segunda-feira, Março 21, 2005

Revolução Laranja vs armamento russo

A recente vitoria do Viktor Yushenko, permitirá que Ucrânia acabe de vez o seu balanceamento permanente entre o Ocidente e Leste, escolhendo caminhar para o futuro, junto com o resto do continente Europeu. A Ucrânia irá fazer parte da União Europeia e do NATO e a Rússia poderá ressentir-se em breve desta escolha. Porque? Porque mais do metade do armamento russo é fabricado na Ucrânia, sem a cooperação ucraniana, a Rússia ficará fabricar praticamente as pás e funis.

Por: Olga Bozhyeva, em http://www.mk.ru/

A Frota do Mar Negro
A Frota russa do Mar Negro está aquartelada na península ucraniana da Crimeia até o 2017. Mas embora Moscovo paga o aluguer do território e instalações, a presença das tropas estrangeiras no território de qualquer país, membro da aliança, não é permitida por estatutos de NATO. Por isso a Ucrânia poderá fazer com que a frota russa se mude para bem longe.

Complexo da Industria da Defesa
Indústria da defesa russa, produz apenas 17% do armamento, usado nas suas próprias forças armadas, o resto é produzido na Ucrânia!
Por exemplo, o núcleo do parque da aviação de transporte militar russa, sempre foram e continuam ser os aviões Antónov: An – 12; An – 22 “Antey”; An – 24; An – 26; An 124 “Ruslan”. Todos esses aviões foram projectadas e criados na capital ucraniana Kyiv, no Complexo Aeronáutico Técnico – Cientifico Antónov. Na Rússia, esses aviões apenas eram fabricadas em série. Propriedade intelectual da marca pertence à Ucrânia, por isso as reparações de raiz e as prorrogações tecnológicas do tempo do uso, são feitos na Ucrânia. Já que a Rússia nem sempre tem o dinheiro necessário para pagar os serviços ucranianos, uma parte destes aviões não voa.
Todos os helicópteros militares russos, quer antigos: Mi – 8M; Mi – 24; Mi – 26; quer modernos: Mi – 27; Ka – 27; Ka – 50 “Tubarão Negro”; Ka – 52 “Aligátor”; Ka – 60 “Orca”, recebem os motores da marca “Motor - Sich”, fabricados na cidade ucraniana de Zaporijjia. Mesmo acontece com o moderníssimo hidroavião Be – 200 e com avião misto do treino & combate Yak – 130.

Sistema antiaéreo
Todos os complexos do sistema antiaéreo russo, inclusivamente famosos C – 300, em grande parte são feitos na Ucrânia: camiões Kraz vem da cidade de Kremenchug, torres de radio – locação da Novocramatorsk e 70% de toda electrónica é fabricada na cidade de Lviv. A mesma fabrica também prepara a electrónica para o futuro complexo C – 400, que deverá entrar na defesa em 2006. Sem a electrónica ucraniana, nenhum complexo antiaéreo russo poderá funcionar neste momento.

Cosmos & Mísseis Balísticos
Em 2004, a Rússia lançou para o espaço 7 foguetões de transporte, fabricados na Ucrânia, 4 deles em interesses do Exercito Cósmico da Federação Russa.
Entre os 20 tipos de mísseis nucleares que a Rússia dispõe, 12 foram projectadas na Ucrânia, na cidade de Dnipropetrovsk (terra natal de Primeira – Ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko), na Bureau de Construção “Yujne / Pivdenne” e construídos na fabrica “Pivdenmash” da mesma cidade.
O míssil balístico intercontinental PC – 20B “Voevoda” (“Satã”, na classificação da NATO), atrasou-se no seu primeiro lançamento em cerca de um mês. Porque a alfândega ucraniana reteve o camião que transportava o equipamento de medição da trajectória do voo de Voevoda – Satã. E sem o equipamento ucraniano, os russos não puderam lançar PC – 20B, porque não haveria maneira de medir a sua eficácia. O resto da maquinaria para míssil, também é fabricado em Dnipropetrovsk.
A Rússia fez uma grandiosa publicidade da nova geração dos mísseis balísticos, “genuinamente russos” – “Topol” (Álamo). Mas conseguiu construir apenas 40 peças – uma brincadeira para os “Patriots” americanos. Os restantes mísseis atómicos russos, cerca de 600 ao todo, foram fabricados na Ucrânia e só os técnicos ucranianos podem fazer a sua manutenção periódica obrigatória (uma vez em dois anos). Sem essa manutenção, Rússia será obrigada destruir os mísseis. Hoje, a Rússia possui cerca de 150 mísseis “Satã” (mais modernos), amanha poderá não ter nenhum.
Alem disso, “Topol” “genuinamente russo”, possui apenas uma única ogiva, quando “Satã” fabricado na Ucrânia tinha 10 ogivas! Os militares russos apelidaram “Topol” de lápis e dizem que a Rússia não consegue fabricar o sistema de ogivas divisíveis, que foi criada em Kharkiv (capital ucraniana entre 1919 e 1934). Por isso a Rússia decidiu apostar numa coisa simples e barata – “Topol”.

Complexos Ferroviários de Mísseis de Combate (BJRK)
Estes complexos foram criados na cidade ucraniana de Pavlograd e eram camuflados em simples comboios de mercadorias. “O comboio” era armado com mísseis “Skalpel” (Bisturi) e em 24 horas podia percorrer uma distancia de até 1000 km. BJRK entraram em serviço em 1991 – 1994 e podiam funcionar até 2018. Mas os EUA primeiro negociaram com o governo russo, para que os BJRK não se movimentassem dentro do país, depois conseguiram o acordo da sua destruição. O último complexo, baseado na cidade russa de Kostroma, em princípio, deverá ser destruído em Setembro de 2005.

Avião An – 70
Este cargueiro militar, começou ser projectado ainda nos anos 70. An – 70 era um aparelho revolucionário, porque não precisava de pistas de aterragem convencionais, pois conseguia aterrar na terra batida. Podendo, deste modo, transportar as tropas e equipamento militar directamente para as zonas de combate.
Depois do colapso da URSS em 1991, a cooperação militar entre a Rússia e Ucrânia continuava e dez anos mais tarde, em 2001, o protótipo do An – 70, foi finalmente fabricado. Mas os generais russos, optaram por fazer lobby à um outro projecto “genuinamente russo”. An – 70 imediatamente passou de bestial para o besta e foi esquecido.
Nos meados dos anos 90, a industria aeroespacial europeia lançou um concurso internacional para criação de um cargueiro militar. An – 70 ganhou o concurso, mas a falta de financiamento na Rússia e Ucrânia, fiz com que os europeus decidissem criar o seu próprio cargueiro – A 400M.
A 400M ainda não voa, enquanto An – 70 voa muito tempo e já participou em varias mostras de aviação em Kyiv, Moscovo ou Paris. Mas o Ministro da Defesa russo diz que: “An – 70 não tem perspectiva, a Europa não vêem nenhum interesse nele, An – 70 nem voa”. Presidente russo, Vladimir Putin afirma que: “An – 70 não encontrou os mercados internacionais”. No inverno de 2003/04, os responsáveis da Força Aérea russa, não permitiram que An – 70 participe na prova das temperaturas ultra – baixas na Sibéria, argumentando que “avião não é seguro”.
Estranho, mas vários países do Mundo querem comprar este avião “inseguro”, caso da Índia, China, Emirados Árabes Unidos. Pelo contrario, ninguém aparece para comprar o avião “genuinamente russo”, concorrente desleal do An – 70.
Agora o Complexo Aeronáutico Técnico – Cientifico Antónov em Kyiv, está construir dois aviões An – 70 para a Força Aérea da Ucrânia. Assim a Ucrânia poderá mostrar as qualidades dos aviões do fabrico nacional aos investidores externos. E quem sabe, brevemente ganhar uma certa fatia do mercado internacional de cargueiros.

Complexo Aeronáutico Técnico – Cientifico Antónov
Ucrânia
Kyiv, 03062
Rua Tupolev, 1
Director: Volodymyr Korol
Direcção tel.: + 380 44 442 7098, 442 6075
Fax: + 380 44 442 4144, 443 0005
URL: http://2221.ukrindustrial.com/en

Companhia Estatal de Construção de Aviões de Kharkiv (KSAMC ou KhGAPP)
Ucrânia
Kharkiv, 61023
Rua Sumska, 134
Director: Pavlo Naumenko
Direcção tel.: + 380 057 707 0800, 707 0781
Fax: +380 057 707 0834
Departamento de fornecimento tel.: +380 57 707 0813
Departamento de realização tel.: +380 57 707 0782
Fax: +380 057 707 0782
URL: http://2729.ukrindustrial.com/en

Sem comentários: