terça-feira, abril 05, 2011

Os leitores escrevem 2

Hoje continuamos publicar algumas das mensagens que recebemos dos leitores do nosso blogue.


Olá! Como vai? Bem, quero saber sua opinião sobre essa onda de revoluções acontecendo no mundo árabe. Vc acha que isso pode ocorrer nos países da ex-URSS? Quais seriam os prováveis países onde essa revolução pode ocorrer? Putin está com medo? E aquele fascínora de Belarus? Na Ucrânia haveria uma segunda revolução laranja? Escreva-me por favor: Lauro Daniel.


Fiquei bastante contente com as revoluções na Tunísia e no Egipto, mas fiquei absolutamente maravilhado com o levantamento popular na Líbia. O pouco que conheço sobre aquele país permite classifica-lo como uma ditadura de brutalidade inimaginavelmente medieval, onde por exemplo, um estrangeiro, para obter o visto de saída (!) necessita de receber o aval permissivo de cerca de 13 (!) departamentos estatais.


Acho que todos os ditadores a partir de agora devem ficar com o medo: Chavez (e a sua linguagem corporal mostrada na TV indica que ele já ficou apreensivo); paisão Lukashenka; a família reinante na Coreia do Norte (no dia em que os norte – coreanos acordarem do seu autismo habitual, os Kim’s poderão ter o destino igual à família de Ceauşescu), entre outros.


Sim, penso que em breve podemos ter mais revoluções no espaço pós – soviético (por exemplo, na Arménia ou no Uzbequistão), mas também prevejo que a próxima revolução na Ucrânia não será pacífica, o povo facilmente poderá usar as forquilhas e outras ferramentas agrícolas para correr com a corja que actualmente constitui o governo de ocupação em funções.


Também acredito que Kremlin esteja preocupado, mas por agora a situação naquele espaço geográfico poderá ser rapidamente suavizada com o rebaixamento considerável dos preços de vodka, acto que irá facilmente amnesiar uma grande franja populacional do país.


E já que estamos falar sobre Belarus, aconselho ver o filme “Teatro Livre da Belarus”, exibido recentemente pela TV Aljazeera English no programa Witness:


http://www.youtube.com/watch?v=o_b1zRxinmA



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Um outro leitor anónimo escreve assim do Brasil:


É lastimável ver o rumo que a Ucrânia está tomando com o atual governo. O país está se afastando cada vez mais do Ocidente. Enquanto o povo nos países árabes sai as ruas por democracia, a Ucrânia dá um passo p’ra trás. Acho que o Ocidente tem sua parcela de culpa pois não deu apoio a Ucrânia quando deveria, ao governo da Revolução Laranja, por exemplo. Parece-me que naquele encontro na França entre os chefes de estado daquele país mais Alemanha e Rússia ficou "acertada" a divisão da Europa. A parte da antiga URSS ficaria sob a esfera russa, parece que a Alemanha e a Franca aceitaram de bom grado isso. O próprio Obama já tinha admitido isso em sua nova política externa para região. A verdade é que a Europa Ocidental tem medo da Rússia com seu arsenal nuclear e seus chefes de estado loucos.


Como dizia Winston Churchill: “Em Munique, entre a desonra e a guerra escolhemos a desonra, em resultado tivemos ambas” (cito pela memória). A Europa Ocidental necessita desesperadamente da energia e teme sobremaneira a possível desintegração da Rússia. Os EUA necessitam da cooperação russa em uma série de questões (Afeganistão, Irão, etc) e temem um pouco do mesmo. Os líderes actuais do mundo Ocidental desconhecem a escrita do Marques de Custine e acreditam ingenuinamente na possibilidade milagrosa de encontrar no Kremlin um déspota esclarecido com quem será possível negociar. O passado histórico ensina que o “império energético” não procura nenhuma negociação genuína, apenas a forma de reagrupar as suas próprias forças para o próximo choque com a civilização Ocidental e inevitavelmente com a China.


No caso particular ucraniano, a actual administração dos EUA não valoriza a opinião do Zbigniew Brzezinski que já 20 anos atrás advertia sobre a importância vital da Ucrânia no impedimento do ressurgimento do novo império russo. A história determinará o preço que o Ocidente e os EUA terão de pagar (ou não) pela sua opção geopolítica actual.

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