sábado, agosto 30, 2008

Anna Politkovskaia faz 50 anos

Hoje, no dia 30 de Agosto de 2008, a Anna Politkovskaia ia fazer cinquenta anos de idade.
Mas não chegou a essa data, pois foi assassinada a 7 de Outubro de 2006 em Moscovo. O seu corpo foi descoberto por uma vizinha no elevador do prédio no qual habitava.

Anna Politkovskaia

Tymoshchuk – campeão!

No dia 29 de Agosto, o clube de futebol FC Zenit São Petersburgo, conquistou a Super Taça Europeia (Supercopa da Europa), ao bater o poderoso Manchester United por 2 à 1. A partida teve lugar no estádio “Louis II” em Monaco.

Na foto, o capitão da equipa, ucraniano Anatoliy Tymoshchuk levanta a Taça conquistada, com a bandeira da Ucrânia ao peito.

Glória à Ucrânia!
Glória aos heróis!


Foto: © AP Photo/Claude Paris/Scanpix

sexta-feira, agosto 29, 2008

Limpeza étnica na Ossétia do Sul

Geórgia: as imagens de satélite mostram destruição e ataques contra as populações étnicas georgianas dentro da Ossétia do Sul

Nova Iorque, 29 de Agosto de 2008. As recentes imagens de satélite difundidas pelo programa das Nações Unidas – UNOSAT, confirmam a destruição pelo fogo posto das aldeias georgianas dentro de Ossétia do Sul, disse hoje a ONG Human Rights Watch (HRW). A análise detalhada dos danos sofridos em cinco aldeias georgianas nas arredores da cidade de Tskhinvali, mostra que foram causados pelo fogo posto e não em resultado dos combates militares.

Durante a sua pesquisa na área, os investigadores de HRW testemunharam pessoalmente as milícias ossetos pilharem e queimarem as aldeias georgianas, disse Rachel Denber, directora – deputada da Divisão de Europa e de Ásia Central de HRW.

“Estas imagens de satélites indicam até que ponto foram propagadas aos incêndios destas aldeias, realizadas nas últimas duas semanas.”

As imagens novas de satélite, feitas por um satélite comercial no dia 19 de Agosto foram analisadas por peritos do programa de UNOSAT, baseados em Genebra, que por sua vez fazem parte do Instituto das NU para o Treinamento e a Pesquisa e produzem o mapeamento por satélite como suporte para as agências das NU e da comunidade humanitária internacional. Os peritos de UNOSAT identificaram estruturas visíveis nas imagens que foram destruídas ou danificados severamente. A análise dos peritos indica claramente que os padrões da destruição são claramente consistentes com as evidências recolhidas pelos investigadores de Human Rights Watch que trabalham na região.

Entre as imagens publicamente disponíveis do Web site de UNOSAT (http://unosat.web.cern.ch/unosat) está o mapa que marca as posições detectadas por satélite dos lugares com a alta actividade de fogo, nas aldeias georgianas em redores de Tskhinvali. O mapa mostra fogos activos nas aldeias georgianas nos dias de 10, 12, 13, 17, 19 e 22 de Agosto, bem após as hostilidades militares terminadas na área em 10 de Agosto. Nestas datas a ausência de nuvens permitiu que os satélites vissem aquelas posições.

Fogos por datas (alta resolução, 3.3MB)
Fogos por datas (baixa resolução, 1.6MB)

UNOSAT igualmente liberou um conjunto de seis imagens de satélite de alta resolução do conjunto das aldeias georgianas situados à nove quilómetros à norte de Tskhinvali, mostrando que a maioria deles foi destruída.

Aldeias georgianas destruídas (alta resolução, 26.7MB)
Aldeias georgianas destruídas (baixa resolução, 8.5MB)

As imagens indicam fortemente que a maioria da destruição em cinco das aldeias – Tamarasheni, Kekhvi, Kvemo Achabeti (Achaveti do Baixo), Zemo Achabeti (Achaveti do Cima) e Kurta – foram causadas pelo fogo intencional. As imagens de alta resolução destas aldeias não mostram nenhuma cratera do impacto do bombardeamento da artilharia, dos mísseis ou do ataque aéreo. As paredes de alvenaria exteriores e interiores da maioria das casas continuam em pé, mas os telhados de madeira foram destruídas, indicando que os edifícios foram queimados. Somente ao longo da estrada principal da aldeia de Tamarasheni existe um número de casas com as paredes exteriores destruídas, algo que pode ter sido causado pelos disparos dos tanques. As testemunhas georgianos de Tamarasheni disseram a Human Rights Watch que tinham testemunhado os tanques russos sistematicamente dispararem contra as suas casas no dia 10 de Agosto.
Imagens de satélite detalhadas da destruição das aldeias georgianas (10.2MB)
No dia 12 de Agosto os investigadores de HRW testemunharam a pilhagem maciça por milícias ossetos em Tamarasheni, assim como nas aldeias georgianas vizinhas. Os investigadores de HRW viram e fotografaram as casas ainda em fumaça, recentemente queimadas em Tamarasheni. Os testemunhas dos aldeões nas aldeias de Tamarasheni, Kvemo Achabeti e Kekhvi disseram a HRW que as milícias ossetos sistematicamente pilhavam e queimavam as casas georgianas. Na aldeia de Kekhvi, muitas casas tinham sido queimadas por milícias ossetos justamente antes da chegada dos investigadores de HRW, que fotografaram os casas queimadas.

• Ensaio fotográfico de HRW "Queimas e pilhagens das aldeias georgianas na Ossétia do Sul"

Os investigadores de HRW falaram com diversos membros das milícias ossetos que admitiram abertamente que as casas estavam queimadas por seus membros, explicando que o objectivo era se assegurar de que georgianos não tivessem as casas para regressar.

“Tudo isso adiciona as evidências de existência de crimes de guerra e dos abusos graves de direitas humanas,” disse Rachel Denber. “Isto deve persuadir o governo russo da necessidade de processar em juízo aqueles que são responsáveis por estes crimes.”

Os danos mostrados nas aldeias georgianas são maciços e concentrados. Em Tamarasheni os peritos de UNOSAT contaram um total de 177 edifícios destruídos ou danificados severamente, que perfazem quase totalidade dos edifícios na aldeia. Em Kvemo Achabeti há 87 edifícios destruídos e 28 severamente danificados (115 totais); em Zemo Achabeti, 56 edifícios destruídos e 21 severamente danificados (77 totais); em Kurta, 123 edifícios destruídos e 21 severamente danificados (144 totais); em Kekhvi, 109 edifícios destruídos e 44 severamente danificados (153 totais); em Kemerti, 58 edifícios destruídos e 20 severamente danificados (78 totais); e em Dzartsemi, 29 edifícios destruídos e 10 severamente danificados (39 totais).

Alguns depoimentos dos residentes georgianos:

“[Os ossetas] tinham os carros no exterior e pilhavam primeiramente tudo o que gostaram. Então trouxeram o feno, o espalharam pela casa e acenderam-no. A casa foi queimada na frente de meus olhos.”
- Zhuzhuna Chulukhidze, 76 nos, residente de Zemo Achabeti

“Eu fui espancado e a minha casa foi pilhada por milícias ossetos três vezes durante um só dia. Depois de levarem tudo e não havia nada mais para pilhar, trouxeram a gasolina, deitaram o em toda parte nos quartos e na parte externa a casa, e incendiaram tudo. Obrigaram-me ver a minha casa ficar queimada inteiramente.”
- Ila Chulukhadze, 84, residente de Kvemo Achabeti

“[Ossetas] vieram diversas vezes a minha casa e levaram tudo que gostaram. Uma vez que não havia nada mais para levar, derramaram a gasolina e puseram o fogo. Eu assistia como queimaram a minha casa, assim as casas dos meus vizinhos.”
- Rezo Babutsidze, 80, residente de Kvemo Achabeti

“Ossetas removeram primeiramente tudo que poderiam de minha casa. Então trouxeram o feno, puseram o em toda a casa e depois incendiaram. Não permitiram que nós levássemos até os nossos documentos. Eu vi como a minha casa foi queimada completamente.”
- Tamar Khutsinashvili, 69, residente de Tamarasheni

Fonte:
http://hrw.org/english/docs/2008/08/28/georgi19712.htm

Ucrânia: Explosão de paiol militar

A explosão de um paiol militar na Ucrânia, na região de Kharkiv, provocou um incêndio intenso que está a ameaçar a cidade mais próxima, Lozova(ya).

O pessoal militar que trabalhava na instalação foi retirado, disseram os ministros da Emergência e da Defesa. Não houve baixas.
Segundo as mesmas fontes governamentais, a situação é “muito séria” e cerca de 18.000 já foram evacuadas da cidade de Lozova e arredores, – informou o vice – governador provincial, Sr. Serhiy Storozhenko.
A explosão foi provocada por um fogo numa floresta próxima do paiol. Os fortes ventos que se fazem sentir na região impediram os bombeiros de controlar as chamas e evitar o pior. O paiol continua em chamas, explosões estão dar-se até agora. Teme-se que os estilhaços podem atingir as pessoas numa distância de até 5 km. Até agora foram feridos sem muita gravidade duas pessoas, ambos militares.

Neste momento os militares sapadores e o corpo de salvamento estão proceder o levantamento da situação no terreno, Ministro das Situações de Emergência, Volodymyr Shandra sobrevoo o território atingido.

O paiol em Lozova é o 61º paiol do Comando Operativo do Sul do Exército da Infantaria da Ucrânia, a sua extensão é de 494 hectares. Pelos dados do Ministério da Defesa da Ucrânia, o paiol continha cerca de 95 mil toneladas de armamento, incluindo obuses de canhão, minas de 80 mm, obuses reactivos de 150 mm, entre outros.
Vivem 64 mil pessoas em Lozova.

Fonte:

quinta-feira, agosto 28, 2008

Falência da SARL “Ossétia do Sul”

Quando escrevo estas linhas, já se sabe que os territórios separatistas da Geórgia: Abecásia e Ossétia do Sul foram reconhecidos pelas duas câmaras do parlamento russo e pelo presidente Medvedev.

O mercado bolsista russo respondeu a notícia com uma queda acelerada dos índices dos fundos russos, o índice RTC baixou em 6,06 pontos percentuais e o índice MMVB baixou em 4,92%, informou a Gazeta.Ru.

Quem é quem na Ossétia do Sul?

Geralmente os jornalistas ocidentais repetem a sentença sobre a “defesa dos cidadãos russos na Ossétia”. Ainda não vi ninguém perguntar como estes cidadãos foram lá parar. Mas se fossem apenas os cidadãos...

O chefe do KGB da Ossétia do Sul é Anatoliy Baranov, o ex – chefe do FSB da Mordóvia, o chefe do Ministério do Interior Mikhail Mindzaev é o ex – chefe do MINT da Ossétia do Norte (Rússia), o Ministro da Defesa Vasiliy Lunev – é o ex – comissário militar da cidade siberiana de Perm, o secretário do Conselho da Segurança Anatoliy Barankevich – é o ex – vice – comissário militar da província de Stavropol. O primeiro – ministro é um russo étnico, Yuri Morozov. Único ossetino é o presidente Eduard Kokoity.
(Extraído de Yulia Latynina, 8 de Agosto, em Jornal Diário)

A maquina de fazer o dinheiro

Apenas o novo gasoduto que deverá fornecer o gás aos cerca de 7.000 moradores de Tshinvali custou 570 milhões de USD. Moscovo, alegadamente, providencia um orçamento – sombra de defesa de aproximadamente 800 milhões de USD, paga os salários e pensões de 80.000 cidadãos. Embora apenas cerca de 30.000 pessoas “de facto” residem na Ossétia, outros, na procura de trabalho mudaram-se para a Rússia.

A cidade de Tskhinvali*

Em 1886 os judeus georgianos (hebraeli), eram o grupo étnico principal dos moradores de Tshinvali, 1953 pessoas no total; georgianos – 1135; arménios – 744. Os ossetas não viviam na cidade.
Dados de 1917: judeus — 38,4%; georgianos — 34,4%; arménios — 17,7%; ossetas — 8,8%.
1926: georgianos — 33%; judeus — 30,4%; ossetas — 19,8%; arménios — 14,2%; russos – 2%.
1959: ossetas — 57,4%; georgianos — 21,5%; russos – 7,3%; arménios — 4%; judeus — 0,2%.
1989: ossetas — 66,2%; georgianos — 29%; russos – 2,2%; arménios — 1%; azeris – 0,1%, outras nacionalidades — 1,5%.
(* Extraído de: Tshinvali 122 anos atrás)

Quando se fala sobre os bombardeamentos de Tshinvali, é preciso perceber o que é Tshinvali. Dos três lados a cidade é cercada pelas aldeias georgianas, último prédio da cidade é um ponto fortificado. Da cidade dispara-se sobre as aldeias georgianas, os georgianos repostam aniquilando os atiradores. Para que os georgianos não disparem sobre a cidade, basta mandar avançar os atiradores uns cem metros para frente. Mas é a essência do princípio terrorista, você cria focos de resistência nas áreas civis, quando outros disparam sobre você, você traz os corpos das suas crianças até as câmaras televisivas.

A especulação sobre a tragédia **

O blogger russo conhecido no Live Journal pela alcunha de Grend, voltou recentemente da Ossétia do Sul (18.08), onde trabalhou como consultor para ONG Human Right Watch. Eis a sua história.

Cruzei a pé praticamente toda a cidade de Tshinvali (4,5 km x 2 km). Falando dos factos: realmente muitos edifícios foram destruídos e danificados, no entanto as vítimas mortais não são 1.500 – 2.000 pessoas, mas cerca de 70 (registados até agora, mais de metade são os milicianos). Feridos – cerca de 300, praticamente todos eles neste momento se encontram na Rússia. Refugiados não são 30.000 – 35.000, mas ⅓ deste número. E a maioria saiu da cidade antes de 7 de Agosto (início dos combates na cidade). Obviamente que estes números não são finais, mas as grandezas são estas.

Por isso os gritos sobre genocídio (da Geórgia) e catástrofe humanitária – é uma mentira deliberada. Os números sobre as vítimas e destruições são do conhecimento quer das autoridades da Ossétia, quer das russas.

Como consegui perceber, o plano táctico do exército georgiano em Tshinvali era este: através dos bombardeamentos massificados pelos GRAD (sistemas de lançamento simultâneo dos mísseis, primeira classificação da NATO: M1964), obrigar a população civil esconder-se nas caves. Dispersar o exército da Ossétia do Sul (praticamente sem nenhum poder combativo real) e ocupar a cidade. O plano resultou quase na totalidade, se não for a interferência do exército russo.

Não foram registados os casos de humilhações sistemáticas das populações civis da cidade de Tshinvali pelo exército da Geórgia (no dia 10 de Agosto foi registado o incidente que envolvia as mulheres, mas tudo acabou com umas puxadas de cabelos).

As mulheres do distrito de Leningorski contaram o que os soldados georgianos fizeram com um miliciano (preso com a arma nas mãos!): confiscaram a metralhadora, bateram, partiram uma costela e o libertaram. Realmente é um genocídio. Rasgaram todos os passaportes russos que encontraram (moradores de Tshinvali possuem dois – três passaportes: georgiano, russo e da Ossétia do Sul).

Por outro lado, usar o sistema GRAD para disparar contra os bairros habitacionais é demais. Mas saber ao certo quem fiz isso é bastante complicado. Na noite de 7 para 8 de Agosto, com certeza foram georgianos, após disso, não se sabe. O exército russo tem sistemas GRAD e até a Ossétia do Sul possui 06 unidades (04 funcionais).

Visitei a aldeia de Khetagurovo. A localidade sofreu: na parte sul várias casas destruídas, morreram uns 15 – 17 pessoas, na sua maioria – milicianos. Em geral, a situação lá é confusa: na noite de 7 para 8 de Agosto aldeia foi bombardeada pelos georgianos, na manha do dia 8 foi ocupada pelo exército da Geórgia. Mas na segunda metade do mesmo dia os georgianos saíram, vendo o avanço do exército russo. Os russos entraram na tarde do dia 8 sem receber a resistência, mas também acabaram por sair. Na noite de 8 para 9 a parte sul da aldeia foi severamente bombardeada pelos GRAD, com os disparos vindos da direcção de Tshinvali. Na manha do dia 9 chegaram os georgianos, foram muitíssimo surpreendidos pelo que viram, perguntando um velhote local: “Precisa de alguma ajuda?”

Os saques em Kehvi, Achaveti do Cima, Achaveti do Baixo e Tamarasheni foram controlados pelos russos no dia 13 de Agosto, quando eles bloquearam a estrada. Os russos comportam-se muito bem, eu vi pessoalmente um osseto que estava literalmente asfixiar o tenente – coronel russo (exigia a passagem para um corta – mato), o oficial russo até cruzou as mãos atrás das costas.

Uma parte da imprensa russa (que está trabalhar no terreno), ou enlouqueceu na base do patriotismo ou está se transformando em moços de recados das autoridades da Ossétia do Sul. Uma criatura com cabelos longos da televisão NTV tentava verificar os meus documentos e ameaçava “informar a quem do direito”. Os rapazes e meninas que são normais e entendem tudo, sentam-se embaraçados, mas concordam silenciosamente com a ordem estabelecida. O canal (de televisão de expressão inglesa) “Russia Today” pede a qualquer pessoa que encontrar “contar uns horrores” para as suas filmagens – “é, pá, entende – lá, os chefes exigem de nós”.

Foi ver as filmagens dos jornalistas georgianos e fiquei com a inveja, eles estão viver e trabalhar nos arredores de Gori como antigamente, tudo é real.

** Ler a história completa do Grend sobre a sua viagem à Tshinvali
Na primeira foto: o chefe dos separatistas, Eduard Kokoity bebe 3 litros de vinho para comemorar a independência do território, © AP Photo/Dmitriy Lovecki/Scanpix

Dynamo Kyiv 8:2 Spartak de Moscovo...

Após duas mãos na Ligas dos Campeões entre a equipa ucraniana Dynamo Kyiv e a sua congénere moscovita, eis a conta final, os ucranianos ganharam pelo expressivo agregado de 8 à 2.

Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!


Na foto: três cossacos ucranianos assam um leitão na Praça Vermelha em Moscovo...

quarta-feira, agosto 27, 2008

Concerto em apoio do genocídio?

No dia 21 de Agosto, na cidade de Tshinvali, alegadamente, “totalmente destruída”, o maestro de origem ossetina, Sr. Valery Gergiev, deu concerto de musica clássica em apoio aos separatistas da Ossétia do Sul.

– Estamos aqui para declarar a verdade sobre a agressão, – disse maestro. – Se não for a ajuda da grande Rússia, aqui haveria mais vítimas.

A orquestra tocava as musicas de Tchaikovsky e Shostakovitch. Ao lado, numa distância de apenas duzentos metros do palco, as pessoas estavam encarceradas nas gaiolas.

Nas gaiolas, porque eles são georgianos. Eles até podiam ouvir o concerto. Alguns deles, provavelmente conheciam quem são Tchaikovsky e Shostakovitch. Se calhar, até já assistiam a performance do maestro Gergiev, mas na sala ou no teatro. Agora na gaiola. Na primeira fotografia vê-se o lugar onde decorria o concerto.

Fonte & Fotos:
http://community.livejournal.com/georgian_war/250692.html
http://pics.livejournal.com/olegpanfilov2/pic/0001s4f0

Alvaro Dias relembra genocídio de ucranianos

Ao lembrar que a Ucrânia completou 17 anos de independência política no Domingo (24.08), o senador brasileiro Alvaro Dias (PSDB-PR), homenageou os cerca de um milhão de ucranianos e descendentes que vivem no Brasil.

PLENÁRIO / Pronunciamentos
26/08/2008 - 17h23

Em pronunciamento nesta terça-feira (26.08.2008), o parlamentar conclamou o governo brasileiro a reconhecer oficialmente o Holodomor, nome pelo qual ficou conhecido o chamado genocídio de dez milhões de ucranianos, entre 1932 e 1933, sob a ditadura stalinista da ex – União Soviética.

Alvaro Dias explicou que, durante o Holodomor - também conhecido como Grande Fome da Ucrânia ou Holocausto Ucraniano - a fome foi imposta à população pela colectivização forçada e pelo confisco da produção local.
- Para que seja possível dimensionar o Holodomor - sem dúvida uma das mais cruéis tragédias na história da Humanidade -, as perdas do povo ucraniano nesse trágico período superam aquelas suportadas durante a Segunda Grande Guerra - disse o senador.

O parlamentar observou que países como Itália, Estados Unidos, Canadá, Estónia, Argentina, Austrália, Hungria, Lituânia, Geórgia e Polónia, bem como a Comissão Internacional de Juristas, já reconheceram oficialmente a tragédia. Ele informou que a Comunidade Étnica Ucraniano – Brasileira e a ONG “Amigos da Ucrânia” enviou uma Carta Aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Congresso Nacional pedindo o reconhecimento do genocídio.
- Estou convicto de que o reconhecimento dessa tragédia imposta ao povo ucraniano, perpetrada pelo regime totalitário de Stalin, é de suma importância para a estabilização das relações sociais e políticas na Ucrânia, bem como para o devido e inadiável resgate de justiça histórica que se faz igualmente necessário – afirmou o senador.

Alvaro Dias registrou apoio aos deputados Eduardo Sciarra (DEM-PR) e Matteo Chiarelli (DEM-RS), que apresentaram moção instando o governo brasileiro "a reconhecer a gravíssima violação aos direitos humanos praticada contra a população da Ucrânia durante aquele episódio nos anos de 1932 e 1933".

O parlamentar pelo Paraná disse ainda que o estado que representa abriga grande parte dos ucranianos que vivem no Brasil, em especial as cidades de Curitiba e Prudentópolis.

terça-feira, agosto 26, 2008

Ucrânia e JO

Os Jogos Olímpicos de Pequim foram mais frutíferas de toda a história da Ucrânia independente. O país ficou no 11º lugar com 27 medalhas: 7 de ouro, 5 de prata e 15 de bronze.

Mas a situação dos direitos humanos na China não melhorou nem pouco, 1.500.000 pessoas foram “despejados” do Pequim para dar lugar a infra-estrutura olímpica. Mas quem é que quer saber disso...

Fonte (medalhas):
http://sportsillustrated.cnn.com/olympics/2008/medals/tracker

Pombos e falcões da imprensa russa

Parece que a imprensa generalista russa, estimulada pela “guerra de cinco dias” (também conhecida como a operação de “forçar a paz” na Geórgia), decidiu voltar a velha terminologia da guerra fria, onde os capitalistas sempre eram apelidados de “falcões”, mas, alegadamente, se “mascaravam” de “pombos da paz”.

Outrora o diário respeitável, o jornal “Izvestia”, publicou recentemente um pequeno artigo da autoria do seu analítico internacional, Sra. Victoria Leblan, intitulado “Pombinha vira – casaca”, sobre a Secretária do Estado norte – americano, Sra. Condoleezza Rice.

Eis são alguns trechos mais esclarecedores:

— A Secretária do Estado norte – americano, Condoleezza Rice [...] saindo do encontro dos ministros de Negócios Estrangeiros dos países da NATO em Bruxelas deixou cair as penas da “pomba da paz” [...] foi urgentemente a Varsóvia assinar o acordo sobre o sistema de defesa anti – míssil (National missile defense). Desta vez na qualidade do “falcão”.

— A Secretária do Estado norte – americano, Condoleezza Rice está emagrecendo abruptamente. É pouco provável que estamos falar da má nutrição crónica ou falta de apetite por causa dos acontecimentos na Geórgia. Será que esta dama envelhecida e solitária presenciou poucos conflitos locais? Ela, por acaso, não é alheia ao coquetismo: senhora Rice gosta de ajeitar as alcinhas da sua roupa interior durante as negociações com os homólogos – homens, incluindo o ministro russo Sergei Lavrov.

— “Condoleezza e seu patrão George Bush”, [...] “o casalzinho doce”, [...] “a diarreia verbal”, [...] “a menina Rice ultrapassou o limite mitológico aceitável”, [...] “a vaca, na pior das hipóteses”.

— Rice é um típico "pombo vira – casaca". Ou Jano de duas caras.

Fonte:
http://www.izvestia.ru/world/article3119647
p.s.
Nos comentários ao artigo, os cibernautas russas foram menos “coniventes” com o “imperialismo americano”, afirmando, entre outras coisas, que “uma preta daqueles não vale nada”, pois não excita os patriotas moscovitas.

USS Mount Whitney na Geórgia

O USS Mount Whitney, o navio porta – bandeira da 6ª frota americana já está na Geórgia com a ajuda humanitária.

Ver a página do navio:
http://www.mtwhitney.navy.mil/default.aspx
e-mail do oficial das RP

segunda-feira, agosto 25, 2008

Guerra na Geórgia em números

Os números oficiais foram publicados pela Geórgia e por Moscovo. O regime separatista da Ossétia do Sul ainda não apresentou os números exactos, jogando com as “almas mortas” que variam entre 1400 e 2000 pessoas. O vice – chefe do estado – maior do exército russo general Nogovitsin já fala em 4.000 mortos...

Perdas da Geórgia
Mortos: 133 (Min. Defesa) + 13 (Min. Interior) + 69 (civis) = 215
Feridos: 1199 (MD) + mais de 200 (MINT) + 61 (civis) = cerca de 1460 (446 continuam internados)
Desaparecidos: 70 (MD) + ??? (civis) = ???

Perdas da Rússia
Mortos: 74 (entre eles 04 soldados que oficialmente “não estavam presentes na zona de combates”)
Feridos: 171
Desaparecidos: 19

Perdas da Ossétia do Sul
Mortos: ???
Feridos: ???
Desaparecidos: ???

Fonte:
http://vaxo.livejournal.com/234304.html

Foto da REUTERS. Os arredores da cidade de Senaki. O exército russo retira-se, levando consigo os prisioneiros georgianos com mãos atados e olhos vedados.
http://ledilid.livejournal.com/259838.html

sexta-feira, agosto 22, 2008

Exército russo detem o embaixador da França

Enquanto o exército russo continua a “forçar a paz” na Geórgia, um novo termo nasceu na gíria jornalística: “libertar”. Tudo começou quando um militar russo (ou separatista da Ossétia do Sul, pois falava com um forte sotaque caucasiano), “libertou” o jornalista estrangeiro da sua câmara fotográfica, gritando: “Entrega-me a tua câmara, puta, senão mato-te” (acontecimento mostrado nas várias televisões mundiais).

Depois, outro militar russo foi visto pelos jornalistas com um garfo de ouro nos bolsos do seu fardamento militar, a tripulação de um blindado foi filmada a carregar uma bicicleta “libertada”, houve relatos sobre os militares russos e seus comparsas da Ossétia do Sul que “libertavam” até as sanitas, escovas de dentes, pensos higiénicos, etc.

Tudo isso originou a criação de um blogue chamado “Vilochka” (Garfinho ou Forky em português e inglês, respectivamente), cuja tarefa principal é denunciar os abusos e o comportamento inaceitável do exército de ocupação, que continua sem, efectivamente, sair da Geórgia.

Escândalo diplomático: detido o embaixador da França

O escândalo foi originado pelo facto do exército russo deter o embaixador da França na Geórgia, Sr. Eric Fournier (na foto), caso sucedido nos arredores da cidade de Gori. O próprio diplomata europeu contou sobre o acidente à agência noticiosa France Presse.

Eric Fournier disse que os militares russos barraram o seu caminho na ponte junto a cidade de Gori e não o deixaram passar, nem ir embora, sem qualquer explicação sobre a situação.

O MNE francês enviou uma nota formal de protesto a Moscovo, condenando as acções dos militares. Um funcionário do MNE francês citado pela agência AFP, afirmou que restringir as movimentações dos diplomatas é algo “inadmissível”.

Por sua vez, o vice – chefe do estado – maior russo, general Anatoliy Nogovitsin disse que o embaixador francês não foi detido, apenas “não o deixaram entrar na zona de segurança”. A mesma sorte teve a delegação do Comité de Monitoração da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, exército russo alegou que a delegação chegou lá sem o seu consentimento. Lembramos que o acordo de 6 pontos sobre a regulamentação do conflito na Ossétia do Sul foi assinado com ajuda de mediação francesa.

Fontes:
Washington Post
The Moscow Times
P.S.
A vontade de “libertar” alguma coisa (principalmente as bicicletas), já vem de longe, na foto uma mulher alemã tenta não ser “libertada” da sua própria bicicleta pelo soldado soviético em Berlim. Foto foi tirada em 1945 pelo fotografo desconhecido.

O exército russo “libertou” a bicicleta georgiana:
http://www.youtube.com/watch?v=U7rCOyCTPSw

Militar russo “liberta” a câmara fotográfica do jornalista estrangeiro:
http://www.youtube.com/watch?v=NyYfSTbThbE

Geórgia receberá 1 bilhão de dólares

Proeminente senador norte – americano, Joe Lieberman (candidato ao vice – presidente do Al Gore), disse durante a sua visita a Geórgia, que o país receberá os modernos sistemas de defesa antiaérea e anti – tanque. Alem disso, senador – democrata assegurou que a Geórgia também receberá a ajuda no valor de 1 bilião de USD.

— Faremos tudo para a agressão russa não continuar. Se nos permitirmos que a força bruta ganhe, ela não vai parar e isso é inadmissível no século XXI. Nos estamos trabalhar na questão de concessão à Geórgia dos sistemas de defesa antiaérea e anti – tanque. Tudo isso é para a defesa do seu próprio povo, — explicou o senador.

Fonte:
http://www.courant.com/news/nationworld/hc-joetour0821.artaug21,0,7714020.story

Foto:
(SHAKH AIVAZOV, AFP / GETTY IMAGES / August 20, 2008)

Vitória dos comandos georgianos

Apesar do tabu informático sobre estes acontecimentos, na imprensa russa apareceram os primeiros relatos que contam a aniquilação da coluna motorizada do estado – maior do 58° exército russo na Geórgia.

por: Avraham Shmulevich, 12.VIII.2008

O 58° exército russo, antigamente comandado pelo general Alexander Lebed, é a unidade que provavelmente possui a melhor experiência e a prontidão combativa em todo o exército russo. Essa é a unidade responsável pelo Caúcaso, onde ganhou uma certa experiência militar.

Os soldados e os oficiais do exército estiveram várias vezes na linha do fogo, possuem os conhecimentos adequados e têm uma boa disciplina. O comandante do exército é o tenente – general Anatoliy Hrulev, um dos comandantes russos mais experientes. Foi ele que encabeçou a ofensiva militar do exército russo na Ossétia do Sul.

Até que todo o estado – maior do 58° exército foi surpreendido e praticamente aniquilado pelos comandos georgianos, que apareceram em grande número “não se sabe da onde”. O repórter do jornal russo “Komsomolskaya Pravda”, conta como tudo aconteceu (o seu monólogo original):

“Estávamos no BTR do comandante do 58° exército, íamos à caminho de Tshinvali, numa coluna de 30 carros militares, para desbloquear os pacificadores e jornalistas russos, cercados na Ossétia do Sul. A estrada principal era impiedosamente bombardeada e nos decidimos tomar outro caminho, através da mata. De repente, eu reparei em dois georgianos. Depois olhei melhor: atrás de cada poste estavam os georgianos, com as metralhadoras, as metralhadoras pesadas. Avisei o soldado que estava ao meu lado. Ele gritou como um possesso: “Georgianos!”. A coluna parou.”

Já que esta era a primeira saída do comandante Hrulev ao teatro de operações, ele deveria ser seguido por todo o seu estado – maior. Torna-se claro, que os georgianos tinham os dados exactos sobre as movimentações da coluna. Embora seja possível que os EUA passem aos georgianos as informações sobre as movimentações da maquinaria da guerra russa (obtidas via satélite), a presença do comandante poderia ser facilmente ocultada. O mais provável, que estas informações chegaram aos georgianos através da rede dos agentes no terreno, que também atesta a qualidade do serviço de inteligência georgiana no território russo.

Apesar de coluna do comandante deva ter uma protecção militar, composta quer pelas tropas terrestres, quer pelos aparelhos VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado, também conhecidos pela sigla UAV, do inglês Unmanned Aerial Vehicle), quer por satélites, os comandos georgianos conseguiram aproximar-se à coluna a uma distância de queima – roupa.

Eles eram numerosos e abriram o fogo contra os russos já praticamente nos arredores de Tshinvali (a capital dos separatistas que era tida naquele momento como completamente livre do exército georgiano).

“Os georgianos queimaram logo dois nossos BMP. Disparava-se de todos os lados, caíam as pessoas, nossas e georgianos. O combate travou-se numa distância de 10 metros uns dos outros, disparava-se à queima – roupa. Depois a coluna começou separa-se em várias direcções, estendendo-se numa distância de cerca de 1,5 km. Decidimos voltar para trás, perseguindo o blindado que se afastava da cidade. O general (Hrulev) corria na frente. De repente, ele desapareceu no fumo. No mesmo segundo explodiu o blindado, que nos pretendíamos alcançar.”

No blogue (Live Journal) pessoal do correspondente especial da “Komsomolskaya Pravda” (ver a informação adicional) na Geórgia, Dmitriy Steshin, contam-se os pormenores deste “massacre de inocentes”.

“A coluna caiu na emboscada. [...] O general estava deitado numa valeta, disparava defendendo-se com a sua pistola pessoal”.

É possível que os comandos georgianos pretendiam capturar o general, pois o seu condutor foi abatido, outros ocupantes da viatura foram apenas feridos – situação clássica da captura. Neste caso, o tenente – general simplesmente conseguiu fugir, na confusão do combate a sua identificação já não era possível. Isso também quer dizer que os comandos georgianos controlavam por completo o campo de batalha.

“Depois os atiradores começaram disparar por cima das nossas cabeças. [...] Victor (outro jornalista), saltou e começou a correr em direcção à um BMP meio – abatido que saia da cidade (Tshinvali). Gritou: “Parem, aqui temos os feridos”.

Para onde desapareceram os georgianos, da onde apareceram os atiradores russos e os militares em geral – não se sabe.

“O BMP passou por nos e não parou. Mas logo apareceu um outro BMP. Este parou. [...] Depois nós subimos no BMP e saímos da zona perigosa. Lá foi assistido pelos militares. O major que salvou as nossas vidas não chegou ao hospital. Ele morreu”.

Isso significa, que apesar dos comandos georgianos já terem abandonado a zona de combate e ter passado um certo tempo, pois apareceram algumas forças russas em número considerável, não houve nenhuma ajuda ou pronto – socorro para os feridos, nem a evacuação organizada. Embora estejamos a falar dos oficiais superiores do estado – maior do exército.

“No hospital disseram me, que dos trinta carros de combate, que estavam na coluna, apenas cinco chegaram até o Tshinvali”, — relata o jornalista.

Isso significa que a coluna do estado – maior do comandante do exército russo na Ossétia do Sul foi completamente aniquilada. Os comandos georgianos foram treinados pelos instrutores americanos e israelitas. Parece que os treinaram bem, “ao nível dos melhores exércitos mundiais”.

Fonte:
http://www.apn.ru/publications/article20625.htm

quinta-feira, agosto 21, 2008

Praga. Agosto de 1968





Fotos© Josef Koudelka/Magnum Photos/Agentur Focus/Stern

Brasil comemora a Independência da Ucrânia

Caros amigos da Cultura Ucraniana. O mês de agosto é especial para todos os ucranianos e seus descendentes, pois foi no dia 24 de agosto de 1991 que, finalmente a Ucrânia conquistou a tão sonhada Independência. Para marcar mais um aniversário, teremos dois eventos: no TPUK e no Parque Tingui. Não deixe de prestigiar!!!

Veja a programação em cartaz:
Um abraço,
Marcos Nogas.
Presidente da TPUK - Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana

quarta-feira, agosto 20, 2008

Praga 1968 – Geórgia 2008

40 anos atrás, na noite de 20 para 21 de Agosto de 1968, as tropas do Pacto de Varsóvia (grosso de tropas era fornecido pela URSS), invadiram a Checoslováquia, ocupando a sua capital, cidade da Praga. 40 anos mais tarde, o exército russo invade o território da Geórgia. Será que mundo outra vez vai assistir calado?!

Ver mais sobre a Primavera de Praga

Os despojos da guerra

Nos arredores da cidade georgiana de Gori, uma bicicleta local foi “libertada” pela “heróica” tripulação de um blindado russo.
Fonte:

Ver vídeo:

terça-feira, agosto 19, 2008

URSS desapareceu há 17 anos atrás

No dia 19 de Agosto de 1991, toda a União Soviética acordou com os sons do bailado “Lago do Cisne”. Logo soube-se que um golpe do estado tomou a conta do país: presidente Mikhail Gorbachev foi deposto e se encontrava na sua casa de campo na Crimeia e um Comité Estatal das Situações de Emergência (GKChP em russo), pretendia fazer regredir a história.

Os líderes da intentona eram os membros – seniores do PCUS, que não estavam contentes com as reformas liberais na economia e com a autonomia crescente das repúblicas da União.

Boris Yeltsin e o governo republicano da Rússia foram as figuras principais de resistência pacífica contra os golpistas. Cerca de 100.000 pessoas acorreram em defesa da “Casa Branca” (sede do governo russo), incluindo uma “Centena ucraniana”.

Na noite de 21 de Agosto as populações civis barricavam as ruas do Moscovo com os carros eléctricos e camiões da câmara municipal, para tentar impedir a progressão dos tanque do exército soviético. Em resultado desta resistência pacífica três pessoas morreram (um deles, Ilya Krichevskiy era ucraniano), várias pessoas foram feridos, alguns blindados foram incendiados mas sem sofrer as baixas humanas.

No dia 22 de Agosto os primeiros golpistas foram presos e Mikhail Gorbachev voltou para Moscovo.

No dia 24 de Agosto o Conselho Supremo da Ucrânia (parlamento ucraniano) adoptou a Declaração da Independência da Ucrânia e marcou o referendo popular (1.12.1991), para validá-la. O referendo foi ganho pelos partidários da independência (mais de 90% dos votos a favor) e o dia 24 de Agosto tornou-se o Dia de Independência Nacional.

República de Moçambique reconheceu a Independência da Ucrânia no dia 17 de Março de 1992 e as relações diplomáticas foram estabelecidas aos 19 de Novembro de 1993.

Ler mais sobre golpe do estado de 1991 (em inglês)
August Coup

Foto (agência UKRINFORM):
http://polar-bird.livejournal.com/278450.html
Manifestantes ucranianos em apoio da Independência Nacional, Kyiv, Agosto de 1991

O mundo tranquilo da Geórgia

O Alto Svaneti, também conhecido simplesmente como Svaneti ou Svanétia (em georgiano სვანეთი), é uma região histórica no noroeste da Geórgia. Chamada de Suânia nas fontes antigas, a região foi tradicionalmente habitava pelos svans, uma subdivisão étnica dos georgianos.

Preservado pelo seu longo isolamento e inacessibilidade, esta região do Cáucaso é um excepcional exemplo da mistura de uma paisagem montanhosa com aldeias medievais e casas – torres. A aldeia de Chazhashi ainda tem mais 200 destas invulgares casas, que foram usadas como moradias e como postos de defesa contra os invasores.

O Alto Svaneti foi declarado Património Mundial da Humanidade em 1996.

Fotos: by Euan (um mês atrás)
http://mc-yulka.livejournal.com/471767.html

Ucrânia – Rússia: a discussão completamente diferente

Nós e os outros. Obviamente, essa pequena crónica não pretende esclarecer todas as dúvidas e responder a todos as questões. Mas acredito que por si só, este texto poderá explicar muita coisa, incluindo os porquês da guerra na Geórgia.

* Se o russo ama a Rússia – ele é patriota. Se ucraniano ama a Ucrânia – ele é um nacionalista “banderista” absoluto e irremediável.
* Se o russo diz “hohol” (grunho) – ele simplesmente brinca de maneira amigável com o representante do povo irmão. Se ucraniano diz “moskal” (moscovita) – ele revela o seu interior nacionalista e anti – russo.
* Se o russo participa num comício – ele defende os seus interesses. Se ucraniano participa num comício – ele está retribuindo os dinheiros americanos, que recebeu para a condução das actividades anti – russas.
* Se o presidente russo se relaciona com o presidente americano – ele estabelece as relações bilaterais. Se o presidente ucraniano se relaciona com o presidente americano – ambos estão tramar uma conspiração anti – russa.
* Se o russo fala a língua russa, ele simplesmente é um cidadão russo. Se ucraniano fala em ucraniano – ele é um nacionalista maldito, seguidor de Petlyura.
* Se o presidente russo declara os slogans pró – russos – ele é um presidente como deve ser. Se o presidente ucraniano declara os slogans pró – ucranianos – ele um nacional – fascista pró – americano e anti – russo.
* Se o governo russo não concorda com o governo ucraniano – ele defende os interesses nacionais. Se o governo ucraniano não concorda com o governo russo – vamos cortar lhes o gás para ganharem o juízo.
* Se o fazedor de opinião russo diz que o povo ucraniano e a sua língua não existem – ele é uma pessoa honesta e corajosa.
* Se o fazedor de opinião ucraniano não parar de destorcer grosseiramente a realidade para provar as suas mentiras completamente infantis, infundadas e maliciosas (e que podem manchar o bom relacionamento entre dois povos – irmãos), vamos aumentar o preço do gás para a Ucrânia em pelo menos 50%, para ganharem o juízo, seus “hohly” – grunhos malditos, pagos pela NATO – CIA à peso de ouro. Vocês não vão conseguir destruir a bela amizade milenar entre os nossos povos – irmãos!

(c) popular & JNW

Fontes:
http://posmixator.livejournal.com/296802.html
http://vent-de-la-mer.livejournal.com/205149.html
p.s.
Antes de ontem, teve uma pequena discussão com um “conterrâneo”, sobre a questão da Geórgia. No meio da conversa entramos no sub – tópico: “Porque as pessoas não gostam do NKVD – KGB”.

Eu: — Veja só, nos anos 1944-52, na Galiza ucraniana, o NKVD fazia piores atrocidades contra populações civis, usando o fardamento dos guerrilheiros do UPA...
Ele: — Isso é a essência da guerra, ali não há regras, a guerrilha é muito difícil de derrotar, por isso todas as tácticas empregues são legais e aceitáveis...
Eu: — Então o presidente Saakashvili também tem o direito de empregar todas as tácticas possíveis e imaginárias, pois a Geórgia está em guerra e para ganhar tudo é aceitável?!
Ele: — É pá, não podes distorcer as minhas próprias palavras, são as guerras completamente diferentes!!!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Os saqueadores

Este camião blindado de marca “Ural” e matricula russa, foi detido na localidade de Igoeti (50 km de Tbilisi). O camião só parou, quando os seus pneus foram furados pelo fogo de metralhadora pesada. Dentro do camião havia sanitas, televisões, aparelhos áudio e vídeo, escovas de dentes, comida, fraldas para crianças, etc. Ao volante estavam dois soldados russos muito bêbados, que perderam-se no caminho para a cidade georgiana de Gori.


Fonte:
http://a-ingwar.blogspot.com/2008/08/blog-post_5309.html

Ucrânia apoia a Geórgia

Na capital ucraniana, cidade de Kyiv, decorreu a acção da iniciativa pública: “Army of Liars” (Exército dos mentirosos).

No sábado, dia 16 de Agosto, uma marcha denominada “Army of Liars” tomou conta do centro da cidade, avenida Hreshatyk. Os participantes chamavam atenção pública sobre os factos da desinformação dos cidadãos pelos média russos.

Os participante da marcha representavam de maneira alegórica a imprensa russa como “exército de mentirosos”, os bonecos nas mãos do Kremlin. Como tal, eles tiveram o traço comum: longos narizes do Pinóquio. Os activistas da manifestação distribuíam os panfletos com “Vocabulário político – militar georgiano – russo”, que é actualmente usado pela imprensa russa: “agressão” = “forçar a paz”, “soldados georgianos” = “assassinos em uniforme militar”, etc. Os “pinóquios” russos também carregavam os cartazes e gritavam as palavras de ordem, retirados do famoso livro 1984 do George Orwell.

Guerra é a Paz
Liberdade é a Escravidão
Ignorância é a Força


Embora as operações militares russas na Geórgia oficialmente estão terminados, a desinformação em larga escala continua presente nas televisões, jornais e Internet. “A bala mata um, enquanto a mentira assassina milhões”, - disse Dana Vershagina, uma das organizadoras desta iniciativa.

“A atenção especial também tem que ser prestada aos órgãos ucranianos de comunicação social irresponsáveis, que na maioria dos casos usam as fontes russas, que transmitem os pontos da vista russos para o público ucraniano. E estamos a falar de um país que ameaça directamente a Ucrânia com uma agressão militar”, - afirmou Andriy Horbal, outro activista do evento.

“Apelamos a todos os jornalistas, editores dos jornais, das estações da rádio, canais da TV da Ucrânia: grande responsabilidade sobre o futuro da Ucrânia está nas suas mãos. Depende de vocês o que o público ucraniano saberá – verdade ou desinformação do Kremlin”, - frisou Nazar Grynyuk, um dos responsáveis do evento.

Contactos:
Dana Vereshchagina: +380 66 147 7368
Andriy Horbal +380 97 223 3204

Fotos: Nazar Grynyuk
http://horbal.livejournal.com/73093.html

Mais fotos do evento:
Agência Delfi: http://foto.delfi.ua/album/1180/
Agência UNIAN: http://photo.unian.net/ukr/themes/8951
Banderivka: http://banderivka.livejournal.com/298907.html

P.S. No sul da Ucrânia, na cidade portuária de Odessa, neste sábado, dia 16 de Agosto, também teve o lugar uma manifestação popular em apoio a Geórgia. Os manifestantes tinham cartazes com dizeres: “Não à guerra”, “Geórgia é unida e indivisível”, “Paz à maneira de Kremlin”.

Mais fotos:
http://elenayaschenko.livejournal.com/98792.html

Geórgia: nos nunca se renderemos!

A CNN mostrou estes dias uma conversa entre o seu jornalista e um soldado georgiano, que disse com algum cansaço, mas com muita calma: “pode dizer ao mundo, que o exército georgiano não se vai render”. O homem não era nenhum super – herói, era baixinho e aparentemente não era fã de musculação. Mais tarde, o Presidente Saakashvili disse o mesmo numa entrevista telefónica directa para a CNN: “A Geórgia nunca se renderá, nós nunca se renderemos! Porque a democracia é mais forte que todas as bombas e todas as armas deles. Nos vivemos 70 anos sobre o comunismo e não queremos mais”.
A imprensa internacional continua sem conseguir responder uma pergunta muito simples. Como “cidadãos russos” apareceram na Ossétia do Sul? O Kremlin diz que está lá para defender os seus cidadãos, como é obrigado pela constituição, mas ninguém explica como estes cidadãos lá pararam. E a resposta é simples: os passaportes russos foram larga e generosamente distribuídos, exactamente para um momento destes. Quando um país soberano decidir acabar com o banditismo e o separatismo dentro das suas fronteiras, de repente, é confrontado com uma realidade “paralela”, todos os bandidos, todos os “fora da lei”, todos os separatistas são cidadãos de um país estrangeiro. E a prisão de qualquer ladrão, violador ou salteador pode ser vista como “genocídio” e “crime da guerra” pelo país... vizinho.

Não se sabe ao certo qual é o objectivo principal do Moscovo no caso da Geórgia. E os cenários vão do mau ao muito mau. Provavelmente o Kremlin pretende derrubar o Presidente Saakashvili, pondo como a condição para negociar a paz, a sua demissão. Eles podem até tentar matar o Presidente georgiano, como já aconteceu em 1994 com o primeiro Presidente da Geórgia independente, Zviad Gamsahurdia. Podem tentar convencer o mundo que Presidente Saakashvili cometeu o “genocídio”, é para isso que Moscovo enviou a Tshinvali (capital separatista), uma equipa de 150 “peritos”, cuja missão é reunir as “provas” de tais actos “genocidários”. A Rússia já começou a falar sobre os “operativos” da Geórgia, que alegadamente pretendiam cometer os actos de sabotagem na Rússia (algo semelhante foi feito em 1999, quando os guerrilheiros chechenos foram acusados em explodir alguns edifícios nos blocos residenciais russos). Neste cenário mau, os tanques russos até podem atacar a cidade de Tbilisi e talvez por isso o exército georgiano está tentar reforçar as defesas da capital. Se este cenário se tornar a realidade, será quase o fim da Europa pós – queda do murro de Berlim, pois significará que a Rússia pretende restaurar o império soviético, retomando o controlo sobre uma grande parte da ex – URSS, com pequenas excepções dos Estados Bálticos, talvez a Galiza ucraniana e algumas teocracias da Ásia Central.

No cenário menos mal, a Rússia irá ocupar uma zona – tampão entre a Geórgia e as zonas separatistas de Ossétia do Sul e Abecásia, obrigando o Presidente Saakashvili comprometer-se a não poder aproximar-se daquela região. O Moscovo usará como padrão as práticas de Israel e quando for chamado a razão, irá justificar-se: “Se o Israel pode, nós também podemos”. Assim como já declarou Konstantin Kosachev, um dos responsáveis da Duma (Câmara baixa do parlamento russo), na entrevista à jornalista da CNN, Fionula Swinney: “Nos não iremos bombardear o Tbilisi, como a NATO bombardeou o Belgrado”. Infelizmente não há muita coisa a dizer, lembro que na altura achava que o bombardeamento do Belgrado e das infra – estruturas sérvias era um grande erro. Agora este erro é usado com algum sucesso para justificar a agressão contra a Geórgia.

No momento, quando escrevo estas linhas, sabe-se que o exército russo capturou a cidade de Gori, que está no território genuinamente georgiano, fora da zona de conflito da Ossétia do Sul. Kremlin nega as tais acusações, mas ninguém poderá acreditar que os separatistas da Ossétia, ainda ontem esmagados pelo exército da Geórgia, hoje podem ter a tal capacidade combativa.

Parece que a Europa e os EUA enganaram outra vez os georgianos (e vão enganar todos, aqueles que neles confiaram), ninguém vai defender a Geórgia, ninguém vai mexer uma palha, para parar a ofensiva militarista russa. Os únicos soldados com quais a Geórgia poderá contar, são as suas tropas estacionadas no Iraque e no Afeganistão. E com alguma solidariedade internacional, que nestas coisas de guerra, não valem lá muita coisa...

P.S. Parece que as coisas já não estão tão más para a Geórgia, como eu previa no pior cenário: a) Angela Merkel já disse que a entrada da Geórgia na NATO não é uma questão “se”, mas uma questão “quando”. b) Richard Holbrooke já falou publicamente sobre as limpezas étnicas contra as populações georgianas; c) Human Right Watch já desmentiu a informação sobre os 2.000 mortos na Ossétia do Sul, informando que entre o dia 6 até o dia 12 de Agosto (após a ofensiva georgiana cessar), no hospital de Tshinvali deram entrada 273 feridos e 44 mortos. Entre militares e civis, com uma grande predominação dos militares.

Ucrânia defenderá a Europa

Ucrânia admite disponibilizar radares de defesa anti – míssil aos países ocidentais

A Ucrânia, que tal como a Geórgia ambiciona integrar a NATO, admite colocar os seus radares de defesa anti - míssil à disposição do Ocidente e expulsar a frota russa da base alugada por Moscovo em Sebastopol, na Crimeia.
Depois de a Rússia ter denunciado o acordo de cooperação para a utilização conjunta dos radares de Mukatchevo (Oeste) e Sebastopol (Crimeia), a Ucrânia admite a “possibilidade de estabelecer uma cooperação activa com os países europeus, bem como com Estados estrangeiros interessados na [recolha] de informação espacial”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgado hoje.
Estes radares estão situados em locais estratégicos, mas os analistas lembram que entraram em funcionamento em 1979, razão por que deixaram de ser considerados úteis por Moscovo. Contudo, a simples sugestão desta cedência ao Ocidente deverá contribuir para aumentar a tensão entre os dois países.
A proposta de Kyiv surge dois dias depois da conclusão de um acordo para a instalação de parte de um sofisticado escudo anti – míssil norte-americano na Polónia – uma iniciativa há muito em debate mas que acabou por ser precipitada pelo conflito no Cáucaso.
A guerra entre as tropas da Geórgia e da Rússia por causa do controlo da região separatista da Ossétia do Sul veio aumentar a tensão entre Moscovo e o Ocidente e levou vários países do Leste da Europa a reafirmarem a sua aliança com Washington.
“A declaração de Kyiv está directamente ligada à intervenção das forças russas na Geórgia”, explicou à AFP Volodymyr Sessenko, director do centro de investigação política ucraniana Penta. O perito sublinha que a entrada das tropas russas na Geórgia fez a Ucrânia a temer um gesto idêntico em regiões pró – russas do país e por isso vem “reafirmar o desejo de aderir a um sistema de segurança apoiado pelo Ocidente”. A proposta surge dias depois de a Ucrânia ter imposto restrições à movimentação da frota russa no mar Negro, obrigando os navios a pedirem autorização, com 72 horas de antecedência, para entrar ou sair do porto de Sebastopol. Esta instalação foi cedida a Moscovo ao abrigo de um contrato de concessão por vinte anos, com fim previsto para 2017, mas Kyiv pretende denunciá-lo o quanto antes.
Moscovo reagiu com duras críticas à decisão de Kyiv, o que terá levado o Presidente pró – ocidental ucraniano, Victor Yushchenko, a anunciar esta nova medida.

Fonte: