As fotos do arquivo e os textos dos depoimentos © Yuri Brodski Solovki: vinte anos de objectivo especial, RPE, 2002

sábado, junho 25, 2011

Exército Vermelho vs Ronald McDonald

O monumento ao soldado soviético em Sófia na Bulgária foi recentemente artisticamente “melhorado” por um artista (grupo de artistas) anónimo, que transformaram as personagens soviéticas severamente cinzentas em alegres e simpáticas ícones ocidentais: Super Homem, Batman & Robin, vilão Jocker, palhaço Ronald McDonald, Mulher-Maravilha, Wonder Boy, Capitão América, Santa Claus, entre outros. O(s) próprio(s) artista(s) chamaram a sua instalação de “Caminhando com o tempo” (V krak s vremeto).

A percepção da acção artística na sociedade búlgara varia entre aprovação e admiração quase unanime entre as camadas jovens e alguma condenação e apreensão entre os cidadãos idosos. Também não se pode esquecer a verdade histórica: nenhum soldado soviético morreu na Bulgária durante a II G. M., pois na altura o exército búlgaro recebeu as ordens do Rei & Governo para não resistir ao avanço do poderoso Exército Vermelho que ocupou o país por mais de 40 anos...

Em 1991 um movimento parecido nasceu em Praga, chamado “Sociedade do tanque cor-de-rosa”. Os seus activistas pintavam cor-de-rosa o tanque soviético que URSS colocou na capital checoslovaca como o símbolo da sua dominação sobre a Europa Central e do Leste.

Ver as 14 fotografias do monumento em Sófia:
Fotogaleriia_pametnikut_na_suvetskata_armiia

sexta-feira, junho 24, 2011

Ver 5 Dias de Agosto


Acabo de ver o filme do realizador Renny Harlin “5 Dias de Agosto” (a versão anglo – americana se chama “5 Dias de Guerra” / “5 Days of War”), gostei bastante.

O filme é baseado em factos reais e conta a história de um heróico grupo de correspondentes de guerra, presos atrás das linhas inimigas, quando Rússia invade Geórgia em Agosto de 2008. Eles conseguem testemunhar e filmar os mais terríveis crimes de guerra e encontram a mídia mundial desinteressada, que prefere cobrir os Jogos Olímpicos que ocorrem em Pequim. Eles lutam para enviar as imagens – uma busca que pode lhes custar a vida.

Ver o filme:
http://filmesbr-download.blogspot.com/2011/06/baixar-filme-5-days-of-war-legendado.html

quinta-feira, junho 23, 2011

Batalha de Varsóvia: 1920

O filme polaco Batalha de Varsóvia: 1920 (Bitwa Warszawska: 1920), é um drama histórico do realizador Jerzy Hoffman que decorre durante a invasão soviética da 2ª República polaca.

Varsóvia, 1920. Ola (Olga) é uma actriz de teatro de variedades de Varsóvia e a namorada do Jan, poeta e oficial da cavalaria. Após receber as ordens de ir à frente de batalha, Jan propõe à Ola de se casar imediatamente. A boda é celebrada na igreja de Santa Anna em Varsóvia pelo jovem sacerdote Ignacy Skorupko. Durante a guerra Jan é acusado de ser simpatizante comunista e de fazer a propaganda bolchevique. O tribunal militar o condena à morte. Enquanto isso, Ola é importunada no teatro por um dos seus fãs, o capitão dos gendarmes. Mais tarde Ola se junta à Legião Feminina como enfermeira voluntária e se prepara para defender Varsóvia. Ela espera encontrar o seu marido, do qual foram perdidos todos os vestígios...

A história de amor é intercalada com os eventos históricos pela presença de figuras chave da guerra polaco – soviética de 1920. A estreia na Polónia é prevista para o dia 23 de Setembro de 2011. O filme Batalha de Varsóvia custou 9 milhões de dólares, tornando o filme a produção cinematográfica mais cara da história do cinema polaco.

Ver o trecho no YouTube:

terça-feira, junho 21, 2011

Aline Gallasch-Hall de Beuvink: monárquica, professora e deputada

A deputada luso – ucraniana da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), eleita pelo Partido Popular Monárquico (PPM), Aline Gallasch-Hall (de Beuvink desde 2012), é uma mulher linda, inteligente e trabalhadora, temida sobretudo por políticos cujos discursos públicos contrastam com as suas actuações privadas.

Filha de um militar português de origem britânica, Amílcar Gonçalves Hall e de ucraniana Ludmilla Gallasch Hall, cujos pais fugiram das repressões estalinistas para o longínquo Brasil, Aline nasceu na cidade de Porto Alegre e aos sete anos de idade mudou-se para Portugal. Fortemente influenciada pelos avós maternos e pela mãe, Aline hoje em dia tem a atenção especial para com a comunidade ucraniana residente em Lisboa. Aline define essa tarefa nos seguintes termos: “Gostaria de contribuir para a sua maior integração na sociedade portuguesa, ajudarei naquilo que for preciso para que a comunidade ucraniana possa ter uma maior visibilidade na nossa sociedade”.

Desde adolescente Aline sentia-se insatisfeita com os políticos, com as injustiças, com a crise civilizacional. Mas sempre achava que criticar o Governo sem fazer nada também é uma incoerência. Cedo interessou-se pela política, sendo monárquica por influência do pai. Aline acredita que uma monarquia constitucional, secundada por um Governo eleito por sufrágio universal é a melhor maneira de governar, pelo menos em Portugal. As suas esperanças de ver um rei português são ligadas a D. Duarte Pio actual herdeiro da coroa portuguesa mas, principalmente, ao seu filho Dom Afonso. “Sei que em Portugal existem várias pessoas que apoiam a ideia de monarquia, gente da sociedade civil ou filiados nos diversos partidos políticos, mesmo no Partido Comunista Português”, afirma Aline com muita convicção.

Em 1998, no hotel Ritz de Lisboa era organizado o Baile dos Debutantes de Lisboa, evento social em que as meninas eram apresentadas à sociedade. Aline participou no baile em representação da Associação de Austríacos em Portugal e foi vista pelo presidente da Câmara Municipal de Viena, que adorou a sua valsa. Assim ela foi convidada a representar Portugal em Viena, uma entre 200 participantes. Até foi dispensada dos treinos. Adorou a cidade, foi uma viagem especial, já que a sua mãe nasceu em Viena e o seu compositor preferido é Mozart (Aline fez a tese de mestrado sobre os elementos egípcios na ópera “A Flauta Mágica”).

Durante oito anos Aline Gallasch – Hall de Beuvink foi professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dava aulas de História de Arte, Cultura Portuguesa e Cultura Brasileira. Desde 2010 lecciona disciplinas de Teoria da Arte e História da Cenografia, e Cultura Contemporânea nos Cursos de Cenografia e Design de Moda, respectivamente, na Faculdade de Arquitectura da UL. Além disso, Aline foi uma das co-autoras do Dicionário do Antigo Egipto, o primeiro de género em Portugal. Deu aulas de Cultura no Curso de Enfermeiros da Fundação Gulbenkian na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo iniciado um Manual de Cultura Portuguesa.
Aline Gallasch-Hall de Beuvink @2017
A sua filiação no PPM data de 2009. Antes disso, Aline não participava activamente na política, embora desde 2005 se empenhou na divulgação da informação sobre Holodomor em Portugal. Relativamente poucos anos atrás, a questão do Holodomor era absolutamente desconhecida em Portugal, nem os professores universitários, nem os livros escolares abordavam este assunto. Com ajuda da Embaixada da Ucrânia e a Associação de Ucranianos de Portugal, em 2006 Aline organizou a exposição sobre Ucrânia e sobre Holodomor na Faculdade de Letras da UL. Até nas suas aulas na Universidade, ela abriu um módulo sobre a História e Cultura ucraniana para que os alunos tivessem mais informação sobre os ucranianos e a sua relação com a cultura portuguesa, actualmente bastante presentes na sociedade portuguesa.

Na AML Aline Gallasch – Hall pertence a três comissões diferentes: Finanças e Património, Reforma Administrativa da Cidade, Solidariedade Social e Integração (dos mais desfavorecidos da sociedade, incluindo imigrantes). Uma das propostas que Aline pretende apresentar brevemente é o reconhecimento do Holodomor por parte da AML, que seria uma vitória muito importante. Lisboa não será a primeira cidade portuguesa a reconhecer Holodomor como genocídio, algumas cidades portuguesas já fizeram este reconhecimento oficial. No entanto a aprovação não está garantida, visto que PCP e BE provavelmente votarão contra, como é habitual, e o voto do PS é uma incógnita.

Aline é respeitada e até algo temida por colegas na AML, pois costuma dizer aquilo que pensa, objectivamente, mas de modo bastante directo e sem medos. Houve o caso (bastante insólito na história da AML), em que toda a esquerda presente (PS, PCP, BE e deputados independentes alinhados com a esquerda), abandonaram a sala do plenário, “ofendidos” com o seu discurso. A razão de tal indignação? Aline criticou o oportunismo político dos deputados Helena Roseta e Rubens de Carvalho pela sua abstenção permissiva durante a votação sobre o projecto do Terminal de Contentores de Lisboa (LisCont). Aline até foi chamada de mentirosa pelo PCP, mas apenas cingiu-se à verdade factual, coisa que habitualmente não agrada aos partidos de esquerda.

Nas últimas eleições legislativas realizadas no dia 5 de Junho deste ano, PPM recolheu as preferências de 0,4% do eleitorado português. Como explica Aline, em grande  parte isso se deve à questão do “voto útil”, pois os eleitores evitam votar nos pequenos partidos, temendo que estes não ultrapassem a barreira dos 3% e como tal, o seu voto será objectivamente perdido. No entanto, comparando com as últimas eleições, o PPM obteve em Lisboa 1000 votos a mais, uma façanha conseguida pela postura e presença da Aline Gallasch – Hall. Espero sinceramente que nas próximas eleições autárquicas, que em Lisboa o PPM costuma concorrer em coligação do centro – direita com PSD, CDS-PP e MPT, Aline possa encabeçar a lista do seu partido e ser novamente eleita à AML. Uma luso – ucraniana, apaixonada por Mozart e pela sua família, pessoa simples e honesta que sacrifica a sua vida pessoal e que não tem vergonha de chorar quando fala em público sobre a tragédia do Holodomor.

As raízes da Aline Gallasch – Hall
Aline e Ludmilla Gallasch-Hall, Lisboa 2010
A sua avó materna, Alla Dubina é de Kyiv. O avo materno Vasyl Gallasch é de Kamianets-Podilskyi. Alla provém de uma família nobre; com gosto pela música, tocava vários instrumentos musicais: piano, guitarra, balalaica. Vasyl passou pelo GULAG e foi preso pelos nazis. Temendo as repressões estalinistas, no fim da II G. M., a família fugiu para Viena, onde ambos trabalharam para UNRRA no campo dos refugiados políticos (DP) ucranianos. Receando a possibilidade de deportação, pois os emissários da URSS faziam a “caça aos ucranianos” em toda a Europa Central e Ocidental, os avós pintaram o cabelo, arranjaram os documentos convenientes e se meteram no barco que ia para Brasil, bem longe do monstro moscovita. Estudavam português durante a viagem, moravam no Rio de Janeiro e depois em Porto Alegre, onde Vasyl trabalhou numa fábrica cervejeira alemã e Alla na fábrica de Siemens. Uma das primas da Alla, Antonina Dubina, viveu na Ucrânia até 100 anos e até foi distinguida pelo presidente Viktor Yushchenko.

Mãe, Ludmilla Gallasch – Hall gostava da filosofia e música, se interessou por literatura, parapsicologia, filosofia oriental, espiritismo. Lia de tudo, desde Tolstoi a Helena Blavatskaya e Allan Kardec. Conheceu o seu futuro marido através de correspondência. O jovem Amílcar veio ao Brasil, apaixonado pelo nome Ludmilla, voltaram para Portugal juntos, Ludmilla tinha nas mãos uma mala bastante pequena e levava o vestido de noiva Christian Dior, que custou ao seu pai 2 milhões de cruzeiros, uma pequena fortuna naquele tempo. Foi muito bem recebida pela nova família portuguesa, o casamento pomposo foi no Mosteiro dos Jerónimos. Já casada e a viver em Angola, Ludmilla foi modelo da Casa Stendahl, foi voluntária da Cruz Vermelha em Angola e Moçambique.

O Pai, Amílcar Gonçalves Hall é descendente directo de William Anthony Hall, um nobre que veio combater com o Duque de Wellington, jovem fidalgo britânico que visitou Portugal e por lá ficou. Amílcar Gonçalves abraçou a carreira militar, foi controlador aéreo na Base das Lajes, fez algumas comissões de serviço em África. Aliás, alguns membros da família Hall tiveram fortes ligações com África, nomeadamente o primo, Tarquinho Hall foi o Conselheiro do Governador de Angola, assim como um dos irmãos de Amilcar, Arménio Hall (futuro Juiz–Conselheiro), que trabalhou em Angola.

Desde o início da emigração ucraniana em Portugal nos anos 1990, Ludmilla e Amilcar dedicam uma grande parte do seu tempo à ajuda aos ucranianos que eram completamente desconhecidos em Portugal e nem tinham a oportunidade de conhecer direito no seu novo país de acolhimento. Naqueles tempos turbulentos Ludmilla não temia nem os bandidos, nem os burocratas da embaixada ucraniana, que cada um à sua maneira sugava os emigrantes, servia de intérprete na polícia, testemunhava nos tribunais e até entrava na cadeia.

Hoje, Ludmilla Gallasch – Hall continua activa na comunidade ucraniana de Portugal, aos domingos ela dá as aulas gratuitas de língua e cultura portuguesa na Igreja Grego – Católica Ucraniana junto à Praça de Chile em Lisboa. E continua a ser vista por muitos como a padroeira de todos os ucranianos de Portugal.

Luta anti-comunista no cinema


A história da resistência anti-comunista da Europa Central continua, em grande escala, ser ignorada e desconhecida pela opinião pública mundial. O Hollywood aplica os seus recursos em glorificação dos heróicos “sacanas” imaginários. E os movimentos que lutaram contra os nazis e os comunistas, casos do Exército Insurgente da Ucrânia ou da Irmandade de Floresta nos estados Bálticos permanecem esquecidos.

Neste aspecto, são notáveis os esforços dos cinematografistos lituanos que nos últimos anos produziram pelo menos dois filmes dedicados à guerrilha lituana que resistiu sozinha contra os invasores soviéticos, esperando a ajuda ocidental que entretanto nunca veio...

“Pavergtųjų sukilimas” (Revolta dos Cativos)

O filme “Pavergtųjų sukilimas” (Revolta dos Cativos) tem a estreia marcada para o dia 22 de Junho deste ano. A película conta a história da Revolta de Junho dos militantes da Frente dos Activistas Lituanos contra os nazis que teve lugar nos dias 22-28 de Junho de 1941.

O filme é dirigido pelo realizador Andrius Bartkus, um dos principais produtores do áudio – visual lituano, juntamente com o seu pai, Saulius Bartkus (produtor do filme), ambos fundadores do estúdio E2K.

A história decorre entre duas invasões da Lituânia, primeiro pela União Soviética e depois pela Alemanha nazi. Por isso o realizador contou com o apoio do Centro de Herança Militar e do Clube Histórico de Granadeiros para recrear as batalhas que naquele período se travaram no país.

Durante as filmagens nos EUA a produção recebeu a ajuda da Rose Šomkaitė, a secretária do professor Juozas Ambrazevičius-Brazaitis que durante a Revolta desempenhou, melhor que pude, o papel do primeiro – ministro do Governo lituano provisório, escreve a página lituana Balsas.lt

Página oficial do filme (em lituano):
http://www.1941.lt

Ver o trecho no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=LZLpHth-Iu0


Vienui Vieni (Absolutamente Sozinhos)

O filme Vienui Vieni (Absolutamente Sozinhos), dirigido pelo Jonas Vaitkus foi estreado em 2004 e se baseia na vida real do Juozas Lukša (Daumantas), o líder insurgente lituano que lutou contra a ocupação soviética do seu país após o fim da II G.M.

A história decorre nos anos 1950-1951 e retrata a tentativa do Juozas Lukša de viajar até a Europa Ocidental para obter o apoio à resistência armada anti – soviética, conhecida como Irmandade de Floresta. Naquele período, a resistência armada lituana perdia gradualmente as suas forças na luta contra o ocupante soviético por causa das deportações em massa dos lituanos para os GULAG’es siberianos, sofria também com as infiltrações dos espiões do NKVD, acções desenhadas para enfraquecer a base do apoio dos guerrilheiros.

No filme, Juozas Lukša morre durante uma emboscada na Lituânia, embora na realidade o local e as circunstâncias da sua morte são desconhecidos.

Ver o filme Absolutamente sozinhos on-line; dobrado em russo; 96’23’’

domingo, junho 19, 2011

Tragédia da Ucrânia Ocidental


Ucrânia Ocidental foi ocupada pela URSS em 1939. O regime comunista imposto foi responsável pelos fuzilamentos em massa e pela deportação de cerca de 10% da população da região aos trabalhos forçados na Rússia. Os ucranianos, polacos e judeus tornaram-se as vítimas inocentes da política de sovietização coerciva.
Hitler invadiu Polónia no dia 1 de Setembro de 1939. A URSS invade Polónia no dia 17 de Setembro, sob o pretexto formal de “defender a população ucraniana e belarusa em consequência de desintegração da Polónia”. O Ocidente desconhecia a existência do Pacto_secreto Molotov-Ribbentrop que dividia a Europa entre o nazismo alemão e o comunismo soviético.

Os primeiros meses da ocupação soviética eram pacíficos. O ensino em muitas escolas da Ucrânia Ocidental passou para a língua ucraniana. A Universidade de Lviv recebeu o nome de Ivan Franko. Foram nacionalizados os bancos, empresas comerciais e industriais, pertencentes, na sua maioria, aos judeus e polacos. No dia 22 de Outubro de 1939 foram organizadas as eleições para o Conselho Popular, naturalmente, quase todos os deputados foram eleitos sem nenhuma alternativa. No dia 26 de Outubro o Conselho votou a decisão unanime da Ucrânia Ocidental de se juntar à URSS, pedido formalizado no dia 26 de Novembro de 1939.
Desde essa data as regras soviéticas começaram se instalar no território. Ucrânia Ocidental foi inundada pelos diversos funcionários do partido, do aparelho do estado e outros burocratas. Todos eles recebiam os apartamentos apetrechados com as mobílias e outros bens confiscados aos antigos proprietários. Nas lojas privadas eles começaram “varrer” os diversos artigos e produtos alimentares em défice na URSS. Os proprietários começaram esconder os produtos temendo a sua escassez, que por sua vez originou a “requisição e confiscação dos bens burgueses”...
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Primeira onda de repressões
Os militares do exército polaco de diversas origens étnicas, foram as primeiras vítimas da repressão. Em Março de 1940 foi decidido o extermínio de cerca de 15 mil militares internados, além dos presos nas cadeias. No total foram fuzilados cerca de 40.000 pessoas, a elite militar, científica e religiosa da Polónia. Uma parte dessa acção é historicamente conhecida como Massacre de Katyn. Uma percentagem dos fuzilados era constituída pelos ucranianos e cerca de 2.000 judeus.

Depois se iniciaram as deportações. No dia 29 de Dezembro de 1939 começaram pelos “elementos polacos”. Pela ordem do Beria os “deportados especiais” eram enviados para o abate de arvores nas províncias de Kirov, Perm, Vologodsk, Arkhangelsk, Sverdlovsk, Omsk, a região de Krasnoyarsk e Altai, república autónoma de Komi. Deportavam-se as famílias inteiras que eram assentados nas barracas à razão de 3 m² por pessoa.
Depois foi a vez dos refugiados, pessoas que entraram na Ucrânia Ocidental, fugindo dos nazis, maioritariamente os polacos e judeus. União Soviética decidiu deporta-los, assim como os desempregados dos territórios da Ucrânia Ocidental e da Belarus Ocidental. No quarto trimestre de 1939 foram deportados 33 mil refugiados e 15 mil desempregados. Uma parte foi enviada aos trabalhos forçados na indústria de carvão das províncias de Stalin e Voroshilovograd (Ucrânia Oriental). Os refugiados eram vistos como o elemento anti – soviético, contra-revolucionário, inútil ou pouco útil para o trabalho físico, sem a especialização definida. Em termos étnicos, por exemplo, entre os refugiados deportados da província de Stanislaviv (hoje Ivano – Frankivsk), os 2793 eram judeus, 1072 ucranianos e 647 polacos (4568 pessoas no total).
Segunda onda das deportações começou no Verão de 1940. A campanha se iniciou no dia 28 de Junho, quando foram deportados 38 mil famílias (83 mil pessoas), que foram dispersas por 14 regiões da Rússia: Altai, Arkhangelsk, Gorki, Irkutsk, Komi, Yakutia, etc. O poder soviético seguia uma única regra: todos que vieram do território da Polónia potencialmente eram sabotadores, “alheios”, os “agentes alemães” ou “contra-revolucionários”.
No total, entre 1939 e 1941 a União Soviética deportou da Ucrânia Ocidental cerca de 10% da sua população. O historiador Jan T. Gross afirma que URSS deportou 3 – 4 vezes mais pessoas do que os nazis durante 4 anos de ocupação do território. Uma parte substancial dos deportados, principalmente as mulheres e crianças morreram por causa da fome, frio e doenças...

Genocídio nas prisões
Em Junho de 1941 o exército soviético recuava perante o avanço alemão. As cadeias da Ucrânia Ocidental e Belarus Ocidental eram cheias dos prisioneiros. No dia 23 de Junho de 1941, no segundo dia da guerra entre Alemanha nazi e URSS, o vice – comissário popular do Interior da URSS, camarada Chernishov, ordenou a evacuação dos prisioneiros para as províncias orientais do país. Os documentos demonstram que naquele momento as 63 cadeias da Ucrânia tinham a capacidade de abrigar 31 mil pessoas, mas continham cerca de 73 mil. Com início da guerra o seu “enchimento” aumentou 1,5 – 2 vezes mais. Por isso a liderança soviética incumbiu NKVD de fuzilar a maior parte deste “contingente”.

Em Junho – Julho de 1941, NKVD fuzilou 4.000 em Lviv, 1.000 em Ternopil, 1.000 em Dobromyl, Sambir – 1.200, Lutsk – cerca de 3.000, Drohobych – 1.000, Stanislaviv – 2.500, Dubno – 1.500, etc. No total, em 35 cidades foram fuzilados sem nenhum julgamento e sem nenhuma condenação cerca de 22.000 pessoas. Os fuzilados eram deputados e embaixadores ucranianos, advogados, jornalistas, outros intelectuais.
Testemunham os documentos
O chefe do UNKVD na província de Lviv, capitão Diatlov ordenou o “descarregamento rápido” das três cadeias provinciais. Em resultado, das 2239 pessoas presas foram fuzilados 1808 “elementos inimigos”.
O chefe da Direcção prisional do NKVD da Ucrânia Soviética, o capitão do NKVD Filipov escreve ao Comissário Popular do Interior da UcrSSR sobre a “evacuação” das cadeias da Ucrânia Ocidental (províncias de Lviv, Drohobych, Stanislaviv):
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Província de Lviv
As 4 cadeias tinham 5424 presos. No primeiro dia foram executadas as sentenças contra 108 prisioneiros /.../ nas cadeias foram fuzilados 2464 prisioneiros /.../ Todos os prisioneiros fuzilados foram sepultados nos buracos cavados nas caves, na cidade de Zolochiv no parque...
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Província de Drohobych
Em duas cadeias ... eram detidos 2242 presos. Fuzilados durante a evacuação em duas cadeias 1101 prisioneiro. No dia 27 de Junho durante a evacuação na cadeia da cidade de Sambir ficaram 80 cadáveres por sepultar, o director da cadeia solicitou a ajuda do NKGB e NKVD para sepulta-los, eles responderam com a recusa categórica.

Os fuzilamentos tiveram o carácter de tal maneira massificado, que os carrascos simplesmente não tinham tempo de apagar os vestígios... Embora outros dirigentes do NKVD faziam as coisas com mais “cuidado” sem deixar as pistas. Na província de Ternopil o chefe provincial do NKVD, camarada Vadis delegou a tarefa ao chefe do 2° departamento Aleksandrov, que “levou da cadeia 560 pessoas. Nenhum vestígio foi deixado na cadeia, tudo foi executado conforme as ordens...
As vezes os métodos de extermínio mudavam. Assim o chefe da 1ª Secção da Direcção Prisional do NKVD da URSS escreve no seu informe especial, que “os 954 presos da cadeia de Chortkiv foram levados no dia 2 de Julho em direcção da cidade de Uman. Pelo caminho ... foram fuzilados os 123 prisioneiros – membros da OUN... No dia 20 de Julho, após a chegada da etapa a Uman, pela ordem do procurador militar e da chefia do NKGB da UcrSSR os prisioneiros sob a investigação e os condenados pelas actividades contra-revolucionários, em número de 767 foram fuzilados, os seus corpos enterrados”. Quando os alemães ocuparam a cidade, no terceiro dia eles abriram as sepulturas no pátio da cadeia e deixaram os corpos dos fuzilados para a observação. Muitos deles foram reconhecidos pelos parentes e familiares.

O chefe da Secção prisional do UNKVD na província de Volyn, sargento do NKVD Stan, reporta ao vice – chefe da Direcção Prisional do NKVD da UcrSSR sobre o fuzilamento dos prisioneiros da cadeia de Lutsk, ocorrido no dia 3 de Setembro de 1941. “Foram separados e levados para o pátio administrativo da cadeia cerca de 800 pessoas que foram imediatamente fuzilados naquele mesmo local pelo grupo operativo, pelos militares do destacamento do exército prisional do NKVD e pelos dirigentes e guardas da cadeia /.../ Todos os cadáveres dos mais de 70 condenados à pena capital e cerca de 800 prisioneiros sob a investigação foram enterrados por nós e o local do enterro foi regado com o petróleo e queimado, depois disso todos estes locais foram cobertos com a cal /.../ No total foram fuzilados na cadeia e nos arredores da cadeia cerca de 1000 pessoas...
Não há na Ucrânia Ocidental nenhuma cidade, nenhuma localidade onde não existem os locais de extermínio em massa das pessoas pelo poder soviético. Hoje, lá são edificados os monumentos, são encontradas os familiares e os parentes de todos estes mártires, que foram as vítimas inocentes do regime soviético.

Fonte:
http://blog.i.ua/community/2540/661388