segunda-feira, abril 27, 2009

Chornobyl – 23 anos depois...

Dia 26 de Abril de 2009; passam 23 anos após o acidente na estação nuclear do Chornobyl. Lembro que alguns dias após o acidente, as aulas foram interrompidos na escola e nós disseram: “houve acidente nuclear, vão para casa, fecham as janelas”.

E assim foi para casa, no estádio da minha escola via os miúdos a jogarem futebol, digo-lhes que devem ir para casa, pois houve um acidente. Eles se riam, é pá, já sabemos disso há muito tempo.

Em casa fecho as janelas, mas o pai diz que não me devo preocupar, pois a nuvem radioactiva toda ela já foi para a Finlândia. Na escola todos os dias desaparecem as crianças, são pais com um certo poder económico mandam os filhos fora da Ucrânia. Quando ficamos uns cinco alunos, toda a escola é evacuada para a Crimeia. Fico lá 45 dias, depois vou visitar os familiares do meu pai na Rússia, lá pela primeira vez vejo a maneira chauvinista de como os russos tratam os ucranianos. Chamam me os nomes (por causa da pronúncia), eu nem me considerava ucraniano na altura, coisas da vida...

No dia 1 de Maio de 1986 em Kyiv é organizada a “Corrida da paz” de ciclismo, várias delegações ocidentais e até algumas socialistas recusam-se visitar a Ucrânia. Jornal “Pravda” soviético fala sobre a “descarada propaganda anti – soviética”. Os futebolistas do Dynamo Kyiv que jogam na Franca são bombardeados pelas perguntas dos jornalistas e também mostram que são bons cidadãos soviéticos, não dizem nada... A imprensa ocidental também exagera, se conta que alguns rádios relatam “centenas” de mortes nas ruas. Isso não aconteceu, morreram mais tarde largos milhares de pessoas, mas nas suas próprias casas, nos hospitais, por causa dos cancros (subiram em flecha), outras doenças crónicas, que tiveram o desenvolvimento rápido. “Pravda” também diz que radiação em doses pequenas até é benéfica (Sic!).

No Outono de 1986 os miúdos apanhavam os cogumelos e a fruta nos bosques, mas os graúdos já proibiam de queimar as folhas secas que caiam das arvores, pois fogo libertava os isótopos radioactivos, como chumbo 238, césio, estrôncio, etc. Na escola somos obrigados a trazer um par de sapatos, que devemos usar no edifício escolar, costumo esquecer estes sapatos em casa. A ginástica (uma herança soviética estúpida, que me enervava), e que era obrigatória antes do início das aulas é suprimida. Um grande alívio meu e da direcção da escola, pois alunas (principalmente elas), costumam a desmaiar...

As pessoas dizem que é preciso beber vinho tinto, o tinto retira a radiação do corpo, tinto desaparece das lojas, mas que tinto é este, a zurrapa barata, o vinho de verdade só bebe a elite soviética.

Aparecem os versos semi – clandestinos, do tipo “ucranianos é uma nação orgulhosa, vimos essa radiação no cu”, “esqueci em casa as cuecas de chumbo”, etc.

Dos bombeiros que apagavam as chamas radioactivas em Chornobyl sobreviveu uma única pessoa, mesma sorte tiveram os pilotos de helicópteros que sobrevoavam o Chornobyl e as pessoas que atiravam no inferno radioactivo os sacos com arreia e chumbo. Glória para as suas almas, é difícil escrever estas linhas, porra estou a chorar, 23 anos parece que foi ontem...

A maioria dos ucranianos encontrou uma solução simples na resolução da tragédia do Chornobyl, criaram um muro de separação e indiferença, não saber, nem querer saber. Os especialistas dizem que nós apenas sabemos cerca de 60% daquilo que se passa no interior do 4° bloco energético. Radiação atingiu quase toda a Ucrânia (e metade da Europa) com as manchas desiguais, uma mancha nas arredores do Chornobyl pode ser inofensiva e no centro de Kyiv bastante alarmante. Mas ninguém quer andar com o medidor da radiação portátil no bolso. Assim é muito mais tranquilo.

O jornal on-line Pravda Ucraniana escreve que o termo do uso seguro do sarcófago que cobriu o Chornobyl terminará em apenas 7 anos, em 2016. E que a reacção nuclear auto – sustentada poderá ter lugar em qualquer momento, nem que seja agora mesmo. Embora ainda não aconteceu por alguma razão...

Existe o plano de criar até o ano de 2012 o “Sarcófago-2”, a estrutura nova e moderna que cobrirá o sarcófago inicial e que garantirá a sua segurança nos próximos 100 anos. Mas o jornal “Ukrayina Moloda”, escreve que até agora nada foi feito, apenas o projecto final será concluído no fim do 2009. E não será possível concluir a obra daquela envergadura até 2012, ao mesmo tempo que os estádios ucranianos do Euro 2012, que já estão a ser construídos...

A página da empresa estatal ucraniana ChAES (que gere o Chornobyl) informa que o nível médio da radioactividade na zona do Chornobyl é o seguinte: junto ao edifício administrativo № 1 – 0,68 m/Sievert por ano, na praceta de observação em frente do Sarcófago – até 6,53 m/Sievert / ano, em zona local do Sarcófago até 40 m/Sievert / ano.
(Só para comparar, a radicação solar que a pessoa recebe por ano, em média é de 2,4 m/Sievert / ano, no entanto, se o corpo humano for exposto a radiação momentânea, então apenas 1 m/Sievert provoca as mudanças no sangue, 2 – 5 provoca queda do cabelo e leucemia, 3 m/Sievert significa a morte no período de 30 dias em 50% dos casos registados).

A empresa estatal também disponibiliza o número do telefone, que as pessoas podem usar, para obter a informação mais fresca sobre a situação no Chornobyl, este número é +380 44 79 2-58-24

Proponho dois vídeos que o blogueiro ucraniano ledilid fez ao bordo do helicóptero do Ministério das Situações de Emergência da Ucrânia, filmando a estação e a cidade do Chornobyl.

Ver vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=UgG0-w1gEnU
http://www.youtube.com/watch?v=MFbtzRbyz2I

Fonte & fotos:
http://ledilid.livejournal.com/374355.html

domingo, abril 26, 2009

Brasil reflecte a obra do Gogol

A Universidade de Brasília e a Embaixada da Ucrânia organizaram o evento “200 anos de nascimento do escritor Nikolai Gógol – obras e reflexões”, que foi realizado no dia 24 de Abril de 2009 em Brasília.

No evento estiveram presentes o Vice – Reitor da Universidade de Brasília, Professor João Batista de Sousa, o Embaixador da Ucrânia no Brasil Volodymyr Lákomov, o Professor de Teoria da Literatura da Universidade de Brasília Dr. Henryk Siewierski, entre outros.

Eis a palavra do Embaixador da Ucrânia no Brasil, Volodymyr Lákomov:

Prezados Senhores, Amigos,

Hoje comemoramos 200 anos do nascimento de Mykola Gogol (Hóholh), um grande escritor russo e ucraniano. Comemora a Ucrânia, comemora a Rússia, sob a égide da UNESCO celebra a Humanidade.

Também há actividades na terra natal do escritor, na Poltava, na terra antiga e muito especial. Lá foi se desenvolveu a história do povo ucraniano, crescia vitoriosamente o espírito cossaco, se forjava a dignidade ucraniana e se formava a tradição nacional.
Nascido como o ucraniano, Mykola Hóholh ficou conhecido mundialmente como o clássico russo. Hóholh escreveu em russo, mas pelo seu pensamento e sentimentos foi ucraniano. Acho um pouco ridículas todas as disputas sobre a quem pertence Hóholh hoje. Ele, sem dúvida, pertence à Ucrânia. Mas o seu trabalho, claro, pertence aos mais altos valores da cultura humana, e a cultura russa. Ele é o grande ucraniano, mas o seu trabalho realmente não conhece fronteiras e barreiras linguísticas.
Através das obras do Hóholh o mundo já quase 200 anos sabe o nosso país, as nossas tradições, espiritualidade, identidade e a alma dos ucranianos. Ao mesmo tempo ele abriu a Ucrânia não só para o mundo, mas antes o mundo para o povo da Ucrânia.
O Hóholh «obrigou os ucranianos a conhecer a sua nacionalidade», — afirmou Panteleimon Kulish, um dos clássicos da literatura ucraniana do século XIX. Mykola Hóholh ressuscitou na memória do povo cossaco a glória, o romantismo da Sich de Zaporizhzhya, a luta pela liberdade e a independência da Ucrânia. Uma imagem poderosa de Taras Bulba ficou para sempre como uma encarnação de heroísmo, coragem e sacrifício, um modelo de honra e valentia.
O Hóholh inspirou pelo amor à sua terra natal muitas gerações de escritores, compositores, cientistas, artistas, figuras públicas, pessoas honestas e sinceras. Seu trabalho hoje alimenta a cultura ucraniana, é a herança da humanidade.
A Ucrânia homenageia a memória de Mykola Hóholh.

O povo da Ucrânia será sempre grato a ele e se orgulhará dele como um dos queridos filhos.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Gabinete do Reitor
Assessoria de Assuntos Internacionais
Campus Universitário Darcy Ribeiro – Reitoria – Asa Norte – Brasília – DF CEP: 70910-900
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sexta-feira, abril 24, 2009

Pysanka do Gucci

A Páscoa recente troce várias recordações do artesanato ucraniano, nomeadamente os ovos da Páscoa – Pysanky. Desta vez, publico um artigo sobre a colecção da alta costura do Gucci, baseada na ornamentação da pysanka.

A colecção do Gucci de 2008 conjugava as visões de um renascimento do hippy – chique, a combinação de matérias têxteis populares, do artesanato trabalhado e das tapeçarias eslavas, que lembravam a Pysanka – os ovos de Páscoa ucranianos tradicionais, decoradas pelo método do batique. Os Hutsulos (um sub – grupo étnico ucraniano que vive nas montanhas Cárpatos na Ucrânia Ocidental) acreditam que o destino do mundo depende da Pysanka. Quando o costume de decoração dos ovos continuar, o mundo (e nós que vivemos nele) existirão. Uma comparação apropriada com aqueles que acreditam que enquanto Gucci continuar a produzir as colecções novas, o mundo da moda sempre terá a sua oportunidade da luta.

Estas Psyankas podem ser compradas ao criador Soloveiko

Fonte:
http://www.trenddelacreme.com/2008/12/pysanka-by-gucci.html

quarta-feira, abril 22, 2009

Mapa da Ucrânia de 1648

Ultimamente, costumo encontrar as opiniões da gente iletrada, que repetem sem pensar as máximas russas sobre a “inexistência” da Ucrânia, sobre a “oferta” da Crimeia pelo Krushev, etc. Mas gosto de contrapor com os documentos na mão, não aprecio a polémica meramente emocional.

Hoje, queria vós apresentar o legado histórico do engenheiro francês Guillaume le Vasseur de Beauplan, que trabalhou no Reino da Polónia entre 1630 e 1647. Ele construiu fortificações na Ucrânia, cuja maior parte estava, então, sob o controle polaco, participou de batalhas com os Cossacos e Tártaros e, em 1639, viajou de barco pelo rio Dnipro (Dniepre para os portugueses). Beauplan produziu dois importantes mapas da Ucrânia que se baseavam em suas próprias observações, além das medições minuciosas astronómicas e topográficas. O seu mapa de 1648, aqui mostrado, foi publicado na cidade polaca de Gdansk, e inclui informações detalhadas sobre as áreas fronteiriças, incluindo as rotas e fortalezas tártaras. O mapa está orientado para o sul (tem que ser vista pelo contrário), na parte superior, uma característica dos mapas militares de países expostos a ataques provenientes do sul. O mapa foi gravado por Willem Hondius, o mais jovem membro da distinta família de ilustradores flamengos. Em 1651, Beauplan também publicou, em francês, Description d'Ukranie (Descrição da Ucrânia), uma importante fonte primária de informações sobre a Ucrânia, no século XVII.

O título do mapa no idioma original, latim, era “Delineatio Generalis Camporum Desertorum vulgo Ukraina, cum Adjacentibus Provinciis”, o mapa se encontra guardado na Biblioteca do Congresso e pode ser consultado aqui: http://hdl.loc.gov/loc.wdl/dlc.79

terça-feira, abril 21, 2009

Ucrânia: não é brinquedo, não!

Este é um pequeno trecho do episódio da série televisiva humorística americana Seinfeld, chamado “The Label Maker”.

No trecho, os heróis da série, Kramer e Newman, estão entretidos com o jogo da estratégia chamado “Risk”(vejam lá o tamanho da Ucrânia, o nosso país tem lá o número 6), no metropolitano da Nova Iorque, pois não se confiam mutuamente, para deixar o jogo inacabado no serviço. Eles discutem as tácticas e Kramer começa a falar mal da Ucrânia. Conversa aborrecida, que cai mal no ouvido de um ucraniano, que está junto a porta da saída (imagem padrão do ucraniano ou europeu do Leste, visto pelo americano médio). Ele fica indignado e ordena Kramer a parar de dizer que a Ucrânia é fraca, Kramer pensa que a indiferença ocidental será a sua blindagem de salvação e de repente descobre que não, no mundo novo e inesperado, a Ucrânia tem os punhos. Além de sermos os campeões nos pesos pesados (irmãos Klitschko), nós, simples cidadãos, também temos a capacidade física e mental de ensinar uns chicos espertos a respeitar o nosso país.
Ucraniano nova-iorquino praticamente repete a frase da Dona Jura da novela brasileira “Clone”, que dizia “Não é brinquedo, não”, apenas em inglês, “Ukraine is game to you”!?
http://www.youtube.com/watch?v=fzLtF_PxbYw
Obrigado ao yanek-ua

segunda-feira, abril 20, 2009

Entrevista do Presidente da Ucrânia

Presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, concedeu a entrevista ao jornal russo «Kommersant – Ucrânia» (bureão de Kyiv), onde fala sobre a sua concordância em diminuir o prazo do seu mandato, o seu apoio a ideia das eleições presidenciais e parlamentares simultâneas e antecipadas. A entrevista é conduzida pelos jornalistas do “Kommersant”, Sergey Sidorenko e Vladimir Solovióv.

— Senhor Presidente, o Senhor anteriormente declarou em diversas ocasiões sobre a impossibilidade de realização das eleições parlamentares e presidenciais simultâneas antepassadas, e agora apoia esta ideia. O que mudou?
— As eleições antecipadas não são uma tragédia. Falei sobre este um ano e dois anos atrás, e agora, também, porque a Verkhovna Rada (Parlamento ucraniano) para nós é uma fonte constante de crise. Mas a realização das eleições parlamentares para mim não é um fim em si mesmo. Mais importante é evitar no novo Parlamento os erros antigos. Agora no Parlamento se trava a luta entre os dois grandes partidos. Um deles vai fazer todo para impedir o financiamento das eleições, porque está satisfeito com o sistema que já existe no parlamento — a ausência da maioria. Outra força política está consciente de que ela tem de três a quatro semanas para ganhar o poder legitimamente, através das eleições antecipadas. Dei um estímulo ao Parlamento para eleições antecipadas – concordei com as eleições presidenciais antecipadas. Mas pôs a condição de que as eleições parlamentares, terão se realizar com um princípio novo. Para isso, se podem diminuir os restantes meses do meu mandato como o chefe de Estado, porque tais eleições podem trazer para o Parlamento uma qualidade nova e estabilidade.

— Mesmo no final do ano passado, o Senhor reconheceu que não esperava a aumentar sua popularidade. Varias vezes aceitava o facto de que os temas defendidos pelo Senhor, incluindo o Holodomor e a OTAN, não adicionariam a sua popularidade dentro dos próximos anos. Nós citamos ao Senhor correctamente?
— Sim, absolutamente. Mas há coisas que estão fora das noções convencionais da política. Hoje, a nação precisa estadistas que vão dizer o que eu digo agora. Talvez as pessoas hoje não entendem. Talvez, mesmo após cinco anos eles não vão entender. Mas o tempo virá, e que eles voltem! Tenho uma lógica simples — para fazer do povo a Nação, deveríamos falar sobre a História. Devemos lembrar que temos uma língua materna, o hino nacional, que devemos respeitar e cantar, que devemos respeitar a nossa bandeira. Pelo menos uma pessoa no país deve falar sobre isso, gostem outros ou não gostem. Digo isto como Presidente. E vocês me propõem que eu diga ao povo coisas doces que irão aumentar minha classificação.

— Está com medo de que com a chegada de um outro presidente irá se reverter a democratização da sociedade?
— Isso não é um problema meu. Este é o seu problema! O problema de você e do resto dos 47 milhões de ucranianos. Sinto muito que o trato por "você" só quero que me entende cada pessoa que vai ler essa entrevista. Se você acredita que existe um modelo melhor — por favor. Eu já me sacrifique suficiente para atingir os valores em que eu acredito! Já quatro anos falava sobre estes valores e vou falar o quinto ano também. Se Deus quiser vou falar no sexto, e no sétimo, no décimo. Eu não tenho a tarefa de agradar a Nação. Pense, eu tenho 55 anos, era o chefe do Banco Central, foi o Primeiro-Ministro. Tenho alguns princípios com que vou morrer. Independentemente de saber se o povo vai me entender ou não, vou falar de gerações de ucranianos torturados, atormentados. Neste é a missão do Presidente da Ucrânia. Vocês sabem, eu nunca tinha sido e não vou ser o “hohol”, nunca foi e nunca vou ser o “maloros” (palavras pejorativas que os russos usam para humilhar os ucranianos). Se precisar tomar uma segunda dose de dioxinas, vou fazê-lo, não me importo. Eu tenho cinco filhos, e quero ter a oportunidade de dizer lhes "Eu entrego a vocês a Ucrânia melhor do que eu recebi".

— Durante o tempo da sua cadência, Kyiv e Moscovo ainda não construíram bons relacionamentos políticos. O Senhor não podia fazê-lo, nem com Vladimir Putin, nem com Dmitry Medvedev. O que impediu?
— A Rússia é um grande país que pode e deve ser ter a liderança em muitas questões geopolíticas. Naturalmente, ela tem uma visão da política externa. Em Moscovo dizem que a Ucrânia é uma zona de especial interesse da Rússia. Mas, na Ucrânia essa terminologia não é compreendida. Quanto às nossas relações bilaterais, lhes falta o pragmatismo. Constatamos uma politização profunda. Acredito que de melhor maneira as relações se reforçam através dos laços económicos e comerciais. O dever dos políticos dos dois estados é fazer que as empresas possam comunicar-se livremente. Ainda em 1993, para reforçar as relações económicas, foi assinado o acordo sobre a uma zona de comércio livre. Hoje é 2009, passou 16 anos. A Ucrânia ratificou o documento logo após a assinatura. A Rússia ainda não tenha feito isso.

— O seu desejo alistar-se à OTAN, que a sociedade recebe sem entusiasmo, também provoca irritação de Moscovo. Qual é essa necessidade?
— Este é o princípio. Precisamos entender como é importante o papel da segurança na construção de um estado independente. Ao longo dos últimos 90 anos, os ucranianos proclamaram a independência do seu estado seis vezes. Pensem bem, seis vezes — nenhuma nação na Europa tem essa experiência!

— O Senhor acredita que, ficando fora da NATO, a Ucrânia pode perder a independência?
— Eu quero que vocês entendam o meu raciocínio. Das seis tentativas para a independência da Ucrânia, cinco falharam. Normalmente, este se deveu os factores externos. Claro que, ajudou muito a quinta coluna no país. Então, não quero, que nós perdemos a independência a sexta vez. Olhe para a Europa. Nenhum país na Europa, excluindo a Rússia, vá pelo caminho de política de auto-segurança. Todos entenderam, que a única forma de garantir sua própria segurança é a participação em um modelo de segurança colectiva. Outro modelo não é considerado nem na Áustria ou nos países nórdicos ou na Suíça. Existem diferenças nos pormenores – porque um país se aderiu formalmente ao bloco, enquanto outras não. Mas isto não significa que esses países estão contra o modelo de segurança colectiva! De um ou outro modo, todos eles estão sob a protecção do sistema. Agora tomamos um exemplo das últimas páginas da Historia, olhemos aos países do Leste da Europa desde os países Bálticos com os quais em conjunto construímos o socialismo desenvolvido. Ao declarar a independência, o primeiro passo que eles fizeram, estava ligado com o sistema de segurança colectiva.

Fonte:
"Kommersant – Ucrânia" № 66 de 15/04/2009

Tradução integral da Embaixada da Ucrânia no Brasil & correcção JNW:
http://www.ucrania.org.br/asp10/artigos/artigos_view2.asp?cod=192

Páscoa Ucraniana Feliz!

Hhrystos Voskres! (Cristo Ressuscitou)! Voїstynu Voskres! (Realmente Ressuscitou)!

Hoje é o dia da Páscoa (na Ucrânia chamada do Velekden – O Grande Dia) dos cristãos que seguem o calendário Gregoriano.
Na Ucrânia as pessoas fazem as páscoas (bolo da Páscoa), que juntamente com os ovos pintados (pysanky) é lavado para a igreja para ser benzido. Poderá ler mais sobre outras tradições ucranianos aqui. As músicas tradicionais ucranianas da Páscoa podem ser ouvidas na rádio Nash Holos.
Também queríamos partilhar convosco um vídeo sobre a preparação dos ovos pintados ucranianos – pysanky, explicando como estes são feitas, além do significado dos seus desenhos Cristãos e pré – Cristãos.

http://www.youtube.com/watch?v=eJJ2ZvcQZ70

Leia também o artigo “Pysanka do Gucci”:
http://www.trenddelacreme.com/2008/12/pysanka-by-gucci.html

Fonte:
http://nashholos.blogspot.com

quinta-feira, abril 16, 2009

Semi – final ucraniana da UEFA

Obtendo a inequívoca vitória de 3:0 sobre o Paris SG, após conseguir 0:0 na Franca, o FC Dynamo Kyiv carimbou o passaporte para a Semifinal da Taça UEFA, onde jogará com outra equipa ucranianaFC Shakhtar Donetsk.

Os planos napoleónicos dos franceses de ganhar em Kyiv, foram contrariados pelo africano Bangoura, que além de marcar o primeiro golo ao minuto 4, obrigou o guarda – redes francês a cometer o auto – golo no minuto 15. Mais tarde veio o golpe de mestre do Vukojević (minuto 61) e a questão do vencedor do jogo foi fechada.

No outro jogo, o FC Shakhtar eliminou o Olympique de Marseille, ganhando por 1:2, sem que para isso precisou de suar muito. Os comentadores da bancada dizem que o jogo não foi muito bonito, eu digo que prefiro ver a minha equipa jogar menos e ganhar, do que ver ela jogar maravilhosamente e perder. Pois só os vencedores ficam na história...

Golo do Ismael Bangoura , 4'
http://www.youtube.com/watch?v=2rBOyayMl2A

Auto golo do Landreau, 15'
http://www.youtube.com/watch?v=-bWGDbbaYww

Golo do croata Ognjen Vukojević, 61'
http://www.youtube.com/watch?v=CgkCXAv4g4g

Comprar a camisa oficial do Shakhtar (Código do produto 119816815), cerca de 40 USD:
https://shop.shakhtar.com/en/items/products/detg/?idg=265

Makhno – Che ucraniano!

Nestor Makhno poderá se tornar hoje a ícone para a esquerda europeia esclarecida, que sempre tem o bom gosto em ser diferente, por exemplo deixando a adoração do Che aos simplórios do povo inculto.

Nascido em 1888 e falecido em 1934, Makhno era o líder anarco – comunista ucraniano, guerrilheiro popular que lutou contra à invasão bolchevique da Ucrânia em 1917 – 1920, uma das figuras principais da Revolução Ucraniana.

Ele fundou o Exército Insurgente Makhnovista de princípios anarquistas que combateu as forças pró – monárquicas russas que tentavam invadir a Ucrânia durante a vigência da República Popular Ucraniana, mais tarde tendo se aliado ao exército bolchevique. Após a conclusão da ocupação bolchevique da Ucrânia, o exército mahnovista foi declarado ilegal e seus membros foram presos, deportados e executados. Makhno conseguiu fugir para a Roménia com um pequeno grupo de militantes, mais tarde se exilou na França, onde viveu até sua morte. Durante seu exílio em Paris, Makhnó manteve contacto com outros anarquistas famosos, entre os quais Alexander Berkman e Buenaventura Durruti.

A sua obra teórica principal é a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, publicada em 1926. A obra sugere a formação de uma “União Geral dos Anarquistas”, que seria baseada em quatro princípios: unidade teórica, unidade táctica, responsabilidade colectiva e federalismo.

Prontos, é a total história da Europa Central e do Leste... Mas a globalização não dorme, camaradas, e por isso os anarquistas espanhóis começaram a se interessar pelo Makhno. Pelo menos em Madrid, junto ao metro Tirso de Molina, onde aos domingos se abre o mercado de pulgas das “esquerdas”, usado pelos punks, anis – sistema e outros anarquistas para venderem a literatura, bandeiras, insígnias, música das suas queridas causas libertárias. Obviamente, lá também aparecem os skins, simples malandros, etc.

O velho anarquista Luis (proprietário da livraria Durruti), conhecedor do Makhno e da Ucrânia, diz que já vendeu a insígnia do Makhno à meia – dúzia de ucranianos. Após o meu pedido, o blogueiro Zoin, ucraniano radicado em Madrid enviou para o Moçambique um dos exemplares da criatividade hispano – ucraniana. Assim, pouco a pouco, poderemos substituir o já aborrecedor Che por um figura nova, mítica e prometedora – Nestor Makhno, lendário comandante do Exército Insurgente Makhnovista (da Ucrânia, claro).

Obrigado ao Zoin

terça-feira, abril 14, 2009

Arte ucraniana na Austrália

No dia 12 de Abril de 2009, no Centro dos Escuteiros Ucranianos (PLAST) na cidade de Lidcombe (Austrália, estado Novo Gales do Sul), foi inaugurada a exposição organizada pela Sociedade Artística Ucraniana da Austrália. A exposição celebrava o 40° aniversário da Sociedade, pagando o tributo a todos os seus membros, actuais e já falecidos.

A exposição foi oficialmente inaugurada pela Sra. Barbara Perry, a Ministra do Governo Local e Vice – Ministra da Saúde, que sublinhou a importância de manter as tradições vivas e congratulou a Sociedade no seu papel da promoção da cultura ucraniana na Austrália.

Na exposição foram demonstrados os trabalhos dos vários artistas ucranianos, entre eles Volodymyr Savchak, Eugenia Koziolkowskyj, Aleksander Chybatyj, Michael Kmit, Stefan Chwyla, Svitlana Voronyuk, Natalia Balo e Valentin Varetsa.

O Secretário da Sociedade, Petro Kravchenko, também leu as cartas de agradecimento e encorajamento recebidas das instituições públicas e governamentais da Ucrânia, da Academia das Belas Artes, da Associação Ucraniana dos Artistas, do Embaixador da Ucrânia na Austrália Sr. Valentyn Adomaytis, da Escola das Línguas, Culturas e Linguística da Universidade do Monash (Austrália), entre outros.

Ver as fotografias & ler mais em ucraniano e inglês:
Commemorating_our_art_pioneers_in_AUSTRALIA

Ilustração: Prato pintado, autora Irena Madei, “O Cossaco”

segunda-feira, abril 13, 2009

Ucraniana assassinada nos EUA

No dia 6 de Abril deste ano, um emigrante vietnamita perpetuou o massacre no Centro Comunitário (American Civic Association) da cidade de Binghamton, estado da Nova Iorque. Em resultado morreram 13 pessoas, entre eles a ucraniana Maria Zobniw.

Uma funcionária em tempo – parcial a Maria Zobniw deveria ter um dia de folga, mas uma chamada do Centro, pediu a sua ajuda e Sra. Maria veio a ajudar.

Maria Zobniw de 60 anos de idade, era o “coração e a alma da sua família” e a “pedra basilar da Comunidade ucraniana local”, diz a sua filha Zoriana Zobniw Nehrebeckyj.

Durante quarto décadas, Maria Zobniw era a presidente da Liga das Mulheres Ucranianas de Binghamton e a secretária do Comité Congressista Ucraniano da América (Ukrainian Congress Committee of America). Ela organizava o Festival Étnico, içada a bandeira ucraniana no Dia da Independência da Ucrânia, fazia as palestras sobre a arte ucraniana de pintar os ovos (pysanky) e arte ucraniana em geral.

Maria Zobniw nasceu no campo de refugiados ucranianos após a II G.M. na Alemanha, a sua família mudou-se para os EUA quando ela teve 4 anos. A família morava em Binghamton no bairro ucraniano de First Ward. Ela era o membro da Igreja Católica Ucraniana do Sagrado Coração, estudava na Escola Católica Secundária Central de Seton e foi graduada pelo Colégio Harpur (agora Universidade de Binghamton).

As doações em memória da Maria Zobniw podem ser feitas em nome da Ukrainian Women’s League of America, Ukrainian Congress of America ou Ukrainian School Curriculum Fund.

Ver & ler mais sobre o assunto:

Recordando Maria Zobniw (Vídeo)
A filha recorda a sua mãe pela Chrystia Zobniw
A ultima entrevista com Maria Zobniw (Vídeo)
A look at victims of the Binghamton, NY, shootings
A comunidade ucraniana recorda Maria Zobniw (Artigo) & Vídeo
Binghamton Remains in Mourning (Article with Video)

Importante: Desde 2008 Binghamton comemora o dia 21 de Maio como o Dia de Memória do Genocídio Ucraniano.

Fonte, foto, links do nosso amigo Andrew (Canada):
http://www.ukrcdn.com

quinta-feira, abril 09, 2009

Os cossacos modernos em Londres

A página dos adeptos ucranianos de futebol Ultras, conta a história do jogo Inglaterra – Ucrânia (Ucrânia não ganhou por 2:1, golo do Andriy Shevchenko), importante para o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2010.

Os ucranianos conseguiram comprar todos os 3.000 bilhetes, à que tinham o direito pela quota oficial da FIFA. Isso apesar do preço nada módico de 65 Euros, a não esquecer que o país está em crise económica profunda...

Na entrada para o estádio, os britânicos não deixaram entrar o banner de 2x3 metros, argumentando a sua decisão com a frase "It's too big!", também não deixaram entrar o banner realmente grande, 9x15, patrocinado pela representante da Ucrânia na Eurovisão, Svitlana Loboda. Mas após o jogo, toda a propriedade privada dos adeptos foi devolvida aos seus legítimos donos, democracia secular é isso!

Os adeptos britânicos e ucranianos não eram separados fora do estádio, não há necessidade disso no país que possui 20% das câmaras CCTV do mundo. Muitos dos ucranianos da Diáspora, cantaram, respeitando os hinos dos dois países, do seu país da nascença e a terra do coração.

A sociedade britânica é super – regrada, até o homem do tambor recebeu a crachá especial "Official drummer", tinha que fornecer os seus dados pessoais, recebendo as instruções quando pode tocar o tambor e quando não deve.

No dia a seguir o jogo, o tal banner grande de 9x15, que pesava cerca de 15 kg, foi colocado na ponte sobre o rio Tamisa. A polícia londrina é muito eficiente e corre muito rapidamente. Dois rapazes levaram o aviso policial por escrito. Depois o banner foi recortado pelos seus donos, a parte superior, com o brasão ucraniano viajou até a Ucrânia e será exibida nos próximos jogos da Selecção.

Fonte:
http://ultras.org.ua/00484.html

Mais fotos dos jogos da selecção:
http://ultras.org.ua/photo/ukraine_eng.php

quarta-feira, abril 08, 2009

Revolução Twitter

A revolução em Moldova ainda não terminou, mas já tem o seu nome oficial, a Revolução Twitter, pois os jovens que protestam contra a falsificação do processo eleitoral pelo partido comunista, usam a rede de comunicação do micro – blogue twitter, para se comunicar e para mobilizar os activistas.

Entre outras notícias da Moldova: Chişinău oficial expulsou o embaixador da Roménia, acusando o país vizinho a instigar os protestos anticomunistas na capital. Os estudantes moldovos que estudam na Roménia são proibidos de voltar ao seu próprio país pelas autoridades comunistas, que parcialmente fecharam as fronteiras. Os membros da polícia ou serviços secretos vestidos à civil atacam os manifestantes, existem relatos sobre detenções ilegais e torturas.

O papel das novas tecnologias

Talvez um pouco inesperadamente, mas em Moldova, onde cerca de 25% da população activa está emigrada, trabalhando em vários países da Europa, as novas tecnologias jogaram o papel crucial na mobilização estudantil contra o regime.

Assim na rede do twitter, hoje o tópico (tag) mais popular é o #pman, que significa Piata Marii Adunari Nationale, a maior praça na capital da Moldova – Chişinău.

Os protestos começaram no Domingo, dia 6 de Abril, quando ONG’s juvenis HydePark e ThinkMoldova pediram jovens acender as velas, em protesto pacífico contra as eleições falsificadas. Mas muito rapidamente no centro da cidade se reuniram cerca de 10.000 jovens, que montaram o piquete em frente da Comissão Nacional de Eleições, palácio presidencial e outros edifícios governamentais.

Os manifestantes usam largamente as redes sociais como Twitter e Facebook, além de receber a informação que a TV romena proporciona em directo da praça Piata Marii. Para cortar a plataforma comunicacional dos manifestantes, as autoridades em Chişinău bloqueiam a rede móvel na praça, obrigando os activistas afastarem-se do local dos protestos, para poder fazer a actualização dos seus blogues e twitters através da tecnologia GPRS dos seus telemóveis.

Além disso, vários usuários, como imarin colocam os vídeos dos protestos no YouTube, muitos dos blogues estão ser actualizados em tempo real.

O poder do futebol

Na 25ª jornada do campeonato nacional da Roménia, no jogo entre Universitatea Craiova e Dinamo Bucureşti os futebolistas da Craiova entraram no campo com o banner "Alături de fraţii noştri din Moldova!" (Junto com os nossos irmãos da Moldova!) e os seus adeptos gritavam a palavra de ordem Li-ber-ta-te! (Liberdade!).
Fonte em inglês:
http://neteffect.foreignpolicy.com/posts/2009/04/07/moldovas_twitter_revolution

Ler mais sobre a situação em Moldova (romeno & inglês):
http://pman.cloudapp.net

terça-feira, abril 07, 2009

Revolução em curso em Moldova

Hoje, a Moldova acordou com a Revolução na capital – Chişinău. As eleições foram ganhos fraudulentamente pelos comunistas (razoavelmente centristas e patriotas) e covardemente reconhecidas pela UE, mas amplamente contestados pelos cidadãos. Cerca de 30.000 manifestantes avançaram contra o Parlamento e Presidência da República. Após uma fraca resistência da polícia, ambos os edifícios caíram nas mãos dos manifestantes. Uma bandeira da União Europeia está hasteada na residência do Presidente da República.

Fotos do John McConnico (Associated Press) e Gleb Garanich (Reuters):
http://drugoi.livejournal.com/2914511.html

Actualização constante em Twitter (em inglês): http://twitter.com/Moscovici

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=l0Bj0f2XOAs

É claro, que alguém pode dizer: “é pá, tanta violência, é feio...”, mas não se deve esquecer que como terminou o comunismo na vizinha Roménia (alias, a Moldova é a parte da Roménia, arbitrariamente criada pela vontade do Stalin). Por isso, nem todas as revoluções são tão pacíficas como a Revolução Laranja ucraniana ou a Revolução das Rosas na Geórgia.
UPD: em Chişinău não funciona a TV, o provedor desligou os canais romenos ProTV e Realitatea (que cobriam a Revolução em directo), os provedores estatais desligaram a Internet, mas os privados continuam a providencia-lo, a telefonia móvel funciona com muitas dificuldades, mas ainda é possível mandar e receber as SMS. Últimas informações dão conta do que a oposição da Moldova obrigou o poder fazer a recontagem dos votos, embora um dos líderes da aliança “Nossa Moldova”, Serafim Urechean disse que os protestos vão continuar até a convocação das novas eleições. Essa posição é apoiada pelo presidente do Município do Chişinău e vice – presidente do partido liberal da Moldova, Dorin Chirtoacă.

Mas viva a Revolução Moldova!

Kennedy´s Brain / Cérebro do Kennedy

As produtoras germânicas “Bavaria Pictures”, “ARD Degeto” e “Yellow Bird”, estão neste momento a filmar em Maputo uma série da TV, baseada no romance do Henning Mankell, chamadoKennedy’s Brain”.

O papel principal feminino está a cargo da famosa actriz alemã Iris Berben (contracenou com Jack Palance no esparguete – western Vamos a matar, compañeros). A série também é estrelada por actores suecos Michael Nyqvist, Rolf Lassgård, Julia Dufvenius e Andreas Wilson.

“O Cérebro do Kennedy” é um romance – denúncia sobre os negócios das multinacionais farmacêuticas à volta da epidemia da SIDA. Louise Cantor, uma arqueóloga sueca procura a verdade sobre a morte do seu filho, Henrik, um jovem aparentemente suicida. Algures em África ela descobre o escândalo, que o seu filho estava prestes a desmascarar. Brevemente ela estará face – a – face com as pessoas que já mataram o seu filho para proteger os segredos corporativos e não tem problemas em matar de novo.

Além de Moçambique, a série será filmada na África do Sul, Alemanha (Munique) e Suécia (Gotemburgo) entre Janeiro e Abril de 2009. A sua exibição é agendada pelo canal público da TV alemã ARD Degeto durante o ano de 2010.

Alguns críticos consideram que o romance do Henning Mankel é bastante semelhante ao “O fiel jardineiro” de John le Carré, mas do menor valor literário.

Fonte:
http://www.yellowbird.se

segunda-feira, abril 06, 2009

Ministro visita a comunidade ucraniana do Paraná

Ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, estará em Mallet no dia 07 de Abril para dar início as obras de restauro da Igreja São Miguel Arcanjo, a mais antiga igreja ucraniana do Paraná.

O trabalho para o restauro será coordenado pelo Instituto Arquibrasil, com o apoio do Iphan (Instituto de Património Histórico Nacional) e patrocínio da Caixa Económica Federal, num valor total estimado em um milhão e cem mil reais. Trata-se de projecto aprovado pelo Ministério da Cultura, já que a Igreja é tombada pelo Património Histórico Estadual. Para o deputado federal Ângelo Vanhoni, que possibilitou o diálogo da comunidade ucraniana com o Ministério da Cultura, “o reconhecimento do governo federal à tradição do povo eslavo contribui para a construção permanente da memória e o apoio para a diversidade cultural do país.”

As igrejas ucranianas são o símbolo mais expressivo da cultura e resistência desse povo. Construída na Serra do Tigre pelos ucranianos a partir de 1899 e inaugurada em 1903, a igreja São Miguel Arcanjo tem em sua arquitectura a expressão dos valores dos descendentes. As paredes são triplas, onde a madeira foi encaixada com pouco uso de pregos. Apresenta no interior, pinturas com imagens de São Nicolau, Nossa Senhora, São José e outros. E no altar, fica a imagem de São Miguel Arcanjo, com tecidos bordados com desenhos em estilo ucraniano, que também cobrem as mesas. Além da construção de madeira de araucária, típica paranaense, a cultura é preservada na igreja, através da religiosidade e vida social que a rodeia, com suas tradições. A língua ainda é ali ensinada e praticada por alguns membros da comunidade. Uma das principais características da missa católica em rito bizantino é que ela é celebrada de costas para os fiéis e na língua do país de origem dos imigrantes, a ucraniana. Em Curitiba, como homenagem aos ucranianos, em 1995, foi inaugurado o Memorial Ucraniano, com uma réplica da Igreja de São Miguel Arcanjo.

Roteiro turístico eslavo

Estuda-se actualmente junto ao Ministério do Turismo, a consolidação de um projecto para criar o roteiro turístico eslavo no Paraná. Além das igrejas típicas ucranianas e polonesas, as manifestações culturais de dança folclórica, artesanato e rica a gastronomia, a região sul do Paraná que abriga os municípios colonizados pelos eslavos, também possui como atractivo suas belezas naturais. Em Prudentópolis, são mais de 50 cachoeira, e ali nasce o rio de maior extensão do Paraná, Rio Ivaí. Ainda há em toda a região, grutas, morros, pesque pagues, recantos, sítios e cantinas. Além da possibilidade de apreciar as exuberantes construções no estilo europeu deixadas pelos colonizadores, podendo ser vistas em casas, estabelecimentos comerciais, moinhos, escolas, entre outros. Ângelo Vanhoni reconhece e defende que o diferencial da região é o sincretismo da cultura com a natureza. “O potencial turístico da região está calcado na identidade cultural eslava que se apropria da natureza para celebrar seus antepassados e valores.”

domingo, abril 05, 2009

Consciência europeia e o totalitarismo

O Parlamento Europeu aprovou no dia 2 de Abril de 2009, a Resolução sobre a consciência europeia e o totalitarismo, onde está mencionado o Holodomor ucraniano.

O Parlamento Europeu,
– Tendo em conta a Declaração dos Direitos do Homem das Nações Unidas,
– Tendo em conta a Resolução 260 (III) A da Assembleia Geral das Nações Unidas, sobre o Genocídio, de 9 de Dezembro de 1948,
– Tendo em conta os artigos 6.º e 7.º do Tratado da União Europeia,
– Tendo em conta a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia,
– Tendo em conta a Decisão – Quadro 2008/913/JAI do Conselho, de 28 de Novembro de 2008, relativa à luta contra certas formas e manifestações de racismo e xenofobia por via do direito penal(1) ,
– Tendo em conta a Resolução 1481 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de Janeiro de 2006, sobre a necessidade de condenação internacional dos crimes dos regimes comunistas totalitários;
– Tendo em conta a sua declaração sobre a proclamação do dia 23 de Agosto como Dia Europeu da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo, aprovada em 23 de Setembro de 2008(2) ,
– Tendo em conta as suas numerosas resoluções sobre a democracia e o respeito pelos direitos e liberdades fundamentais, nomeadamente as de 12 de Maio de 2005 sobre o 60.º Aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa em 8 de Maio de 1945(3) , de 23 de Outubro de 2008 sobre a evocação da Holodomor, a fome artificialmente provocada(4) , e de 15 de Janeiro de 2009 sobre Srebrenica(5) ,
– Tendo em conta as Comissões "Verdade e Justiça", estabelecidas em várias partes do mundo, que ajudaram quantos viveram sob inúmeros antigos regimes autoritários e totalitários a superarem as suas diferenças e a lograrem a reconciliação,
– Tendo em conta as declarações proferidas em 4 de Julho de 2006 pelo seu Presidente e pelos Grupos Políticos 70 anos após o golpe de Estado do General Franco em Espanha,
– Tendo em conta o n.º 4 do artigo 103.º do seu Regimento,

[...]

1. Expressa o seu respeito por todas as vítimas dos regimes totalitários e anti-democráticos da Europa e presta tributo a quantos lutaram contra a tirania e a opressão;
2. Reafirma o seu empenho numa Europa pacífica e próspera assente nos valores do respeito da dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do primado do Direito e do respeito pelos direitos humanos;
3. Salienta a importância de manter viva a memória do passado, uma vez que não pode existir reconciliação sem verdade e memória; reafirma a sua posição unida contra todos os regimes totalitários, independentemente da respectiva ideologia de base;
4. Recorda que os crimes mais recentes contra a Humanidade e actos de genocídio na Europa estavam ainda a ser cometidos em Julho de 1995 e que é necessária uma constante vigilância para combater ideias e tendências anti-democráticas, xenófobas, autoritárias e totalitárias;
5. Assinala que, para reforçar a consciência europeia dos crimes cometidos por regimes totalitários e antidemocráticos, há que conservar a documentação e os testemunhos do passado conturbado da Europa, pois não pode haver reconciliação sem memória;
6. Lamenta que, 20 anos após o colapso das ditaduras comunistas totalitárias na Europa Central e Oriental, o acesso a documentos que têm carácter pessoal ou que são necessários para a investigação científica seja ainda, em alguns Estados-Membros, indevidamente limitado; exorta todos os Estados-Membros a envidarem verdadeiros esforços tendentes à abertura dos seus arquivos, incluindo os dos antigos serviços de segurança interna, da polícia secreta e dos serviços de informações de segurança, embora cumpra tomar medidas tendentes a assegurar que este processo não seja abusivamente utilizado com objectivos de ordem política;
7. Condena enérgica e inequivocamente todos os crimes contra a Humanidade e as violações maciças dos direitos humanos cometidas por todos os regimes totalitários e autoritários; expressa simpatia, compreensão e reconhecimento do seu sofrimento às vítimas destes crimes e aos membros das suas famílias;
8. Declara que a integração europeia, enquanto modelo de paz e reconciliação, representa uma escolha livre dos povos da Europa para se comprometerem na via de um futuro partilhado e que cabe à União Europeia a especial responsabilidade de promover e salvaguardar a democracia, o respeito dos direitos humanos e o Estado de Direito, tanto dentro como fora da União Europeia;
9. Exorta a Comissão e os Estados-Membros a envidarem esforços no sentido de reforçar o ensino da História da Europa e sublinhar o resultado histórico da integração europeia e o forte contraste entre o trágico passado e a ordem pacífica e democrática que conhece a sociedade na União Europeia de hoje;
10. Entende que uma adequada preservação da memória histórica, uma ampla reavaliação da História europeia e o reconhecimento, à escala da Europa, de todos os aspectos históricos da Europa moderna reforçarão a integração europeia;
11. Insta, neste contexto, o Conselho e a Comissão a apoiarem e a defenderem a acção de organizações não governamentais que, como a "Memorial" na Federação Russa, se empenham activamente na investigação e recolha de documentos relacionados com os crimes cometidos durante o período estalinista;
12. Reitera o seu firme apoio a um sistema judiciário internacional reforçado;
13. Solicita o estabelecimento de uma Plataforma da Memória e da Consciência Europeias, que forneça apoio ao estabelecimento de redes e à cooperação entre institutos nacionais de investigação especializados no domínio da História do totalitarismo, bem como a criação de um centro/memorial pan-europeu de documentação sobre as vítimas de todos os regimes totalitários;
14. Solicita o reforço dos instrumentos financeiros pertinentes para apoiar a investigação histórica profissional sobre as questões acima descritas;
15. Apela a que o dia 23 de Agosto seja proclamado, em toda a Europa, Dia da Memória das vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários, devendo ser comemorado com dignidade e imparcialidade;
16. Manifesta a sua convicção de que o objectivo último da divulgação e avaliação dos crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários é a reconciliação, que poderá ser alcançada admitindo a responsabilidade, pedindo perdão e promovendo a renovação moral;
17. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, aos parlamentos dos Estados-Membros, aos governos e parlamentos dos países candidatos, aos governos e parlamentos dos países associados à União Europeia e aos governos e parlamentos dos países membros do Conselho da Europa.

Fonte:
http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+TA+P6-TA-2009-0213+0+DOC+XML+V0//PT
Obrigado ao Luís M. Ribeiro
Na foto:
militares soviéticos e nazis durante a ocupação da Polónia em 1939.

Crime soviético nos países bálticos

60 anos atrás, no fim do mês do Março de 1949, a URSS começou a deportação em massa dos cidadãos dos Países Bálticos ocupados – Letónia, Lituânia e Estónia para a Sibéria. Operação “Priboi” (Preia-mar) foi amplamente relembrada nos Países Bálticos, enquanto na Rússia apenas a sociedade “Memorial” teve a coragem de recordar essa tragédia. Durante as comemorações da deportação ressurgiu o nome do Arnold Meri, em 1949, o primeiro secretário do comité central da liga comunista (Komsomol) da Estónia, que participou activamente na deportação dos 250 moradores da ilha de Hiiumaa para a Sibéria. A legislação da Estónia considera que os semelhantes actos não tem a data de expiração. O presidente russo Medvedev condecorou ao título póstumo Arnold Meri com a “Ordem do Mérito”...

Nos estúdios da Rádio Europa Livre / Rádio Liberdade em Praga reuniram-se o jornalista Dmitriy Volchek, a historiadora russa Elena Zubkova (autora do livro “Báltico e o Kremlin”) e via telefone da Riga, o chefe dos programas científicos do Museu da Ocupação da Letónia, Professor Heinrihs Strods.

Elena Zubkova: Primeira operação de deportação em massa dos Países Bálticos iniciou-se (pelos soviéticos) em 1941, apenas uma semana antes do início da guerra germano – soviética. Em 1945 as deportações continuavam, principalmente na Lituânia. Uma grande operação chamada “Vesna” (Primavera) teve o lugar na Primavera de 1948, quando da Estónia para a Sibéria foram deportados cerca de 40 mil pessoas (dados parciais).

Pelos dados do NKVD / MGB, dos Países Bálticos durante a operação “Priboi” foram deportados cerca de 100.000 pessoas. Em Janeiro de 1949 foi aprovado uma deliberação secreta do Conselho dos Ministros da URSS chamada “Sobre a deportação da Lituânia, Letónia, Estónia as famílias dos kulaks, colaboradores dos bandidos e outros”. Depois foram criadas as listas dos deportados, preparados os comboios e camiões.

Heinrihs Strods: Em 2007 o Museu da História Nacional da Letónia publicou a lista dos deportados – 44.271 pessoas. Durante a viagem morreram 220 pessoas, geralmente crianças e idosos com mais de 80 anos. Entre os deportados 95% eram letões, embora estes constituíam em 1949 menos de 50% da população da Letónia. Apenas um membro do partido comunista foi deportado, mas três dias depois voltou à república. 156 membros do Komsomol (a juventude comunista) foram deportados junto com os seus pais.

O Parlamento da Letónia decidiu que dia 25 de Março de cada ano será o Dia da Memória das Vítimas do Genocídio Comunista, até agora no país seis pessoas foram julgados por crimes do genocídio, incluindo o ex-chefe da KGB da Letónia soviética, Alfons Noviks.

Dmitriy Volchek: Queria citar alguns detalhes do caso criminal do Arnold Meri. Com a sua colaboração foram deportados 13 idosos, com idades superiores a 75 anos, 11 dos quais morreram e mais de 60 crianças, menores de 12 anos. Meri nem os bebés poupava, assim apesar dos protestos do medico russo, ele levou a jovem Õie Ojaäär de 22 anos da maternidade para a deportação. A sua filha recém – nascida morreu na Sibéria um ano e meio mais tarde.

Quero lembrar que no fim de 1951 Meri foi expulso do partido, foi lhe retirado o título do Herói da União Soviética e outras condecorações. O comité central do PCUS achou que o seu papel na deportação dos estónios para a Sibéria foi passivo de mais...

Elena Zubkova: Com a morte do Stalin começou o processo de repatriamento das pessoas deportadas. Em 1955 são preparados os primeiros documentos, mas praticamente até 1958 o poder não consegui decidir como isso deve ser feito. Muito dependia dos líderes comunistas das repúblicas Bálticas. Na Letónia e Estónia essa questão teve o desfecho favorável aos deportados, foi decidido que todos que desejam podem voltar. Na Letónia, o poder local era contrário, argumentando que os deportados são gente politicamente duvidosa, até inimigos, e que o seu retorno pode destabilizar a situação da república. O primeiro secretário do PCUS da Letónia, Arvīds Pelše exigia constantemente ao Moscovo o aumento do número dos efectivos do NKVD / MGB ou da polícia, motivando os seus pedidos com o facto de não saber como lidar com os nacionalistas, que voltaram do exílio siberiano.

Dmitriy Volchek: Professor Strods, eu sei que o seu pedido do visto russo foi negado. Pode explicar como e porque isso aconteceu e se existe a possibilidade de você visitar a Rússia?

Heinrihs Strods: Em 1994 eu trabalhei em Moscovo no Arquivo militar, onde estudei os documentos da operação “Priboi”. Eu viajei pela Rússia, trabalhando com os materiais sobre os partisanes soviéticos, partisanes nacionais. Mas em 2007 o meu pedido do visto foi recusado sem nenhuma explicação.

Fonte:
http://origin.svobodanews.ru/content/transcript/1563949.html

quinta-feira, abril 02, 2009

Raphael Lemkin e o Holodomor

Com efeito, o ano de 2009 assinala o encontro de duas efemérides: os 20 anos da queda do império soviético e os 50 anos do falecimento de Raphael Lemkin, o autor do conceito de genocídio. Mas a ligação entre Lemkin e a União Soviética não se limita à mera coincidência comemorativa. Como iremos ver, ao longo do seu percurso académico e cívico, ele dedicou uma especial atenção a esse país, e em particular à Ucrânia.

por: Luís M. Ribeiro*
Nascido em 24 de Junho de 1900, no seio de uma família de judeus da Rússia Imperial, frequentou nos anos 20 a Universidade de Lviv, então pertencente à Polónia. Escolheu o curso de Direito devido ao impacto que lhe causou o homicídio, em 1921, de Talaat Pasha, um dos dirigentes turcos responsáveis pelo genocídio arménio. Apesar de considerar a sua morte um acto legítimo, Lemkin lamentou a ausência de uma lei internacional que punisse os responsáveis por crimes contra o género humano.

É com esse objectivo que, em 1933, apresenta numa conferência promovida pela Sociedade das Nações em Madrid, uma comunicação sobre aquilo que designa como “actos de barbárie”, e que estará na origem do seu conceito de genocídio.

Enquanto cidadão polaco, Lemkin não podia deixar de estar atento à situação do país vizinho, a União Soviética, e em especial, à imensa tragédia causada pela ofensiva estalinista contra o mundo rural, nomeadamente a colectivização agrícola, a campanha de deskulakização, as deportações, e naturalmente, a Grande Fome de 1932 – 33.

Em consequência da invasão da Polónia pelas forças alemãs e soviéticas em 1939, Lemkin refugia-se nos Estados Unidos da América, onde publica cinco anos depois, a obra Axis Rule in Occupied Europe. Neste livro, descreve a política de terror sistematicamente empreendida pelo regime nazi, tendo como referência um novo conceito legal: o genocídio.

Após a derrota do Nazismo, Lemkin vê no sistema comunista, que dominava o seu próprio país de origem, uma nova ameaça à civilização. As suas convicções conquistam grande apoio entre as comunidades anticomunistas oriundas da Europa Oriental, desenvolvendo estreitas relações com as diásporas báltica e ucraniana.

No dia 18 de Janeiro de 1953, o New York Times informa que Lemkin apelara às Nações Unidas para que condenassem a União Soviética e os países – satélites pelo crime de genocídio, mencionando especificamente a “perseguição aos Judeus”— numa clara referência à alegada Conspiração dos Médicos forjada pela paranóia anti-semita de Estaline.

Passados dois meses, Lemkin regressa à questão do “genocídio soviético”, escrevendo num artigo o seguinte: “É uma ironia da História que oito milhões de ucranianos tivessem de morrer numa fome genocidária, que milhares da fina flor do povo ucraniano tivessem de ser massacrados em Vinnitsia, e que inúmeros homens, mulheres e crianças ucranianas tivessem de perecer nas minas de sal, para que a consciência do Mundo ficasse realmente abalada.” O autor elogia a diáspora ucraniana por ter “explicado ao Mundo o trágico significado de genocídio” e “apelar para que o genocídio soviético seja investigado pelas Nações Unidas.” Declarou ainda o seguinte: “Devemos aproveitar todas as oportunidades para manter a atenção do Mundo […]. O próximo aniversário da fome artificial de 1933 constitui uma boa oportunidade para uma melhor divulgação […].”

No âmbito dessa divulgação, a comunidade ucraniana de Nova Iorque promoveu uma manifestação em memória das vítimas da Grande Fome, no dia 20 de Setembro de 1953. Entre os oradores, encontrava-se Raphael Lemkin, cuja intervenção tem como base um artigo da sua autoria intitulado “Genocídio Soviético na Ucrânia”.

Esse artigo de oito páginas encontra-se actualmente no Departamento de Manuscritos e Arquivos da Biblioteca Pública de Nova Iorque juntamente com outros textos destinados ao seu grandioso, mas nunca concretizado, projecto de uma história do genocídio, desde a Antiguidade até à Época Contemporânea.

Nele, Lemkin descreve o genocídio ucraniano como sendo a concretização, pelo regime estalinista, de uma política de destruição da nacionalidade, consubstanciada nas seguintes etapas: 1.ª) a eliminação das elites nacionais, 2.ª) a destruição da Igreja nacional, 3.ª) o extermínio de uma fracção considerável do campesinato ucraniano, e 4.ª) a diluição identitária do povo ucraniano através de transferências populacionais.

Importa sublinhar que para Lemkin, o regime soviético não tem em mente o aniquilamento total da nação ucraniana, ao invés do genocídio da população judaica pela Alemanha nazi. Na sua perspectiva, a eliminação da intelligentsia, da Igreja e dos camponeses ucranianos é, por si só, suficiente para destruir “a componente que manteve e desenvolveu a sua cultura, as suas crenças, os seus ideais colectivos, que a guiou e lhe deu uma alma, em suma, aquilo que a fez ser uma nação em vez de um mero conjunto de pessoas.”

Na verdade, ao longo da narrativa das quatro etapas do processo destrutivo, o autor sublinha permanentemente o seu carácter nacional, que inclui as principais vítimas do genocídio— os camponeses— vistos como “o repositório” do “espírito nacional” e cujas características fazem deles “uma cultura e uma nação.”

A este propósito, como não lembrar as palavras carregadas de significado de Estaline, que já em 1925, declarara “Os camponeses consideram-se a si mesmos como a força básica do movimento nacional […] É isto que nós queremos dizer, quando afirmamos que a questão nacional é, efectivamente, uma questão camponesa”?

No que respeita à questão da intencionalidade— o segundo elemento crucial na definição de genocídio— a abertura dos arquivos soviéticos, na sequência dos acontecimentos de há 20 anos atrás, proporcionou, finalmente, os necessários elementos de prova, com destaque para a directiva de Estaline de 22 de Janeiro de 1933 e a sua correspondência com Kaganovich a propósito da situação crítica na Ucrânia.

Com efeito, o decreto de 22 de Janeiro de 1933 ao ordenar o bloqueio da Ucrânia e do Kuban, uma região do Norte do Caúcaso de maioria étnica ucraniana, agrava de forma intencional a fome que devastava os territórios de população ucraniana. Por sua vez, na correspondência com o seu braço-direito, Lazar Kaganovich, Estaline evoca, em tom dramático, a necessidade de enfrentar, sem olhar a meios, a ameaça do nacionalismo ucraniano visto como um obstáculo ao projecto de construção de um Estado soviético centralista e ditatorial.

A abordagem de Lemkin do processo de destruição da Ucrânia enquanto nação, revelou-se, na época, bastante inovadora e continua a ser de grande actualidade, tendo permanecido durante mais de meio século praticamente desconhecida, e muito raramente sendo mencionada nas obras dedicadas à Grande Fome ou nos estudos sobre genocídio.

Por fim, em 2008, o texto passou a ser do conhecimento público, permitindo-nos concluir que Lemkin foi o primeiro académico do Ocidente a debruçar-se sobre aquilo que o Parlamento Europeu, em Outubro do mesmo ano, qualificou muito justamente de “terrível crime contra o povo ucraniano e contra a Humanidade” — o Holodomor.
* Historiador português, estudioso do Holodomor

quarta-feira, abril 01, 2009

Ilhas ucranianas em Prudentópolis

ILHAS CERCADAS POR “QUASE” TODOS OS LADOS?: UCRANIANOS, POLONESES E BRASILEIROS EM PRUDENTÓPOLIS

Prof. Ms. Odinei Fabiano Ramos
Doutorando em História – UNESP – Franca

Para a formulação de uma fronteira étnica e identitária é necessário que seja estabelecido um padrão ideal que fundamente e legitime o quadro social e cultural de um grupo. Esse padrão ideal pode ser legitimado através dos usos e costumes, das representações coletivas, da criação de estereótipos, enfim, daquilo que as coletividades trazem como tradicional. Cada grupo estabelece seu próprio tipo ideal e através dele forma representações preconceituosas daqueles que não compartilham de seu modelo de interação e de convivência.

Vale lembrar que essas representações são consideradas preconceituosas por aqueles que não fazem parte do grupo, pois os componentes desse grupo fazem valer seus processos de identificação, pois desse modo acreditam que estarão resguardando seus valores tradicionais.

A partir dessas representações, que compõem um imaginário coletivo, é que as coletividades (re)montam a imagem do “outro” que, como diferente, deve ser tratado como tal. Essa afirmação pode ser percebida no município de Prudentópolis onde grupos que nunca haviam se encontrado (pelo menos não nessa geração) se hostilizam, apropriando-se de um imaginário criado em terras européias, imaginário esse que será reascendido com a presença do “outro”. Essa manifestação de desprezo pelo “outro” nem sempre ocorreu de maneira agressiva, pelo menos não através do contato físico, não sendo raras as vezes que ucranianos foram vistos “atracados” com poloneses e brasileiros. Ela, muitas vezes, podia ser percebida em gestos, termos pejorativos, causos, recusas de ajuda, utilização da língua estrangeira, enfim, todos os meios que possam distanciar, ou pelo menos, diferenciar o “outro”.

Para analisarmos a formulação da identidade prudentopolitana, temos que buscar informações lá na base de sua estrutura, pois é a partir dessas informações que podemos identificar o sistema simbólico criado para a manutenção da(s) fronteira(s), pois é a partir desse sistema simbólico que será criado/transformado o imaginário social prudentopolitano que servirá de base para a disputa identitária. Esse imaginário social pode se expressar de diversas maneiras, mas deve ser caracterizado como sendo comum à sociedade. Esse artigo se divide em três partes: na primeira poderemos vislumbrar a “dificuldade” de ser polonês e brasileiro entre os ucranianos que, como maioria, tentam manter o predomínio do imaginário criado na região. Parece estranha essa composição de “brasileiros” e poloneses, pois o comum seria vermos os receptores manterem um distanciamento dos que chegaram e não se “unir” com um dos grupos. Lembramos que no município de Prudentópolis, poloneses e “brasileiros” são minoria e como tal “lutam” juntos contra a hegemonia ucraniana. Num segundo momento veremos a situação inversa, visto que os ucranianos também se vêem perseguidos pelos poloneses e brasileiros, muitas vezes unidos num mesmo propósito. Num terceiro momento, veremos as transformações e as permanências dentro do quadro cultural desses grupos, pois deste modo poderemos ver quem foi o levou vantagens nessa batalha pelo “poder” em Prudentópolis, se é que podemos dizer que houve vencedor.

Ler mais (16 páginas em PDF):
http://www.facef.br/novo/publicacoes/IIforum/Textos%20EP/Odinei%20Fabiano.pdf