terça-feira, setembro 23, 2008

Ucrânia entre a EU e a Rússia

O Presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko visitou os EUA na Segunda – Feira, para participar na 63ª secção da Assembleia Geral da ONU. Esta é uma transcrição parcial de uma entrevista, que o Presidente ucraniano concedeu à repórter Natalia A. Feduschak, antes da sua partida para a Ucrânia. O tema principal da entrevista é o balance das relações ucranianas com a União Europeia e com a Rússia.

Por: Natalia A. Feduschak, The Washington Times

– Depois da invasão da Rússia contra a Geórgia, na Ucrânia e no exterior as pessoas estão preocupadas que o mesmo destino aguarda a Ucrânia. Até que ponto é perigoso para a Ucrânia a presença da Frota russa do Mar Negro na Crimeia?
– Esta não é uma questão que toca apenas a Geórgia, é uma questão que diz respeito a todos nós. Por isso é muito importante que os líderes mundiais, incluindo a União Europeia, reagirem de forma adequada nessa situação. Não creio que existe esse tipo de perigo para a Ucrânia, porque a Ucrânia não é a Geórgia. A resposta é só uma – adesão a um sistema colectivo de defesa. A integridade da Ucrânia não pode ser objecto de uma discussão. Quando falamos do conflito georgiano no contexto da frota russa, existe a preocupação de que o território ucraniano foi utilizado em acções militares activas num terceiro país.

– O presidente russo Dmitry Medvedev, afirmou recentemente que nenhuma reunião entre os presidentes da Ucrânia e da Rússia poderá ter lugar até que todas as questões da Frota do Mar Negro estejam resolvidos.
– Não, isso não é assim. Temos muitos acordos que estão prontos para serem assinados durante as reuniões. Precisamos de ter o diálogo. A Frota do Mar Negro não deve ser um obstáculo nas nossas relações com a Federação Russa.

– Essa frota deve deixar a Crimeia em 2017?
– Já falei disto. Do nossa ponta de vista, o prazo para o estacionamento da Frota do Mar Negro em território ucraniano está ligado ao contexto de segurança ucraniana. Vemo-la na nossa integração na Comunidade Europeia, no sistema Euro – Atlântico de defesa. Esse foi o caminho da Europa Oriental. Em outras palavras, cada país soberano tem o direito soberano de sua escolha. Temos de colocar a questão do estacionamento de Frota do Mar Negro no quadro de 2017. (Nota do editor: acordo que permite a Rússia de usar o porto ucraniano de Sebastopol expira em 2017).

– Será que a adesão da Ucrânia à NATO é possível agora?
– A entrada na aliança (após um convite recebido), será aceite de forma mais democrática. Iremos fazê-lo através de mecanismos democráticos. Mas hoje, não estamos falando do NATO, mas falamos de um acordo de parceria que queremos ter um nível de cooperação mais avançado.
Para nós avançarmos, temos de receber um sinal da Aliança que somos respeitados, que somos valorizados. Como uma resposta qualitativa, será um estado novo das relações com a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Em cada dia estou mais convencido de que esta posição é a única forma de manter a soberania da Ucrânia. Se falar de uma escala, perspectiva histórica, essa é a única maneira de uma vez para sempre colocar um ponto final na questão da nossa integridade territorial.

– O Vice – Candidato presidencial republicano, Sarah Palin, disse recentemente que se a Geórgia fosse um membro da NATO, os EUA entrariam para a guerra para defendê-la.
– Se vamos rever as lições de todo aquilo que aconteceu, então acho que a primeira lição que precisa ser aprendida é não só das relações entre a Rússia e a Geórgia, mas no âmbito da região. E temos a conclusão que a região do Mar Negro, hoje não é equilibrada, pois não possui um balance de segurança. Este é um problema não só da Geórgia. Estou convicto de que este é um problema não só da nossa região. Este é um problema do continente europeu e num sentido mais amplo, até mesmo um problema mundial. Aqui está a chave para dar-se conta daquilo que aconteceu no Cáucaso.

– Será que a adesão à NATO e à União Europeia é mais importante para a Ucrânia agora do que antes?
– Sem dúvida, é mais importante. Isto foi demonstrado pela reacção da sociedade sobre (a presença) da Frota russa do Mar Negro. É claramente demonstrado que mais de metade da população (ucraniana) disse que após 2017, esta frota não deve permanecer no território ucraniano.

Hoje, quando no mundo, temos tais acções como na Geórgia, particularmente não muito longe da Ucrânia, então se cria alarme e mostra que tipo de perigos existe na região de ponto de vista da segurança.

– Será que os europeus compreendam esses problemas? Será que eles olham para a Ucrânia correctamente quando se discutir o processo de integração na UE, ou eles estão retardando o processo? Os europeus estão com medo de quê?
– Você vê a Europa dividida em vários campos sobre qualquer questão, começando com da política energética, política comercial, de segurança. Esta influência é muito grande e, infelizmente, essas forças puxem em várias direcções. Para formar uma só voz sobre o [relacionamento] Euro – Atlântico... não é assim tão fácil.

Pode-se esquecer da fácil entrada na União Europeia. É uma discussão complexa, é um trabalho colossal, um esforço colossal. Para o progresso da Ucrânia, o que é necessário é o que chamamos de valores europeus. Este não é um presente de alguém a Ucrânia. Esta é a tentativa da Ucrânia para ter igualdade de regras do jogo.
Há algumas semanas, assinamos um acordo para a unificação do sistema energético da Ucrânia e da União Europeia. Agora, estamos trabalhando na criação de um espaço aéreo comum. Esta é a integração. Quando falamos do oleoduto Odessa – Brody e da União Europeia, este é o primeiro gasoduto que dá a resposta à EU sobre o transporte do petróleo do Mar Cáspio para o território da Europa Central e Oriental. Esta é a integração.

Fonte:
http://www.washingtontimes.com/news/2008/sep/22/yushchenko-balances-russian-eu-relations

1 comentário:

osátiro disse...

Cheguei aqui via José Milhazes e queria dar-vos os parabéns.
Espero que a Ucrânia seja independente e soberana e escolhe as Alianças que muito bem entender.
E obrigado pelo esforço que fazem em Portugal.